Em um momento de tensão diplomática com Washington, o presidente Lula chegou a Nova York com uma comitiva visivelmente reduzida para participar da 80ª Assembleia Geral da ONU. A ausência de figuras como o ministro da Fazenda e a restrição de visto imposta ao ministro da Saúde pelo governo Trump revelam que a fricção entre os dois países transcende o plano retórico e já produz efeitos concretos na geometria das relações bilaterais. O Brasil navega esse terreno com cautela, mantendo sua presença nos grandes debates multilaterais — Palestina, clima, democracia — enquanto administra, em silêncio,
Lula chega a Nova York com comitiva reduzida em meio a crise com EUA
Comitiva reduzida reflete momento tenso nas relações Brasil-EUA
Por que a comitiva ficou tão reduzida? Isso é uma decisão estratégica ou uma resposta às sanções?
Provavelmente ambas. A ausência de Haddad tem uma justificativa oficial — negociações sobre reforma tributária — mas é difícil separar isso da tensão geral. A de Padilha é mais clara: ele recebeu um visto com restrições do governo Trump, o que é praticamente uma sanção pessoal.
Mas a gente não sabe se Haddad realmente precisava ficar ou se foi uma escolha política para evitar mais constrangimento. A justificativa é plausível, mas não é confirmada como a razão real.
E quanto aos presidentes da Câmara e do Senado? Por que eles não foram?
Nos anos anteriores, Lula levava Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Desta vez, Hugo Motta e Davi Alcolumbre não integraram a delegação. Pode ser um sinal de que o governo está reduzindo a exposição institucional em um momento de crise.
Ou pode ser que simplesmente não houve convite. A reportagem diz "ao que tudo indica, o gesto não se repetiu", o que é uma forma de dizer que não temos confirmação direta sobre por que eles não foram.
Qual é a real dimensão dessa crise com os EUA?
Trump impôs tarifas sobre importações brasileiras e sanções contra ministros do STF, especialmente Moraes, porque está furioso com a condenação de Bolsonaro. Estamos falando de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe. É uma resposta direta a uma decisão judicial brasileira.
Isso é importante: as sanções não são apenas econômicas, são pessoais contra membros do Judiciário. Isso toca em questões de soberania que vão além de tarifas comerciais.
O que Lula vai fazer em Nova York?
Ele tem uma agenda bastante densa. Discursa na abertura do debate geral da ONU, participa de discussões sobre Palestina, clima e democracia, e tem reuniões bilaterais agendadas. Também vai falar com a imprensa internacional, incluindo CNN e New York Times.
Sim, mas note que algumas dessas reuniões bilaterais ainda estão a confirmar. E não há nenhuma reunião bilateral confirmada com os EUA na agenda publicada, o que é notável dado o contexto de crise.
Der Puls
- A comitiva de Lula encolheu de forma inédita: pela primeira vez em três anos, nem os presidentes da Câmara nem do Senado embarcaram para Nova York.
- O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi impedido de viajar por restrições de visto impostas pelo governo Trump — uma sanção diplomática disfarçada de burocracia consular.
- As tarifas americanas sobre produtos brasileiros e as sanções a ministros do STF, em represália à condenação de Bolsonaro, elevaram a temperatura das relações Brasil-EUA a um ponto raramente visto.
- Mesmo sob pressão, Lula mantém uma agenda densa: discurso na abertura do debate geral, encontro com Guterres, conferência sobre a Palestina e reuniões sobre clima e democracia.
- O retorno está marcado para quarta-feira à noite, sinalizando uma visita cirúrgica — presente o suficiente para afirmar protagonismo, breve o suficiente para não ampliar exposição.
Em um momento de tensão diplomática com Washington, o presidente Lula chegou a Nova York com uma comitiva visivelmente reduzida para participar da 80ª Assembleia Geral da ONU. A ausência de figuras como o ministro da Fazenda e a restrição de visto imposta ao ministro da Saúde pelo governo Trump revelam que a fricção entre os dois países transcende o plano retórico e já produz efeitos concretos na geometria das relações bilaterais. O Brasil navega esse terreno com cautela, mantendo sua presença nos grandes debates multilaterais — Palestina, clima, democracia — enquanto administra, em silêncio, o peso das sanções e das tarifas impostas por uma Casa Branca em confronto com o STF.
