Em um país onde mais de 100 milhões de pessoas ainda não completaram o esquema vacinal contra a Covid-19, o Ministério da Saúde confirmou, no início de janeiro de 2023, que as doses pediátricas acabaram — justamente quando uma nova subvariante de alta transmissibilidade começa a circular em solo brasileiro. O desabastecimento que afeta crianças de seis meses a onze anos não é apenas uma falha logística; é o reflexo de uma campanha que nunca alcançou a amplitude necessária. Enquanto o governo negocia com a Pfizer para antecipar entregas e planeja incorporar a vacinação ao calendário permanente,
Ministério da Saúde enfrenta desabastecimento de vacinas pediátricas contra Covid
Mais de 100 milhões de brasileiros têm doses em atraso
Por que o desabastecimento de vacinas pediátricas é mais grave que o de vacinas para adultos?
Porque crianças pequenas não têm a opção de esperar. Um adulto pode adiar um reforço por algumas semanas. Uma criança de seis meses que ainda não recebeu a primeira dose está vulnerável a cada dia que passa, especialmente com uma variante nova circulando.
A secretária mencionou que há 100 milhões de pessoas com doses em atraso. Como isso é possível em um país que já vacinou tanto?
Há uma diferença entre ter recebido duas doses e estar protegido. O esquema ideal agora é duas doses mais reforço. Muita gente tomou as duas primeiras e parou. Alguns por desconfiança, outros porque achavam que estava completo, outros porque perderam acesso. São 100 milhões de pessoas em situação intermediária — não desprotegidas, mas também não otimamente protegidas.
A negociação com a Pfizer para antecipar entregas — isso é realista ou é mais um gesto?
É difícil saber. Depende de quanto a Pfizer tem em estoque e se consegue redirecionar doses de outros países. O Ministério está tentando, mas a realidade é que essas doses estavam programadas para chegar em janeiro de qualquer forma. Antecipar significa talvez conseguir em duas semanas em vez de quatro. Não é uma solução, é um ganho de tempo.
E a volta da CoronaVac — por que isso importa agora?
Porque a CoronaVac é uma vacina que o Brasil produz localmente, no Butantan. Não depende de importação, não depende de negociação com laboratório estrangeiro. Se conseguir ativar essa produção de novo, o país ganha autonomia. Além disso, muitos pais preferem a CoronaVac para crianças pequenas. Ter opções é importante.
A incorporação da Covid ao Programa Nacional de Imunizações — o que muda na prática?
Muda tudo. Deixa de ser uma campanha de emergência e vira rotina. Significa que a vacinação contra Covid entra no calendário que toda criança recebe, junto com poliomielite, sarampo, tudo mais. É reconhecer que esse vírus não vai embora, que precisamos conviver com ele.
El Pulso
- O Brasil enfrenta desabastecimento de vacinas pediátricas contra Covid, com 7,7 milhões de doses em falta para crianças de seis meses a onze anos — exatamente o grupo mais vulnerável.
- A chegada da subvariante XBB.1.5, de alta transmissibilidade, ao território nacional transforma o vazio nas prateleiras dos postos de saúde em um risco imediato e concreto.
- Com cobertura vacinal básica abaixo de 80% e mais de 100 milhões de brasileiros com doses em atraso, o problema vai muito além da falta pontual de insumos.
- O Ministério da Saúde negocia com a Pfizer para antecipar entregas e retoma conversas com o Instituto Butantan sobre a CoronaVac, buscando reconstruir pontes que se deterioraram.
- A decisão de incorporar a vacinação contra Covid ao Programa Nacional de Imunizações sinaliza uma mudança de postura — de resposta emergencial para política permanente de saúde pública.
Em um país onde mais de 100 milhões de pessoas ainda não completaram o esquema vacinal contra a Covid-19, o Ministério da Saúde confirmou, no início de janeiro de 2023, que as doses pediátricas acabaram — justamente quando uma nova subvariante de alta transmissibilidade começa a circular em solo brasileiro. O desabastecimento que afeta crianças de seis meses a onze anos não é apenas uma falha logística; é o reflexo de uma campanha que nunca alcançou a amplitude necessária. Enquanto o governo negocia com a Pfizer para antecipar entregas e planeja incorporar a vacinação ao calendário permanente, milhões de famílias aguardam numa lacuna entre a urgência reconhecida e a proteção ainda não oferecida.
