Investigação apura crescimento abrupto de duas empresas ligadas a Ruas coincidindo com sua ascensão política e comando da Prefeitura de São Gonçalo pelo seu pai. Saur Construção comprou três imóveis entre 2023 e 2025 por R$ 7,4 milhões; movimentações chegam a R$ 12,23 milhões, com R$ 9,8 milhões em negócios com empresa específica.
MPRJ investiga Douglas Ruas por lavagem de dinheiro e crimes licitatórios
Crescimento das empresas coincidiu com ascensão política e comando da prefeitura pelo pai
Por que essa investigação começou agora, se as empresas estão crescendo há alguns anos?
A denúncia apontou conflito de interesses e enriquecimento ilícito. O que despertou suspeita foi justamente a coincidência: o crescimento das empresas aconteceu no mesmo período em que Ruas subia politicamente e seu pai era prefeito de São Gonçalo.
Mas crescimento de empresas não é crime por si só. O que especificamente os promotores estão investigando?
Eles estão olhando para movimentações de R$ 12,23 milhões em escrituras, compra de imóveis por R$ 7,4 milhões, e depois há os contratos de R$ 702 milhões que Ruas assinou quando era secretário.
E há evidência de que dinheiro público foi desviado?
A PGE disse que não encontrou repasses diretos do governo às duas empresas de Ruas. Mas a investigação está olhando para os contratos com a FP Vieira e as subcontratações.
Então o que temos confirmado é: empresas cresceram, houve contratos grandes, há conexões entre pessoas. Mas o desvio de dinheiro público ainda não foi estabelecido?
Correto. A investigação está em andamento. Os promotores estão tentando estabelecer se houve favorecimento indevido em licitações ou movimentação de valores sem justificativa legal.
E a conexão com Altineu Côrtes complica as coisas?
Sim, porque ele tem foro privilegiado. Quando descobriram que uma empresa dele estava envolvida, o caso foi encaminhado à PGR para decidir se o STF deveria assumir.
Então temos uma investigação que está apenas começando, com muitas peças ainda sendo montadas.
O Pulso
- Investigação aberta em julho de 2026 contra Douglas Ruas por crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa
- Saur Construção adquiriu três imóveis entre 2023 e 2025 por R$ 7,4 milhões; movimentações totais chegaram a R$ 12,23 milhões
- Contratos de R$ 702 milhões identificados pela auditoria do governo do Rio durante gestão de Ruas na Secretaria Estadual das Cidades
- Empresa ligada a Altineu Côrtes (presidente estadual do PL) envolvida em negócios com empresas de Ruas
Investigação apura crescimento abrupto de duas empresas ligadas a Ruas coincidindo com sua ascensão política e comando da Prefeitura de São Gonçalo pelo seu pai. Saur Construção comprou três imóveis entre 2023 e 2025 por R$ 7,4 milhões; movimentações chegam a R$ 12,23 milhões, com R$ 9,8 milhões em negócios com empresa específica.
O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação contra o candidato ao governo Douglas Ruas (PL) por suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com foco em crescimento de empresas ligadas a ele e contratos de R$ 702 milhões.
O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma investigação formal contra Douglas Ruas, candidato do PL ao governo estadual, por suspeitas que incluem crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração, que tramita sob sigilo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro desde julho deste ano, foi revelada inicialmente pelo jornal O Globo e agora tem seus detalhes conhecidos através da portaria de instauração do Procedimento Investigatório Criminal.
O ponto de partida da investigação foi uma denúncia que apontava conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas. Os promotores começaram a examinar o crescimento patrimonial e financeiro de duas empresas ligadas ao deputado: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda., que atua no setor de construção e locação, e a DM Invest Consultoria e Participações Ltda., uma empresa de administração e investimentos. Diligências preliminares confirmaram que Ruas tinha vínculo societário com ambas. O que chamou atenção dos investigadores foi a coincidência entre a expansão dessas empresas e a ascensão política de Ruas, particularmente durante o período em que seu pai, Capitão Nelson, comandava a Prefeitura de São Gonçalo.
A Saur Construção adquiriu três imóveis entre 2023 e 2025, dois localizados em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e um em São Gonçalo, na Região Metropolitana. O valor total dessas três operações chegou a R$ 7,4 milhões. Quando os investigadores ampliaram o escopo para examinar todas as movimentações envolvendo escrituras de compra e venda da empresa entre janeiro de 2023 e maio de 2025, o número saltou para R$ 12,23 milhões. Desse total, R$ 9,8 milhões estavam relacionados a negócios com a EBL Participações e Empreendimentos Ltda. O imóvel adquirido em São Gonçalo merecia atenção especial porque havia sido comprado em sociedade entre a Saur e a Normandia Empreendimentos e Participações, uma empresa ligada ao deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL no Rio. Como Altineu possui foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República para avaliar se havia elementos que justificassem a competência do Supremo Tribunal Federal.
A investigação ganhou dimensão adicional quando incorporou uma auditoria realizada pelo governo do Rio sobre contratos firmados durante o período em que Douglas Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades, na gestão do ex-governador Cláudio Castro. Essa auditoria identificou contratos que somavam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um desses contratos, a FP Vieira havia subcontratado a Mineração Santa Edwiges, empresa da família de Altineu Côrtes, criando uma teia de conexões que os promotores passaram a examinar.
Em junho, o MPRJ solicitou à Procuradoria-Geral do Estado informações sobre possíveis pagamentos do governo fluminense às duas empresas ligadas a Ruas. Um mês depois, a PGE respondeu que não havia encontrado repasses às empresas Saur e DM Invest nos registros governamentais. A investigação continua em andamento, com os promotores buscando estabelecer se houve desvio de recursos públicos, favorecimento indevido em processos licitatórios ou movimentação de valores que não encontrem justificativa legal.
Citações Notáveis
A investigação começou após denúncia apontar conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas— Ministério Público do Rio de Janeiro