Julho Verde alerta para prevenção do câncer de cabeça e pescoço

Aproximadamente 10 mil mortes anuais por câncer de cabeça e pescoço no Brasil, com 70% dos pacientes já em estágio avançado no diagnóstico.
Setenta por cento dos pacientes já chegam em estágio avançado
Reflexo do diagnóstico tardio causado por desconhecimento e interrupção de cuidados preventivos durante a pandemia.
Mark

Por que essa campanha surgiu justamente em 2016? Havia algo específico acontecendo naquela época?

Mimi

Não há um evento específico mencionado. A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e o Inca simplesmente decidiram que precisavam de uma ação coordenada para aumentar a conscientização. O Inca, que centraliza o controle oncológico no país, tornou-se um grande propagador dessa prevenção.

Mark

Setenta por cento dos pacientes chegam em estágio avançado. Isso significa que a maioria das pessoas não consegue ser curada?

Mimi

Não exatamente. Significa que os médicos têm muito menos opções de tratamento curativo. Alguns pacientes ainda podem ser tratados, mas com muito mais dificuldade e com consequências mais severas — como perda permanente da voz.

Mark

A pandemia piorou as coisas?

Mimi

Sim. Muitas pessoas pararam de fazer prevenção por medo do coronavírus. Isso significa que diagnósticos que poderiam ter sido feitos em 2020 ou 2021 foram adiados, e quando finalmente chegam ao médico, o câncer já avançou mais.

Mark

Se alguém fuma e bebe, qual é realmente o risco?

Mimi

Trinta vezes maior do que alguém que não faz nenhum dos dois. É um número impressionante. Sozinhos, cada um aumenta o risco, mas juntos o efeito é multiplicativo.

Mark

E se alguém notar uma ferida na boca que não passa? Quanto tempo deve esperar antes de procurar ajuda?

Mimi

Não deve esperar. Três semanas é o limite. Se durar mais que isso, é hora de ir a um dentista ou médico. Qualquer caroço no pescoço que persista pelo mesmo período também merece investigação.

Mark

Essas cirurgias parciais da laringe — elas funcionam bem?

Mimi

Funcionam melhor do que nada, mas a voz nunca volta ao normal. Existem técnicas de reabilitação que ajudam, mas a pessoa terá uma voz diferente pelo resto da vida.

  • Sete em cada dez pacientes chegam ao diagnóstico já em estágio avançado, quando as chances de cura diminuem drasticamente — um sinal de que o problema é de informação, não apenas de medicina.
  • A combinação de tabagismo e álcool multiplica por mais de trinta vezes o risco de câncer oral, tornando hábitos cotidianos em ameaças silenciosas e subestimadas.
  • A pandemia agravou o cenário: o medo de se expor ao vírus afastou pessoas dos consultórios, atrasando ainda mais diagnósticos que já chegavam tarde.
  • Qualquer ferida na boca ou caroço no pescoço que persista por mais de três semanas é sinal de alerta — um limiar simples que pode salvar vidas se levado a sério.
  • Durante todo o mês de julho, lives, cursos e simpósios tentam alcançar tanto a população quanto profissionais de saúde, transformando consciência em ação preventiva.

A cada ano, dez mil brasileiros morrem de um câncer que, na maioria das vezes, poderia ter sido interrompido antes de avançar. O câncer de cabeça e pescoço — quinto mais frequente no país — permanece invisível para grande parte da população, e é justamente esse silêncio que a campanha Julho Verde busca romper. Lançada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a iniciativa lembra que o conhecimento, mais do que a tecnologia médica, é a primeira linha de defesa contra uma doença que chega tarde demais ao consultório.

Dez mil mortes por ano, a maioria evitável. Esse é o retrato do câncer de cabeça e pescoço no Brasil — o quinto tipo mais frequente no país —, e é para mudar essa realidade que a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço lançou a campanha Julho Verde, dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença.

O médico Bruno Albuquerque, do Instituto Nacional de Câncer e do Hospital Central da Aeronáutica, aponta o diagnóstico tardio como o principal problema: 70% dos pacientes chegam ao especialista já em estágio avançado. A pandemia piorou esse quadro, afastando pessoas dos serviços de saúde por medo de contaminação. A doença abrange uma vasta região do corpo — boca, língua, laringe, faringe, tireoide, glândulas salivares, entre outras. Nos homens, o câncer de boca é o mais comum; nas mulheres, o de tireoide.

