Lendário Trem da Morte volta a operar na Bolívia após seis anos

Enquanto a Bolívia reativa seu trem histórico, as ferrovias brasileiras desapareceram
O contraste entre a retomada do Trem da Morte boliviano e o abandono das ferrovias brasileiras de traçado similar.
Mark

Por que esse trem ganhou um nome tão dramático? Parece coisa de ficção.

Mimi

Não é ficção. Descarrilamentos eram frequentes, e o trem também transportava pacientes com doenças graves, incluindo febre amarela. O nome refletia riscos reais.

Luke

Mas isso era quando? Porque o artigo deixa claro que o trem atual tem ar condicionado e poltronas inclinadas. Não parece o mesmo trem.

Mimi

Exato. O trem de hoje é bem diferente. Os trilhos foram modernizados, as locomotivas e vagões também. Mas passageiros ainda reclamam que chacolham bastante.

Mark

E quanto ao tempo de viagem? 618 quilômetros em até 20 horas parece lento.

Mimi

É lento mesmo. Depende das condições encontradas no caminho. Mas para mochileiros, parece ser parte do apelo — a experiência, não apenas o destino.

Luke

O artigo menciona que a rota passa pela Chiquitania com paisagens naturais. Mas não diz se há paradas para os passageiros apreciarem isso, ou se é apenas um trajeto.

Mimi

Boa observação. O texto não deixa claro. Sabemos que há paradas em El Carmen, Roboré e San José, mas não sabemos se são paradas turísticas ou apenas técnicas.

Mark

E por que isso importa agora, em 2026? Por que a Bolívia reativou o trem?

Mimi

A pandemia o parou por seis anos. Agora que as restrições acabaram, a Ferroviaria Oriental decidiu retomar as operações. Há demanda de turistas brasileiros.

Luke

Mas o artigo não diz se houve investimento público, se foi decisão puramente comercial, ou se havia pressão de turismo. Sabemos que voltou a operar, mas não sabemos exatamente por quê.

Mark

E a comparação com o Brasil? Por que o artigo dedica tanto espaço à Estrada de Ferro Noroeste?

Mimi

Porque é um contraste impressionante. A Bolívia está reativando seu trem histórico com melhorias. O Brasil deixou suas ferrovias similares apodrecerem. Das 122 estações entre Bauru e Corumbá, 80 foram demolidas ou estão em deterioração avançada.

  • Após seis anos paralisado pela pandemia, o lendário trem boliviano voltou a circular nos domingos, saindo de Puerto Quijarro às 13h em direção a Santa Cruz de la Sierra.
  • O apelido 'Trem da Morte' nasceu de descarrilamentos reais e do transporte de doentes com febre amarela — uma história que os passageiros de hoje revivem simbolicamente ao apresentar comprovante de vacinação contra a mesma doença.
  • A viagem de até 20 horas e cerca de R$ 160 atrai mochileiros brasileiros que cruzam a fronteira em Corumbá para embarcar numa rota que conecta os sistemas ferroviários da Bolívia, Argentina e Brasil.
  • Enquanto a Bolívia reativa e moderniza seu trem histórico, ao menos 80 das 122 estações da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil — rota de extensão similar — foram demolidas ou estão em ruínas após décadas de concessões privadas sem obrigação de transporte de passageiros.

Há histórias que sobrevivem ao tempo não pela glória, mas pela teimosia dos trilhos. O Trem da Morte boliviano, que une Puerto Quijarro a Santa Cruz de la Sierra ao longo de 618 quilômetros de paisagem e memória, retomou suas viagens regulares após seis anos de silêncio impostos pela pandemia — agora com poltronas reclinadas, ar condicionado e locomotivas modernizadas. O nome carrega o peso de descarrilamentos e epidemias, mas o presente oferece algo diferente: a possibilidade de atravessar a Chiquitania enquanto, do outro lado da fronteira, ferrovias brasileiras de traçado semelhante apodrecem no esquecimento.

Depois de seis anos de silêncio forçado pela pandemia, o Trem da Morte voltou a rodar. A composição operada pela Ferroviaria Oriental parte de Puerto Quijarro — pequena cidade fronteiriça com Corumbá, no Mato Grosso do Sul — aos domingos, às 13h, percorrendo 618 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra, a maior cidade da Bolívia.

O nome não é romantismo: o trem ficou assim conhecido por descarrilamentos frequentes e pelo transporte histórico de pacientes com febre amarela. Mas aquele trem pertence ao passado. As composições atuais oferecem poltronas com boa inclinação, televisão e ar condicionado, embora os passageiros relatem que o chacoalhar ainda faz parte da experiência. A viagem pode durar até 20 horas, e as passagens custam em média o equivalente a R$ 160, disponíveis na modesta estação de Puerto Quijarro ou pela internet.