Na sexta-feira, 6 de janeiro, a secretária de Vigilância em Saúde Ethel Maciel confirmou o desabastecimento de vacinas pediátricas contra Covid no Brasil. O problema atinge crianças de seis meses a onze anos: faltam 3,2 milhões de doses para os menores de cinco anos e 4,5 milhões para a faixa de cinco a onze anos, ambas da Pfizer, com entrega prevista até o fim de janeiro. O Ministério da Saúde já negocia com o laboratório para antecipar o envio. Para maiores de doze anos, o abastecimento está normalizado, com apenas questões pontuais de distribuição a resolver.
O desabastecimento, porém, expõe um problema mais profundo. A cobertura vacinal básica com duas doses não chega a 80% da população brasileira, e o esquema completo — duas doses mais reforço — foi concluído por menos da metade do país. Mais de 100 milhões de brasileiros acumulam doses em atraso, um número que ganhou nova gravidade com a confirmação do primeiro caso da subvariante XBB.1.5 no Brasil, identificada em uma mulher de 54 anos em Indaiatuba, São Paulo. A amostra é de novembro, indicando que o vírus já circulava há semanas.
Diante desse cenário, o ministério anunciou a retomada das negociações com o Instituto Butantan para garantir acesso à CoronaVac e o restabelecimento do diálogo entre municípios, estados e governo federal. A medida mais estrutural, no entanto, é a incorporação da vacinação contra Covid ao Programa Nacional de Imunizações — uma transição que transforma a resposta emergencial em política permanente. O desafio agora é fazer com que essas intenções cheguem, em forma de doses, até as crianças que esperam nos postos de saúde.
Na sexta-feira, 6 de janeiro, Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, confirmou o que muitos já suspeitavam: as prateleiras de vacinas pediátricas contra Covid estão vazias. O país enfrenta um desabastecimento que afeta justamente a população mais vulnerável — crianças de seis meses a onze anos — enquanto os adultos, por enquanto, não sofrem com a falta.
O cenário é específico e preocupante. Existem 3,2 milhões de doses destinadas a crianças de seis meses a quatro anos que a Pfizer deveria entregar até o final de janeiro. Para o grupo de cinco a onze anos, faltam 4,5 milhões de doses do mesmo laboratório. O Ministério da Saúde já está em negociação com a empresa para tentar antecipar essas entregas, mas por enquanto a situação permanece crítica. Para maiores de doze anos, o abastecimento segue normal — o problema ali é apenas de distribuição, algo que a secretaria diz pretender resolver nos próximos dias.
Mas o desabastecimento é apenas a ponta de um iceberg maior. Maciel revelou números que expõem uma campanha de vacinação aquém do necessário: a cobertura básica com duas doses sequer atinge 80% da população brasileira. Quando se trata de duas doses mais reforço — o esquema considerado ideal para proteção efetiva — o percentual cai para menos de 50%. Mais alarmante ainda: mais de 100 milhões de brasileiros têm doses em atraso no calendário vacinal recomendado.
O timing dessa revelação não é casual. Na mesma semana, o Brasil confirmou seu primeiro caso da subvariante XBB.1.5, uma ramificação da ômicron identificada em uma mulher de 54 anos em Indaiatuba, no interior de São Paulo. A amostra é de novembro, o que significa que o vírus já circulava no país há tempo. O que se sabe sobre essa variante é preocupante: ela tem alta transmissibilidade. Diante disso, a prioridade do Ministério da Saúde é clara — vacinar as pessoas que estão atrasadas no esquema.
Maciel também anunciou que o ministério vai retomar negociações com o Instituto Butantan para garantir o acesso à CoronaVac, considerada fundamental para a vacinação infantil. Além disso, há planos para restabelecer o diálogo entre municípios, estados e governo federal, um fluxo que aparentemente se deteriorou. E há uma mudança estrutural em vista: a vacinação contra Covid será incorporada ao Programa Nacional de Imunizações, transformando-a de uma campanha emergencial em parte permanente da rotina de proteção do país.
O quadro que emerge é de um sistema de saúde pública que herdou uma situação caótica e está tentando se reorganizar. Não há dramaticidade artificial aqui — apenas números que falam por si. Mais de 100 milhões de pessoas com proteção incompleta. Milhões de doses infantis em atraso. Uma nova variante circulando. E um ministério que reconhece o problema e diz estar agindo, mas cujas ações ainda não se traduziram em resultados visíveis nas clínicas e postos de saúde onde as crianças esperam pela vacina.
Citas Notables
Recebemos o ministério com desabastecimento de vacinas pediátricas, infantis, e recebemos com abastecimento de vacinas adultas— Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde
O que temos sobre a nova variante é a alta transmissibilidade e queremos retomar esses esquemas vacinais, pessoas com dose em atraso— Ethel Maciel