Jonas Lauwiner, o suíço que se autoproclamou rei e construiu um império fundiário

Não sou um monarca constitucional. Sou um monarca simbólico.
Lauwiner responde à questão óbvia: como pode ser rei numa república democrática sem monarquia.
Mark

Como é que uma pessoa consegue ser "rei" num país que não tem monarquia e não a permite?

Mimi

Lauwiner não se vê como um monarca constitucional — alguém com poder político real. Vê-se como um monarca simbólico. A Suíça não o reconhece como tal, mas ele criou a estrutura: coroa, cerimónia, império, até uma legião.

Luke

Mas isso é só teatro, certo? O que o torna relevante é que ele realmente possui 117 mil metros quadrados de terra legalmente adquirida.

Mimi

Exatamente. A autoproclamação é a narrativa que ele construiu em torno de uma descoberta legal muito real — o artigo 658 do Código Civil suíço permite reclamar terrenos sem dono.

Mark

E ninguém tinha feito isto antes?

Luke

Não sabemos. A reportagem não diz se outros tentaram. Sabemos que Lauwiner o fez sistematicamente e que agora possui 83 estradas.

Mimi

O que criou conflitos. Geuensee quer recuperar uma estrada que ele possui. Ele pediu 164 mil euros ou a mudança do nome da rua.

Mark

Isso é extorsão?

Luke

Um advogado local apresentou uma queixa-crime por exploração abusiva para fins lucrativos. Lauwiner nega e diz que apenas cobra manutenção. Não sabemos como vai terminar.

Mimi

E agora ele está na política local, eleito para o conselho municipal. Quer ir mais longe — Conselho Nacional, Conselho de Estado.

Mark

Enquanto trabalha numa empresa farmacêutica?

Luke

Sim. E mantém o "império". É uma vida muito ocupada para alguém que se proclama rei.

  • Jonas Lauwiner, 31 anos, suíço-marroquino, proclamou-se rei em 2019
  • Adquiriu 117 mil metros quadrados em 150 parcelas, incluindo 83 estradas, usando artigo 658 do Código Civil suíço
  • Geuensee tenta recuperar uma estrada; Lauwiner exigiu 164 mil euros ou renomeação
  • Eleito para conselho municipal de Burgdorf em 2024 com 700 votos

Lauwiner adquiriu legalmente 117 mil metros quadrados em vários cantões suíços, incluindo 83 estradas, usando o artigo 658 do Código Civil suíço. A posse de estradas gerou conflitos com autoridades locais; Geuensee tenta recuperar uma via que Lauwiner exigiu 164 mil euros para devolver.

Jonas Lauwiner, cidadão suíço-marroquino de 31 anos, proclamou-se 'rei da Suíça' em 2019 e acumulou 150 parcelas de terra explorando uma brecha legal que permite apropriação de terrenos sem proprietário registado.

A Suíça não tem rei. A sua constituição não prevê monarquia. E no entanto, desde 2019, Jonas Lauwiner — um cidadão suíço-marroquino de 31 anos — proclama-se "rei Jonas I" e governa o que chama de um "império territorial", construído inteiramente dentro do quadro legal suíço, através de uma brecha que poucos tinham pensado em explorar.

Tudo começou com um presente do pai. Aos 20 anos, Lauwiner recebeu uma pequena parcela agrícola em Burgdorf, no cantão de Berna — o que descreve como "o maior dia" da sua vida. Mas o que o transformou foi descobrir que o terreno vizinho não tinha proprietário registado. Lauwiner encontrou o artigo 658 do Código Civil suíço, que permite a qualquer pessoa reclamar legalmente um terreno sem dono identificado, mediante registo e pagamento de taxas administrativas. "Pensei que não podia ser o único terreno deste tipo na Suíça", contou à France 24. Começou a procurar. Encontrou outro. Depois outro. E outro.

Essa reação em cadeia transformou-se numa campanha sistemática. Hoje, Lauwiner afirma possuir cerca de 150 parcelas espalhadas por vários cantões suíços, totalizando mais de 117 mil metros quadrados de território anteriormente sem proprietário declarado. Entre essas propriedades contam-se 83 estradas. "Mais de cinco mil pessoas por dia passam pelas minhas estradas para ir para casa", declarou. A posse dessas vias gerou conflitos reais com autoridades locais. A pequena vila de Geuensee tenta recuperar uma rua que Lauwiner adquiriu, mas ele exigiu o equivalente a 164 mil euros para a devolver — ou, alternativamente, que a via fosse renomeada "Chemin Lauwiner". As autoridades recusaram. Um advogado local apresentou uma queixa-crime, acusando-o de exploração abusiva para fins lucrativos. Lauwiner nega e garante que apenas cobra taxas de manutenção.

Mas a atividade fundiária vai além das estradas. Segundo a France 24, o modelo de negócio inclui a concessão de autorizações de construção nas terras adquiridas e a venda de direitos de instalação de infraestruturas — cabos, condutas — a empresas energéticas. Tudo legal. Tudo dentro das regras.

A autoproclamação monárquica ocorreu em 2019, numa cerimónia de autocoroação realizada na igreja de Nydegg, em Berna, com membros do clero presentes. Um vídeo publicado no seu site oficial mostra Lauwiner a envergar vestes reais e uma coroa de ouro de 18 quilates incrustada com pedras preciosas, feita especialmente para a ocasião. Quando questionado sobre a incompatibilidade óbvia entre ser "rei" e viver numa república democrática sem monarquia, Lauwiner respondeu simplesmente: "Não sou um monarca constitucional. Sou um monarca simbólico."

O império tem estrutura. O seu site oficial inclui referências à "Lauwiner Empire Legion", descrita como um ramo aéreo, terrestre e marítimo das "forças do Império", com missão de "preservar a paz e a segurança" e "superar quaisquer nações responsáveis por actos agressivos que ameacem a paz e a segurança do Império Lauwiner". O próprio site reconhece que o estatuto legal da organização "pode ser descrito de forma mais precisa como paramilitar".

Mas Lauwiner não é apenas um homem de terras e símbolos. Em 2024, foi eleito para o conselho municipal de Burgdorf com cerca de 700 votos, concorrendo como independente sob o nome "King Jonas Lauwiner". E trabalha a tempo inteiro numa empresa farmacêutica. Agora que afirma ter adquirido todos os terrenos que "valiam o esforço", diz querer expandir a sua carreira política. "Estou a tentar o Conselho Nacional, a tentar o Conselho de Estado", afirmou à France 24. "Quero tentar tudo."

Há um rei na Suíça, e sou eu, rei Jonas
— Jonas Lauwiner, em entrevista à France 24
Estou a tentar o Conselho Nacional, a tentar o Conselho de Estado. Quero tentar tudo.
— Jonas Lauwiner, sobre ambições políticas futuras
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