A rota atravessa a Chiquitania e tornou-se um destino frequente entre mochileiros brasileiros, atraídos pela paisagem e pelo apelo histórico da viagem. A proximidade com Corumbá criou até uma curiosidade: por anos, passageiros podiam embarcar num Trem da Morte brasileiro e, cruzando a fronteira, continuar no boliviano.

A Ferroviaria Oriental administra 1.244 quilômetros de trilhos que se conectam aos sistemas ferroviários da Argentina e do Brasil. O contraste com o lado brasileiro é revelador: a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de extensão similar entre Bauru e Corumbá, passou por sucessivas concessões privadas que eliminaram o transporte de passageiros. Das 122 estações originais, pelo menos 80 foram demolidas ou estão em avançado estado de abandono.

Para os brasileiros que quiserem embarcar no trem boliviano, não é necessário visto — mas é preciso passar pelo controle imigratório entre Corumbá e Puerto Quijarro e apresentar comprovante de vacinação contra febre amarela. Uma exigência que, por si só, ecoa toda a história do trem que estão prestes a conhecer.

Depois de seis anos de silêncio forçado pela pandemia, o Trem da Morte voltou a rodar nos trilhos bolivianos. A composição que liga Puerto Quijarro, pequena cidade fronteiriça com o Brasil, até Santa Cruz de la Sierra retomou suas viagens regulares sob operação da Ferroviaria Oriental. Nos domingos, sai de Puerto Quijarro às 13h, passando por El Carmen, Roboré e San José antes de chegar a Santa Cruz, a maior cidade da Bolívia com 1,6 milhão de habitantes segundo o Instituto Nacional de Estadística.

O nome que carrega não é romantismo. O trem ganhou a alcunha de Trem da Morte por razões concretas: descarrilamentos frequentes e seu papel histórico no transporte de pacientes acometidos por doenças como febre amarela. Mas aquele trem pertence ao passado. As composições que circulam agora trazem poltronas com boa inclinação, televisão e ar condicionado. Os trilhos e as locomotivas também foram modernizados, embora passageiros relatem que ainda chacolham bastante durante a jornada.

A distância entre os dois pontos é de 618 quilômetros, mas a viagem pode se estender por até 20 horas dependendo das condições encontradas no caminho. As passagens custam em média o equivalente a 160 reais e podem ser adquiridas na estação de Puerto Quijarro ou pela internet. A estação em si é modesta, com um saguão que lembra as rodoviárias do interior brasileiro: poucos guichês para venda de passagens e cadeiras espalhadas pelo espaço onde os viajantes aguardam a partida.

Puerto Quijarro é um município pequeno, com pouco menos de 18 mil habitantes, localizado na fronteira terrestre com Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Essa proximidade criou uma curiosidade histórica: passageiros brasileiros podiam desembarcar em Corumbá, atravessar a fronteira e embarcar em outro Trem da Morte, este operado no Brasil. A rota boliviana, que passa pela Chiquitania com suas paisagens naturais notáveis, tornou-se frequente entre mochileiros brasileiros justamente por essa conexão e pelo apelo histórico da viagem.

A Ferroviaria Oriental administra 1.244 quilômetros de trilhos na Bolívia, uma extensão que se conecta aos sistemas ferroviários da Argentina e do Brasil. Para efeito de comparação, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil operava 1.272 quilômetros entre Bauru e Corumbá. Mas ali termina a semelhança. A Noroeste, iniciada em 1905, foi incorporada à Rede Ferroviária Federal em 1957 e posteriormente concedida à iniciativa privada em 1996. Desse ponto em diante, o transporte de passageiros desapareceu. O contrato de concessão não obrigava a manutenção desse tipo de serviço.

O que se seguiu foi uma série de transferências corporativas: a Novoeste, em parceria com outras empresas, originou a Brasil Ferrovias, depois Nova Novoeste, até ser incorporada à América Latina Logística. Esta, por sua vez, foi absorvida pela Rumo Logística, que hoje detém a concessão. Das 122 estações erguidas entre Bauru e Corumbá, pelo menos 80 foram demolidas ou estão em avançado estado de deterioração, abandonadas e fechadas. O contraste é notável: enquanto a Bolívia reativa seu trem histórico com melhorias, as ferrovias brasileiras de traçado similar desapareceram da paisagem.

Para brasileiros interessados em viajar no trem boliviano, não é necessário visto para entrar na Bolívia. É preciso, porém, passar pelo controle imigratório no posto localizado entre Corumbá e Puerto Quijarro. Além do passaporte, os brasileiros devem apresentar comprovante de vacinação contra febre amarela, uma exigência que ecoa a própria história do trem que estão prestes a embarcar.

O trem ganhou seu nome no passado devido ao número de acidentes, como descarrilamentos, e também por ter sido rota para o transporte de pacientes com doenças como febre amarela
— Ferroviaria Oriental (operadora do trem)
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