Em meio ao calendário eleitoral que se aproxima, o presidente Lula anunciou que o fim da taxa sobre compras internacionais de pequeno valor será formalizado na quarta-feira, sinalizando também o restabelecimento de uma aliança política essencial com o Senado. O gesto revela como a governabilidade e o tempo das eleições se entrelaçam: sem a votação no Congresso, a cobrança retornaria às vésperas do primeiro turno, tocando diretamente o bolso de milhões de consumidores digitais. Ao mesmo tempo, Lula esboça uma diplomacia de paciência com Washington, buscando no próprio Trump um contrapeso às ten
Lula anuncia fim da taxa das blusinhas para quarta-feira após reaproximação com Alcolumbre
A conversa com Trump é bem civilizada, respeitosa
Por que o timing dessa taxa é tão importante politicamente?
Porque se a medida provisória vencer sem votação, a cobrança volta automaticamente menos de um mês antes das eleições. É exatamente o tipo de coisa que afeta consumidores comuns no bolso, bem na reta final da campanha.
E por que Alcolumbre estava bloqueando isso antes?
Havia uma ruptura entre ele e Lula por causa da rejeição de um nome para o STF. Mas em agosto eles se encontraram e fizeram as pazes. Depois disso, Alcolumbre destrancou várias pautas que estavam paradas.
Então isso é mais sobre política interna do que sobre comércio eletrônico?
É os dois. Tecnicamente é sobre uma taxa de importação, mas o que importa politicamente é que afeta milhões de brasileiros que compram online, e o governo quer resolver isso antes da eleição.
E essa conversa com Trump? Parece desconectada.
Não é. Lula está tentando construir uma relação direta com Trump enquanto lida com gente como Marco Rubio que é mais hostil. É diplomacia em tempo real.
Ele confia em Trump?
Parece que sim, pelo menos mais do que confia na assessoria dele. Lula disse que a conversa com Trump é civilizada, mas que o segundo escalão americano faz coisas impensáveis.
O Pulso
- A medida provisória que suspende a taxa de 20% sobre compras de até US$ 50 vence em 8 de setembro — sem votação, a cobrança volta menos de um mês antes das eleições.
- A ruptura entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia travado pautas prioritárias do governo, criando um impasse político de semanas.
- O encontro de agosto entre os dois líderes desbloqueou o caminho: Alcolumbre destrancou votações importantes, incluindo o fim da taxa e a reforma da escala 6x1.
- Lula descreveu sua conversa com Trump como respeitosa, mas revelou frustração com o segundo escalão americano, que age de forma que considera impensável.
- O Financial Times aponta que o Brasil vê Trump como uma influência moderadora em relação ao secretário de Estado Marco Rubio — uma aposta diplomática delicada e reveladora.
Em meio ao calendário eleitoral que se aproxima, o presidente Lula anunciou que o fim da taxa sobre compras internacionais de pequeno valor será formalizado na quarta-feira, sinalizando também o restabelecimento de uma aliança política essencial com o Senado. O gesto revela como a governabilidade e o tempo das eleições se entrelaçam: sem a votação no Congresso, a cobrança retornaria às vésperas do primeiro turno, tocando diretamente o bolso de milhões de consumidores digitais. Ao mesmo tempo, Lula esboça uma diplomacia de paciência com Washington, buscando no próprio Trump um contrapeso às tensões geradas por sua assessoria.
O presidente Lula anunciou no domingo, em entrevista à Record, que o fim da taxa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 será oficializado na quarta-feira seguinte. O anúncio chega após um encontro com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, realizado no dia 12 de agosto — um reencontro político que encerrou semanas de tensão entre os dois.
A urgência é real: a medida provisória que suspende a cobrança vence em 8 de setembro. Se o Congresso não votar antes disso, a taxa retorna automaticamente — e o faria a menos de um mês do primeiro turno eleitoral, marcado para 4 de outubro, afetando diretamente consumidores de plataformas internacionais como Shopee e Shein.
