No palco do G7 em Évian e nos bastidores das eleições colombianas, Donald Trump exerceu nesta semana uma forma de poder que transcende fronteiras: a capacidade de definir quem pertence ao centro e quem é empurrado para a margem. Ao humilhar aliados europeus, trocar farpas com Lula e endossar um candidato de extrema direita na Colômbia, Trump não apenas afirmou sua liderança — ele redesenhou silenciosamente o mapa político do hemisfério. Para o presidente brasileiro, o horizonte regional estreita-se a cada movimento de Washington.
Trump domina G7 com provocações e apoia extremista na Colômbia; Lula pode ficar isolado
Eu sou o chefe, proclamou Trump, e o mundo inteiro assistiu
Por que Trump precisava fazer aquela cena no G7? Ele já é presidente dos EUA.
Porque para Trump, poder não é apenas ter autoridade — é demonstrá-la, humilhar aliados, deixar claro que ele está acima deles. É um padrão dele.
Mas isso funciona? Os europeus bateram palmas. Assinaram a declaração sobre a Rússia.
Assinaram, sim. Mas ninguém acredita que ele vai manter a palavra. É o que o texto deixa claro — não é o forte dele.
E quanto a Lula? Por que Trump o chamou de volátil?
Porque Lula criticou publicamente o comportamento de Trump no G7. Trump não tolera crítica, especialmente de líderes que ele considera menores.
Mas Lula tem razão em estar isolado? Ou Trump está apenas criando essa narrativa?
Não é narrativa. Se Espriella vencer na Colômbia, Lula realmente fica isolado. Só o Uruguai restaria como aliado.
Espriella é realmente tão extremista quanto o texto sugere?
Ele fez fortuna com paramilitares, promete romper acordos de paz, quer construir megapresídios. Sim, é extremista.
Mas o texto diz que ele "lidera as pesquisas". Uma pesquisa ou várias? Qual a margem? Isso importa.
O texto não especifica. É uma limitação do que temos.
Trump apoiar Espriella muda alguma coisa na eleição?
Provavelmente não. Espriella já liderava. Mas sinaliza que Washington está do lado dele, o que pode importar para a governança depois.
Der Puls
- Trump chegou atrasado ao G7, declarou-se 'o chefe' diante das câmeras e transformou a cúpula em palco de sua própria autoridade, deixando aliados europeus em posição de constrangimento público.
- A troca de provocações com Lula escalou rapidamente: após o brasileiro criticar Trump como 'imperador', a Casa Branca respondeu chamando-o de 'muito volátil' — sinal de que a tensão bilateral está longe de arrefecer.
- Na Colômbia, Abelardo de la Espriella, advogado de paramilitares reconvertido em outsider político, lidera as pesquisas presidenciais com promessas de megapresídios, ruptura com as Farc e cortes radicais no Estado.
- Trump anunciou apoio 'completo e total' a Espriella às vésperas do pleito, menos por necessidade eleitoral e mais como sinal geopolítico: Washington está construindo uma rede de aliados de direita radical na América Latina.
- Se Espriella vencer, Lula perderá mais um vizinho ideológico e restará praticamente sozinho na região, com apenas o Uruguai de Yamandú Orsi como parceiro significativo.
No palco do G7 em Évian e nos bastidores das eleições colombianas, Donald Trump exerceu nesta semana uma forma de poder que transcende fronteiras: a capacidade de definir quem pertence ao centro e quem é empurrado para a margem. Ao humilhar aliados europeus, trocar farpas com Lula e endossar um candidato de extrema direita na Colômbia, Trump não apenas afirmou sua liderança — ele redesenhou silenciosamente o mapa político do hemisfério. Para o presidente brasileiro, o horizonte regional estreita-se a cada movimento de Washington.
Donald Trump entrou na sala do G7 em Évian com atraso calculado. Ao chegar à cabeceira da mesa, virou-se para as câmeras e anunciou com sorriso largo: 'Eu sou o chefe'. A Casa Branca divulgou o vídeo. Era exatamente o que ele queria — uma imagem de poder absoluto que constrangesse aliados e reafirmasse sua posição no topo da hierarquia internacional.
Os europeus tentaram agradar. O chanceler alemão Friedrich Merz presenteou Trump com uma camisa da seleção nacional, dizendo 'estamos no mesmo time'. Trump nem se levantou para receber. Giorgia Meloni pediu uma foto e depois foi humilhada publicamente quando Trump contou que só aceitou 'por pena'. A primeira-ministra italiana disse-se 'surpresa e decepcionada'. No fim, Trump assinou a declaração com ameaças de sanções à Rússia — mas ninguém na sala acreditava que ele manteria a palavra.
