Kushner se reúne com Hamas para salvar acordo de paz em Gaza

Aproximadamente 2 milhões de pessoas em Gaza têm suas vidas em jogo, com o enclave devastado pela guerra e controlado em grande parte por forças israelenses.
Israel não recuará de nenhuma posição até que o Hamas esteja totalmente desarmado
A posição intransigente de Netanyahu que paralisa as negociações de paz em Gaza.
Mark

Por que Kushner está tendo essa conversa agora, neste momento específico?

Mimi

Porque o cessar-fogo que foi costurado no ano passado está desmoronando. As negociações estagnaram completamente sobre o desarmamento, e ninguém quer ser responsabilizado pelo colapso. Kushner está tentando garantir que o Hamas diga sim antes de Netanyahu ouvir um não.

Mark

E Netanyahu vai mudar de ideia porque Kushner conversou com o Hamas?

Mimi

Provavelmente não. Netanyahu tem eleições em outubro e ministros da linha-dura na coalizão. Recuar em Gaza agora é politicamente suicida para ele. Mas os EUA precisam tentar, porque se o acordo cair, a culpa recai sobre Washington.

Mark

O que significa essa "linha amarela" que ninguém consegue definir?

Mimi

É exatamente o problema. É uma divisão territorial que deveria separar as forças, mas nunca foi mapeada com precisão. Israel já ultrapassou onde acha que é, controla 60% de Gaza e quer chegar a 70%. O Hamas quer que Israel volte para trás. É impossível negociar quando nem sabem onde estão os limites.

Mark

Dois milhões de pessoas esperando por isso tudo?

Mimi

Sim. Duas milhões de pessoas em um enclave devastado, controlado por soldados israelenses, sem reconstrução, sem acordo. Tudo travado por uma questão de sequência: quem desarma primeiro?

Mark

Netanyahu vai ceder?

Mimi

Não há sinais disso. Ele está apostando que pode manter a coalizão unida até outubro e depois renegociar de uma posição mais forte. As potências árabes estão condenando Israel publicamente, mas isso só endurece a posição dele.

  • Netanyahu rejeitou publicamente o plano de paz americano de 15 pontos, criando um confronto aberto com seu principal aliado e paralisando as negociações.
  • Arábia Saudita, Emirados, Jordânia, Paquistão e Indonésia emitiram um comunicado raro responsabilizando Israel por obstruir a paz e exigindo ação imediata dos EUA.
  • O nó central é técnico e político ao mesmo tempo: o Hamas só entrega armas pesadas se houver um Estado palestino, proposta que o governo israelense rejeita categoricamente.
  • Forças israelenses já controlam cerca de 60% de Gaza, com Netanyahu sinalizando avanço para 70%, enquanto o Hamas exige recuo para uma 'linha amarela' jamais definida com precisão.
  • Com eleições em outubro e uma coalizão de linha-dura a sustentar seu governo, Netanyahu tem pouco espaço político para concessões — e a reunião com Kushner nesta segunda-feira será o próximo teste real.

Em um momento raro de diplomacia direta, Jared Kushner sentou-se com o líder do Hamas no Egito, tentando reacender um processo de paz que carrega o peso de dois milhões de vidas em Gaza. O plano de 15 pontos que os EUA apoiam esbarra na recusa de Netanyahu em recuar antes do desarmamento total do grupo, enquanto potências árabes pressionam Washington a agir com urgência. É o velho dilema da paz: cada parte exige que a outra dê o primeiro passo, e o tempo corre para quem não tem onde esperar.

Jared Kushner reuniu-se neste domingo com Khalil al-Hayya, líder do Hamas, no Egito — um encontro raro de diálogo direto entre Washington e o grupo que Israel classifica como terrorista. A delegação americana foi acompanhada por representantes do Egito, Catar e Turquia, mediadores de um conflito que já se arrasta por mais de dez meses desde o fim das principais operações militares.

O objetivo é salvar um plano de 15 pontos que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses de Gaza. O problema é que Benjamin Netanyahu rejeitou publicamente esse plano na semana passada, num confronto aberto com o governo Trump. Nesta segunda-feira, Kushner se reúne com o primeiro-ministro israelense, acompanhado pelo ex-premiê britânico Tony Blair e pelo diretor do Conselho de Paz americano, Nickolay Mladenov.

O que está em jogo é imenso: cerca de dois milhões de pessoas vivem em Gaza, enclave devastado e hoje controlado em grande parte por forças israelenses. Antes da reunião com Netanyahu, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão e Indonésia emitiram um comunicado raro responsabilizando Israel por obstruir os esforços de paz e pedindo que os EUA tomem medidas imediatas e concretas.

