Lula anuncia fim da taxa das blusinhas para quarta-feira após reaproximação com Alcolumbre

A conversa com Trump é bem civilizada, respeitosa
Lula descreve seu diálogo direto com o presidente americano como construtivo, mas critica ações da assessoria de Trump.
Mark

Por que o timing dessa taxa é tão importante politicamente?

Mimi

Porque se a medida provisória vencer sem votação, a cobrança volta automaticamente menos de um mês antes das eleições. É exatamente o tipo de coisa que afeta consumidores comuns no bolso, bem na reta final da campanha.

Mark

E por que Alcolumbre estava bloqueando isso antes?

Mimi

Havia uma ruptura entre ele e Lula por causa da rejeição de um nome para o STF. Mas em agosto eles se encontraram e fizeram as pazes. Depois disso, Alcolumbre destrancou várias pautas que estavam paradas.

Mark

Então isso é mais sobre política interna do que sobre comércio eletrônico?

Mimi

É os dois. Tecnicamente é sobre uma taxa de importação, mas o que importa politicamente é que afeta milhões de brasileiros que compram online, e o governo quer resolver isso antes da eleição.

Mark

E essa conversa com Trump? Parece desconectada.

Mimi

Não é. Lula está tentando construir uma relação direta com Trump enquanto lida com gente como Marco Rubio que é mais hostil. É diplomacia em tempo real.

Mark

Ele confia em Trump?

Mimi

Parece que sim, pelo menos mais do que confia na assessoria dele. Lula disse que a conversa com Trump é civilizada, mas que o segundo escalão americano faz coisas impensáveis.

  • A medida provisória que suspende a taxa de 20% sobre compras de até US$ 50 vence em 8 de setembro — sem votação, a cobrança volta menos de um mês antes das eleições.
  • A ruptura entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia travado pautas prioritárias do governo, criando um impasse político de semanas.
  • O encontro de agosto entre os dois líderes desbloqueou o caminho: Alcolumbre destrancou votações importantes, incluindo o fim da taxa e a reforma da escala 6x1.
  • Lula descreveu sua conversa com Trump como respeitosa, mas revelou frustração com o segundo escalão americano, que age de forma que considera impensável.
  • O Financial Times aponta que o Brasil vê Trump como uma influência moderadora em relação ao secretário de Estado Marco Rubio — uma aposta diplomática delicada e reveladora.

Em meio ao calendário eleitoral que se aproxima, o presidente Lula anunciou que o fim da taxa sobre compras internacionais de pequeno valor será formalizado na quarta-feira, sinalizando também o restabelecimento de uma aliança política essencial com o Senado. O gesto revela como a governabilidade e o tempo das eleições se entrelaçam: sem a votação no Congresso, a cobrança retornaria às vésperas do primeiro turno, tocando diretamente o bolso de milhões de consumidores digitais. Ao mesmo tempo, Lula esboça uma diplomacia de paciência com Washington, buscando no próprio Trump um contrapeso às tensões geradas por sua assessoria.

O presidente Lula anunciou no domingo, em entrevista à Record, que o fim da taxa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 será oficializado na quarta-feira seguinte. O anúncio chega após um encontro com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, realizado no dia 12 de agosto — um reencontro político que encerrou semanas de tensão entre os dois.

A urgência é real: a medida provisória que suspende a cobrança vence em 8 de setembro. Se o Congresso não votar antes disso, a taxa retorna automaticamente — e o faria a menos de um mês do primeiro turno eleitoral, marcado para 4 de outubro, afetando diretamente consumidores de plataformas internacionais como Shopee e Shein.

A fritura entre Lula e Alcolumbre havia começado quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Com a reaproximação, o presidente do Senado desbloqueou pautas que o governo considera essenciais, incluindo também a reforma da escala 6x1 de trabalho.

Na mesma entrevista, Lula comentou sua conversa recente com Donald Trump, descrevendo-a como civilizada e produtiva — Trump teria acionado seu secretário de Comércio ainda no mesmo dia para agendar reunião com o equivalente brasileiro. Ainda assim, Lula deixou escapar uma frustração: às vezes tem a impressão de que Trump é melhor do que sua própria assessoria, enquanto o segundo escalão americano toma atitudes que considera impensáveis.

Essa leitura ecoa reportagem do Financial Times que indicava o Brasil enxergando Trump como um possível contrapeso ao secretário de Estado Marco Rubio. O cenário revela a complexidade da navegação diplomática de Lula: resolver tensões domésticas com olho no calendário eleitoral enquanto tenta equilibrar relações com diferentes atores de uma Washington imprevisível.

O presidente Lula anunciou no domingo que o fim da taxa sobre compras internacionais de pequeno valor será oficializado na quarta-feira seguinte, em movimento que marca o desgelo de uma relação política que havia esfriado semanas antes. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, e vem após encontro entre Lula e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ocorrido no dia 12 de agosto.

A cobrança em questão incide sobre compras de até US$ 50 — aproximadamente R$ 258 — e corresponde a 20% do valor. Desde maio, quando o governo publicou uma medida provisória suspendendo a taxa, ela deixou de ser cobrada. Mas essa suspensão tem prazo: se o Congresso não votar a medida até 8 de setembro, ela perderá validade automaticamente e a cobrança retornará. O timing é delicado. A restauração da taxa aconteceria menos de um mês antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, impactando diretamente consumidores que fazem compras online.

A reaproximação entre Lula e Alcolumbre é significativa porque os dois haviam entrado em rota de colisão quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Após o encontro de agosto, porém, o presidente do Senado destrancou o andamento de pautas que o governo considera prioritárias. Além do fim da taxa das blusinhas, está nessa lista a reforma da escala 6x1, que alteraria a proporção entre dias de trabalho e folga.

Na mesma entrevista, Lula também abordou sua conversa recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o presidente brasileiro, o diálogo já produziu resultados concretos. Trump teria ligado para seu secretário de Comércio no mesmo dia, que por sua vez contatou o equivalente brasileiro para agendar uma reunião na semana seguinte. Lula descreveu a conversa como civilizada e respeitosa, mas fez uma observação que revela certa frustração com a dinâmica política americana: às vezes tem a impressão de que Trump é melhor do que sua própria assessoria. Segundo ele, enquanto a conversa presidencial transcorre bem, o segundo escalão americano toma atitudes que considera impensáveis.

Essa percepção de Lula alinha-se com reportagem publicada pelo Financial Times no sábado anterior, que apontava o presidente brasileiro buscando Trump como um possível aliado moderador contra o secretário de Estado Marco Rubio, com quem já trocou críticas diretas. O jornal britânico informou que o Brasil vê Trump como uma influência potencialmente equilibradora, ainda que reconheça que é ele quem estabelece a direção geral da política externa americana. O cenário reflete a complexidade das relações diplomáticas atuais, onde Lula tenta navegar entre diferentes atores da administração Trump enquanto simultaneamente resolve questões domésticas sensíveis ao calendário eleitoral.

No mesmo dia Trump ligou para o secretário de Comércio dele, que ligou para o meu e marcaram reunião para a próxima semana. Já deu fruto e espero que seja fruto bem saboroso e gostoso
— Lula, sobre conversa com Trump
Às vezes tem a impressão de que o Trump é bem melhor do que a assessoria dele
— Lula
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