Com Lula, a tensão seguiu o mesmo padrão. Após recebê-lo com tapete vermelho, Trump anunciou novos aumentos tarifários contra o Brasil. Quando o presidente brasileiro o chamou de 'imperador' que age de forma 'desaforada', a resposta foi imediata: Trump o classificou de 'muito volátil' e garantiu que 'não poderia se importar menos' com ele.
Enquanto isso, a Colômbia se preparava para escolher seu próximo presidente. Abelardo de la Espriella, candidato da extrema direita que fez fortuna como advogado de paramilitares, liderava as pesquisas. Vivia em Miami, ostentava ternos italianos e mocassins Louis Vuitton, e havia transformado a camisa amarela da seleção colombiana em uniforme de campanha. Inspirado em Bukele e Milei, prometia dez megapresídios, ruptura com as Farc e motosserra na máquina pública.
Às vésperas da votação, Trump anunciou seu 'completo e total apoio' a Espriella — um gesto menos eleitoral do que geopolítico. A mensagem era clara: Washington respaldava a extrema direita latino-americana. Se Espriella vencer, como as pesquisas indicavam, Lula ficará ainda mais isolado na região, com apenas o Uruguai de Yamandú Orsi como aliado significativo. Trump não apenas dominou o G7 com sua teatralidade — ele também moldou o tabuleiro político do hemisfério.
Donald Trump entrou na sala de reuniões do G7 em Évian com o timing de um ator em seu melhor momento. Os outros líderes já estavam sentados quando ele chegou atrasado. Ao passar pela cabeceira da mesa, parou, virou-se para a câmera — e para o mundo — e proclamou com um sorriso largo: "Eu sou o chefe". A Casa Branca divulgou o vídeo. As redes sociais explodiram. Era exatamente o que Trump queria: uma imagem de poder absoluto, um gesto que constrangesse seus aliados e reafirmasse sua posição no topo da hierarquia internacional.
Os europeus tentaram agradar. O chanceler alemão Friedrich Merz presenteou Trump com uma camisa da seleção nacional. "Estamos no mesmo time", disse. Trump nem se levantou para receber. Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, pediu uma foto com ele. Depois, Trump contou a história para todos ouvirem: ela havia implorado, e ele só concordou por pena. Meloni restou se dizer "surpresa" e "decepcionada" com a humilhação pública. No fim, Trump assinou a declaração final do G7 com ameaças de sanções à Rússia, mas ninguém na sala acreditava que ele manteria a palavra por muito tempo. Não é seu costume.
O presidente americano havia recebido Lula dias antes com tapete vermelho. Depois anunciou novos aumentos tarifários contra o Brasil. Quando o presidente brasileiro disse que Trump havia feito "uma coisa desaforada" e continuava "agindo como imperador", a resposta veio rápida: Trump o chamou de "muito volátil" e garantiu que "não poderia se importar menos" com ele. Era chumbo trocado, mas a Casa Branca tinha mais munição.
Enquanto Trump dominava as manchetes em Évian, a Colômbia se preparava para escolher seu próximo presidente. Abelardo de la Espriella, candidato da extrema direita, liderava as pesquisas para a eleição marcada para o domingo. Ele havia feito fortuna como advogado de paramilitares e de golpistas financeiros, mas se vendia como inimigo do sistema político. Vivia em Miami, ostentava ternos italianos e mocassins Louis Vuitton, e havia transformado a camisa amarela da seleção colombiana em uniforme de campanha — uma tática que seus pares brasileiros já conheciam bem.
Espriella se inspirava menos nos Bolsonaro e mais em Nayib Bukele, o presidente salvadorenho conhecido por sua mão de ferro, e em Javier Milei, da Argentina. Prometia construir dez megapresídios, romper o acordo de paz com as Farc e aplicar a motosserra na máquina pública. Seu adversário no segundo turno era Ivan Cepeda, professor de filosofia que pagava pela rejeição ao presidente Gustavo Petro. Às vésperas da votação, Trump anunciou seu "completo e total apoio" a Espriella. Nem precisava fazer isso — o candidato já liderava. Mas a mensagem era clara: a extrema direita tinha respaldo de Washington.
Se Espriella vencesse, como as pesquisas sugeriam, Lula ficaria ainda mais isolado na América do Sul. O presidente brasileiro havia perdido aliados em toda a região. Restaria apenas Yamandú Orsi, do Uruguai, como seu último aliado significativo. Trump não apenas dominava o G7 com sua teatralidade provocadora — ele também moldava o tabuleiro político latino-americano, apoiando candidatos que se alinhavam com sua visão de governo forte e sem compromissos com instituições democráticas tradicionais.
Bemerkenswerte Zitate
Eu sou o chefe— Donald Trump, ao entrar na sala do G7
Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena— Donald Trump, sobre Giorgia Meloni
Trump fez uma coisa desaforada e continua agindo como imperador— Lula, após o G7
Não poderia se importar menos com ele— Donald Trump, respondendo a Lula