Em um mundo que busca reequilibrar forças entre nações ricas e em desenvolvimento, o presidente Lula chegou a Nova York na noite de sábado para uma semana diplomática que vai além dos protocolos: trata-se de um esforço brasileiro para afirmar voz própria nas grandes questões do nosso tempo — o clima, a soberania e a justiça entre os povos. Antes de pousar no Aeroporto JFK, Lula esteve em Havana, onde criticou o embargo norte-americano a Cuba e cobrou dos países industrializados o cumprimento de promessas climáticas ainda não honradas. A 78ª Assembleia Geral da ONU e um encontro bilateral com B
Lula chega a Nova York para Assembleia da ONU e encontro com Biden
Não temos a mesma dívida histórica dos países ricos
Por que Lula fez questão de passar por Cuba antes de chegar a Nova York? Parece uma escolha deliberada.
Sim, foi. Ele participou da reunião do G77+China, que reúne países em desenvolvimento. Mas mais que isso, o discurso dele em Havana — criticando o embargo americano como ilegal — é um sinal claro de que ele quer posicionar o Brasil como voz dos países do Sul.
Mas espera: ele está indo direto para se reunir com Biden depois. Como é que você critica a política americana contra Cuba e depois senta com o presidente americano sem parecer contraditório?
Não é contraditório se você entender que Lula está tentando fazer duas coisas ao mesmo tempo: manter credibilidade com os países em desenvolvimento e também negociar com os EUA. São públicos diferentes.
E quanto aos compromissos climáticos que ele mencionou? Ele estava cobrando os países ricos?
Exatamente. Ele disse que os países desenvolvidos fizeram promessas sobre clima que nunca cumpriram. E que o Brasil não tem a mesma responsabilidade histórica que eles têm.
Mas isso é uma posição que ele pode manter quando está negociando com Biden sobre comércio e outras questões? Ou é mais um discurso para a plateia de Havana?
Provavelmente é ambos. O discurso em Havana é real — Lula acredita nisso. Mas quando ele se senta com Biden, a conversa vai ser mais nuançada, mais sobre o que cada país pode fazer.
E a escolha de Belém para a COP-30? Isso muda alguma coisa?
Muda tudo. Lula está dizendo: o Brasil vai sediar a próxima grande conferência do clima. Ouçam o que temos a dizer. É um posicionamento de poder.
Mas a gente não sabe ainda o que Biden vai responder a tudo isso, certo? O encontro é na quarta-feira.
Certo. A gente só sabe o que Lula disse em Havana. O que Biden faz com isso é outra história.
El Pulso
- Lula aterrisou no JFK pouco antes das 23h de sábado, abrindo uma semana em que o Brasil tentará projetar sua voz em dois dos maiores palcos diplomáticos do mundo.
- Em Havana, o presidente não poupou críticas: chamou o embargo dos EUA a Cuba de 'ilegal' e acusou os países ricos de descumprirem compromissos climáticos assumidos há anos.
- O Brasil se coloca deliberadamente entre a COP-28 em Dubai e a COP-30 em Belém, sinalizando que pretende ser protagonista — e não coadjuvante — nas negociações sobre o clima.
- O discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU na terça-feira será o momento em que Lula apresentará ao mundo a visão brasileira sobre desenvolvimento, sustentabilidade e equidade.
- O encontro com Biden na quarta-feira carrega o peso de uma relação bilateral que precisa navegar entre convergências em clima e tensões em temas como Cuba e soberania regional.
Em um mundo que busca reequilibrar forças entre nações ricas e em desenvolvimento, o presidente Lula chegou a Nova York na noite de sábado para uma semana diplomática que vai além dos protocolos: trata-se de um esforço brasileiro para afirmar voz própria nas grandes questões do nosso tempo — o clima, a soberania e a justiça entre os povos. Antes de pousar no Aeroporto JFK, Lula esteve em Havana, onde criticou o embargo norte-americano a Cuba e cobrou dos países industrializados o cumprimento de promessas climáticas ainda não honradas. A 78ª Assembleia Geral da ONU e um encontro bilateral com Biden aguardam o presidente na semana que começa, com o Brasil se posicionando como ponte entre o Sul Global e as grandes potências.
O presidente Lula desembarcou em Nova York na noite de sábado, 16 de setembro, acompanhado da primeira-dama Janja. O avião presidencial tocou o solo do Aeroporto Internacional John F. Kennedy pouco antes das 23 horas, dando início a uma semana diplomática intensa que incluirá participação na 78ª Assembleia Geral da ONU e um encontro bilateral com o presidente Joe Biden.
