Jovem morre de meningite após cinco visitas à UPA; família questiona atendimentos

Sabrina Gomes Monteiro, 25 anos, morreu de meningite bacteriana aguda e edema cerebral após múltiplos atendimentos inadequados em unidade de saúde.
Uma vez dor de cabeça, uma vez dor no corpo, até chegar à dor extrema
A mãe descreve a progressão dos sintomas que ninguém conseguiu diagnosticar nas cinco visitas à UPA.
Mark

Por que a família questiona especificamente os atendimentos da UPA e não apenas a morte em si?

Mimi

Porque Sabrina procurou ajuda cinco vezes em seis dias. Cinco. A cada visita, os sintomas eram diferentes, mas ninguém conectou os pontos. Uma dor de cabeça que piora, depois dor no corpo, depois dor de cabeça extrema — isso é um padrão. Mas ela foi medicada e liberada, medicada e liberada, até que na quinta vez já não conseguia nem falar.

Luke

Mas aqui está a questão: a meningite bacteriana é difícil de diagnosticar nos primeiros dias. Os sintomas iniciais são genéricos — dor de cabeça, dor no corpo. Você não pode culpar um médico por não diagnosticar algo que ainda não tem sinais claros. O que é preocupante é que ninguém documentou as visitas anteriores ou reconheceu um padrão de piora.

Mimi

Exatamente. E na quinta visita, quando ela já estava claramente piorando, uma médica sugeriu que era psiquiátrico. Surto. Sem exames que confirmassem isso, sem certeza. Apenas uma hipótese.

Mark

A meningite pneumocócica é contagiosa? Por que a família não recebeu orientações sobre isolamento?

Luke

A Secretaria de Saúde diz que para o agente pneumocócico não há indicação de bloqueio ou isolamento para contatos próximos. Isso é tecnicamente correto segundo os protocolos. Mas a família nunca recebeu essa informação. Eles não sabiam se deveriam se isolar ou fazer exames.

Mimi

E aí está outro problema: a comunicação. Mesmo que não houvesse necessidade de isolamento, alguém deveria ter dito isso à família. Deixá-los no escuro é negligência de outro tipo.

Mark

Sabrina completaria 26 anos no sábado em que morreu. Isso é importante para a história?

Mimi

É importante porque mostra que ela era jovem, estava no auge da vida. Heraldo fala dela como alguém que organizava as comemorações da família, que era animada. Ela tinha futuro. Isso não é apenas um número em um relatório de saúde.

Luke

Mas também precisamos ser claros: não sabemos se um diagnóstico mais rápido teria salvado sua vida. A meningite bacteriana aguda é grave mesmo quando diagnosticada cedo. Não podemos afirmar que ela morreria de qualquer forma, mas também não podemos afirmar que teria vivido se tivesse sido diagnosticada na primeira visita.

Mark

Então o que fica em aberto?

Mimi

Fica em aberto se houve falha no protocolo de atendimento, se os registros das visitas anteriores foram consultados, se havia suspeita de meningite que não foi investigada. E fica em aberto se a sugestão de quadro psiquiátrico foi baseada em avaliação clínica real ou em falta de diagnóstico diferencial.

  • Sabrina voltou à UPA cinco vezes em seis dias com sintomas que se agravavam, mas saía de cada atendimento medicada e sem diagnóstico preciso.
  • Na quinta visita, já sem conseguir responder aos familiares, uma médica cogitou surto psiquiátrico e transferência para hospital psiquiátrico — enquanto a meningite avançava silenciosa.
  • Intubada na madrugada, transportada de urgência e desviada para o Hospital Dório Silva por causa do trânsito, Sabrina chegou em estado crítico e morreu no dia seguinte.
  • A família nunca recebeu orientações da Vigilância Sanitária sobre isolamento ou exames para quem conviveu com Sabrina, ficando à mercê de respostas institucionais contraditórias.
  • O caso segue monitorado pela Vigilância Epidemiológica Estadual, mas para Rosimar e Heraldo a burocracia chega onde a filha e sobrinha já não pode mais ser alcançada.

Aos 25 anos, Sabrina Gomes Monteiro buscou socorro cinco vezes em seis dias numa unidade de saúde pública, mas partiu sem que alguém nomeasse o que a consumia por dentro. Sua morte por meningite bacteriana, em 5 de setembro, coloca diante de nós uma pergunta que atravessa gerações de famílias e sistemas de saúde: quantas vezes uma pessoa precisa pedir ajuda antes de ser verdadeiramente ouvida? O que resta à família é o silêncio das respostas tardias e a memória de uma jovem que fazia as festas acontecerem.

Sabrina Gomes Monteiro completaria 26 anos neste sábado. Morreu no dia 5 de setembro no Hospital Estadual Dr. Dório Silva, na Serra, vítima de meningite bacteriana aguda e edema cerebral. Antes disso, havia procurado a UPA de Castelândia cinco vezes em seis dias, sempre com sintomas que mudavam de lugar e de intensidade, mas nunca melhoravam. Sua mãe, Rosimar Fernandes, acompanhou cada retorno sem jamais receber uma explicação sobre o que estava acontecendo com a filha.

Na quinta ida à unidade, Sabrina já não respondia aos familiares. Seu estado era visivelmente grave. Foi então que uma médica sugeriu a possibilidade de quadro psiquiátrico e mencionou transferência para um hospital especializado em Vitória. Nenhuma certeza foi dada. Sabrina foi contida na maca e medicada. Na madrugada, seu corpo não conseguia mais respirar sozinho — ela foi intubada. De manhã, uma ambulância partiu com ela rumo à capital, mas o trânsito intenso e a gravidade do quadro levaram a equipe a buscar o hospital mais próximo. No Dório Silva, ela foi admitida com rebaixamento de consciência e insuficiência respiratória. Morreu no dia seguinte.

Seu tio Heraldo Fernandes a descreve como a pessoa que fazia as festas da família acontecerem — quem comprava, organizava, colocava tudo na mesa. Os dois dividiam também a paixão pelo São Paulo. Agora a família quer saber por que ninguém identificou a doença a tempo.

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou que o agente causador era pneumocócico e informou que, para esse tipo, não há indicação de isolamento ou medicação preventiva para contatos próximos. A Vigilância Epidemiológica acompanhou o caso e orientou a equipe assistencial. Mas a família relata que nunca foi contatada diretamente. A Secretaria da Serra respondeu que as orientações à família caberiam à unidade hospitalar. O caso segue notificado — e a pergunta da mãe, sem resposta fácil: em quantas visitas a meningite deveria ter sido considerada antes que fosse tarde demais?

Sabrina Gomes Monteiro tinha 25 anos e completaria 26 neste sábado. Ela morreu no dia 5 de setembro no Hospital Estadual Dr. Dório Silva, na Serra, vítima de meningite bacteriana aguda e edema cerebral. Antes disso, ela havia procurado a Unidade de Pronto Atendimento de Castelândia cinco vezes em seis dias. Sua mãe, Rosimar Fernandes, agora questiona por que ninguém identificou a doença que matou sua filha.

Tudo começou no domingo, 30 de agosto. Sabrina chegou à UPA com sintomas que pareciam simples o bastante: dor de cabeça, dor no corpo. Foi atendida, medicada e liberada. Mas os sintomas não desapareceram. Ela voltou na segunda-feira. Voltou na terça. Voltou na quarta. Voltou na quinta. A cada visita, algo era diferente — a dor mudava de lugar, a intensidade aumentava, nada melhorava com os remédios que recebia. Rosimar viu sua filha piorar dia após dia, sem que ninguém conseguisse dizer o que estava acontecendo.

Na quinta ida à UPA, Sabrina já não conversava com os familiares. Não respondia. Seu estado havia se deteriorado de forma visível e alarmante. Foi então que uma médica levantou uma hipótese: talvez fosse um quadro psiquiátrico. Talvez ela estivesse em surto. A médica mencionou a possibilidade de transferência para um hospital psiquiátrico em Vitória. Rosimar ouviu isso sem receber nenhuma certeza, nenhuma confirmação, apenas uma sugestão vaga diante de uma filha que claramente estava muito doente. Sabrina foi contida na maca e recebeu medicamentos. Na madrugada de quinta para sexta-feira, ela foi intubada — seu corpo não conseguia mais respirar sozinho.

Na manhã seguinte, uma ambulância saiu da UPA com Sabrina dentro, a caminho de um hospital em Vitória. Seu tio, Heraldo Fernandes, acompanhava o transporte. Mas o trânsito estava intenso, e a gravidade do quadro era evidente. A equipe decidiu procurar atendimento mais próximo. Sabrina foi levada para o Hospital Estadual Dr. Dório Silva, também na Serra. Lá, ela foi admitida no dia 4 de setembro com rebaixamento do nível de consciência e insuficiência respiratória. Foram coletados materiais biológicos para exames. Ela foi para a UTI. No dia 5 de setembro, morreu.

Heraldo lembra de sua sobrinha como alguém animado, sempre à frente das comemorações da família. Quando havia aniversário, era Sabrina quem tomava as providências — comprava o que era necessário, colocava tudo na mesa, fazia as coisas acontecerem. Os dois compartilhavam também a paixão pelo São Paulo. Ele a descreve como uma pessoa muito animada. Agora ela se foi, e a família quer saber por que.

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou que o agente causador da meningite era pneumocócico. Para esse tipo de agente, segundo a pasta, não há indicação de bloqueio, isolamento ou medicação preventiva para contatos próximos. A Vigilância Epidemiológica acompanhou o caso e prestou orientações à equipe assistencial. Mas a família relata que nunca recebeu contato da Vigilância Sanitária com orientações sobre isolamento ou exames para pessoas que tiveram contato com Sabrina antes da internação. A Secretaria de Saúde da Serra respondeu que, como Sabrina estava internada, as orientações à família caberiam à unidade hospitalar responsável pela assistência.

O caso foi notificado e segue acompanhado pela Vigilância Epidemiológica Estadual. Mas para Rosimar, para Heraldo e para o resto da família, as respostas chegam tarde demais. Uma jovem que procurou ajuda cinco vezes em uma semana morreu de uma doença que poderia ter sido diagnosticada. A pergunta que fica é simples e sem resposta fácil: em quantas visitas a meningite deveria ter sido considerada antes que fosse tarde demais?

Quando a família fazia um aniversário, quem tomava as providências era ela. Ela era uma pessoa muito animada.
— Heraldo Fernandes, tio de Sabrina
Não me deram nenhuma certeza. A única médica que falou para mim foi essa que falou que era um quadro psiquiátrico, que talvez teria que levar minha filha para o hospital psiquiátrico de Vitória.
— Rosimar Fernandes, mãe de Sabrina
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur A Gazeta ↗
Nous contacter FAQ