Em Pernambuco, a política de 2026 começa a tomar forma antes mesmo do calendário eleitoral se abrir: uma pesquisa Datafolha divulgada na madrugada de sexta-feira coloca João Campos, prefeito do Recife, com 47% das intenções de voto no cenário estimulado, 12 pontos à frente da governadora Raquel Lyra. Mas a sondagem carrega uma ambiguidade reveladora — quando os eleitores são convidados a nomear seu candidato sem sugestão, Lyra supera Campos, lembrando que liderança em números nem sempre equivale a presença consolidada no imaginário popular. A disputa, ainda distante das urnas, já anuncia dois
João Campos lidera com 47% contra 35% de Raquel Lyra em primeira pesquisa Datafolha de 2026
O apoio a Campos vence quando visto, mas perde força quando precisa ser lembrado
Por que a diferença entre o cenário estimulado e o espontâneo importa tanto nesta pesquisa?
Porque mostra se o voto é reflexo ou convicção. Quando você vê o nome de João Campos e escolhe, ele vence fácil. Mas quando você precisa lembrar dele de cabeça, sem ajuda, Raquel aparece mais forte. Isso diz que o apoio a Campos pode ser mais superficial do que parece.
Raquel caiu 17 pontos desde outubro. Como ela conseguiu subir de 30% para 35% se perdeu tanto terreno?
Ela não perdeu terreno em relação a si mesma — ganhou 5 pontos. O que aconteceu é que João também ganhou, mas menos. Ele saiu de 52% para 47%, uma queda de 5 pontos. Então ambos se movimentaram, mas em direções que mantêm a vantagem dele.
E os outros candidatos? Eduardo Moura e Ivan Moraes parecem invisíveis.
Praticamente são. Eduardo tem 5%, Ivan tem 1%. Eles não estão competindo pela vitória — estão competindo por relevância, por conseguir visibilidade suficiente para influenciar a campanha ou negociar apoios depois.
O que explica esses 39% que votariam em branco ou nulo na espontânea?
Desengano, indecisão, rejeição aos nomes disponíveis. Quando você não vê as opções, muita gente simplesmente não consegue nomear um candidato. É um sinal de que a campanha ainda não tocou essas pessoas, ou que elas estão genuinamente insatisfeitas com as escolhas.
A pesquisa foi feita em fevereiro. Quanto tempo falta para o voto?
Oito meses. Tempo suficiente para tudo mudar. Campanhas ganham ou perdem força conforme avançam. Esses números são um ponto de partida, não um destino.
The Pulse
- João Campos abre 12 pontos de vantagem sobre Raquel Lyra no cenário estimulado, mas a corrida está longe de ser uma marcha triunfal.
- Lyra cresceu de 30% para 35% desde outubro, um avanço real que não fecha a distância — e que sinaliza uma governadora em recuperação, não em colapso.
- No cenário espontâneo, a governadora é citada por 24% dos eleitores contra apenas 18% de Campos, invertendo a lógica da liderança e revelando que o recall institucional ainda joga a seu favor.
- Com 39% dos entrevistados sem candidato definido ou optando pelo voto nulo no cenário espontâneo, o eleitorado pernambucano permanece em grande parte disponível — e disputável.
- A pesquisa, registrada no TSE e realizada com 1.022 pessoas entre 2 e 5 de fevereiro, estabelece o primeiro termômetro oficial de uma eleição que promete ser a mais acirrada do Nordeste em 2026.
Em Pernambuco, a política de 2026 começa a tomar forma antes mesmo do calendário eleitoral se abrir: uma pesquisa Datafolha divulgada na madrugada de sexta-feira coloca João Campos, prefeito do Recife, com 47% das intenções de voto no cenário estimulado, 12 pontos à frente da governadora Raquel Lyra. Mas a sondagem carrega uma ambiguidade reveladora — quando os eleitores são convidados a nomear seu candidato sem sugestão, Lyra supera Campos, lembrando que liderança em números nem sempre equivale a presença consolidada no imaginário popular. A disputa, ainda distante das urnas, já anuncia dois projetos de poder em tensão.
