Koff, festival de cinema coreano gratuito, expande presença em cidades brasileiras

Cinema comercial com pegada autoral que não se afasta do público
Como o curador Rubens Rewald descreve a força do cinema coreano que o Koff traz ao Brasil.
Mark

Como um festival que começou do zero em Piracicaba conseguiu triplicar seu circuito em apenas quatro edições?

Mimi

Cresceu muito por boca a boca, começando com escolas e comunidades locais. Depois produtoras e fã-clubes de artistas coreanos de outras cidades começaram a procurar. O timing ajudou — a cultura coreana explodiu no Brasil, especialmente após a pandemia.

Mark

Mas qual é a diferença entre o Koff e a Mostra de Cinema Coreano, que já existe há 15 edições?

Mimi

A Mostra é mais tradicional, organizada pelo Centro Cultural Coreano com incentivo do governo asiático. O Koff é independente, nasceu de uma pessoa sem conexão prévia com a Coreia. Isso dá uma liberdade curatorial diferente.

Mark

Qual é o maior desafio agora que o festival está em sete cidades?

Mimi

Satisfazer públicos muito diferentes. Em Piracicaba você tem fãs de k-drama e cinéfilos locais. Em São Paulo, a demanda é outra. Precisamos equilibrar clássicos dos anos 1950 com blockbusters recentes e filmes estrelados por celebridades populares.

Mark

Por que trazer filmes com atores famosos de séries e k-pop se o objetivo é mostrar cinema autoral coreano?

Mimi

Porque não são coisas excludentes. Cha Eun-woo é cantor, mas está em uma comédia. Seo In-guk é ator e músico. Quando você conversa com eles sobre processo criativo, desafios, arte — não sobre fama — descobre que há cinema real ali.

Mark

E como você escolhe entre 457 inscrições para apenas 60 filmes?

Mimi

A seleção não-competitiva fica com os curadores. A competitiva é aberta. Tentamos trazer produções premiadas internacionalmente, blockbusters que fizeram sucesso na Coreia, e também filmes que ninguém viu ainda. "O Guardião do Rei" atraiu 17 milhões de espectadores — isso é relevante.

Mark

O que muda quando o festival chega em uma capital como Fortaleza ou Salvador?

Mimi

Muda tudo. Você não tem a história de quatro anos de boca a boca. Precisa conquistar o público do zero, lidar com espaços culturais diferentes, entender o que aquela cidade quer. É por isso que a gratuidade é tão importante — remove barreiras.

  • Um festival idealizado em Piracicaba sem nenhuma conexão institucional com a Coreia do Sul triplicou seu alcance em apenas quatro anos, pressionando sua equipe a repensar escala, curadoria e logística a cada edição.
  • A explosão global do cinema coreano — acelerada pelo Oscar de 'Parasita' e pela pandemia — criou uma demanda reprimida no Brasil que o Koff precisou absorver sem perder identidade curatorial.
  • Produtoras, espaços culturais e fã-clubes de artistas coreanos passaram a disputar espaço na programação, tornando o equilíbrio entre blockbusters populares e cinema autoral o principal campo de tensão do festival.
  • A solução encontrada foi uma grade que vai de clássicos dos anos 1950 a comédias com celebridades do k-pop, passando por filmes sobre racismo e exclusão social — apostando que públicos distintos podem coexistir numa mesma mostra gratuita.
  • O festival chega a 2026 consolidado no calendário oficial de Piracicaba e presente em seis outras capitais, mas enfrenta o desafio permanente de manter qualidade e gratuidade enquanto cresce.

Em quatro edições, um festival nascido no interior paulista sem qualquer vínculo prévio com a Coreia do Sul transformou-se em circuito nacional gratuito, percorrendo sete capitais com sessenta produções. O Korean Film Festival revela como a expansão global da cultura coreana encontrou, no Brasil, um terreno fértil onde cinéfilos e fãs de k-cultura dividem a mesma poltrona. Mais do que uma vitrine de tendências, o Koff propõe um diálogo sobre cinema como arte — e sobre como o encontro entre culturas distantes pode nascer do boca a boca numa cidade do interior.

Há quatro anos, Márcia Kling idealizou um festival de cinema coreano em Piracicaba — cidade a 160 quilômetros de São Paulo, sem nenhuma ligação prévia com a Coreia do Sul. Com apoio do ProAC e patrocínios conquistados, a primeira edição do Korean Film Festival, o Koff, aconteceu em 2023. O evento cresceu por boca a boca, conquistando escolas e comunidades vizinhas antes de alcançar outras capitais.

Esta edição percorre Fortaleza, Salvador, Curitiba, Recife, Belo Horizonte e São Paulo, exibindo 60 produções selecionadas entre 457 inscrições. O festival é inteiramente gratuito e funciona em duas vertentes: uma curada e outra aberta a produções sul-coreanas e brasileiras. Em 2024, o Koff foi incorporado ao calendário oficial de Piracicaba, ganhando também gastronomia, debates e masterclasses.

