De uma pequena cidade no sertão baiano, um youtuber apaixonado por astronomia enviou um mandacaru à estratosfera, a 33,1 quilômetros de altitude, como gesto simbólico e científico ao mesmo tempo. A missão, batizada de Mistérios do Espaço, lembra que a curiosidade humana não conhece fronteiras geográficas — e que o interior do Nordeste pode ser tão válido quanto qualquer grande centro como ponto de partida para explorar o desconhecido. O mandacaru sobreviveu, ferido mas vivo, como metáfora involuntária da resiliência que define tanto a planta quanto a região que ela representa.
Mandacaru viaja à estratosfera em missão de divulgação científica na Bahia
O interior do Nordeste pode ser ponto de partida para divulgação científica
Por que levar um mandacaru especificamente? Parece uma escolha muito simbólica.
Era exatamente isso. Alexsandro queria transportar algo que representasse o Nordeste e a identidade de quem estava realizando a missão. Mas não era só simbolismo — havia curiosidade científica também. Ele queria saber como a planta reagiria àquelas condições extremas.
E como reagiu? Ele diz que o mandacaru "provavelmente viverá", mas as imagens mostram danos severos. Não temos informação sobre o que aconteceu depois, certo?
Correto. Quando retornou, havia ressecamento em partes do caule e danos causados pelo congelamento e radiação UV. Mas Alexsandro acredita que sobreviverá. É uma avaliação dele baseada no que viu.
E quanto ao aspecto da divulgação científica? Qual era o objetivo maior?
Mostrar que o interior do Nordeste pode ser ponto de partida para projetos assim. Que não é necessário estar em um grande centro para explorar questões sobre o espaço e a atmosfera.
Mas quantas pessoas realmente viram essas imagens? O texto menciona que Alexsandro é youtuber, mas não diz quantos seguidores ele tem ou qual foi o alcance do conteúdo.
Boa observação. Sabemos que mais de 100 pessoas apoiaram o projeto, mas o alcance público das imagens não está documentado aqui.
Como funciona tecnicamente? Como um balão consegue chegar tão alto?
Um balão de látex preenchido com hélio. Conforme sobe, a pressão atmosférica diminui e o gás se expande. Eventualmente o látex não aguenta mais e se rompe. Aí a sonda, presa a um paraquedas, desce.
E ele desceu onde exatamente?
Aproximadamente 12 quilômetros de distância do ponto de lançamento, nas proximidades de Serrinha. O GPS permitiu que a equipe localizasse.
Isso significa que o balão foi levado pelo vento durante a subida?
Exatamente. Antes do lançamento, fizeram simulações de trajetória e análises meteorológicas para estimar isso. Mas o deslocamento real foi de cerca de 12 quilômetros.
The Pulse
- Um balão de hélio lançado em Conceição do Coité subiu por duas horas até romper na estratosfera, expondo um mandacaru a temperaturas de quase -50°C e radiação ultravioleta intensa.
- A sonda pousou a cerca de 12 km do ponto de lançamento, próximo a Serrinha, com o mandacaru danificado mas vivo — partes ressecadas pelo congelamento, outras ainda verdes.
- Três câmeras 4K, incluindo uma Insta360 X4 de 360 graus, registraram a curvatura da Terra e a escuridão crescente do céu, superando em qualidade e altitude a missão anterior de 2021.
- Mais de 100 pessoas apoiaram o projeto, que exigiu meses de planejamento, simulações de trajetória e análise meteorológica para garantir a recuperação do equipamento.
- Para o criador Alexsandro Mota, a missão prova que divulgação científica de alto nível pode nascer do interior nordestino, sem depender de grandes centros urbanos ou instituições tradicionais.
De uma pequena cidade no sertão baiano, um youtuber apaixonado por astronomia enviou um mandacaru à estratosfera, a 33,1 quilômetros de altitude, como gesto simbólico e científico ao mesmo tempo. A missão, batizada de Mistérios do Espaço, lembra que a curiosidade humana não conhece fronteiras geográficas — e que o interior do Nordeste pode ser tão válido quanto qualquer grande centro como ponto de partida para explorar o desconhecido. O mandacaru sobreviveu, ferido mas vivo, como metáfora involuntária da resiliência que define tanto a planta quanto a região que ela representa.
Um mandacaru saiu de Conceição do Coité rumo à estratosfera. A planta do sertão baiano foi passageira de um balão de hélio lançado em setembro pelo comunicador Alexsandro Mota, criador do projeto Mistérios do Espaço. Em duas horas e um minuto de voo, o balão alcançou 33,1 quilômetros de altitude, onde temperaturas despencaram a -49,7°C — um mundo radicalmente diferente do Território do Sisal.
A escolha do mandacaru foi ao mesmo tempo simbólica e científica. Alexsandro queria levar algo que representasse o Nordeste e, ao mesmo tempo, observar como a planta reagiria às condições extremas da estratosfera. A resposta chegou quando a sonda, guiada por paraquedas e rastreada por GPS, pousou perto de Serrinha. O mandacaru havia sobrevivido: partes do caule ressecadas pelo congelamento e pela radiação ultravioleta, outras ainda verdes. Alexsandro acreditou que a planta viveria.