O impasse tem raiz técnica mas consequências políticas profundas. Pelo plano, o Hamas entregaria armas a um comitê tecnocrata palestino — mas condicionou a entrega do armamento mais pesado à criação de um Estado palestino, proposta que o governo israelense rejeita. Netanyahu, por sua vez, é categórico: não haverá recuo israelense antes do desarmamento total do Hamas. Essa divergência trava também a reconstrução de Gaza e o envio de forças internacionais ao território.

As forças israelenses já controlam cerca de 60% de Gaza, e Netanyahu sinalizou avanço para 70%. O Hamas exige recuo para uma 'linha amarela' que nunca foi definida com precisão. Com eleições marcadas para 27 de outubro e uma coalizão de linha-dura a sustentar seu governo, Netanyahu tem pouco espaço para concessões. O Likud respondeu às críticas árabes acusando os países vizinhos de querer derrubar o atual governo. A reunião de segunda-feira será a próxima oportunidade para saber se há algum espaço para movimento.

Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump e negociador dos EUA, sentou-se com o líder do Hamas no Egito neste domingo para tentar descongelar as negociações de paz em Gaza. O encontro com Khalil al-Hayya, confirmado pela Associated Press, marca um raro momento de diálogo direto entre Washington e o grupo que Israel classifica como terrorista. Kushner não estava sozinho — uma delegação americana foi acompanhada por representantes do Egito, Catar e Turquia, países que funcionam como mediadores neste conflito que já dura mais de dez meses desde o fim das principais operações militares.

O objetivo é salvar um plano de 15 pontos que os EUA apoiam e que prevê, em tese, o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses do território palestino. Mas há um problema crescente: Benjamin Netanyahu rejeitou publicamente esse plano na semana passada, uma demonstração rara de confronto aberto com o governo Trump, seu principal aliado. Agora Kushner deve se reunir com o primeiro-ministro israelense nesta segunda-feira, acompanhado pelo ex-premiê britânico Tony Blair e pelo diretor do Conselho de Paz americano, Nickolay Mladenov.

O que está em jogo é imenso. Cerca de dois milhões de pessoas vivem em Gaza, um enclave devastado pela guerra e atualmente controlado em grande parte por forças israelenses. A reconstrução da região depende de um acordo que simplesmente não sai do papel. Antes da reunião com Netanyahu, potências regionais — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão e Indonésia — emitiram um comunicado raro condenando Israel. O texto afirma que o país "agora tem a responsabilidade por obstruir os esforços para trazer a paz a Gaza" e pede que os EUA tomem "medidas imediatas e concretas" para evitar que qualquer das partes bloqueie a implementação do acordo.

O impasse é técnico mas intransponível. Segundo o plano, o Hamas entregaria suas armas a um comitê tecnocrata palestino encarregado de administrar Gaza. Mas o grupo condiciona a entrega de seu armamento mais pesado à criação de um Estado palestino — proposta que o governo israelense atual rejeita completamente. O cronograma prevê um desarmamento gradual, simultâneo à retirada das tropas israelenses. Netanyahu, porém, é categórico: Israel não recuará de nenhuma posição até que o Hamas esteja totalmente desarmado. Essa divergência paralisa outros pontos cruciais, como a reconstrução de Gaza e o envio de forças internacionais para o território.

O Hamas, por sua vez, exige que Israel paralise os ataques e recue suas tropas para a chamada "linha amarela" — uma divisão territorial que nunca foi definida com precisão. Atualmente, as forças israelenses ultrapassaram essa marca e controlam cerca de 60% de Gaza. Em maio, Netanyahu declarou que o próximo passo seria chegar a 70% de controle, "apertando o cerco" contra o grupo. Um integrante do Hamas afirmou que o grupo está comprometido com o plano e aguarda o início de um período de 14 dias de negociações para definir um cronograma, mas essa etapa exige aprovação de todas as partes.

Netanyahu enfrenta um cenário político delicado. Eleições estão marcadas para 27 de outubro, e ele tenta se manter no poder apoiado por uma coalizão que inclui ministros da linha-dura — exatamente o tipo de político que se opõe a concessões sobre Gaza. Além disso, o país se aproxima do aniversário dos ataques de 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra. Em resposta às críticas das potências árabes, o partido de Netanyahu, o Likud, declarou neste domingo que os países vizinhos querem derrubar o atual governo para favorecer candidatos de centro e centro-esquerda. "Eles dariam tudo o que querem. Isso não vai acontecer", afirmou a legenda. A reunião de segunda-feira será a próxima oportunidade para testar se há espaço para movimento.

Israel não recuará de nenhuma posição até que o Hamas esteja totalmente desarmado
— Benjamin Netanyahu
O país agora tem a responsabilidade por obstruir os esforços para trazer a paz a Gaza
— Comunicado de potências regionais (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão, Indonésia)
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