Em um país onde os juros elevados e as exigências de entrada transformam a casa própria em horizonte distante, os jovens brasileiros até 29 anos respondem com pragmatismo: um quarto deles prefere financiar um automóvel, enquanto apenas 14% sequer cogitam o financiamento imobiliário. Um estudo da Serasa Experian com a Geração Z bancarizada revela que essa escolha não é impulsividade, mas adaptação racional a estruturas que fecham portas antes mesmo de serem abertas. O contraste com Portugal — onde jovens já assinam 60% dos novos contratos imobiliários — lembra que o problema não é cultural, mas
Jovens brasileiros preferem financiar carro a imóvel, aponta Serasa Experian
Sem histórico de crédito, o jovem fica preso num círculo que ninguém resolve
Por que um quarto dos jovens prefere carro a imóvel? Não é só uma questão de gosto, certo?
Não, é muito mais estrutural. As taxas de juros no Brasil são altas, e os bancos exigem entradas grandes para imóveis. Um carro é mais acessível, mais rápido de conseguir.
Mas o estudo diz "um quarto" — isso significa 25%. Quantos jovens foram entrevistados? Qual é a margem de erro? Precisamos saber se esse número é robusto.
É um ponto justo. O que importa é que a tendência existe e é clara: jovens com renda alta têm muito mais capacidade de financiar carros do que aqueles que ganham um salário mínimo.
E quanto ao imóvel? Por que apenas 14% consideram?
Porque é um compromisso de longo prazo, com custos iniciais muito altos. A Geração Z tem uma visão mais imediatista — quer resultados agora.
Mas será que é imediatismo ou é realismo? Se as condições de crédito fossem melhores, como em Portugal, talvez esses jovens pensassem diferente.
Exatamente. Em Portugal, 60% dos novos contratos imobiliários vêm de jovens. Lá as taxas são menores, as entradas são menores. É um problema de contexto econômico, não de mentalidade.
E aqueles que nunca pegaram crédito antes? Como eles entram nesse mercado?
Aí está o problema real. Metade dos novos entrantes não tem histórico bancário. Sem histórico, os bancos não emprestam. É um bloqueio estrutural que ninguém está resolvendo.
Então o jovem fica preso. Não consegue crédito porque não tem histórico, e não consegue histórico porque não consegue crédito.
Isso significa que a maioria dos jovens brasileiros nunca vai ter casa própria?
Não sabemos. O estudo mostra preferências atuais, não destinos finais. Mas sim, as barreiras são reais e estão crescendo.
Il Polso
- Com juros altos e entradas inacessíveis, o sonho da casa própria se distancia da realidade de nove em cada dez jovens brasileiros bancarizados.
- O carro surge como substituto tangível e imediato: mais rápido de adquirir, mais útil no presente, menos dependente de um histórico creditício que a maioria ainda não tem.
- A renda aprofunda a desigualdade dentro da própria geração — entre jovens que ganham mais de dez salários mínimos, 70% consideram comprar veículo, contra apenas 13% entre os que recebem um salário mínimo.
- Metade dos novos entrantes no crédito não possui histórico bancário, criando um círculo vicioso que os exclui dos financiamentos de maior valor e prazo.
- O mercado imobiliário perde uma geração inteira de potenciais compradores enquanto as condições estruturais permanecem inalteradas.
Em um país onde os juros elevados e as exigências de entrada transformam a casa própria em horizonte distante, os jovens brasileiros até 29 anos respondem com pragmatismo: um quarto deles prefere financiar um automóvel, enquanto apenas 14% sequer cogitam o financiamento imobiliário. Um estudo da Serasa Experian com a Geração Z bancarizada revela que essa escolha não é impulsividade, mas adaptação racional a estruturas que fecham portas antes mesmo de serem abertas. O contraste com Portugal — onde jovens já assinam 60% dos novos contratos imobiliários — lembra que o problema não é cultural, mas sistêmico.
Um quarto dos jovens brasileiros com até 29 anos está disposto a financiar um automóvel. Apenas 14% consideram contratar um financiamento imobiliário. Os números, levantados pela Serasa Experian junto à Geração Z bancarizada, revelam as prioridades financeiras dos centennials brasileiros — e o quanto o país diverge de outras economias.
