Maricarmen Abascal viveu 70 anos no mesmo apartamento em Madri e passou os últimos sete deles resistindo a uma batalha judicial que, pouco a pouco, foi consumindo sua saúde e sua identidade. Despejada em setembro de 2026 aos 87 anos, ela morreu duas semanas depois no hospital — tornando-se, involuntariamente, o símbolo mais doloroso da crise habitacional espanhola. Sua história lembra que, por trás de cada política pública não aprovada a tempo, há uma vida que não pode esperar.
Morre aos 87 anos símbolo da luta por moradia na Espanha
Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês
Por que a história de uma mulher despejada mobilizou tantas pessoas na Espanha?
Porque Maricarmen não era um caso isolado. Ela viveu 70 anos no mesmo lugar, pagou aluguel regularmente, e ainda assim foi expulsa. Isso revelou um sistema onde empresas compram imóveis baratos justamente para despejar inquilinos antigos e cobrar aluguéis muito maiores. Ela virou o rosto visível de uma crise que afeta milhões.
Mas a gente sabe quantas pessoas foram despejadas na Espanha? O texto não diz. Sabemos que "milhares" protestaram, mas isso é vago. Quantos despejos acontecem por mês? Qual é a escala real do problema?
E quanto à saúde dela? O texto diz que piorou, mas não explica a causa da morte.
A causa não foi informada pela família ou pelo hospital. O que sabemos é que ela estava internada desde o despejo, perdeu massa muscular, teve dificuldade para comer. Os anos de disputa judicial e o trauma do despejo claramente afetaram seu corpo.
Então não podemos dizer que o despejo a matou, tecnicamente. Podemos dizer que sua saúde piorou durante a internação que começou após o despejo. Há uma diferença importante.
E o governo? Conseguiu fazer algo?
Aprovou um pacote de 21 medidas no mesmo dia da morte dela. Mas o Congresso havia rejeitado uma proposta similar dias antes. Só depois que os protestos explodiram é que o premiê agiu.
Importante notar: essas medidas foram aprovadas por decreto, não pelo Legislativo. Sanchéz também convocou eleições antecipadas. Não sabemos ainda se essas medidas vão funcionar ou se vão durar após as eleições.
Der Puls
- Uma empresa comprou o imóvel de Maricarmen abaixo do mercado justamente porque ela ainda morava lá — e depois passou anos tentando expulsá-la com aluguéis impossíveis para sua aposentadoria.
- Após cinco tentativas de despejo ao longo de quase sete anos, ela foi finalmente removida de casa em setembro, internada em seguida e nunca mais voltou.
- Seu caso inflamou as ruas espanholas: manifestantes acamparam em praças, vídeos viralizaram e a pressão popular forçou o premiê Pedro Sanchéz a propor medidas emergenciais contra despejos — que o Congresso rejeitou.
- Do leito do hospital, Maricarmen gravou um vídeo pedindo coragem aos manifestantes, tornando-se símbolo vivo de uma luta que ela já não conseguia travar com o próprio corpo.
- A empresa cedeu e concordou com um novo contrato de aluguel para que ela pudesse voltar — mas o acordo chegou tarde demais: ela morreu antes de cruzar novamente a porta de casa.
- No mesmo dia de sua morte, o governo aprovou um pacote de 21 medidas habitacionais, confirmando que a solução existia — só não existiu a tempo para ela.
Maricarmen Abascal viveu 70 anos no mesmo apartamento em Madri e passou os últimos sete deles resistindo a uma batalha judicial que, pouco a pouco, foi consumindo sua saúde e sua identidade. Despejada em setembro de 2026 aos 87 anos, ela morreu duas semanas depois no hospital — tornando-se, involuntariamente, o símbolo mais doloroso da crise habitacional espanhola. Sua história lembra que, por trás de cada política pública não aprovada a tempo, há uma vida que não pode esperar.
Maricarmen Abascal morreu em 7 de outubro, aos 87 anos, internada no Hospital Gregorio Marañón em Madri. Havia apenas duas semanas desde que fora expulsa do apartamento onde viveu por sete décadas, no bairro de Reitno. Sua morte foi confirmada pelo Sindicato de Inquilinos da Espanha e pela família.
A história começou seis anos antes do despejo, quando uma empresa adquiriu o imóvel a preço reduzido — precisamente porque Maricarmen ainda morava lá, pagando pontualmente cerca de 500 euros mensais com seu contrato antigo. Quando os proprietários exigiram que ela saísse ou aceitasse um aluguel de 1.600 euros — valor impossível para sua aposentadoria de 1.400 euros —, ela resistiu. Foram quatro tentativas de despejo frustradas antes que a quinta, em setembro, finalmente a tirasse de casa. Os anos de disputa judicial destruíram sua saúde: ela passou a usar cadeira de rodas, perdeu massa muscular e dificuldade para comer. Dois dias antes de deixar o apartamento, confessou: 'Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu.'
