Depois de dois anos de silêncio e andaimes, o Museu de Arte Moderna de São Paulo se prepara para reabrir em setembro com um rosto renovado: uma escultura luminosa de Carmela Gross iluminará a fachada como primeiro gesto de um museu que não apenas se restaurou, mas se repensou. A marquise de Niemeyer recupera seu brilho enquanto o interior ganha acessibilidade, novos fluxos e uma programação que olha tanto para as feridas da história quanto para os criadores do presente. É o retorno de uma instituição que, como o país que representa, carrega cicatrizes e continua em movimento.
MAM reabre em setembro após dois anos de restauro na marquise do Ibirapuera
Um Brasil torto, marcado por memória, quase um coração em pedaços
Por que a escultura de Carmela Gross é tão importante para essa reabertura?
Porque ela é o primeiro diálogo entre o museu e quem passa pela rua. Não é uma obra escondida dentro das galerias — é um convite luminoso, um mapa do Brasil feito de neon. Quando alguém vê aquilo brilhando na fachada, já sabe que o MAM voltou.
E a sala de vidro? Há uma história ali que parece dolorosa.
Sim. Aquele espaço tinha uma aranha de Louise Bourgeois que o banco Itaú vendeu. Foi um momento que os próprios curadores chamam de lamentável. Agora Jota Mombaça vai ocupar aquele lugar com uma instalação nova. É uma forma de cicatrizar, de seguir em frente.
O que mudou estruturalmente no museu?
Tudo e nada ao mesmo tempo. As galerias principais continuam, mas a iluminação é nova, o auditório foi ampliado e agora é acessível sem degraus. A bilheteria saiu de dentro, o que libera espaço para as pessoas respirarem melhor. São mudanças que parecem técnicas, mas mudam completamente como você se move pelo lugar.
Por que León Ferrari é tão central para o que vem depois?
Porque ele é um dos maiores nomes da arte latino-americana e porque sua história está ligada a São Paulo — ele viveu aqui durante o exílio da ditadura argentina. Trazer suas obras, incluindo peças que a família ainda guarda em Buenos Aires, é resgatar uma memória que o Brasil precisa conhecer.
Isso tudo custa caro. Como o museu se sustenta?
Com apoio de empresas como a Tiffany, que patrocina a gala de reabertura, e programas como o Clube de Colecionadores, onde apoiadores levam obras para casa por valores abaixo do mercado. Também há investimentos em educação de outras instituições. É um ecossistema.
El Pulso
- Dois anos de obras e atrasos acumulados deixaram um vazio no calendário cultural paulistano — o MAM, um dos museus mais importantes do Brasil, ficou completamente fechado durante a restauração da marquise do Ibirapuera.
- O interior foi praticamente reconstruído: nova iluminação, auditório ampliado e acessível, bilheteria reposicionada para fora da marquise — mudanças que transformam a experiência do visitante de forma concreta.
- A reabertura mobiliza o mundo das artes e do mecenato: uma gala beneficente patrocinada pela Tiffany em agosto antecede o Panorama da Arte Brasileira em setembro, sob curadoria de Diane Lima, com instalação de Jota Mombaça no espaço que já abrigou obras de Tunga e Louise Bourgeois.
- O Clube de Colecionadores retorna com obras de León Ferrari, Mayara Ferrão e Rodrigo Cass, e uma grande exposição dedicada a Ferrari está prevista para 2027, reunindo peças do exílio do artista em São Paulo e obras ainda guardadas pela família em Buenos Aires.
- O museu emerge da restauração não apenas recuperado, mas reposicionado — pronto para ocupar novamente seu lugar como palco central da arte brasileira contemporânea.
Depois de dois anos de silêncio e andaimes, o Museu de Arte Moderna de São Paulo se prepara para reabrir em setembro com um rosto renovado: uma escultura luminosa de Carmela Gross iluminará a fachada como primeiro gesto de um museu que não apenas se restaurou, mas se repensou. A marquise de Niemeyer recupera seu brilho enquanto o interior ganha acessibilidade, novos fluxos e uma programação que olha tanto para as feridas da história quanto para os criadores do presente. É o retorno de uma instituição que, como o país que representa, carrega cicatrizes e continua em movimento.
Uma escultura luminosa de Carmela Gross — linhas de neon que desenham um Brasil torto, quase um coração partido — será o primeiro rosto que o Museu de Arte Moderna de São Paulo mostrará ao mundo quando reabrir em setembro. Depois de dois anos fechado para a restauração da marquise do Ibirapuera, o MAM volta transformado por dentro e por fora.
Enquanto os restauradores devolviam o brilho ao desenho icônico de Oscar Niemeyer, o interior do museu foi profundamente reorganizado. As duas galerias de exposição e a sala de vidro permaneceram, mas o auditório foi ampliado e agora é acessível diretamente da entrada, sem os degraus que antes funcionavam como obstáculo. A bilheteria saiu de dentro da marquise, liberando espaço para o público. São ajustes que, somados, mudam o que significa estar ali.
