MPRJ investiga Douglas Ruas por lavagem de dinheiro e crimes licitatórios

Crescimento das empresas coincidiu com ascensão política e comando da prefeitura pelo pai
O padrão temporal que despertou suspeita dos promotores sobre as operações financeiras de Ruas.
Mark

Por que essa investigação começou agora, se as empresas estão crescendo há alguns anos?

Mimi

A denúncia apontou conflito de interesses e enriquecimento ilícito. O que despertou suspeita foi justamente a coincidência: o crescimento das empresas aconteceu no mesmo período em que Ruas subia politicamente e seu pai era prefeito de São Gonçalo.

Luke

Mas crescimento de empresas não é crime por si só. O que especificamente os promotores estão investigando?

Mimi

Eles estão olhando para movimentações de R$ 12,23 milhões em escrituras, compra de imóveis por R$ 7,4 milhões, e depois há os contratos de R$ 702 milhões que Ruas assinou quando era secretário.

Mark

E há evidência de que dinheiro público foi desviado?

Mimi

A PGE disse que não encontrou repasses diretos do governo às duas empresas de Ruas. Mas a investigação está olhando para os contratos com a FP Vieira e as subcontratações.

Luke

Então o que temos confirmado é: empresas cresceram, houve contratos grandes, há conexões entre pessoas. Mas o desvio de dinheiro público ainda não foi estabelecido?

Mimi

Correto. A investigação está em andamento. Os promotores estão tentando estabelecer se houve favorecimento indevido em licitações ou movimentação de valores sem justificativa legal.

Mark

E a conexão com Altineu Côrtes complica as coisas?

Mimi

Sim, porque ele tem foro privilegiado. Quando descobriram que uma empresa dele estava envolvida, o caso foi encaminhado à PGR para decidir se o STF deveria assumir.

Luke

Então temos uma investigação que está apenas começando, com muitas peças ainda sendo montadas.

  • Investigação aberta em julho de 2026 contra Douglas Ruas por crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa
  • Saur Construção adquiriu três imóveis entre 2023 e 2025 por R$ 7,4 milhões; movimentações totais chegaram a R$ 12,23 milhões
  • Contratos de R$ 702 milhões identificados pela auditoria do governo do Rio durante gestão de Ruas na Secretaria Estadual das Cidades
  • Empresa ligada a Altineu Côrtes (presidente estadual do PL) envolvida em negócios com empresas de Ruas

Investigação apura crescimento abrupto de duas empresas ligadas a Ruas coincidindo com sua ascensão política e comando da Prefeitura de São Gonçalo pelo seu pai. Saur Construção comprou três imóveis entre 2023 e 2025 por R$ 7,4 milhões; movimentações chegam a R$ 12,23 milhões, com R$ 9,8 milhões em negócios com empresa específica.

O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação contra o candidato ao governo Douglas Ruas (PL) por suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com foco em crescimento de empresas ligadas a ele e contratos de R$ 702 milhões.

O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma investigação formal contra Douglas Ruas, candidato do PL ao governo estadual, por suspeitas que incluem crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração, que tramita sob sigilo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro desde julho deste ano, foi revelada inicialmente pelo jornal O Globo e agora tem seus detalhes conhecidos através da portaria de instauração do Procedimento Investigatório Criminal.

O ponto de partida da investigação foi uma denúncia que apontava conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas. Os promotores começaram a examinar o crescimento patrimonial e financeiro de duas empresas ligadas ao deputado: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda., que atua no setor de construção e locação, e a DM Invest Consultoria e Participações Ltda., uma empresa de administração e investimentos. Diligências preliminares confirmaram que Ruas tinha vínculo societário com ambas. O que chamou atenção dos investigadores foi a coincidência entre a expansão dessas empresas e a ascensão política de Ruas, particularmente durante o período em que seu pai, Capitão Nelson, comandava a Prefeitura de São Gonçalo.

A Saur Construção adquiriu três imóveis entre 2023 e 2025, dois localizados em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e um em São Gonçalo, na Região Metropolitana. O valor total dessas três operações chegou a R$ 7,4 milhões. Quando os investigadores ampliaram o escopo para examinar todas as movimentações envolvendo escrituras de compra e venda da empresa entre janeiro de 2023 e maio de 2025, o número saltou para R$ 12,23 milhões. Desse total, R$ 9,8 milhões estavam relacionados a negócios com a EBL Participações e Empreendimentos Ltda. O imóvel adquirido em São Gonçalo merecia atenção especial porque havia sido comprado em sociedade entre a Saur e a Normandia Empreendimentos e Participações, uma empresa ligada ao deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL no Rio. Como Altineu possui foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República para avaliar se havia elementos que justificassem a competência do Supremo Tribunal Federal.

A investigação ganhou dimensão adicional quando incorporou uma auditoria realizada pelo governo do Rio sobre contratos firmados durante o período em que Douglas Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades, na gestão do ex-governador Cláudio Castro. Essa auditoria identificou contratos que somavam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um desses contratos, a FP Vieira havia subcontratado a Mineração Santa Edwiges, empresa da família de Altineu Côrtes, criando uma teia de conexões que os promotores passaram a examinar.

Em junho, o MPRJ solicitou à Procuradoria-Geral do Estado informações sobre possíveis pagamentos do governo fluminense às duas empresas ligadas a Ruas. Um mês depois, a PGE respondeu que não havia encontrado repasses às empresas Saur e DM Invest nos registros governamentais. A investigação continua em andamento, com os promotores buscando estabelecer se houve desvio de recursos públicos, favorecimento indevido em processos licitatórios ou movimentação de valores que não encontrem justificativa legal.

A investigação começou após denúncia apontar conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas
— Ministério Público do Rio de Janeiro
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