Família de produtores em Necochea perdeu 15 cordeiros nesta safra e rebanho caiu de 100 para 30 ovelhas em poucos anos. Ataques ocorrem em múltiplas localidades do sudeste bonaerense; produtores construíram jaulões de 3 metros para proteger animais à noite.
Ataques de pumas dizimam rebanhos e aterrorizam agricultores no sudeste argentino
Você não está acostumado a andar armado nem olhando para trás
Por que os pumas começaram a atacar com tanta intensidade justamente agora?
Viviana não tem uma resposta clara para isso. Ela sabe que estão lá há alguns anos, mas nos últimos seis meses ficou muito pior. Pode ser que a população de presas silvestres tenha diminuído, ou que os pumas estejam sendo deslocados de outras áreas. Ninguém sabe ao certo.
Os jaulões funcionam?
Funcionam para as ovelhas. Mas é como empurrar um problema para frente. Quando as ovelhas estão seguras, os pumas vão atrás dos bezerros. E você não pode construir um jaulão para uma vaca.
Então qual é a solução?
Essa é a pergunta que ninguém consegue responder. As recomendações que recebem — luzes, sons, corredores de vegetação — ou não funcionam ou entram em conflito direto com a necessidade de produzir alimento em terras pequenas.
Viviana quer que os pumas sejam mortos?
Não. Ela deixa isso bem claro. Mas também não quer que sua família perca tudo. Ela quer que alguém encontre um caminho que não seja simplesmente escolher entre conservação e sobrevivência.
E a vida das pessoas mudou?
Completamente. Você não anda mais relaxado no campo. Ouve um latido, se vira. Ouve galinhas agitadas, olha para trás. É um estado de alerta constante que não existia antes.
O Pulso
- Família perdeu 15 cordeiros nesta safra; rebanho caiu de mais de 100 para cerca de 30 ovelhas
- Ataques ocorrem em múltiplas localidades: Tandil, Balcarce, San Cayetano, Orense, Tres Arroyos
- Produtores construíram jaulões de mais de 3 metros de altura para proteger animais à noite
- Quando ovelhas ficam protegidas, pumas atacam bezerros e outros animais maiores
Família de produtores em Necochea perdeu 15 cordeiros nesta safra e rebanho caiu de 100 para 30 ovelhas em poucos anos. Ataques ocorrem em múltiplas localidades do sudeste bonaerense; produtores construíram jaulões de 3 metros para proteger animais à noite.
Pumas intensificam ataques a rebanhos no sudeste de Buenos Aires, matando mais de 100 ovelhas e cordeiros. Agricultores implementam medidas de proteção, mas temem deslocamento de predadores para animais maiores.
Viviana Galli conhece cada canto da propriedade de seus pais em Juan Nepomuceno Fernández, no distrito de Necochea, na província de Buenos Aires. Conhece também, agora, o som que faz um puma ao atacar. Nos últimos anos, esse som se tornou familiar demais. Nesta safra sozinha, a família perdeu 15 cordeiros. O rebanho que chegou a ter mais de cem ovelhas encolheu para cerca de trinta. Quando Viviana começou a contar sua história a vizinhos e amigos, descobriu que não estava sozinha — os pumas estavam em toda parte do sudeste bonaerense.
Os ataques intensificaram-se especialmente nos últimos seis meses, embora a presença dos felinos seja conhecida há três ou quatro anos. Viviana recorda de uma tarde quando chegou ao campo com o marido e encontrou cinco pumas juntos. "É tremendo, há uma quantidade enorme", disse. Seu pai Mario e sua mãe Susana viram o rebanho desaparecer diante de seus olhos. No ano anterior, perderam cerca de trinta cordeiros. Os tios de Viviana, que possuem uma propriedade vizinha, perderam quarenta. Em uma zona de poucos hectares onde todos são vizinhos, mais de cem animais foram mortos. A situação não é isolada — Viviana ouviu relatos de Tandil, Balcarce, San Cayetano, Orense e Tres Arroyos. Os pumas estavam em toda a região.
