No aniversário da independência brasileira, a Avenida Paulista tornou-se palco de uma disputa simbólica que vai além das fronteiras nacionais: apoiadores de Bolsonaro exibiram bonecos de Trump e Lula, enquanto o deputado Lindbergh Farias denunciava o que enxerga como uma aliança entre a extrema direita brasileira e pressões externas contra o governo eleito. O gesto ocorre num momento em que tarifas americanas pesam sobre a economia brasileira e um banqueiro preso aparece ligado ao financiamento de uma cinebiografia do ex-presidente — revelando que as batalhas políticas do Brasil se travam simu
Lindbergh critica ato bolsonarista na Paulista e defende soberania brasileira
Traidores da pátria, no dia da independência, levaram o boneco do Trump
Por que Lindbergh decidiu responder especificamente a esse ato na Paulista? Havia algo que o diferenciava de outras manifestações bolsonaristas?
O que o incomodou foi a simbologia — bonecos de Trump e Lula, bandeiras americanas, tudo isso no dia da Independência. Para Lindbergh, era uma provocação que conectava a política doméstica a uma guerra comercial real que o Brasil estava enfrentando.
Mas precisamos ser claros: Lindbergh estava interpretando a intenção dos manifestantes. Ele viu uma aliança; outros poderiam ver apenas crítica política ao governo Lula. Não há como confirmar o que cada pessoa no ato realmente pensava.
E quanto ao caso do Flávio Bolsonaro e do Vorcaro? Isso é uma acusação de crime ou apenas uma inconsistência nas datas?
É uma inconsistência documentada. Flávio disse que Vorcaro parou de pagar em maio de 2025, mas o Coaf encontrou uma transferência em setembro. Isso sugere que a história que Flávio contou não corresponde aos registros.
Exatamente — é uma inconsistência, não uma prova de crime. O Coaf identificou a transferência, mas não há acusação formal contra Flávio por isso. Vorcaro está preso por fraude, mas a conexão específica entre Flávio e qualquer atividade criminosa ainda não foi estabelecida judicialmente.
Qual é a importância dessa transferência de US$ 1,6 milhão para o filme?
Mostra que recursos de um banqueiro envolvido em fraudes de R$ 12 bilhões continuaram fluindo para um projeto ligado a Bolsonaro, mesmo depois que Flávio havia dito publicamente que os pagamentos haviam cessado. É uma questão de transparência e de quem estava financiando o quê.
Verdade, mas precisamos separar o que sabemos: Vorcaro fez a transferência, isso é fato. Que ele estava cometendo fraudes, também é fato — ele foi preso. Mas a intenção por trás dessa transferência específica, se Flávio sabia dela, se ele a autorizou — isso ainda não está estabelecido nos registros que temos.
E as tarifas de Trump? Elas realmente têm a ver com a condenação de Bolsonaro?
Trump disse que sim — justificou as tarifas pela condenação de Bolsonaro no inquérito golpista. Lula discordou, chamando-as de infundadas. Mas o timing é difícil de ignorar.
O timing é sugestivo, mas causalidade é outra coisa. Trump pode ter múltiplas razões para impor tarifas, e pode estar usando a condenação como justificativa pública enquanto persegue objetivos comerciais diferentes. Não sabemos qual é a verdadeira motivação.
El Pulso
- No 7 de Setembro, bolsonaristas levaram bonecos de Trump e Lula à Paulista, transformando a data cívica em ato de provocação direta ao governo federal.
- Lindbergh Farias reagiu publicamente, classificando a manifestação como traição à pátria e denunciando a exibição de bandeiras americanas num contexto de guerra tarifária imposta por Washington.
- O deputado também expôs uma contradição nos registros financeiros de Flávio Bolsonaro: o Coaf identificou uma transferência milionária de Daniel Vorcaro ao fundo do filme sobre Bolsonaro quatro meses após a data que o senador havia declarado como fim dos pagamentos.
- Com Vorcaro preso por fraudes de ao menos R$ 12 bilhões e o total investido no filme ultrapassando R$ 65 milhões, a ligação entre o candidato à presidência e o banqueiro se torna politicamente explosiva.
- Brasil e EUA retomaram negociações comerciais em 31 de agosto, mas a tensão persiste — alimentada tanto pelas tarifas de Trump quanto pela mobilização bolsonarista que Lindbergh interpreta como subordinação de interesses nacionais a agendas externas.
No aniversário da independência brasileira, a Avenida Paulista tornou-se palco de uma disputa simbólica que vai além das fronteiras nacionais: apoiadores de Bolsonaro exibiram bonecos de Trump e Lula, enquanto o deputado Lindbergh Farias denunciava o que enxerga como uma aliança entre a extrema direita brasileira e pressões externas contra o governo eleito. O gesto ocorre num momento em que tarifas americanas pesam sobre a economia brasileira e um banqueiro preso aparece ligado ao financiamento de uma cinebiografia do ex-presidente — revelando que as batalhas políticas do Brasil se travam simultaneamente nas ruas, nos tribunais e nas mesas de negociação internacional.