A fritura entre Lula e Alcolumbre havia começado quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Com a reaproximação, o presidente do Senado desbloqueou pautas que o governo considera essenciais, incluindo também a reforma da escala 6x1 de trabalho.
Na mesma entrevista, Lula comentou sua conversa recente com Donald Trump, descrevendo-a como civilizada e produtiva — Trump teria acionado seu secretário de Comércio ainda no mesmo dia para agendar reunião com o equivalente brasileiro. Ainda assim, Lula deixou escapar uma frustração: às vezes tem a impressão de que Trump é melhor do que sua própria assessoria, enquanto o segundo escalão americano toma atitudes que considera impensáveis.
Essa leitura ecoa reportagem do Financial Times que indicava o Brasil enxergando Trump como um possível contrapeso ao secretário de Estado Marco Rubio. O cenário revela a complexidade da navegação diplomática de Lula: resolver tensões domésticas com olho no calendário eleitoral enquanto tenta equilibrar relações com diferentes atores de uma Washington imprevisível.
O presidente Lula anunciou no domingo que o fim da taxa sobre compras internacionais de pequeno valor será oficializado na quarta-feira seguinte, em movimento que marca o desgelo de uma relação política que havia esfriado semanas antes. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, e vem após encontro entre Lula e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ocorrido no dia 12 de agosto.
A cobrança em questão incide sobre compras de até US$ 50 — aproximadamente R$ 258 — e corresponde a 20% do valor. Desde maio, quando o governo publicou uma medida provisória suspendendo a taxa, ela deixou de ser cobrada. Mas essa suspensão tem prazo: se o Congresso não votar a medida até 8 de setembro, ela perderá validade automaticamente e a cobrança retornará. O timing é delicado. A restauração da taxa aconteceria menos de um mês antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, impactando diretamente consumidores que fazem compras online.
A reaproximação entre Lula e Alcolumbre é significativa porque os dois haviam entrado em rota de colisão quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Após o encontro de agosto, porém, o presidente do Senado destrancou o andamento de pautas que o governo considera prioritárias. Além do fim da taxa das blusinhas, está nessa lista a reforma da escala 6x1, que alteraria a proporção entre dias de trabalho e folga.
Na mesma entrevista, Lula também abordou sua conversa recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o presidente brasileiro, o diálogo já produziu resultados concretos. Trump teria ligado para seu secretário de Comércio no mesmo dia, que por sua vez contatou o equivalente brasileiro para agendar uma reunião na semana seguinte. Lula descreveu a conversa como civilizada e respeitosa, mas fez uma observação que revela certa frustração com a dinâmica política americana: às vezes tem a impressão de que Trump é melhor do que sua própria assessoria. Segundo ele, enquanto a conversa presidencial transcorre bem, o segundo escalão americano toma atitudes que considera impensáveis.
Essa percepção de Lula alinha-se com reportagem publicada pelo Financial Times no sábado anterior, que apontava o presidente brasileiro buscando Trump como um possível aliado moderador contra o secretário de Estado Marco Rubio, com quem já trocou críticas diretas. O jornal britânico informou que o Brasil vê Trump como uma influência potencialmente equilibradora, ainda que reconheça que é ele quem estabelece a direção geral da política externa americana. O cenário reflete a complexidade das relações diplomáticas atuais, onde Lula tenta navegar entre diferentes atores da administração Trump enquanto simultaneamente resolve questões domésticas sensíveis ao calendário eleitoral.
Citações Notáveis
No mesmo dia Trump ligou para o secretário de Comércio dele, que ligou para o meu e marcaram reunião para a próxima semana. Já deu fruto e espero que seja fruto bem saboroso e gostoso— Lula, sobre conversa com Trump
Às vezes tem a impressão de que o Trump é bem melhor do que a assessoria dele— Lula