Os produtores começaram a experimentar defesas. Cercamentos baixos não funcionaram — com dois metros e pouco de altura, os pumas saltavam e levavam as ovelhas por cima. Então construíram estruturas maiores, que Viviana chamou de "jaulões": gaiolas de tela com mais de três metros de altura, cobertas com telhado, onde as ovelhas são guardadas ao entardecer. Em um campo vizinho, a porteira do recinto apareceu arranhada e marcada pelo lado de fora, como se os próprios animais quisessem romper a madeira. Viviana participou de uma palestra sobre fauna silvestre em Balcarce, onde recomendaram luzes, sons, rádios e até burros como defesa. Os pumas atacaram os burros. "Coloque luzes: já colocamos. Compre uma burra: já temos. Coloque música, rádio, som: tudo foi testado", enumerou, indignada.
Mas os jaulões trouxeram um novo problema. Quando as ovelhas ficam protegidas à noite, os pumas simplesmente mudam de alvo. Gustavo Martínez, um produtor situado a cerca de seis quilômetros de distância, cercou suas ovelhas após sofrer ataques. Depois começou a perder bezerros. A mesma coisa aconteceu com a família de Viviana — cercaram as ovelhas e os pumas foram atrás dos bezerros. Em outro campo vizinho, mesmo com estrutura de proteção já construída, morreram catorze cordeiros e quatro ovelhas jovens. Aos tios de Viviana, mataram um bezerro de aproximadamente cento e setenta quilos, que encontraram parcialmente comido. "Ótimo, guardamos as ovelhas, e depois? Porque os animais vão continuar comendo", advertiu Viviana. Você não pode guardar um lote de vacas sob um teto ou metê-las em um galpão.
Algumas das recomendações que recebeu pareciam desconectadas da realidade. Sugeriram manter corredores de vegetação natural para permitir aos pumas se deslocarem para cursos de água e conservar presas silvestres. A propriedade de seu pai tem cerca de cem hectares. Se destinasse superfície produtiva a corredores de vegetação, não poderia semear pasto para alimentar seus animais, não poderia expandir a criação. "Se você faz um caminho de pasto silvestre... o campo é para isso?", questionou. Viviana deixou claro que não é a favor de matar os pumas, mas reivindicou uma solução que contemplasse tanto a conservação da fauna quanto a viabilidade econômica. "Não é somente olhar e dizer: 'Bom, vamos salvar e cuidar'. Eu não sou a favor de matá-los, mas alguma medida deve ser tomada."
O impacto vai além dos números de animais mortos. A vida cotidiana no campo mudou. Poucos dias antes de falar com a imprensa, observaram um exemplar que, pelo tamanho, interpretaram como um macho adulto. O filho de Viviana, enquanto colhia em Orense, viu um puma sair na frente da máquina por volta das quatro da tarde. "No campo, você não está acostumado a andar armado nem a andar olhando para trás. Você está no campo: liberdade absoluta, paz, tranquilidade. Mas hoje você sente o cachorro latir e se vira; ouve um alvoroço de galinhas e olha, porque não sabe de onde pode vir", descreveu. Os agricultores vivem em estado de alerta permanente, modificando rotinas de trabalho e segurança. O problema também coloca em discussão as possibilidades de pequenos e médios produtores sustentarem seus sistemas produtivos, particularmente aqueles que combinam agricultura com criação de animais em pequenos hectares. A resposta ainda não existe.
Citações Notáveis
Coloque luzes: já colocamos. Compre uma burra: já temos. Coloque música, rádio, som: tudo foi testado— Viviana Galli, sobre as recomendações recebidas para proteger rebanhos
Não é somente olhar e dizer: 'Bom, vamos salvar e cuidar'. Eu não sou a favor de matá-los, mas alguma medida deve ser tomada— Viviana Galli, sobre a necessidade de equilibrar conservação e viabilidade produtiva