Às vésperas das eleições de outubro, uma pesquisa BTG/Nexus revela que 54% dos brasileiros enxergam Lula como o provável vencedor — número que supera em 14 pontos sua intenção de voto declarada, sugerindo que a percepção de poder e a vontade eleitoral nem sempre caminham juntas. Flávio Bolsonaro, tecnicamente empatado nas intenções de voto, encontra eco apenas em segmentos específicos — homens, evangélicos e a classe alta —, onde consegue igualar o favoritismo do presidente. O retrato que emerge é o de um país dividido não apenas em escolhas, mas na própria leitura do que está por vir.
Lula é visto como favorito por 54% dos brasileiros; Flávio empata entre homens e evangélicos
Flávio empata com Lula entre homens, evangélicos e a classe alta
Por que a percepção de vitória de Lula é tão maior que suas intenções de voto? O que explica essa diferença de 14 pontos?
A pesquisa não detalha as razões, mas sugere que muitos eleitores veem Lula como o candidato mais provável de vencer, independentemente de sua própria escolha. Pode haver cálculo estratégico, resignação, ou simplesmente a avaliação de que ele tem mais apoio.
Exatamente — a pesquisa mede percepção, não realidade. Não sabemos se esses 54% estão certos. Estão apenas dizendo o que acham que vai acontecer.
E Flávio? Por que ele não tem a mesma vantagem de percepção?
Flávio está praticamente alinhado: 37% de intenção de voto, 36% de percepção de vitória. Isso pode significar que seus apoiadores acreditam que ele pode vencer, mas não conseguem convencer outros de que é o favorito.
Ou pode significar que a campanha de Flávio não conseguiu criar a narrativa de inevitabilidade que Lula tem. Mas novamente, ninguém sabe quem vai ganhar.
Os evangélicos empatam entre Lula e Flávio. Isso é significativo?
Muito. É um dos poucos segmentos onde Flávio não fica atrás. Mostra que ele tem base sólida nesse eleitorado, enquanto Lula domina em quase todos os outros grupos.
Mas é importante notar: 46% cada um significa que 8% desse eleitorado não vê nenhum dos dois como favorito. Não sabemos em quem estão pensando.
A região Sul empata tecnicamente. O que isso diz?
Que o Sul é um território disputado. Não é reduto seguro de ninguém. A polarização que Tokarski menciona é real ali.
Empate técnico com margem de erro de dois pontos significa que a diferença entre 46% e 44% pode não ser real. Precisamos ser cuidadosos em chamar isso de empate.
Il Polso
- A diferença de 14 pontos entre quem pretende votar em Lula e quem acredita que ele vencerá revela uma tensão silenciosa: muitos eleitores já antecipam um resultado que não necessariamente desejam.
- Flávio Bolsonaro empata com Lula na percepção de vitória entre evangélicos, homens e a classe alta — sinalizando que sua base, embora concentrada, está mobilizada e confiante.
- O Nordeste e as camadas de menor renda consolidam Lula como favorito esmagador, enquanto o Sul e o mercado formal apresentam um empate técnico que mantém a disputa em aberto.
- A polarização não é apenas de votos, mas de expectativas: o país está dividido entre quem já vê o desfecho escrito e quem ainda acredita que pode reescrevê-lo.
- Com margem de erro de dois pontos e 2.006 entrevistados, a pesquisa registrada no TSE oferece um mapa demográfico detalhado de como o Brasil imagina — e teme — seu próprio futuro eleitoral.
Às vésperas das eleições de outubro, uma pesquisa BTG/Nexus revela que 54% dos brasileiros enxergam Lula como o provável vencedor — número que supera em 14 pontos sua intenção de voto declarada, sugerindo que a percepção de poder e a vontade eleitoral nem sempre caminham juntas. Flávio Bolsonaro, tecnicamente empatado nas intenções de voto, encontra eco apenas em segmentos específicos — homens, evangélicos e a classe alta —, onde consegue igualar o favoritismo do presidente. O retrato que emerge é o de um país dividido não apenas em escolhas, mas na própria leitura do que está por vir.
Uma pesquisa encomendada pelo BTG e conduzida pela Nexus traça um retrato revelador do Brasil pré-eleitoral: 54% dos brasileiros acreditam que Lula será reeleito em outubro, número que supera em 14 pontos os 40% que declaram intenção de votar nele no primeiro turno. A diferença sugere que parte do eleitorado vê o petista como vencedor provável mesmo sem pretender sufragá-lo.
Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula nas intenções de voto, com 37%, mas apenas 36% o apontam como favorito para vencer — proporção quase idêntica à sua própria base declarada. Renan Santos, da Missão, é visto como favorito por apenas 1% dos entrevistados.
O mapa da percepção de vitória expõe divisões profundas. No Nordeste, 66% apostam em Lula contra 26% em Flávio. Entre mulheres, a vantagem é de 61% a 28%. Nas faixas de renda mais baixas e entre eleitores com menor escolaridade, Lula lidera com folga semelhante. Já Flávio encontra seu terreno mais firme entre evangélicos, homens e quem ganha mais de cinco salários mínimos — grupos nos quais os dois candidatos empatam em 46% ou 47% cada.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, observa que Lula consolida favoritismo amplo no país, com força especial entre mulheres, no Nordeste e entre os mais pobres, enquanto Flávio demonstra capacidade de engajamento em nichos específicos onde consegue igualar a percepção do presidente. Para Tokarski, essa divisão nas expectativas de vitória é, em si, um termômetro da polarização política que marca o ambiente eleitoral. A pesquisa ouviu 2.006 eleitores entre 18 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o código BR-00485/2026.
Uma pesquisa encomendada pelo BTG e conduzida pela Nexus revela um quadro intrigante nas semanas que antecedem as eleições de outubro: 54% dos brasileiros acreditam que Lula será reeleito presidente. Esse número é notavelmente superior aos 40% que dizem ter intenção de votar nele no primeiro turno — uma diferença que sugere que muitos eleitores veem o petista como o provável vencedor mesmo que não pretendam votá-lo.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, está tecnicamente empatado com Lula nas intenções de voto do primeiro turno, com 37%. Mas quando perguntados em quem acreditam que vencerá a eleição, apenas 36% apontam o filho de Jair Bolsonaro como favorito — um número praticamente idêntico ao de suas intenções de voto. Renan Santos, candidato pela Missão, aparece como favorito para apenas 1% dos entrevistados, embora 3% digam ter intenção de votá-lo.
O mapa da percepção de vitória, porém, revela profundas divisões geográficas, demográficas e econômicas. No Nordeste, 66% acreditam que Lula vencerá contra apenas 26% que apontam Flávio. Entre a população inativa — estudantes e aposentados — a vantagem de Lula é de 63% contra 27%. Pessoas sem religião favorecem o presidente em 62% contra 28%. Eleitores com ensino fundamental veem Lula como favorito em 62% contra 25%. Nas faixas de renda mais baixas, de um a dois salários mínimos, o presidente lidera com 62% contra 26%, e entre os que ganham até um salário mínimo, a margem é de 59% contra 27%.
Lula também domina a percepção de vitória entre as mulheres, com 61% contra 28% para Flávio. Entre maiores de 60 anos, a vantagem é de 58% contra 28%. Nas regiões metropolitanas, 58% veem Lula como favorito contra 33% que apontam Flávio. Nas capitais, a proporção é de 57% contra 33%.
Flávio Bolsonaro encontra seu terreno mais firme em segmentos específicos. Entre evangélicos, ele empata perfeitamente com Lula em 46% cada. Entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, a disputa também é equilibrada: 47% para cada candidato. Entre os homens, novamente um empate de 46% para ambos. Na região Sul e entre trabalhadores do mercado formal, a pesquisa aponta um empate técnico, com 46% acreditando que Lula vencerá contra 44% que apostam em Flávio.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, observa que enquanto Lula consolida uma sensação de favoritismo em todo o país — com força especial entre mulheres, no Nordeste e entre os mais pobres — Flávio demonstra capacidade de engajamento principalmente entre homens, evangélicos e a classe alta, onde consegue igualar a percepção de vitória do presidente. Tokarski acrescenta que essa divisão na expectativa de vitória reforça o ambiente de polarização política.
A pesquisa entrevistou 2.006 eleitores com 16 anos ou mais em todo o país entre 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o código BR-00485/2026.
Citazioni salienti
Enquanto Lula consolida uma sensação de favoritismo em todo o país, com maior intensidade entre mulheres, no Nordeste e na base da pirâmide, Flávio Bolsonaro demonstra força de engajamento principalmente entre os homens, evangélicos e a classe alta— Marcelo Tokarski, CEO da Nexus
A divisão na expectativa de vitória reforça o ambiente de polarização— Marcelo Tokarski, CEO da Nexus