A sala de vidro carrega uma ferida conhecida: foi ali que ficava uma das aranhas monumentais de Louise Bourgeois, vendida pelo banco Itaú em um episódio que os próprios curadores descrevem como lamentável. Agora, aquele espaço receberá uma instalação de Jota Mombaça, dentro do Panorama da Arte Brasileira — uma das mostras mais importantes do calendário nacional, desta vez sob curadoria de Diane Lima. Antes do Panorama, em agosto, uma gala beneficente patrocinada pela Tiffany marcará o retorno oficial do museu à agenda social da cidade.
O MAM também retoma o Clube de Colecionadores, com obras de León Ferrari, Mayara Ferrão e Rodrigo Cass disponíveis por oito mil reais — valor revertido integralmente ao museu. E o horizonte já aponta para 2027, quando uma grande exposição dedicada a Ferrari reunirá obras do período em que o artista viveu em São Paulo durante seu exílio da ditadura argentina, além de peças ainda guardadas pela família em Buenos Aires. Um museu que se refez, que carrega cicatrizes, e que se prepara para receber o Brasil novamente.
Um Brasil torto, marcado por memória, quase um coração em pedaços. Assim Carmela Gross desenhou as linhas que, transformadas em neon, vão brilhar na parede do novo restaurante do Museu de Arte Moderna de São Paulo. A escultura luminosa será o primeiro rosto que o museu mostrará ao mundo quando reabrir em setembro, depois de dois anos inteiros fechado para restauração da marquise do Ibirapuera — dois anos que incluíram todos os atrasos que uma obra desse porte carrega consigo.
O MAM não é qualquer instituição. É um dos museus mais importantes do país, e sua reabertura marca um momento de reorganização profunda. Enquanto os restauradores trabalhavam do lado de fora para devolver o brilho a um dos desenhos mais icônicos de Oscar Niemeyer, o interior do museu foi praticamente reconstruído. As duas galerias de exposição permaneceram — uma maior, uma menor — assim como a sala de vidro, aquele espaço que carrega uma ferida na história das artes brasileiras. Foi ali que ficava uma das aranhas monumentais de Louise Bourgeois, vendida pelo banco Itaú em um episódio que os próprios curadores descrevem como lamentável.
Mas o museu que emerge agora é diferente. Tem iluminação nova. O auditório foi ampliado e agora é acessível diretamente da entrada — antes, visitantes precisavam subir degraus para chegar à sala, um obstáculo que desaparece. A bilheteria saiu de dentro da marquise e foi para fora, liberando espaço interno para receber o público. São mudanças que parecem pequenas no papel, mas que transformam a experiência de estar ali.
A reabertura será marcada por dois eventos que definem o calendário das artes visuais em São Paulo. Em agosto, uma gala beneficente patrocinada pela Tiffany reunirá apoiadores do museu — um marco na agenda social da cidade. Em setembro, logo depois, chega o Panorama da Arte Brasileira, uma das mostras mais importantes do ano, desta vez sob curadoria de Diane Lima. O espaço que antes abrigava a aranha de Bourgeois receberá uma instalação de Jota Mombaça, artista que segue uma linhagem de criadores poderosos que ocuparam aquele lugar — antes de Mombaça, foi ali que Tunga instalou uma obra que marcou gerações.
O museu também retoma seus programas de apoio. O Clube de Colecionadores, que permite a apoiadores levar para casa trabalhos de grandes artistas por valores abaixo do mercado, volta com peças do argentino León Ferrari, de Mayara Ferrão e de Rodrigo Cass. Por oito mil reais — valor revertido ao museu — qualquer colecionador pode participar a partir de agosto, com lançamento na feira SP-Arte Rotas.
O que vem depois é ainda mais ambicioso. No início de 2027, o MAM abrirá uma grande exposição dedicada a León Ferrari, reunindo obras do próprio acervo do museu da época em que o artista viveu em São Paulo durante seu exílio da ditadura argentina, além de peças que a família ainda guarda em Buenos Aires. Ferrari é um dos nomes centrais da história da arte latino-americana, um iconoclasta que colocou seu ódio aos totalitarismos — tanto políticos quanto religiosos — no centro de uma obra que foi política até o fim e cheia de vitalidade.
Enquanto isso, a cidade segue se movimentando. O designer Humberto Campana foi escolhido para desenhar a nova loja da Tiffany no shopping JK Iguatemi, além de todas as suas vitrines pelo mundo. E a Motiva, empresa de infraestrutura e mobilidade urbana, anunciou um investimento de um milhão e trezentos mil reais para financiar ações educativas do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. O MAM de São Paulo, porém, segue seu próprio caminho — um museu que se refez do zero, que carrega cicatrizes e esperança, pronto para receber o Brasil novamente em setembro.
Citas Notables
Um dos episódios mais lamentáveis da história dos museus do país— Referência à venda da escultura de Louise Bourgeois pelo banco Itaú
León Ferrari é um dos nomes centrais da história da arte latino-americana, iconoclasta que colocou seu ódio aos totalitarismos no centro de uma obra política até o fim— Descrição do artista argentino