O timing do festival coincidiu com a ascensão global da cultura coreana. Para o curador Rubens Rewald, o cinema sul-coreano tem a capacidade rara de ser comercialmente forte sem se afastar da ambição autoral — qualidade que atrai tanto cinéfilos quanto o grande público. A programação desta edição reflete essa estratégia: ao lado de 'O Guardião do Rei', segundo filme mais visto na história do cinema coreano, estão títulos sobre adolescentes marginalizados em Seul, racismo e idosos em situação de rua, além do novo filme de Park Chan-wook.

O principal desafio agora é satisfazer públicos cada vez mais diversos. Fã-clubes de artistas coreanos, produtoras e espaços culturais passaram a procurar o festival, ampliando as possibilidades — e as tensões curatoriais. Kling e Rewald sublinham que o Koff não é vitrine de celebridades: quando dialogam com diretores e atores dentro do espectro do cinema, falam de arte e processo criativo. É essa distinção, dizem, que define o festival enquanto ele continua crescendo.

Há quatro anos, um festival de cinema nasceu numa cidade do interior de São Paulo sem nenhuma conexão prévia com a Coreia do Sul. Hoje, o Korean Film Festival — ou Koff — percorre sete capitais brasileiras, triplicou seu alcance e se consolidou como referência independente do gênero, atraindo simultaneamente cinéfilos e fãs de k-cultura. Tudo começou em Piracicaba, a 160 quilômetros de São Paulo, quando Márcia Kling idealizou o projeto em 2021. Com aprovação do Programa de Ação Cultural do governo paulista e patrocínios conquistados, a primeira edição aconteceu em 2023. O que era um evento local cresceu por boca a boca, expandindo-se para escolas, comunidades vizinhas e, eventualmente, para outras capitais.

Este ano, o festival chega a Fortaleza, Salvador, Curitiba, Recife, Belo Horizonte e São Paulo, exibindo 60 longas e curtas selecionadas entre 457 inscrições. A mostra funciona em duas vertentes: uma não-competitiva, com seleção dos curadores, e outra aberta a produções da Coreia do Sul e do Brasil. O evento é inteiramente gratuito, com ingressos distribuídos via plataforma digital ou nas bilheterias dos locais.

O timing do Koff coincidiu com uma explosão global da cultura coreana, especialmente após a pandemia. O cinema sul-coreano ganhou projeção internacional com a vitória de "Parasita" no Oscar de 2020, mas já acumulava sucessos cult como "Oldboy" e blockbusters comerciais. Segundo o curador Rubens Rewald, a Coreia do Sul consegue "fazer um cinema forte que não se afasta do público" — uma mistura de produção comercial com pegada autoral que funciona tanto para cinéfilos quanto para o grande público.

O principal desafio inicial foi convencer o público brasileiro de que o cinema coreano vai muito além dos títulos que explodiram internacionalmente. Kling explica que o festival cresceu conquistando escolas e comunidades locais, atraindo espectadores de municípios vizinhos. Em 2024, o evento foi incorporado ao calendário oficial de Piracicaba, ganhando também um pequeno festival de gastronomia coreana, debates e masterclasses.

A expansão para outras cidades trouxe novos desafios. Produtoras, espaços culturais e fã-clubes de artistas coreanos começaram a procurar o festival, permitindo que importasse blockbusters e produções premiadas — algumas em estreia na América Latina. Mas isso também significou lidar com públicos cada vez mais diversos, com demandas distintas. Os curadores tentam equilibrar a programação: exibem clássicos dos anos 1950 e 1960, mas também trazem comédias estreladas por celebridades populares como Cha Eun-woo, cantor da boyband Astro, e Seo In-guk, ator e músico conhecido por aqui.

A seleção desta edição reflete essa estratégia. "O Guardião do Rei", segundo filme mais visto na história do cinema coreano, abriu o festival — atraiu quase 17 milhões de espectadores em três meses num país com 50 milhões de habitantes. Ao lado dele, estão títulos como "Funky Freaky Freaks", sobre adolescentes à margem da sociedade em Seul, "The Mutation", que aborda racismo, e "People Want Meat", sobre três idosos em situação de rua. Também integram a programação o novo filme de Park Chan-wook e "O Mundo do Amor", aclamado pela crítica internacional.

Kling e Rewald destacam que quando conversam com diretores e atores coreanos dentro do espectro do cinema — não do espectro "K" — falam de arte, processo criativo e desafios. Isso, segundo eles, faz um diferencial grande. O festival não é apenas vitrine de celebridades, mas espaço de diálogo sobre cinema. Enquanto isso, o Koff continua crescendo, enfrentando a tarefa contínua de satisfazer públicos cada vez mais diversos em capitais diferentes, mantendo a qualidade curatorial e a gratuidade que o definem.

O principal desafio foi mostrar ao público brasileiro que o cinema sul-coreano vai muito além dos títulos que alcançaram sucesso internacional
— Márcia Kling, fundadora do Koff
Quando a gente conversa com diretores e atores coreanos dentro do espectro do cinema, não do espectro 'K', a gente fala de arte, processo criativo, desafios, e isso faz um diferencial grande
— Márcia Kling
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