Antes de seguir para Nova York, Lula esteve em Havana para a reunião do G77+China, cujo tema central foi o papel da ciência, tecnologia e inovação no desenvolvimento. O presidente abriu os discursos do evento e não hesitou em qualificar o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba como 'ilegal', reafirmando a posição brasileira contra medidas coercitivas unilaterais. Aproveitou também para cobrar os países ricos pelo cumprimento de compromissos climáticos que, segundo ele, seguem sem resposta concreta.
No discurso em Havana, Lula reforçou que as nações em desenvolvimento não carregam a mesma responsabilidade histórica pelo aquecimento global que os países industrializados. Prometeu avançar na industrialização sustentável, nas energias renováveis e na bioeconomia, mas sem aceitar que o Brasil assuma ônus que pertencem a outros. O presidente também posicionou o país como elo entre a COP-28, em Dubai, e a COP-30, que será sediada em Belém, no Pará — reforçando a ambição brasileira de protagonismo nas negociações climáticas globais.
A semana que se abre em Nova York traduz as prioridades que Lula tem defendido desde seu retorno à presidência. O discurso na abertura da Assembleia Geral, na terça-feira, oferecerá um palco global para a visão brasileira sobre clima, desenvolvimento e justiça internacional. Já o encontro com Biden, na quarta-feira, representa uma oportunidade de aprofundar laços bilaterais em um momento em que sustentabilidade, comércio e segurança regional ganham peso crescente na agenda entre os dois países.
O presidente Lula desembarcou em Nova York na noite de sábado, 16 de setembro, acompanhado da primeira-dama Janja, socióloga Rosângela Lula da Silva. O avião presidencial tocou o solo do Aeroporto Internacional John F. Kennedy pouco antes das 23 horas, marcando o início de uma semana diplomática de alto nível que incluirá sua participação na 78ª Assembleia Geral da ONU e um encontro bilateral com o presidente norte-americano Joe Biden.
Antes de seguir para Nova York, Lula havia participado de uma reunião do G77+China em Havana no mesmo sábado. O encontro, que reuniu países em desenvolvimento sob o tema "Desafios Atuais do Desenvolvimento: Papel da Ciência, Tecnologia e Inovação", serviu como palco para o presidente brasileiro reafirmar posições sobre questões que ocupam lugar central em sua agenda internacional. Lula abriu os discursos do evento e não hesitou em criticar o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba, qualificando-o como "ilegal" e reafirmando a posição brasileira contra medidas coercitivas unilaterais.
Durante seu discurso em Havana, Lula voltou a cobrar os países ricos pelo cumprimento de compromissos climáticos que, segundo ele, permanecem não realizados. O presidente brasileiro enfatizou que as nações em desenvolvimento não carregam a mesma responsabilidade histórica pelos gases de efeito estufa que os países industrializados. "Vamos promover a industrialização sustentável, investimento em energias renováveis, na bioeconomia e na agricultura de baixo carbono. Faremos isso sem esquecer que não temos a mesma dívida histórica dos países ricos pelo aquecimento global", afirmou.
Lula também posicionou o Brasil como intermediário entre dois momentos cruciais para a política climática global: a COP-28, que ocorrerá em Dubai, e a COP-30, que será sediada em Belém, no Pará. Nesse contexto, o presidente sinalizou que será necessário insistir na implementação dos compromissos que os países desenvolvidos assumiram mas não cumpriram. A escolha de Belém como sede da próxima conferência do clima reforça o papel que o Brasil busca desempenhar nas negociações internacionais sobre sustentabilidade e desenvolvimento.
A agenda que se desenrola em Nova York nos próximos dias reflete as prioridades que Lula tem enfatizado desde seu retorno à presidência. O discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, marcado para terça-feira, 19 de setembro, oferecerá ao presidente um palco global para apresentar a visão brasileira sobre desenvolvimento, clima e justiça internacional. O encontro com Biden na quarta-feira, 20 de setembro, representa uma oportunidade para aprofundar as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos em um momento em que questões de sustentabilidade, comércio e segurança regional ganham relevância crescente.
Citas Notables
Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa. E até hoje é vítima de um embargo econômico ilegal. O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral.— Presidente Lula, durante discurso em Havana
No caminho entre a COP-28 em Dubai e a COP-30, na cidade de Belém, será necessário insistir na implementação dos compromissos nunca cumpridos pelos países ricos.— Presidente Lula, durante discurso em Havana