O RN lidera pesquisas de opinião, mas há incerteza se conseguirá os 289 assentos necessários para maioria absoluta na Assembleia Nacional. Macron permanecerá presidente até 2027, mas pode ter que dividir poder em cenário de coabitação com primeiro-ministro de extrema-direita.
Le Pen confia em vitória da extrema-direita e poder sobre Macron nas eleições francesas
Na Ucrânia, o presidente não poderá enviar tropas.
Le Pen está muito confiante de que o RN terá maioria absoluta. Mas as pesquisas não confirmam isso com certeza, certo?
Exato. As pesquisas mostram o RN liderando no voto popular, mas a projeção de assentos fica entre 220 e 260 — abaixo dos 289 necessários para maioria absoluta. Há um gap real entre a confiança dela e o que os números sugerem.
E isso importa porque? Se não tiver maioria absoluta, o que muda?
Tudo muda. Sem maioria, o RN precisaria de aliados para governar, ou Macron teria mais espaço para manobra. Le Pen fala como se já tivesse vencido, mas a matemática parlamentar ainda é uma incógnita.
Ela menciona que Bardella imporia limites a Macron, especialmente sobre a Ucrânia. Isso é algo que o primeiro-ministro realmente poderia fazer?
Constitucionalmente, o presidente tem bastante liberdade em política externa. Mas na prática, um primeiro-ministro de um partido adversário pode criar obstáculos políticos, bloquear orçamentos, criar atrito público.
Mas a fonte não detalha como exatamente isso funcionaria. Le Pen diz que Macron "não poderá enviar tropas", mas não explica o mecanismo legal ou político para isso.
Verdade. É mais uma declaração de intenção do que uma análise de como a coabitação funcionaria na prática.
Macron disse que fica até 2027. Ele realmente não pode ser forçado a sair?
Segundo a fonte, não. A Constituição não permite. Mas Le Pen sugere que ele poderia desistir voluntariamente se se sentisse desconfortável — isso é especulação dela, não um fato.
E é um ponto importante: Le Pen está apostando não só em vencer, mas em que Macron se sinta tão pressionado que abandone o cargo. Isso é um cenário, não uma certeza.
Então o que realmente está em jogo aqui?
Se o RN consegue maioria absoluta, forma governo sozinho e tem poder real. Se não consegue, a dinâmica é muito mais complicada e incerta.
E a fonte não nos diz qual é mais provável. Ela nos dá a confiança de Le Pen, as pesquisas que contradizem parcialmente essa confiança, e pronto.
Le Pouls
- Reunião Nacional lidera pesquisas de opinião, mas projeção de assentos é de 220 a 260, abaixo dos 289 necessários para maioria absoluta
- Eleições parlamentares marcadas para 30 de junho e 7 de julho de 2024
- Macron permanecerá presidente até 2027, mas pode enfrentar coabitação com primeiro-ministro de extrema-direita
- Jordan Bardella é o candidato do RN para primeiro-ministro
O RN lidera pesquisas de opinião, mas há incerteza se conseguirá os 289 assentos necessários para maioria absoluta na Assembleia Nacional. Macron permanecerá presidente até 2027, mas pode ter que dividir poder em cenário de coabitação com primeiro-ministro de extrema-direita.
Marine Le Pen confia que seu partido Reunião Nacional conquistará maioria absoluta nas eleições parlamentares francesas de domingo, podendo formar governo e limitar ações de Macron sobre a Ucrânia.
Marine Le Pen chegou aos dias finais da campanha eleitoral francesa com uma confiança que beirava a certeza. Seu partido, a Reunião Nacional, liderava todas as pesquisas de opinião com folga, e ela falava como quem já via o resultado escrito. Em entrevista ao jornal Le Télégramme, dias antes do pleito marcado para 30 de junho e 7 de julho, Le Pen afirmou que sua legenda conquistaria uma maioria absoluta de assentos no Parlamento, formaria governo e, mais importante ainda, imporia limites concretos ao que o presidente Emmanuel Macron poderia fazer — especialmente no que diz respeito à Ucrânia.
O cenário que se desenhava era de uma reconfiguração radical do poder em Paris. Macron permaneceria na Presidência até 2027, isso era certo — a Constituição francesa não permite que um presidente seja forçado a deixar o cargo antes do fim do mandato. Mas ele teria que compartilhar o poder com adversários políticos em um arranjo conhecido como coabitação, fenômeno que a França havia vivido apenas três vezes em sua história pós-guerra. Le Pen via isso como inevitável e até desejável. Ela sugeriu que Jordan Bardella, escolhido pelo RN para o cargo de primeiro-ministro, teria um mandato claro do povo francês, deixando a Macron poucas opções além de aceitá-lo.
As pesquisas confirmavam a liderança do RN no voto popular, com uma coalizão de esquerda em segundo lugar e o grupo de Macron em terceiro. Mas havia uma grande incógnita pairando sobre tudo: se o partido realmente conseguiria os 289 assentos necessários para uma maioria absoluta na Assembleia Nacional. A última sondagem, divulgada pela Ifop na quarta-feira anterior ao pleito, projetava que o RN e seus aliados obteriam entre 220 e 260 cadeiras — um intervalo que deixava em aberto a possibilidade de que Le Pen não tivesse a maioria que ela tão confiadamente reivindicava.
Mesmo assim, Le Pen falava como se o resultado já estivesse selado. Ela previu que Macron se sentiria profundamente desconfortável em um cenário de coabitação, e chegou a questionar se ele teria a disposição de permanecer no cargo. "Não sei qual será a reação dele. Dada a sua arrogância, será que ele aguentará isso por muito tempo?", perguntou ela na entrevista. Macron, por sua vez, havia repetido publicamente que permaneceria como presidente até 2027, independentemente do resultado eleitoral.
A questão de fundo era o que uma coabitação significaria na prática. A Constituição francesa oferece ao presidente uma margem considerável em política externa e defesa, enquanto o primeiro-ministro e seu governo assumem a liderança em assuntos domésticos, incluindo política econômica. Mas Le Pen parecia sugerir que Bardella, como primeiro-ministro, teria formas de restringir o espaço de manobra de Macron além do que a lei formalmente permitiria. Ela foi particularmente clara sobre um ponto: a Ucrânia. "Jordan não pretende brigar com ele, mas deixaria claros os limites. Na Ucrânia, o presidente não poderá enviar tropas."
Era uma declaração que sintetizava toda a tensão do momento político francês. Le Pen falava de um futuro em que seu partido não apenas venceria as eleições, mas moldaria a política externa da França de acordo com sua visão — uma visão que se opunha ao apoio mais direto de Macron à Ucrânia. O que permanecia incerto era se as urnas confirmariam a confiança de Le Pen ou se a realidade eleitoral seria mais complexa do que suas previsões.
Citations marquantes
Quanto à escolha do primeiro-ministro, o presidente tem compreendido que não tem muita escolha, pois Jordan Bardella terá um mandato do povo francês— Marine Le Pen
Na Ucrânia, o presidente não poderá enviar tropas— Marine Le Pen, descrevendo as limitações que Bardella imporia a Macron