Ministro israelense defende 'assassinatos seletivos' diários em Gaza

Mais de 73 mil palestinos foram mortos na ofensiva israelense em Gaza segundo autoridades locais, com 1.200 mortes adicionais desde o cessar-fogo em outubro passado.
Há pessoas ali que não merecem viver. Elas nem sequer são pessoas.
Declaração do ministro israelense Itamar Ben-Gvir sobre palestinos em Gaza durante entrevista de podcast.
Mark

Por que essas declarações de Ben-Gvir importam agora, neste momento específico?

Mimi

Porque elas expõem uma fissura real no governo israelense. Netanyahu está reduzindo operações sob pressão americana para paz, e Ben-Gvir está dizendo publicamente que discorda. Não é apenas retórica—é um ministro que controla a polícia e as prisões falando sobre matar sistematicamente.

Mark

Ele realmente acredita que isso é viável, ou é para sua base política?

Mimi

Provavelmente ambos. Ben-Gvir vem de um movimento de extrema direita que sempre defendeu essas posições. Mas o fato de ele poder dizê-lo em um podcast, sem consequências imediatas, sugere que há espaço político para isso dentro do governo.

Mark

E quanto ao entrevistador, Braslavski? Qual é o papel dele nessa conversa?

Mimi

Ele é um símbolo poderoso—um refém que sofreu, que foi libertado. Quando ele pede execuções, não é abstrato. É pessoal. E Ben-Gvir responde a isso com entusiasmo, porque sabe que Braslavski representa uma narrativa que ressoa com muitos israelenses.

Mark

As acusações de genocídio—como Israel as responde?

Mimi

Israel nega veementemente e insiste que cumpre o direito internacional. Mas quando um ministro fala em matar pessoas que "nem sequer são pessoas", fica difícil separar a retórica da realidade no terreno.

Mark

O que vem a seguir? Isso muda algo?

Mimi

Depende de Netanyahu. Se ele deixar Ben-Gvir continuar falando assim sem consequências, sinaliza que essas posições têm apoio. Se ele repreender o ministro, mostra que ainda há limites. Por enquanto, parece que não há limites.

  • Ben-Gvir pediu publicamente entre 30 e 40 assassinatos seletivos por noite em Gaza, incluindo pessoas que ele considera indignas de vida — uma declaração que ultrapassa qualquer justificativa militar convencional.
  • O ministro defende o retorno de assentamentos judaicos em todo o território de Gaza e incentiva a emigração forçada de palestinos, posições que contradizem abertamente qualquer perspectiva de acordo de paz.
  • Netanyahu recuou nas operações militares sob pressão dos EUA e do plano de paz de Trump, mas Ben-Gvir rejeita essa direção, expondo uma divisão estratégica grave no núcleo do governo israelense.
  • Oito países árabes e islâmicos condenaram a rejeição do plano de paz por Israel, enquanto enviados americanos negociavam no Egito — sinalizando que a janela diplomática permanece aberta, mas sob enorme pressão.
  • Com mais de 73 mil mortos palestinos e 1.200 vítimas adicionais desde o cessar-fogo, as falas de Ben-Gvir chegam num contexto em que organismos internacionais já acusam Israel de genocídio — acusação que o país nega.

Em um podcast conduzido por um ex-refém do Hamas, o ministro israelense Itamar Ben-Gvir defendeu a execução noturna de dezenas de palestinos em Gaza, incluindo aqueles que, em suas palavras, 'nem sequer são pessoas'. As declarações, que também incluem o retorno de assentamentos judaicos e a emigração forçada de palestinos, chegam num momento em que Israel reduz operações militares sob pressão americana — revelando uma fratura profunda dentro do próprio governo israelense sobre o que significa encerrar uma guerra que já custou mais de setenta e três mil vidas palestinas.

Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel e figura de extrema direita, concedeu uma entrevista a um podcast conduzido por Rom Braslavski — homem que passou meses em cativeiro do Hamas após o ataque de 7 de outubro de 2023. Nela, Ben-Gvir defendeu que Israel deveria matar entre trinta e quarenta pessoas por noite em Gaza, incluindo aquelas que, segundo ele, "não merecem viver" e "nem sequer são pessoas".

Além das execuções, o ministro reiterou seu apoio ao restabelecimento de assentamentos judaicos em toda a Faixa de Gaza e à emigração forçada de palestinos. Para aqueles classificados por ele como terroristas, não haveria nem essa saída: "Deveríamos simplesmente matá-los um por um", afirmou. Quando Braslavski pediu autorização para executar condenados por terrorismo, Ben-Gvir respondeu com entusiasmo, prometendo "mover céus e terra" para que isso acontecesse.