No 7 de Setembro, enquanto o Brasil celebrava sua independência, apoiadores de Bolsonaro ocuparam a Avenida Paulista com bonecos de Donald Trump e do presidente Lula — este último marcado com o número 171, referência ao artigo do Código Penal sobre estelionato. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) respondeu em vídeo publicado no X, chamando o ato de vergonhoso e denunciando o que classificou como traição à pátria: a exibição de bandeiras americanas e a aliança simbólica com um governo que impôs duas rodadas de tarifas contra o Brasil em 2026, justificadas pela condenação de Bolsonaro no inquérito sobre a trama golpista.
Mas Lindbergh foi além da crítica ao ato na Paulista. No mesmo vídeo, cobrou explicações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por envolvimento em esquema de fraudes que movimentou ao menos R$ 12 bilhões. Flávio havia declarado publicamente que Vorcaro interrompeu os pagamentos ao filme Dark Horse — uma cinebiografia de Jair Bolsonaro — em maio de 2025. Os registros do Coaf, porém, contam outra história: uma transferência de US$ 1,6 milhão foi feita por Vorcaro em setembro de 2025, quatro meses depois da data alegada, e apenas oito dias após Flávio cobrar parcelas atrasadas ao ex-banqueiro. Com esse aporte, o total investido na produção subiu para mais de R$ 65 milhões.
O pano de fundo é igualmente revelador: em setembro de 2025, o STF havia condenado Bolsonaro a 27 anos de prisão. Meses depois, o governo Trump responderia com tarifas contra o Brasil — pressão que Lula classificou como infundada em conversa telefônica com Trump em agosto de 2026. Brasil e Estados Unidos retomaram negociações comerciais em 31 de agosto, mas a tensão permanece, alimentada tanto pela política comercial americana quanto pela mobilização doméstica que Lindbergh denuncia como subordinação da soberania brasileira a interesses externos.
No dia 7 de setembro, enquanto o Brasil celebrava sua independência, apoiadores de Jair Bolsonaro ocuparam a Avenida Paulista em São Paulo com uma mensagem que o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) não deixaria passar sem resposta. Entre as faixas e gritos, estavam bonecos representando Donald Trump e o presidente Lula — este último vestindo uma camisa com o número 13, símbolo do Partido dos Trabalhadores, e o número 171, referência ao artigo do Código Penal sobre estelionato. A provocação era clara: uma aliança entre a extrema direita brasileira e o governo americano contra o presidente em exercício.
Lindbergh reagiu publicando um vídeo na rede social X, onde chamou o ato de vergonhoso e denunciou o que chamou de traição à pátria. "Traidores da pátria, no dia da independência, na manifestação bolsonarista lá na Paulista, levaram o boneco do Trump, que está atacando o Brasil com tarifas, é uma aliança contra o Brasil, levaram bandeira norte-americana", disparou o parlamentar petista. A crítica apontava para uma realidade concreta: o governo Trump havia imposto duas rodadas de tarifas contra o Brasil em 2026, uma de 25% e outra de 12,5%, justificadas pela condenação de Bolsonaro no inquérito sobre a trama golpista.
Mas Lindbergh não se limitou à crítica do ato na Paulista. No mesmo vídeo, cobrou explicações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro está preso por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras que movimentou ao menos R$ 12 bilhões, segundo estimativas da Polícia Federal. O senador havia afirmado publicamente que Vorcaro interrompeu os pagamentos destinados ao financiamento de Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, em maio de 2025.
O problema é que essa versão não resiste ao escrutínio dos registros financeiros. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência de US$ 1.666.667 feita por Vorcaro em 16 de setembro de 2025 — quatro meses depois da data que Flávio Bolsonaro havia mencionado — para o fundo norte-americano Havengate Development Fund, responsável por administrar os recursos do filme. A transferência ocorreu apenas oito dias após Flávio Bolsonaro enviar mensagem ao ex-banqueiro cobrando parcelas atrasadas. Com esse pagamento, o total investido por Vorcaro na produção subiu de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação daquele período.
O contexto dessa movimentação financeira é importante. Em setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal havia condenado Bolsonaro a 27 anos de prisão no inquérito sobre a trama golpista. Outras 28 pessoas também receberam condenações. Meses depois, o governo Trump responderia com as tarifas contra o Brasil, criando uma pressão comercial que o presidente Lula classificaria como infundada quando conversou por telefone com Trump em 21 de agosto de 2026.
Brasil e Estados Unidos retomaram negociações comerciais na última segunda-feira, 31 de agosto, em uma tentativa de resolver a guerra tarifária. Mas a tensão permanecia, alimentada tanto pelas políticas comerciais americanas quanto pela mobilização política doméstica que Lindbergh denunciava na Paulista — uma aliança que, segundo sua leitura, colocava interesses externos acima da soberania brasileira.
Citas Notables
Traidores da pátria, no dia da independência, na manifestação bolsonarista lá na Paulista, levaram o boneco do Trump, que está atacando o Brasil com tarifas, é uma aliança contra o Brasil— Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ)