Estudo de 2023 sugeriu bioassinaturas em K2-18 b, incluindo possível sulfeto de dimetila produzido por vida oceânica. Pesquisadores de Cambridge concluem que os dados não confirmam presença de DMS; o sinal se sobrepõe ao metano.
James Webb não encontrou vida em K2-18 b, dizem cientistas
É cedo demais para dizer ao certo se há vida ali
Então o James Webb não encontrou vida em K2-18 b?
Não exatamente. O que aconteceu é que um estudo de 2023 sugeriu que havia sinais de um composto chamado DMS na atmosfera do planeta, e o DMS é produzido por fitoplâncton na Terra. Mas agora cientistas dizem que provavelmente não era DMS.
Espera — o sinal estava lá, certo? Eles detectaram algo.
Sim, detectaram um sinal. Mas o problema é que esse sinal se sobrepõe ao metano, outro gás presente lá. Com os instrumentos atuais, não dá para separar um do outro com certeza.
Então por que as manchetes disseram que havia vida?
Porque a ideia era emocionante. Se fosse DMS, seria uma pista forte. Mas a ciência precisa ser mais cuidadosa.
Mas eles vão observar de novo, certo? Com instrumentos melhores?
Sim, ainda em 2024. E dessa vez com capacidades mais avançadas para observar o infravermelho.
E se confirmarem que é DMS?
Seria um grande passo. Não provaria vida, mas seria uma bioassinatura potencial muito forte.
E K2-18 b é realmente um lugar onde vida poderia existir?
Aparentemente sim. Recebe quase a mesma radiação solar que a Terra e tem uma temperatura similar. Não é um mundo hostil como muitos exoplanetas.
Então a história não acabou.
Longe disso. É só o começo de uma investigação mais rigorosa.
El Pulso
- K2-18 b fica a 120 anos-luz da Terra
- Planeta tem 2-3 vezes o diâmetro e 8,6 vezes a massa da Terra
- Estudo de 2023 detectou possível sulfeto de dimetila (DMS) na atmosfera
- Nova análise conclui que o sinal provavelmente é metano, não DMS
- Webb fará novas observações em 2024 com instrumentos mais sofisticados
Estudo de 2023 sugeriu bioassinaturas em K2-18 b, incluindo possível sulfeto de dimetila produzido por vida oceânica. Pesquisadores de Cambridge concluem que os dados não confirmam presença de DMS; o sinal se sobrepõe ao metano.
Cientistas contestam alegações de que o telescópio James Webb detectou sinais de vida no exoplaneta K2-18 b. Análise indica que o composto DMS não foi conclusivamente identificado, sendo confundido com metano.
Se você viu manchetes nos últimos meses sugerindo que o telescópio James Webb havia descoberto sinais de vida em K2-18 b, um exoplaneta a 120 anos-luz de distância, saiba que a história é mais complicada do que parecia. Cientistas agora dizem que é cedo demais para tirar conclusões tão definitivas — e que o que foi interpretado como evidência de vida pode ser, na verdade, apenas ruído nos dados.
Tudo começou em 2023, quando pesquisadores anunciaram que o Webb havia detectado possíveis bioassinaturas na atmosfera de K2-18 b, um mundo com duas a três vezes o diâmetro da Terra e 8,6 vezes sua massa. O planeta chamou atenção porque, diferentemente de muitos exoplanetas conhecidos, ele não é um lugar imediatamente hostil à vida. Recebe quase a mesma quantidade de radiação solar que a Terra, e sua temperatura — desconsiderando a atmosfera — seria próxima à do nosso planeta. Para astrônomos em busca de mundos potencialmente habitáveis, K2-18 b começou a parecer promissor.
O que acendeu os holofotes foi a detecção de um composto específico: sulfeto de dimetila, ou DMS. Na Terra, esse gás é produzido pelo fitoplâncton oceânico em quantidades mensuráveis. Se o DMS estava presente em K2-18 b em concentrações detectáveis, a lógica era tentadora — talvez algo ali estivesse produzindo o composto 20 vezes mais rápido do que ocorre nos oceanos terrestres. Talvez houvesse vida.
Mas Shang-Min Tsai, pesquisador que liderou uma nova análise do caso, e seus colegas decidiram examinar os dados com mais cuidado. Usando modelos computacionais sofisticados das propriedades físicas e químicas do DMS e da atmosfera de K2-18 b, eles chegaram a uma conclusão diferente: é improvável que o sinal detectado seja realmente sulfeto de dimetila. O problema é que o DMS e o metano — outro gás presente na atmosfera do planeta — produzem assinaturas espectrais que se sobrepõem significativamente. Com os instrumentos atuais do Webb, separar um do outro está além da capacidade técnica disponível.
"O sinal se sobrepõe fortemente ao metano, e achamos que a identificação do DMS do metano está além da capacidade desse instrumento", explicou Tsai. Para confirmar ou descartar a presença de DMS com maior segurança, o telescópio precisaria de capacidades ainda mais avançadas para observar comprimentos de onda específicos do infravermelho.
A boa notícia é que não é o fim da história. O Webb tem planos para observar K2-18 b novamente ainda em 2024, desta vez usando seus recursos mais sofisticados. Essas observações devem fornecer uma resposta mais definitiva sobre se o DMS está realmente lá ou não. Eddie Schwieterman, coautor do estudo, acrescentou uma perspectiva interessante: em um planeta com uma atmosfera rica em hidrogênio como K2-18 b, o DMS produzido por vida seria na verdade um marcador mais provável de biosfera do que o oxigênio que procuramos na Terra — já que o oxigênio atmosférico terrestre vem de plantas e bactérias, enquanto em mundos com hidrogênio abundante, a química seria diferente.
O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e representa um momento importante na busca por vida extraterrestre: nem toda detecção é o que parece à primeira vista, e a ciência funciona melhor quando os dados são examinados criticamente antes de se tirar conclusões. K2-18 b continua sendo um candidato intrigante, mas a resposta sobre se há vida ali ainda está por vir.
Citas Notables
O sinal se sobrepõe fortemente ao metano, e achamos que a identificação do DMS do metano está além da capacidade desse instrumento— Shang-Min Tsai, pesquisador
Em um planeta com uma atmosfera rica em hidrogênio, é mais provável que encontremos sulfeto de dimetila produzido por vida em vez de oxigênio produzido por plantas e bactérias— Eddie Schwieterman, coautor do estudo