No limiar de uma aliança transatlântica sob pressão, o chanceler alemão Friedrich Merz escolheu a persistência em vez do recuo: diante das câmeras públicas, reafirmou a disposição de cooperar com Donald Trump mesmo após semanas de atritos sobre a guerra no Irã. Merz minimizou a retirada de soldados americanos e o adiamento dos mísseis Tomahawk como questões técnicas e temporárias, mas manteve firme sua crítica essencial — que os Estados Unidos iniciaram um conflito de grande magnitude sem consultar seus aliados. É o retrato de uma parceria que resiste não pela ausência de divergências, mas ape
Merz reafirma cooperação com Trump apesar de tensões sobre Irã
Continuo convencido de que os americanos são nossos parceiros mais importantes
Por que Merz insiste em cooperar com Trump se os dois discordam tão fundamentalmente sobre a guerra no Irã?
Porque para Merz, a aliança transatlântica é maior que qualquer desentendimento tático. A Alemanha depende dos EUA para sua segurança, especialmente com a Rússia como vizinha. Ele está dizendo: vamos discordar, mas não vamos deixar que isso quebre a relação.
Mas isso é sustentável? Trump retirou soldados, recusou os mísseis Tomahawk, e acusou Merz de coisas que ele não disse. Em que ponto a cooperação se torna unilateral?
Merz realmente acredita que os EUA não tinham estratégia no Irã, ou está apenas criticando por criticar?
Ele disse que muitos especialistas compartilham dessa opinião. Não é uma posição isolada. Mas o ponto dele não é apenas técnico — é que Trump agiu sem consultar aliados. Isso é uma questão de processo, de respeito.
Certo, mas o texto não nos diz o que especialistas realmente pensam, ou qual é a avaliação da inteligência alemã sobre a estratégia iraniana. Estamos ouvindo Merz criticar, mas não vemos a substância da crítica.
E quanto aos mísseis Tomahawk? Merz deixou a porta aberta, mas isso é realista?
Ele está sendo pragmático. Reconhece que os EUA têm limitações de capacidade agora, mas não quer queimar a ponte. É um "talvez depois".
Mas quando? Os mísseis foram prometidos em 2024. Agora estamos em 2026 e não há data. Merz diz "ainda não é tarde demais", mas para quem? Para a Alemanha, que precisa deles? Ou para Trump, que pode mudar de ideia novamente?
O Pulso
- Trump acusou Merz de aceitar armas nucleares iranianas — uma afirmação que o chanceler nunca fez —, elevando a tensão retórica entre os dois líderes a um nível pessoal e público.
- A retirada de mais de cinco mil soldados americanos da Alemanha e o adiamento dos mísseis Tomahawk prometidos por Biden criaram a impressão de um esvaziamento gradual do compromisso militar americano com a Europa.
- Merz recusou-se a dramatizar os movimentos de Trump, enquadrando ambas as decisões como continuidades administrativas e não como rupturas estratégicas deliberadas.
- O chanceler manteve sua crítica central intacta: os EUA lançaram uma guerra sem ligar para os aliados antes — e isso, para Berlim, não é um detalhe menor.
- A aliança transatlântica segue formalmente de pé, mas a pergunta que paira é se a convicção de Merz na parceria com Washington conseguirá sobreviver ao acúmulo de atritos não resolvidos.
No limiar de uma aliança transatlântica sob pressão, o chanceler alemão Friedrich Merz escolheu a persistência em vez do recuo: diante das câmeras públicas, reafirmou a disposição de cooperar com Donald Trump mesmo após semanas de atritos sobre a guerra no Irã. Merz minimizou a retirada de soldados americanos e o adiamento dos mísseis Tomahawk como questões técnicas e temporárias, mas manteve firme sua crítica essencial — que os Estados Unidos iniciaram um conflito de grande magnitude sem consultar seus aliados. É o retrato de uma parceria que resiste não pela ausência de divergências, mas apesar delas.
Friedrich Merz não estava disposto a recuar. No domingo, o chanceler federal alemão apareceu diante das câmeras da ARD e reafirmou com clareza que continuará buscando cooperação com Donald Trump — mesmo após semanas de atritos públicos sobre a guerra no Irã.
O contexto era carregado. Merz havia criticado a estratégia americana no conflito iraniano, dizendo que uma nação inteira estava sendo humilhada pela liderança do Irã nas negociações. Trump respondeu com dureza na plataforma Truth Social, acusando o chanceler de considerar aceitável que o Irã possuísse armas nucleares — algo que Merz jamais afirmou. Mesmo assim, o chanceler alemão se recusou a deixar que essas trocas definissem a relação.