Lula desembarcou em Nova York no domingo à noite para a Assembleia Geral da ONU, mas a delegação que o acompanhou foi a menor dos últimos três anos. Cinco ministros viajaram no avião da FAB — Lewandowski, Camilo Santana, Márcia Lopes, Anielle Franco e Sônia Guajajara —, enquanto nomes de peso ficaram para trás. Haddad alegou compromissos com a reforma do Imposto de Renda na Câmara; Padilha, porém, não teve escolha: o governo Trump lhe concedeu um visto com restrições de deslocamento, uma sanção diplomática em forma de carimbo.
A ausência dos presidentes do Legislativo também pesou. Em 2023 e 2024, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco integraram a comitiva; desta vez, Hugo Motta e Davi Alcolumbre ficaram no Brasil. O encolhimento da delegação é lido como resposta calculada a um ambiente hostil: Washington impôs tarifas sobre importações brasileiras e sanções a ministros do STF em retaliação à condenação de Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
A agenda de Lula em Nova York é densa, apesar do contexto adverso. Na segunda-feira, entrevista à PBS e encontro com o CEO do TikTok. Na terça, discurso de vinte minutos na abertura do debate geral da 80ª sessão e reunião com o secretário-geral António Guterres. Na quarta, sessões sobre democracia, extremismo e clima, além de bilaterais ainda a confirmar. O presidente parte do JFK na quarta à noite, às 19h20, de volta a Brasília — uma visita precisa, calibrada para marcar presença sem ampliar vulnerabilidades.
Lula desembarcou em Nova York no domingo à noite para participar da Assembleia Geral da ONU, mas desta vez viajou com um grupo notavelmente menor do que levou nos dois anos anteriores. A redução da comitiva reflete o momento tenso nas relações entre Brasil e Estados Unidos, onde a administração Trump impôs tarifas sobre importações brasileiras e sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal, particularmente Alexandre de Moraes, em represália ao julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe.
O avião da Força Aérea Brasileira decolou de Brasília na manhã de domingo com cinco ministros a bordo: Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública; Camilo Santana, da Educação; Márcia Lopes, das Mulheres; Anielle Franco, da Igualdade Racial; e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas. Duas ausências chamaram particular atenção. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, permaneceu em Brasília sob o argumento de participar de negociações sobre a votação da reforma do Imposto de Renda na Câmara. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, não viajou porque recebeu um visto com restrições de deslocamento imposto pelo governo Trump — uma medida que funciona como sanção diplomática direta.
Mariana Silva, ministra do Meio Ambiente, e Mauro Vieira, chanceler, já estavam nos Estados Unidos antes da chegada da comitiva principal. A primeira-dama Janja havia chegado a Nova York alguns dias antes. Nos anos anteriores, em 2023 e 2024, Lula levou consigo os presidentes da Câmara e do Senado — Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente. Este ano, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que ocupam essas posições agora, não integraram a delegação.
A agenda oficial de Lula em Nova York começa na segunda-feira com uma entrevista para a rede PBS e um encontro com o CEO do TikTok, Shou Zi Chew, ambos em seu local de hospedagem. À tarde, ele participa de uma conferência internacional de alto nível sobre a solução pacífica da questão palestina e a implementação da solução de dois estados. Na terça-feira, Lula se encontra com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e faz seu discurso na abertura do debate geral da 80ª sessão ordinária da Assembleia Geral, com duração prevista de vinte minutos. Nesse mesmo dia, ele participa da sessão de abertura da Reunião sobre o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre e tem encontro agendado com o Rei Carl XIV Gustaf e a Rainha Sílvia da Suécia.
Na quarta-feira, Lula participa de uma reunião sobre defesa da democracia e combate ao extremismo, além de uma sessão especial sobre clima para chefes de estado e governo. Estão previstas duas reuniões bilaterais, ainda a confirmar, e uma entrevista coletiva à imprensa. O presidente retorna a Brasília na quarta-feira à noite, com partida programada para as 19h20 do Aeroporto Internacional John F. Kennedy, chegando a Brasília após nove horas de voo mais uma hora de diferença de fuso horário.
A viagem ocorre em um contexto de tensão crescente. Nos últimos meses, a administração Trump elevou significativamente a pressão sobre o Brasil através de medidas econômicas e diplomáticas. As tarifas sobre importações brasileiras afetam setores importantes da economia, enquanto as sanções contra ministros do STF representam uma interferência direta nos assuntos internos do país. A presença reduzida de ministros e a ausência dos presidentes do Legislativo sinalizam uma resposta cautelosa do governo brasileiro a esse cenário desafiador.
Bemerkenswerte Zitate
Ausências marcantes incluem Fernando Haddad, que ficou em Brasília para negociações sobre reforma tributária, e Alexandre Padilha, que recebeu visto com restrição do governo Trump— Agenda oficial da viagem