Investigação sobre Lulinha envolve ao menos 4 integrantes do governo Lula

Lobista pagou R$ 217 mil em despesas de auxiliar de Lula
Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, recebeu valores que a PF associa a tratativas para avançar negócios privados.
Mark

Como a Polícia Federal conectou Lulinha a esses quatro nomes do governo?

Mimi

Através de mensagens e movimentações financeiras. A lobista Roberta Luchsinger aparentemente orientava repasses de dinheiro e buscava avançar negócios privados junto a esses órgãos federais.

Luke

Mas essas mensagens foram autenticadas? A defesa de Lulinha questiona exatamente isso — a autenticidade e a cadeia de custódia.

Mark

E quanto aos R$ 60 mil que circularam no MDS?

Mimi

Segundo a PF, Roberta mantinha esse dinheiro em espécie e orientava seu auxiliar a fazer depósitos em contas de Ranniêr e de outros. Seis meses depois, o ministério fechou contrato com um empresário que ela representava.

Luke

Isso é correlação, não causalidade. A PF suspeita de conexão, mas não está claro se houve quid pro quo ou se o contrato teria sido fechado de qualquer forma.

Mark

Marcola recebeu R$ 217 mil de Roberta. Como isso se explica?

Mimi

A defesa dele diz que era um empréstimo pessoal que foi quitado. Mas a PF vê isso como pagamento de despesas que coincidiu com tratativas para avançar negócios de Roberta junto ao Ministério da Saúde.

Luke

E não há evidência de que Marcola intermediou negociações ou encaminhou documentos, segundo sua defesa. A PF está analisando as interlocuções para determinar se houve atuação indevida.

Mark

Berger está em posição ainda mais delicada — ele está no governo agora.

Mimi

Sim. Ele aparece em conversas sobre reuniões e tentativas de avançar negócios de Roberta. Mas ele diz que sua função era apenas receber pessoas e encaminhar demandas para análise técnica.

Luke

E o Ministério da Saúde nega ter contrato com a World Cannabis. Então se não houve contrato, qual é exatamente a acusação de tráfico de influência?

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

Os três inquéritos tramitam no STF. A defesa de Lulinha questiona a autenticidade das provas e a cadeia de custódia.

Luke

Isso vai ser crucial. Se as mensagens não forem autenticadas ou se a cadeia de custódia for quebrada, o caso desmorona.

  • A Polícia Federal abriu três inquéritos simultâneos conectando o filho do presidente Lula a um suposto esquema de lobby ilegal junto a órgãos federais.
  • Mensagens e movimentações financeiras apontam para repasses de R$ 60 mil em espécie e pagamentos de R$ 217 mil em despesas pessoais de um ex-chefe de gabinete presidencial feitos pela lobista investigada.
  • Quatro nomes do governo são citados: um secretário-executivo adjunto do MDS, um coordenador de cerimonial, um ex-chefe de gabinete de Lula e o atual chefe de gabinete adjunto da Presidência.
  • As defesas contestam a autenticidade das conversas, a cadeia de custódia das provas e negam qualquer intermediação indevida em contratos ou licitações federais.
  • Os inquéritos tramitam no STF e derivam da Operação Sem Desconto, mantendo o caso sob sigilo judicial enquanto a PF aprofunda a análise das interlocuções.

No Brasil de 2026, a Polícia Federal estende sua investigação ao círculo mais próximo do poder: Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e a lobista Roberta Luchsinger figuram no centro de três inquéritos que alcançam ao menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo federal. As suspeitas — corrupção e tráfico de influência — revelam a tensão permanente entre o exercício do poder e os interesses privados que gravitam ao seu redor. A história que se desenha não é nova na república brasileira, mas cada vez que se repete, exige das instituições uma resposta à altura da confiança que o cargo público representa.

A Polícia Federal abriu três inquéritos que atingem o núcleo do governo Lula. No centro estão Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, investigados por suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A PF analisa mensagens e movimentações financeiras que indicariam um esquema de defesa de interesses privados junto a órgãos federais, operado em parceria com Lulinha e o empresário Fernando Bittar.

O primeiro nome envolvido é Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento Social. Segundo a PF, Roberta teria orientado seu auxiliar a depositar R$ 60 mil em espécie em contas de Ranniêr e de outras pessoas ligadas ao ministério. Seis meses depois, o MDS fechou contrato com um empresário de tecnologia representado pela lobista. José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias, também aparece nas mensagens como destinatário de parte desses recursos.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, deixou a campanha de reeleição do presidente após virem à tona suspeitas sobre sua relação financeira com Roberta. A lobista teria pago cerca de R$ 217 mil em despesas pessoais dele ao longo de 2024 — faturas de cartão, parcelas de veículo e outros gastos — em período que coincidiu com tratativas para avançar interesses privados junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial. Sua defesa afirma que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal já quitado e nega qualquer intermediação em licitações.

Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje chefe de gabinete adjunto da Presidência, aparece em conversas sobre reuniões e negócios de interesse da lobista junto ao governo. Mensagens de Lulinha mencionam almoços com Berger e Marcola. A PF investiga se houve atuação indevida em favor de contratos privados. Berger teria dito a interlocutores que sua função era receber pessoas e encaminhar demandas para análise técnica, negando ter dado andamento às propostas de Roberta.

A defesa de Lulinha contesta a autenticidade das conversas usadas como prova e questiona a cadeia de custódia do material. Os três inquéritos tramitam no STF e foram abertos a partir de elementos levantados na Operação Sem Desconto.

A Polícia Federal abriu três inquéritos que alcançam o núcleo do governo Lula. No centro está Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente. As investigações apontam para um esquema em que a lobista Roberta Luchsinger teria atuado na defesa de interesses privados junto a órgãos federais, operando em parceria com Lulinha e o empresário Fernando Bittar. Mensagens e movimentações financeiras são o material que a PF analisa para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

O primeiro nome envolvido é Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Segundo mensagens analisadas pela Polícia Federal, Roberta Luchsinger orientou seu motorista e auxiliar, Ulisses Barbosa, a fazer depósitos em contas de Ranniêr, de outro funcionário da mesma pasta e de uma terceira pessoa. O dinheiro em questão — R$ 60 mil mantidos em espécie pela lobista — teria sido distribuído dessa forma. Seis meses depois desses repasses, o MDS fechou contrato com um empresário de tecnologia representado pela lobista. O ministério foi procurado pela Folha mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.

José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias no MDS, aparece nas mesmas mensagens em que Roberta teria determinado a distribuição dos R$ 60 mil. De acordo com a PF, uma das contas indicadas para receber os recursos era de José Martinho, enquanto outra pertenceria a uma parente dele.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, foi chefe de gabinete de Lula e um dos auxiliares mais próximos do presidente. Deixou o Palácio do Planalto para atuar na campanha de reeleição do petista, mas posteriormente saiu da equipe eleitoral após a divulgação das suspeitas envolvendo sua relação financeira com Roberta Luchsinger. A lobista pagou cerca de R$ 217 mil em despesas de Marcola durante 2024 — faturas de cartão de crédito, parcelas relacionadas a um veículo e outros gastos. Os pagamentos coincidiram com tratativas em que Roberta buscava, com auxílio de Marcola, avançar interesses privados junto ao Ministério da Saúde e a integrantes do gabinete presidencial. A defesa de Marcola afirma que os valores estavam relacionados a um empréstimo pessoal que teria sido integralmente quitado e nega que ele jamais intermediou negociações ou encaminhou documentos relacionados a compras e licitações em órgãos federais.

Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, foi secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje ocupa o cargo de chefe de gabinete adjunto da Presidência da República. Ele aparece em conversas obtidas pela PF sobre reuniões e tentativas de avançar com negócios de interesse de Roberta Luchsinger junto ao governo. Mensagens de Lulinha também tratam de almoços com Berger e Marcola. Ambos aparecem nas investigações em tratativas relacionadas a contratos de interesse de Roberta com o governo. A PF analisa as interlocuções para saber se houve atuação indevida em favor de negócios privados. O Ministério da Saúde afirma que nunca teve contrato com a World Cannabis, empresa ligada às negociações investigadas. Swedenberger não se manifestou sobre o caso, mas segundo a Folha, disse a interlocutores que uma de suas funções era receber pessoas e encaminhar demandas para análise técnica e que não deu andamento à proposta apresentada por Roberta.

A defesa de Lulinha questiona a autenticidade das conversas usadas nas investigações e afirma que ele não tem relação com os pagamentos. Também questiona a cadeia de custódia das provas e sustenta que as conclusões da PF se baseiam em inferências não conclusivas. A defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou, reiterando posicionamento anterior de que não se pronunciaria sobre inquérito sob sigilo. Os três inquéritos tramitam no Supremo Tribunal Federal e foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto.

A defesa de Lulinha questiona a autenticidade das conversas usadas nas investigações e afirma que ele não tem relação com os pagamentos
— Defesa de Fábio Luís Lula da Silva
Uma de suas funções era receber pessoas e encaminhar demandas para análise técnica e que não deu andamento à proposta apresentada por Roberta
— Swedenberger Barbosa, segundo a Folha
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