Sobre os mísseis Tomahawk prometidos por Biden em 2024, Merz confirmou que não serão instalados na Alemanha por enquanto — não por decisão política, mas porque os próprios americanos não dispõem do suficiente no momento. Sobre a retirada de mais de cinco mil soldados americanos, o chanceler foi direto: tratava-se de um contingente temporário de Biden, cuja saída já vinha sendo discutida. "Isso talvez esteja sendo um pouco dramatizado, mas novidade não é", disse.
O que Merz não estava disposto a abandonar era sua crítica à forma como os EUA conduziram a guerra. Reiterou que os americanos iniciaram um conflito dessa magnitude sem consultar os aliados. "Eu disse a ele: se você quer nossa ajuda num conflito como esse, ligue antes e peça — e ele não fez isso", enfatizou o chanceler.
Merz reconheceu que Trump tinha opiniões diferentes das suas e que era preciso aceitar isso — sem, no entanto, concordar. Declarou que os americanos continuam sendo os parceiros mais importantes da Alemanha na Otan, deixando claro que a aliança transatlântica permanece central para Berlim. A questão que fica é se essa convicção resistirá enquanto as críticas de Merz sobre a guerra iraniana e a falta de consulta americana continuarem ecoando nos dois lados do Atlântico.
Friedrich Merz não está desistindo. No domingo, o chanceler federal alemão sentou-se diante das câmeras da emissora pública ARD e reafirmou, com clareza, que continuará buscando cooperação com Donald Trump — apesar das semanas recentes de atritos públicos entre os dois líderes sobre a guerra no Irã e o papel americano nela.
A declaração vinha carregada de contexto. Dias antes, Merz havia criticado duramente a estratégia dos EUA no conflito iraniano, usando palavras que irritaram Trump: disse que uma nação inteira estava sendo humilhada pela liderança iraniana nas negociações de paz. Trump respondeu com força, acusando Merz de achar aceitável que o Irã possuísse armas nucleares — uma afirmação que o chanceler alemão nunca havia feito. "Ele não sabe do que está falando", escreveu Trump na plataforma Truth Social, acrescentando que se o Irã tivesse arma nuclear, o mundo inteiro seria feito refém.
Mas Merz estava determinado a não deixar que essas tensões definissem a relação. Quando perguntado sobre os mísseis de cruzeiro Tomahawk que Joe Biden havia prometido em 2024 — armas com alcance até a Rússia, cruciais para fortalecer as capacidades defensivas alemãs — o chanceler confirmou que eles não serão instalados na Alemanha, pelo menos por enquanto. A razão era prática: os próprios americanos não tinham o suficiente no momento. Mesmo assim, Merz deixou a porta aberta, dizendo que ainda não era tarde demais para isso acontecer.
A retirada de mais de cinco mil soldados americanos da Alemanha, anunciada por Trump na sexta-feira anterior, também foi minimizada por Merz. Ele a descreveu como contingente temporário que Biden havia estacionado na Alemanha, e cuja retirada já vinha sendo discutida há algum tempo. "Isso talvez esteja sendo um pouco dramatizado, mas novidade não é", disse. Trump havia inclusive sugerido, no sábado, que poderia retirar muito mais do que cinco mil soldados, mas Merz recusou-se a tratar o anúncio como uma ruptura significativa.
O que Merz não estava disposto a recuar era sua crítica à forma como os EUA conduziram a guerra contra o Irã. Ele negou qualquer relação entre o anúncio de Trump sobre os soldados e suas observações sobre a estratégia americana — "Não há qualquer relação", afirmou. Mas reiterou o ponto central: os EUA iniciaram um conflito dessa magnitude sem consultar seus aliados. "Eu disse a ele: se você quer nossa ajuda num conflito como esse, ligue antes e peça — e ele não fez isso", enfatizou Merz.
O chanceler reconheceu que Trump tinha opiniões diferentes das suas, e que era preciso aceitar isso. Mas essa aceitação não significava concordância. "Continuo convencido de que os americanos são nossos parceiros mais importantes na Otan", disse Merz, deixando claro que, apesar das divergências, a aliança transatlântica permanecia central para a Alemanha. A questão agora era se essa convicção conseguiria sustentar a relação enquanto as críticas de Merz sobre a condução da guerra iraniana e a falta de consulta americana continuassem ecoando em Berlim e em Washington.
Citações Notáveis
Não desisto de trabalhar pelas relações transatlânticas e não desisto de cooperar com Donald Trump— Friedrich Merz, chanceler federal da Alemanha
Se você quer nossa ajuda num conflito como esse, ligue antes e peça — e ele não fez isso— Friedrich Merz, sobre a decisão dos EUA de iniciar guerra contra o Irã