Os fatores de risco são bem conhecidos: fumo e álcool juntos aumentam em mais de trinta vezes a chance de desenvolver câncer oral. Má higiene bucal, desnutrição, próteses mal ajustadas e exposição excessiva ao sol também contribuem. A orientação prática é direta — qualquer ferida na boca ou caroço no pescoço que dure mais de três semanas exige avaliação especializada.

A campanha esclarece ainda mitos, como o de que enxaguantes bucais causam câncer, e explica que cirurgias de laringe podem preservar a função vocal quando o tumor é detectado cedo — o que não é possível nos casos avançados. Iniciado em 2016, o Julho Verde marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço em 27 de julho, com transmissões ao vivo, congressos e materiais informativos voltados tanto ao público geral quanto aos profissionais de saúde.

Dez mil pessoas morrem a cada ano no Brasil por um câncer que, na maioria dos casos, poderia ter sido detectado mais cedo. O câncer de cabeça e pescoço é o quinto mais frequente entre brasileiros, tanto homens quanto mulheres, e a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço lançou a campanha Julho Verde justamente para mudar essa realidade — alertando sobre prevenção e a importância de reconhecer os sinais de alerta.

O médico Bruno Albuquerque, que trabalha no Instituto Nacional de Câncer e no Hospital Central da Aeronáutica, explica que o problema não é falta de tratamento disponível, mas sim diagnóstico tardio. Setenta por cento dos pacientes chegam ao consultório já em estágio avançado, quando as opções de cura diminuem drasticamente. Parte dessa demora vem do desconhecimento: muitas pessoas não sabem o que procurar, e outras simplesmente deixaram de buscar atendimento médico durante a pandemia de covid-19, com medo de se expor ao vírus.

A doença abrange várias regiões: cavidade oral, língua, boca, laringe, faringe, seios paranasais, cavidade nasal, glândulas salivares, ossos da face, tireoide e pele. Nos homens, o câncer de boca é o tipo mais comum; nas mulheres, o de tireoide. Os fatores de risco para o câncer oral são bem conhecidos. Fumar e beber álcool, quando combinados, aumentam em mais de trinta vezes a chance de desenvolver a doença. Além disso, má higiene bucal, desnutrição, próteses dentárias mal ajustadas que causam trauma crônico, e exposição solar excessiva — especialmente para pessoas de pele clara — são todos fatores que contribuem.

Albuquerque oferece orientações práticas. Qualquer ferida na boca ou garganta que persista por mais de três semanas merece avaliação de um profissional de saúde bucal. O mesmo vale para qualquer caroço no pescoço que dure o mesmo período. Essas são lesões suspeitas que exigem parecer de um especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. Para prevenir, o caminho é claro: abandonar o tabagismo e o álcool, manter a boca limpa, evitar desnutrição, usar protetor solar e reduzir a exposição ao sol nos horários de maior intensidade.

Há também mitos a esclarecer. Não é verdade que enxaguantes bucais causem câncer de boca e garganta, embora seja recomendável evitar aqueles à base de álcool, que podem danificar a mucosa oral — ainda que não haja comprovação científica de que provoquem câncer. Quanto às cirurgias de remoção da laringe, o resultado depende de onde o tumor está localizado e em que fase foi detectado. Hoje existem técnicas minimamente invasivas que conseguem preservar a função da laringe, mas quando o tumor é encontrado em estágio avançado, essa preservação não é possível. Existem cirurgias parciais e opções de reabilitação que ajudam a restaurar a fala, mas a voz natural não volta.

O Instituto Nacional de Câncer estima que entre 2020 e 2022 serão diagnosticados 685 mil novos casos de câncer no Brasil, de todas as formas. Cânceres de cabeça e pescoço representam entre 8% e 10% desse total. A campanha Julho Verde, iniciada em 2016 pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e pelo Inca, escolheu o dia 27 de julho para marcar o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço — data definida durante um congresso internacional realizado em Nova York. Durante todo o mês, haverá transmissões ao vivo, cursos, congressos, simpósios e distribuição de materiais informativos. O objetivo é orientar tanto a população geral quanto os profissionais de saúde sobre como detectar a doença cedo e, antes disso, como evitá-la. Globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde, esse é o nono tipo de câncer mais comum no mundo.

O medo do novo coronavírus levou muitas pessoas a parar de fazer a prevenção
— Dr. Bruno Albuquerque, Instituto Nacional de Câncer
Qualquer lesão na boca e na garganta que dure mais de três semanas merece uma investigação por parte de um profissional de saúde bucal
— Dr. Bruno Albuquerque
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