As declarações expõem uma fratura dentro do governo israelense. Netanyahu reduziu recentemente as operações militares em Gaza sob pressão dos Estados Unidos, que busca implementar um plano de paz proposto por Donald Trump. Ben-Gvir discorda publicamente dessa postura, sinalizando que a coesão do governo está longe de ser garantida.

A reação internacional foi imediata. Oito países — Egito, Jordânia, Emirados Árabes, Qatar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão — condenaram a rejeição do plano de paz por Israel, enquanto enviados americanos se reuniam com mediadores no Egito. O pano de fundo é devastador: mais de 73 mil palestinos mortos desde o início da ofensiva israelense, e outras 1.200 vítimas desde o cessar-fogo de outubro passado. Comissões da ONU e organizações de direitos humanos acusam Israel de genocídio — acusação que o país nega veementemente.

Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, declarou em uma entrevista de podcast que o país deveria executar entre trinta e quarenta pessoas todas as noites na Faixa de Gaza. Suas palavras foram diretas e sem qualificação: não apenas aqueles que representam ameaça imediata deveriam ser alvo, mas também pessoas que, em sua visão, "não merecem viver" e "nem sequer são pessoas". A entrevista foi conduzida por Rom Braslavski, um homem que passou meses em cativeiro do Hamas após o ataque de sete de outubro de 2023 e foi libertado em outubro de 2025.

Ben-Gvir, um político de extrema direita que supervisiona a polícia e o sistema prisional israelenses, não se limitou a falar sobre operações militares. Ele também defendeu o restabelecimento de assentamentos judaicos em toda a Faixa de Gaza, imaginando um futuro em que o território inteiro pertencesse a Israel. Além disso, reiterou chamados anteriores para que palestinos "emigrem", deixando claro sua posição: "quanto mais, melhor". Para aqueles que ele classifica como terroristas, não haveria sequer a opção de partir. "Deveríamos simplesmente matá-los um por um", afirmou.

Essas declarações chegam em um momento de tensão dentro do governo israelense. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu reduziu recentemente as operações militares em Gaza, movimento que ocorre sob pressão dos Estados Unidos, que busca implementar um plano de paz apresentado pelo presidente Donald Trump. Ben-Gvir discorda publicamente dessa redução, sinalizando uma divisão entre os líderes israelenses sobre a estratégia futura no território.

A reação internacional foi rápida. No domingo anterior à publicação da entrevista, oito países—Egito, Jordânia, Emirados Árabes, Qatar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão—condenaram a rejeição do plano de paz pelo governo Netanyahu. Enviados americanos se encontravam com mediadores do conflito no Egito enquanto Ben-Gvir falava ao podcast.

O contexto da guerra em Gaza é brutal. O ataque do Hamas em sete de outubro de 2023 matou mil e duzentas pessoas segundo autoridades israelenses e resultou no sequestro de mais de duzentos e cinquenta reféns. A resposta israelense foi uma ofensiva que, conforme autoridades palestinas, matou mais de setenta e três mil pessoas. Desde que um cessar-fogo entrou em vigor em outubro passado, outras mil e duzentas pessoas foram mortas. A magnitude da destruição provocou críticas internacionais crescentes, com comissões da ONU, organizações de direitos humanos e estudiosos do genocídio acusando Israel de cometer genocídio contra os palestinos. Israel nega veementemente essas acusações.

Ben-Gvir não é novo em declarações inflamadas. Seu partido, Poder Judaico, liderou esforços para aprovar uma lei que impõe pena de morte a palestinos condenados por atos de terrorismo contra israelenses, mas não oferece a mesma punição a judeus israelenses que matem palestinos em circunstâncias similares. Ele também se vangloriou de endurecer as condições nas prisões israelenses, onde há relatos numerosos de abusos contra prisioneiros palestinos.

Durante a entrevista, Braslavski pediu ao ministro autorização para executar pessoas condenadas à morte por acusações de terrorismo. Ben-Gvir respondeu com entusiasmo: "Vou mover céus e terra e prometo fazer de tudo para que isso aconteça. É um dos meus maiores sonhos ver você lá". A resposta revela não apenas a posição do ministro, mas também a dinâmica entre ele e aqueles que sofreram nas mãos do Hamas—uma dinâmica que parece alimentar posições cada vez mais radicais dentro do governo israelense.

Acho que deveríamos realizar de 30 a 40 assassinatos seletivos por noite. Não apenas daqueles que representam uma ameaça imediata.
— Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel
Imagino assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza, além do incentivo à emigração—quanto mais, melhor.
— Itamar Ben-Gvir
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