Aos 87 anos, o ator Rui Rezende partiu no domingo, 12 de julho, carregando consigo mais de cinco décadas de ofício cênico e um personagem que a memória coletiva brasileira se recusou a esquecer. Nascido em Minas Gerais e formado nos palcos, nas telas do cinema e nas novelas da televisão, ele encontrou no professor Astromar — o lobisomem de 'Roque Santeiro' — uma espécie de imortalidade involuntária. Viveu seus últimos anos no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, onde a arte que dedicou à vida lhe devolveu, ao fim, acolhimento e dignidade.
Morre ator Rui Rezende, intérprete do lobisomem em 'Roque Santeiro', aos 87 anos
Um personagem que permaneceu vivo na memória de gerações
Por que um personagem de 1985 permaneceu tão vivo na memória das pessoas?
Porque "Roque Santeiro" foi um fenômeno. A novela marcou gerações inteiras. E o lobisomem não era apenas um efeito especial — era um mistério, uma transformação que tocava algo primitivo. Rezende deu corpo e voz a isso.
Ele falava sobre isso em entrevistas?
Sim. Mencionava que ainda era reconhecido pelo papel. Não como algo que o incomodasse, mas como um fato da vida dele. Aquele personagem nunca o deixou.
Cinco décadas de carreira é muito tempo. Por que não é mais lembrado por outras coisas?
Porque nem sempre a quantidade de trabalho define a memória. Um papel certo, no momento certo, em uma novela que toca milhões de pessoas — isso marca mais do que uma longa lista de créditos.
E os últimos anos dele, no Retiro dos Artistas?
Foram anos de repouso, de cuidado. A instituição cuidou dele com respeito. Não é pouco para um artista que deu tanto.
Qual é o legado dele, então?
Um personagem que não envelhece. Gerações que cresceram vendo aquela transformação, aquele medo e fascínio. Isso é imortalidade de um tipo diferente.
Il Polso
- Um dos rostos mais reconhecíveis da teledramaturgia brasileira dos anos 1980 se foi, deixando um vazio que ressoa em gerações que cresceram diante das telas.
- O personagem do lobisomem em 'Roque Santeiro' era tão poderoso que, quarenta anos depois, ainda perseguia Rezende pelas ruas — uma presença que o encantava e o definia ao mesmo tempo.
- Internado desde 2 de julho no Hospital São Francisco na Tijuca, o ator enfrentou suas últimas semanas longe do público, mas cercado de cuidados institucionais no Retiro dos Artistas.
- A causa da morte não foi revelada, deixando a despedida envoluta em silêncio — à altura de quem passou a vida habitando personagens maiores do que qualquer explicação.
Aos 87 anos, o ator Rui Rezende partiu no domingo, 12 de julho, carregando consigo mais de cinco décadas de ofício cênico e um personagem que a memória coletiva brasileira se recusou a esquecer. Nascido em Minas Gerais e formado nos palcos, nas telas do cinema e nas novelas da televisão, ele encontrou no professor Astromar — o lobisomem de 'Roque Santeiro' — uma espécie de imortalidade involuntária. Viveu seus últimos anos no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, onde a arte que dedicou à vida lhe devolveu, ao fim, acolhimento e dignidade.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 87 anos. A notícia veio do Retiro dos Artistas, instituição em Jacarepaguá onde ele vivia desde 2019. Havia sido internado no Hospital São Francisco na Tijuca no início do mês, e a causa da morte não foi divulgada.
Seu nome de batismo era José Pereira Rezende Filho, e ele nasceu em Araguari, Minas Gerais, em novembro de 1938. Ao longo de mais de cinco décadas, percorreu teatro, cinema e televisão com uma filmografia extensa e variada. Ainda assim, foi um único personagem que o definiu perante o Brasil: o professor Astromar Junqueira, que se transformava em lobisomem na novela 'Roque Santeiro', exibida em 1985. O papel era tão marcante que Rezende ainda era reconhecido por ele nas ruas décadas depois — algo que, segundo ele próprio, o tocava profundamente.
Sua trajetória incluiu produções como 'A História de Ana Raio e Zé Trovão', 'Incidente em Antares', 'A Favorita', 'Um Lugar ao Sol' e, no cinema, 'Narradores de Javé' e 'Encarnação do Demônio'. Dezenas de personagens, mas nenhum capaz de eclipsar a silhueta do lobisomem de 1985.
O Retiro dos Artistas, em nota de pesar, descreveu sua trajetória como marcada pela dedicação à arte e afirmou que ele encontrou ali um lar de carinho e respeito. A instituição prestou solidariedade a familiares, amigos e admiradores — uma despedida discreta para quem viveu décadas sob os holofotes.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 87 anos. A notícia chegou pelo Retiro dos Artistas, a instituição onde ele vivia desde 2019, localizada em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, desde o dia 2 de julho. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1938, José Pereira Rezende Filho — seu nome de batismo — construiu uma carreira que ultrapassou cinco décadas. Passou por teatro, cinema e televisão, deixando marcas profundas em cada um desses universos. Mas foi um personagem específico que o acompanhou por toda a vida: o professor Astromar Junqueira, que se transformava em lobisomem na novela "Roque Santeiro", exibida em 1985. Aquele papel se tornou tão forte que, mesmo mais de quarenta anos depois, Rezende ainda era frequentemente reconhecido nas ruas por causa dele. Em conversas, o ator costumava mencionar essa permanência do personagem na memória do público como algo que o marcava profundamente.
Além de "Roque Santeiro", sua filmografia era extensa. Interpretou Bob Lamb em "A História de Ana Raio e Zé Trovão", pela extinta Rede Manchete, e Menandro Olinda na minissérie "Incidente em Antares", da TV Globo. Passou por "A Favorita", "Bang Bang", "Um Lugar ao Sol", "Bom Dia, Verônica". No cinema, esteve em "Narradores de Javé", "O Homem que Desafiou o Diabo" e "Encarnação do Demônio". Dezenas de produções, dezenas de personagens, mas nenhum deles conseguiu apagar a silhueta do lobisomem de 1985.
Os últimos anos de vida, Rezende os passou no Retiro dos Artistas. A instituição, em nota de pesar, descreveu sua trajetória como marcada pela dedicação à arte e por personagens que permaneceriam vivos na memória de gerações. Disse também que ele encontrou ali um lar cercado de carinho, respeito e cuidado — palavras que sugerem uma vida final cercada de dignidade, mesmo longe dos holofotes que o acompanharam durante décadas. O Retiro prestou solidariedade aos familiares, amigos e admiradores do ator.
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Construiu uma trajetória marcada pela dedicação à arte e por personagens que permanecerão vivos na memória de gerações— Retiro dos Artistas