A primeira pesquisa Datafolha do ano eleitoral chegou na madrugada de sexta-feira, divulgada pelas rádios CBN Recife e CBN Caruaru, e desenhou um retrato de liderança com sombras. João Campos, prefeito do Recife e pré-candidato pelo PSB, marca 47% no cenário estimulado para o governo de Pernambuco. Raquel Lyra, governadora em exercício pelo PSD, aparece com 35%. A vantagem é de 12 pontos — expressiva, mas não definitiva.
O movimento desde outubro de 2025 conta histórias diferentes para cada lado. Campos recuou levemente de 52%, mas mantém a liderança. Lyra avançou cinco pontos, de 30% para 35% — um ganho real que, no entanto, não aproxima o placar. Os demais candidatos ocupam espaço marginal: Eduardo Moura, do Novo, soma 5%; Ivan Moraes, do PSOL, fica em 1%. O levantamento ouviu 1.022 pessoas, com margem de erro de 3 pontos e 95% de confiança.
O dado mais perturbador para a narrativa de Campos vem do cenário espontâneo. Sem ver os nomes dos candidatos, 24% dos eleitores citam Raquel Lyra — e apenas 18% mencionam o prefeito do Recife. A inversão sugere que o apoio a Campos, numericamente superior quando os nomes são apresentados, ainda depende da exposição direta do candidato para se materializar. Lyra, como governadora, carrega consigo uma presença institucional que persiste mesmo sem estímulo.
A leitura conjunta dos dois cenários revela uma campanha ainda em construção. Campos vence quando o eleitor escolhe entre opções; Lyra resiste quando o eleitor precisa lembrar sozinho. Com quase 40% do eleitorado sem candidato definido no cenário espontâneo, o campo permanece aberto — e a disputa pelo governo de Pernambuco em 2026 começa, de fato, agora.
A primeira sondagem do Datafolha para 2026 chegou nas primeiras horas de sexta-feira, divulgada pela CBN Recife e CBN Caruaru, e trouxe um retrato claro da disputa pelo governo de Pernambuco: João Campos, prefeito do Recife e pré-candidato pelo PSB, abre 12 pontos de vantagem sobre a governadora Raquel Lyra, que tenta a reeleição pelo PSD. Campos marca 47% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Lyra fica em 35%.
O movimento entre outubro de 2025 e agora revela uma trajetória oposta para os dois principais nomes. Campos mantém-se forte — tinha 52% cinco meses atrás — enquanto Lyra viu seu apoio crescer de 30% para 35%, um ganho modesto que não reduz a distância. Os demais candidatos ocupam espaço marginal: Eduardo Moura, vereador pelo Novo, soma 5%; Ivan Moraes, pelo PSOL, fica em 1%. Votos em branco e nulos chegam a 10%, e 2% dos entrevistados não responderam.
O levantamento ouviu 1.022 pessoas entre 2 e 5 de fevereiro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 09595/2026, atendendo ao protocolo de transparência das pesquisas eleitorais.
Mas há um detalhe que complica a narrativa simples de liderança consolidada. Quando a pesquisa muda de método — quando não apresenta nomes de candidatos e pergunta espontaneamente em quem o eleitor votaria — o quadro se transforma. Raquel Lyra é citada por 24% dos entrevistados, enquanto João Campos aparece para apenas 18%. Votos em branco ou nulo somam 39%, e 39% não responderam. Essa diferença entre o cenário estimulado e o espontâneo sugere que o apoio a Campos, embora numericamente superior, pode estar menos cristalizado na memória do eleitor quando não há sugestão de nomes.
A dinâmica revela duas realidades coexistindo. No momento em que o eleitor vê os nomes e precisa escolher, Campos vence com clareza. Mas quando convidado a nomear seu candidato sem pistas, Lyra consegue maior recall — talvez reflexo de sua posição institucional como governadora, ou talvez indicativo de que parte do voto em Campos ainda depende da exposição direta do candidato. Os números sugerem uma campanha ainda em construção, onde a consolidação do apoio permanece como questão aberta.
Notable Quotes
Em outubro de 2025, o prefeito do Recife tinha 52% no cenário estimulado, enquanto a governadora tinha 30% do eleitorado— dados da pesquisa Datafolha de outubro de 2025