Seu caso rapidamente transcendeu o individual. Manifestantes tomaram as praças de Madri, vídeos de Maricarmen circularam nas redes e a mobilização se espalhou por outras cidades. A pressão levou o primeiro-ministro Pedro Sanchéz a propor ao Congresso medidas para conter despejos e aumentos de aluguel — proposta rejeitada pelo Legislativo, o que intensificou os protestos e levou Sanchéz a convocar eleições antecipadas.
Mesmo internada, Maricarmen gravou um vídeo pedindo coragem aos manifestantes: 'Lutem, defendam o que é de vocês.' A frase ecoou entre os ativistas como um testamento. A pressão popular acabou surtindo efeito: a empresa concordou em assinar um novo contrato para que ela pudesse voltar. O acordo chegou tarde demais. No dia em que ela faleceu, o governo aprovou um pacote de 21 medidas habitacionais — semelhantes às que o Congresso havia rejeitado dias antes. O que restou foi o legado de uma mulher que, frágil e hospitalizada, pediu que outros continuassem lutando pelo direito de permanecer em casa.
Maricarmen Abascal morreu na quarta-feira, 7 de outubro, aos 87 anos, internada no Hospital Gregorio Marañón em Madri. Havia passado apenas duas semanas no hospital — desde o dia 23 de setembro, quando foi expulsa do apartamento onde viveu durante sete décadas. Sua morte, confirmada pelo Sindicato de Inquilinos da Espanha e pela família, marcou o fim de uma história que mobilizou milhares de pessoas nas ruas espanholas e forçou o governo a repensar sua política habitacional.
O apartamento no bairro de Reitno era seu lar há 70 anos. Seis anos antes de ser despejada, uma empresa havia comprado o imóvel por um preço bem abaixo do mercado — justamente porque Maricarmen ainda morava lá, pagando regularmente seu aluguel. Ela recebia uma aposentadoria de 1.400 euros mensais e conseguia arcar com as despesas: o contrato antigo mantinha o aluguel em torno de 500 euros, incluindo contas. Quando os proprietários decidiram que ela precisava sair, em 2020, iniciou-se uma batalha que duraria quase sete anos. A empresa ofereceu aumentar o aluguel para 1.600 euros — quantia impossível para seus rendimentos — ou vender o apartamento. Maricarmen não tinha como aceitar nenhuma das opções. Enfrentou quatro tentativas de despejo antes que a quinta, em setembro, finalmente a removesse de casa.
Os protestos começaram imediatamente. Manifestantes acamparam em praças de Madri, compartilhavam vídeos de Maricarmen nas redes sociais e exigiam uma solução. O caso transcendeu a história de uma idosa: tornou-se o rosto visível da crise habitacional espanhola, onde aluguéis disparavam e famílias inteiras eram postas na rua. A mobilização se expandiu para outras cidades. Milhares de espanhóis foram às ruas. A pressão foi tanta que o primeiro-ministro Pedro Sanchéz apresentou ao Congresso um pacote de normas para impedir despejos e conter aumentos de aluguel. O Legislativo rejeitou a proposta, intensificando ainda mais os protestos. Diante da escalada de violência nos atos do fim de semana anterior, Sanchéz convocou eleições antecipadas no país.
Mesmo internada, Maricarmen continuou alimentando a luta. Gravou um vídeo do hospital pedindo coragem aos manifestantes: "Eu gostaria de estar aí com vocês, acompanhando o acampamento e a luta. Mas não tenho essa sorte. Por isso, peço coragem a todos. Lutem, defendam o que é de vocês e, por favor, tenham cuidado". A frase que mais ecoou entre os ativistas, porém, era simples e repetida: "Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês".
O despejo e os anos de disputa judicial destruíram sua saúde. Maricarmen usava cadeira de rodas e precisava de ajuda para tarefas cotidianas. Perdeu massa muscular, passou a ter dificuldade para comer. Dois dias antes de deixar o apartamento, ela disse que até sua voz havia mudado. "Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu", confessou.
A pressão dos manifestantes conseguiu o que parecia impossível: a empresa proprietária concordou em fazer um novo contrato de aluguel para que Maricarmen pudesse voltar. O acordo foi fechado enquanto ela estava internada. Chegou tarde demais. Na quarta-feira em que ela faleceu, o governo de Sanchéz aprovou um pacote de 21 medidas para conter a crise habitacional — medidas semelhantes às que havia proposto ao Congresso na semana anterior e que foram rejeitadas. A solução para Maricarmen nunca chegou. O que restou foi seu legado: uma mulher que, mesmo frágil e internada, pediu que outros continuassem lutando pelo direito de permanecer em casa.
Bemerkenswerte Zitate
Isso me afetou em tudo. Eu não sou mais eu— Maricarmen Abascal, dois dias antes de ser despejada
Eu gostaria de estar aí com vocês, acompanhando o acampamento e a luta. Mas não tenho essa sorte. Por isso, peço coragem a todos— Maricarmen Abascal, em vídeo gravado do hospital