A preferência pelo carro não é capricho. É resposta racional a obstáculos reais: juros elevados, entradas substanciais exigidas pelos bancos e uma visão geracional que valoriza o ganho imediato sobre o investimento de longo prazo. O resultado é um cenário em que a casa própria parece distante para a maioria.
O contraste com Portugal é revelador: lá, jovens já respondem por 60% dos novos contratos imobiliários. A diferença não é cultural — é estrutural. As condições de crédito portuguesas são mais favoráveis; as brasileiras funcionam como filtro que afasta justamente quem deveria estar entrando no mercado.
Dentro da própria geração, a renda divide mundos. Entre os que ganham mais de dez salários mínimos, sete em cada dez consideram comprar um veículo. Para quem recebe um salário mínimo, esse número despenca para 13%. A intenção de financiar um carro é, ela própria, um privilégio relativo.
Há ainda o obstáculo invisível do histórico creditício: cerca da metade dos novos entrantes no crédito não possui registro bancário anterior. Sem esse histórico, os bancos relutam em oferecer empréstimos maiores — um círculo vicioso que mantém muitos jovens fora de qualquer mercado de financiamento.
O que o estudo expõe, no fundo, é uma adaptação. Diante de juros altos, entradas pesadas e ausência de crédito prévio, o carro torna-se a escolha lógica. A casa própria fica para depois — ou, para muitos, fica para nunca.
Um quarto dos jovens brasileiros com até 29 anos está disposto a financiar um automóvel. Apenas 14% deles consideram a possibilidade de contratar um financiamento imobiliário. Esses números, revelados por um estudo da Serasa Experian com integrantes da Geração Z bancarizada, traçam um retrato claro das prioridades financeiras dos centennials brasileiros — e mostram como o país diverge radicalmente de outras economias.
A preferência pelo carro sobre o imóvel não é um capricho. É uma resposta racional a obstáculos estruturais. As taxas de juros no Brasil permanecem elevadas, e os bancos exigem entradas substanciais para financiamentos imobiliários. Além disso, há uma dimensão geracional em jogo: os jovens dessa faixa etária tendem a priorizar ganhos imediatos e tangíveis — um carro que se dirige hoje — sobre investimentos de longo prazo que só se concretizam em anos. Essa visão mais imediatista, combinada com as barreiras econômicas reais, cria um cenário onde a casa própria parece distante, quase inacessível.
O contraste internacional é revelador. Em Portugal, jovens já respondem por 60% dos novos contratos de financiamento imobiliário, segundo dados do Banco de Portugal. A diferença não é cultural — é estrutural. Lá, as condições de crédito são mais favoráveis. Aqui, elas funcionam como um filtro que afasta justamente quem deveria estar entrando no mercado imobiliário.
Mas o estudo também expõe uma realidade mais complexa: não existe um jovem brasileiro único. A renda faz toda a diferença. Entre aqueles que ganham mais de dez salários mínimos mensais, sete em cada dez consideram comprar um veículo. Para quem recebe um salário mínimo, esse número cai para apenas 13%. A intenção de financiar um carro, portanto, é um privilégio relativo — acessível principalmente aos mais abastados.
Há ainda outro obstáculo invisível, mas decisivo: o histórico de crédito. Cerca da metade dos novos entrantes no mercado de crédito não possui histórico bancário nem produtos de crédito anteriores. Sem esse registro, os bancos relutam em oferecer empréstimos de maior valor ou prazos mais longos. É um círculo vicioso. Quem nunca pegou crédito não consegue pegar crédito — e assim fica fora do mercado de financiamentos, seja de carros ou imóveis.
O que o estudo da Serasa Experian revela, em última análise, é que a decisão dos jovens brasileiros não é irracional. É uma adaptação às condições que encontram. Diante de juros altos, exigências de entrada pesada e falta de histórico creditício, o carro — mais acessível, mais rápido de adquirir, mais imediatamente útil — torna-se a escolha lógica. A casa própria fica para depois, para quando as circunstâncias mudarem. Ou, para muitos, fica para nunca.
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As elevadas taxas de juros no Brasil e a necessidade de uma entrada maior impactam na falta de perspectiva da compra do imóvel próprio— Serasa Experian