Portugal valoriza mais o propósito do trabalho na UE, mas 38% não se sente realizado

Valorizam o propósito, mas não o encontram
Portugal lidera a Europa em importância atribuída ao propósito profissional, mas fica muito abaixo da média global em conseguir realizá-lo.
Mark

Então Portugal é o único país europeu onde as pessoas dizem que o propósito importa tanto? Isso não é surpreendente?

Mimi

É, de certa forma. A média portuguesa de 9.1 numa escala de dez é genuinamente alta. Mas o que torna isto interessante é que essa valorização não se traduz em satisfação real.

Luke

Espera — quantos países estamos a comparar aqui? O estudo menciona oito países no total, mas só temos números para Portugal e a média europeia. Não sabemos se a Irlanda ou a Grécia valorizam menos ou mais.

Mark

Boa questão. Mas o ponto é que 38% dos portugueses não se sente realizado. Isso é muito?

Mimi

É bastante. Significa que mais de um terço da força de trabalho portuguesa está a fazer algo que não a satisfaz, apesar de reconhecer que deveria satisfazê-la.

Luke

Mas cuidado — o estudo não diz que 38% não encontra propósito. Diz que não se sente "concretizado" nesse aspeto. São coisas ligeiramente diferentes. Uma pessoa pode encontrar propósito mas ainda assim sentir-se incompleta.

Mark

E os trabalhadores mais velhos? Metade dos que têm entre 55 e 64 anos não sente propósito?

Mimi

Sim, apenas cerca de metade consegue identificar algum propósito. É um número que sugere que algo muda com a idade ou com o tempo de carreira.

Luke

Mas novamente — não sabemos se isto é específico de Portugal ou se é um padrão europeu. O estudo não compara grupos etários entre países.

Mark

Portanto, o que sabemos com certeza é que Portugal tem esta contradição: valoriza muito o propósito mas não o encontra.

Mimi

Exatamente. E isso aponta para um problema real no mercado de trabalho português — as empresas ou os postos de trabalho não estão a oferecer o que os trabalhadores procuram.

  • Portugal lidera a Europa na valorização do propósito profissional, com uma média de 9.1 em 10 — acima dos 8.8 da média europeia —, mas essa distinção esconde uma frustração profunda.
  • Quase 38% dos trabalhadores portugueses não se sente realizado profissionalmente, criando uma tensão entre o que se deseja e o que se vive no dia a dia.
  • O fosso é ainda mais agudo entre os trabalhadores com 55 a 64 anos: apenas metade consegue identificar algum propósito na sua atividade, um dado que contrasta com a importância que todos lhe atribuem.
  • O estudo, que ouviu mais de 5.600 profissionais em oito países e 15 setores, coloca Portugal muito abaixo da média global na capacidade real de encontrar propósito no trabalho.
  • A discrepância entre aspiração e experiência aponta para a necessidade urgente de repensar como as organizações portuguesas constroem sentido e realização para os seus colaboradores.

Em Portugal, o trabalho é encarado como uma vocação mais do que em qualquer outro país europeu — e, no entanto, quase quatro em cada dez trabalhadores portugueses não encontram esse sentido na sua vida profissional quotidiana. O estudo 'European Work Voices 2022', da consultora Kelly, expõe um paradoxo que transcende a estatística: uma nação que eleva o propósito a ideal máximo do trabalho, mas que ainda não encontrou o caminho para o tornar realidade. É o retrato de uma aspiração coletiva que aguarda correspondência.

Um estudo da consultora Kelly, intitulado 'European Work Voices 2022', revelou um paradoxo marcante sobre o mercado de trabalho em Portugal: os trabalhadores portugueses são os que mais valorizam o propósito profissional em toda a Europa, mas uma parte significativa não consegue encontrá-lo na prática.

O inquérito ouviu mais de 5.600 profissionais em oito países europeus e 15 setores de atividade, com uma amostra de 1.530 participantes em Portugal. Quando questionados sobre a importância do propósito no trabalho, os portugueses atribuíram-lhe uma média de 9.1 em 10 — a mais alta da Europa, acima da média continental de 8.8.

No entanto, a realidade vivida conta uma história diferente. Cerca de 38% dos trabalhadores portugueses não se sente concretizado profissionalmente, e Portugal situa-se muito abaixo da média global quando se trata de efetivamente encontrar propósito no trabalho do dia a dia. A distância entre o ideal e a experiência concreta é uma das mais expressivas do estudo.

O cenário agrava-se entre os trabalhadores mais velhos. Na faixa etária dos 55 aos 64 anos, apenas metade consegue identificar algum sentido de propósito na sua atividade profissional — um contraste dramático com a valorização quase unânime que todos os grupos etários atribuem a este fator. O estudo deixa assim um desafio claro: transformar uma aspiração coletiva profundamente enraizada numa experiência de trabalho que lhe faça jus.

Um estudo encomendado pela consultora de recursos humanos Kelly revelou um paradoxo curioso sobre o mercado de trabalho português: os trabalhadores daqui valorizam mais o propósito profissional do que qualquer outro país europeu, mas quase quatro em cada dez não conseguem encontrá-lo no dia a dia.

O inquérito, intitulado 'European Work Voices 2022', ouviu mais de 5.600 trabalhadores em oito países europeus, distribuídos por 15 setores de atividade diferentes. Em Portugal, a amostra incluiu 1.530 profissionais. Quando perguntados sobre a importância do propósito no trabalho numa escala de um a dez, os portugueses responderam com uma média de 9.1 — acima da média europeia de 8.8. Nenhum outro país europeu apresentou uma valorização tão elevada deste fator.

Mas aqui reside a tensão central do estudo: enquanto os portugueses colocam o propósito profissional no topo das suas prioridades, Portugal fica muito abaixo da média global quando se trata de realmente encontrar esse propósito no trabalho que executam. A discrepância entre o que se deseja e o que se vive é significativa e revela uma frustração latente no mercado laboral português.

Os dados tornam-se ainda mais preocupantes quando se olha para grupos etários específicos. Trabalhadores com idades entre os 55 e os 64 anos enfrentam dificuldades particularmente agudas: apenas cerca de metade deste grupo consegue identificar algum sentido de propósito na sua atividade profissional. Esta cifra contrasta dramaticamente com a importância que todos os portugueses, independentemente da idade, atribuem teoricamente a este elemento.

O estudo da Kelly sugere que existe um fosso considerável entre as expectativas e a realidade do trabalho em Portugal. Enquanto a população portuguesa reconhece intelectualmente que o propósito é crucial — classificando-o com notas próximas do máximo — a experiência concreta de trabalho não corresponde a essa aspiração. Para mais de um terço dos inquiridos, essa desconexão traduz-se numa sensação clara de falta de realização profissional.

Em território europeu, é em Portugal onde mais se valoriza o 'propósito' do trabalho que se desempenha diariamente. Contudo, 38% dos portugueses assume não se sentir concretizado nesse aspeto.
— Comunicado da consultora Kelly
Contattaci Domande frequenti