O balão carregava três câmeras 4K — uma Insta360 X4 externa gravando em 360 graus, uma interna registrando a identidade do projeto com a paisagem ao fundo, e uma de reserva. As imagens mostram a transformação gradual da paisagem: o solo recuando, as cores mudando, o horizonte curvado emergindo contra um céu cada vez mais escuro.
Não era a primeira tentativa de Alexsandro. Em 2021, ele havia chegado a 32,4 km. Desta vez, superou a marca e melhorou significativamente a qualidade visual. O projeto mobilizou mais de 100 pessoas e meses de preparação, com simulações de trajetória e análise meteorológica detalhada.
Para Alexsandro, o feito vai além da técnica: é a demonstração de que o interior do Nordeste pode ser ponto de partida legítimo para a exploração científica. Por ora, uma terceira missão não está nos planos — é hora de processar o que foi alcançado e compartilhar as imagens. O mandacaru, ferido mas vivo, segue como símbolo silencioso de tudo isso.
Um pequeno mandacaru saiu de Conceição do Coité rumo à estratosfera. A planta, acostumada ao calor seco do sertão baiano, foi uma das passageiras de um balão de hélio lançado em setembro que alcançou 33,1 quilômetros de altitude. Durante as duas horas e um minuto de voo, enfrentou temperaturas que caíram a 49,7 graus Celsius negativos — uma experiência bem distante da vida no Território do Sisal.
A missão foi idealizada por Alexsandro Mota, comunicador e criador do projeto Mistérios do Espaço, que desde a infância se sente atraído pelo céu e pelas estrelas. Equipado com três câmeras 4K, um termômetro, baterias externas e um sistema de rastreamento por GPS, o balão subiu lentamente enquanto a pressão atmosférica diminuía. Conforme ganhava altitude, o gás hélio no interior do balão se expandia até que o látex não resistisse mais e se rompesse. Naquele ponto, uma sonda presa a um paraquedas iniciava sua descida de volta à superfície.
A escolha de levar um mandacaru não foi casual. Alexsandro queria transportar um símbolo do Nordeste, algo que carregasse a identidade da região e de quem realizava o projeto. Mas havia também uma pergunta científica por trás: como a planta reagiria às condições extremas encontradas tão alto? A resposta veio quando a sonda retornou ao solo, aproximadamente 12 quilômetros de distância do ponto de lançamento, nas proximidades de Serrinha. O mandacaru havia sobrevivido, mas não ileso. Partes do caule apresentavam ressecamento severo, resultado do congelamento e da radiação ultravioleta intensa. Outras porções permaneciam verdes. Alexsandro avaliou que a planta provavelmente viveria, apesar dos danos visíveis.
As imagens capturadas durante a subida contam uma história visual própria. Uma câmera Insta360 X4 instalada na parte externa da sonda produziu vídeo em 360 graus. Outras duas câmeras foram posicionadas dentro da estrutura: uma para registrar a identidade do projeto Mistérios do Espaço com a paisagem ao fundo, outra como equipamento de reserva. Conforme o balão subia, a paisagem se transformava gradualmente. O solo ficava cada vez mais distante, as cores mudavam, e nas maiores altitudes, o céu adquiria uma tonalidade escura enquanto o horizonte terrestre se destacava no enquadramento — a curvatura da Terra vista de um ponto que poucos conseguem alcançar.
Esta não foi a primeira vez que Alexsandro tentou chegar à estratosfera. Em 2021, ele havia lançado um balão que alcançou 32,4 quilômetros. Desta vez, o objetivo era superar aquela marca e melhorar significativamente a qualidade das imagens. Conseguiu ambos. O projeto exigiu meses de planejamento e desenvolvimento. Mais de 100 pessoas ofereceram apoio em diferentes etapas. Antes do lançamento, a equipe realizou simulações de trajetória e análises detalhadas das condições meteorológicas para estimar para onde o balão seria levado pelo vento e onde provavelmente pousaria. O sistema de GPS, que acompanhava a sonda durante todo o voo, permitiu que a equipe localizasse o equipamento após o pouso e recuperasse as três câmeras e todos os registros produzidos.
Para Alexsandro, a missão representava algo maior que um feito técnico. Ele queria demonstrar que o interior do Nordeste pode ser ponto de partida para projetos de divulgação científica, que não é necessário estar em um grande centro urbano ou em uma instituição de pesquisa tradicional para explorar questões sobre o espaço e a atmosfera. Uma pequena cidade no Território do Sisal, um youtuber apaixonado por astronomia, um mandacaru como passageiro simbólico — tudo isso junto alcançou a estratosfera e voltou com imagens e dados.
Por enquanto, uma terceira viagem não está nos planos imediatos. Alexsandro reconheceu que a missão exigiu muito trabalho, meses sobre meses de preparação. Agora é hora de respirar, de processar o que foi alcançado e de compartilhar as imagens com quem acompanha seu trabalho. O mandacaru, apesar dos ferimentos, segue vivo — um pequeno símbolo do Nordeste que tocou a estratosfera e retornou para contar a história.
Notable Quotes
Queria levar algo que tivesse uma ligação com a nossa terra e com a identidade de quem estava realizando a missão— Alexsandro Mota, criador do projeto Mistérios do Espaço
O mandacaru ainda está vivo, mas bem prejudicado devido ao congelamento e radiação UV. Creio que ele viverá— Alexsandro Mota