IHMT alerta para disseminação de doenças transmitidas por vetores devido a alterações climáticas

Aumento de morbilidade e mortalidade por doenças transmitidas por vetores em países endémicos, particularmente por malária.
Doenças que já matam em larga escala podem mudar de mapa
O alerta do IHMT sobre como as alterações climáticas e a migração podem levar a malária, dengue e outras enfermidades para regiões onde atualmente não existem.
Mark

Porque é que o diretor do IHMT escolheu este momento, em plena pandemia, para alertar sobre outras doenças transmitidas por vetores?

Mimi

Porque a pandemia não parou estas doenças. Enquanto o mundo olhava para a covid-19, a malária, a dengue e outras continuavam a matar em países endémicos. O alerta é precisamente: não podemos esquecer que estas ameaças existem e estão a piorar.

Luke

Mas o comunicado diz "aumento de morbilidade e mortalidade" — em quantos países? Qual é a magnitude? São números globais ou regionais?

Mark

E quanto às alterações climáticas — há projeções específicas sobre como o clima vai mudar o mapa destas doenças?

Mimi

O alerta é mais geral: o clima está a mudar, os mosquitos e outros vetores vão adaptar-se a novas regiões, e as pessoas vão continuar a migrar. Juntos, estes fatores criam condições para que doenças tropicais apareçam em lugares onde antes não existiam.

Luke

Isso é lógico, mas o IHMT apresentou modelos? Projeções de onde estas doenças podem chegar nos próximos 10 ou 20 anos? Ou é mais um aviso geral baseado em tendências conhecidas?

Mark

A VIASEF parece ser uma resposta concreta. O que muda com esta infraestrutura?

Mimi

Muda a capacidade de investigação. Antes, para estudar estes vetores e patógenos, os investigadores tinham de trabalhar em laboratórios menos equipados ou em países onde a doença é endémica. Agora têm um espaço seguro em Lisboa, com colónias vivas de insetos e capacidade para trabalhar com patógenos de risco nível 3.

Luke

Mas quantos investigadores vão usar isto? Qual é o orçamento? Quantos projetos estão já aprovados além do primeiro, que começa com o SARS-CoV-2? Os números operacionais não aparecem no comunicado.

Mark

Angola aparece no final. Porque é que a ministra angolana estava lá?

Mimi

Porque Angola tem um problema real: clima propício aos vetores e milhões de casos de malária. A cooperação com o IHMT é uma forma de Angola aceder a investigação de qualidade e treinar os seus próprios investigadores.

Luke

Verdade, mas o comunicado não diz se há um acordo formal, financiamento, ou se é apenas uma intenção. "Gostaríamos muito de poder contar" não é um compromisso.

  • Malária, dengue, zika e chikungunya aumentaram em morbilidade e mortalidade durante a pandemia, invisíveis sob a sombra da covid-19.
  • Alterações climáticas e migrações globais ameaçam levar estas doenças a regiões que nunca as conheceram, ampliando o risco para populações sem imunidade nem preparação.
  • O IHMT inaugurou a VIASEF, um laboratório de biossegurança capaz de trabalhar com artrópodes vetores e patógenos de nível 3, incluindo coronavírus e tuberculose multirresistente.
  • A infraestrutura tornou-se operacional de imediato: o primeiro projeto, envolvendo o SARS-CoV-2, arrancou na semana seguinte à inauguração.
  • Angola, com quase 3,8 milhões de casos de malária, marcou presença na cerimónia e expressou o desejo de integrar investigadores e doutoramentos angolanos na cooperação com o IHMT.

Enquanto a atenção global se voltava para a covid-19, doenças transmitidas por vetores como malária, dengue e chikungunya continuaram a ceifar vidas nos países endémicos. Em Lisboa, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical inaugurou a VIASEF, uma infraestrutura de biossegurança que reconhece uma verdade incómoda: as alterações climáticas e os fluxos migratórios podem redesenhar, nos próximos anos, o mapa geográfico destas enfermidades. É um investimento científico que olha simultaneamente para o presente que sangra e para o futuro que se aproxima.

Filomeno Fortes, diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, aproveitou a inauguração de uma nova infraestrutura científica em Lisboa para lançar um alerta que a pandemia de covid-19 ajudou a obscurecer: a malária, a dengue, o zika e a chikungunya continuaram a matar e a adoecer populações nos países endémicos enquanto o mundo olhava noutra direção. As alterações climáticas e os movimentos migratórios globais, sublinhou, podem transformar este problema regional numa ameaça de alcance muito mais vasto.

A infraestrutura inaugurada, batizada VIASEF, foi concebida para dar à comunidade científica condições seguras de trabalho com artrópodes vetores — incluindo espécies invasivas e geneticamente modificadas — e com patógenos humanos de risco biológico nível 3, como o vírus chikungunya, o coronavírus e estirpes multirresistentes de tuberculose. O instituto mantém ainda um insetário com colónias vivas de vetores de doenças humanas e zoonoses.

Carla Sousa, coordenadora da VIASEF, anunciou que o primeiro projeto arrancaria dias depois da inauguração e envolveria o SARS-CoV-2, confirmando que o espaço nasceu já em plena atividade. A cerimónia, transmitida online, contou com a presença da ministra angolana Maria do Rosário Bragança, que destacou a cooperação internacional como resposta necessária a um país com quase 3,8 milhões de casos de malária registados. Bragança manifestou o desejo de que investigadores e doutorandos angolanos possam beneficiar das instalações e da experiência do IHMT.

O que ficou desta inauguração foi a consciência de uma dupla missão: responder às doenças que já matam hoje e preparar a ciência para um futuro em que o mapa epidemiológico global pode mudar de forma radical.

Filomeno Fortes, diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, fez um alerta público sobre uma ameaça que não desapareceu durante a pandemia de covid-19: o aumento de doenças transmitidas por insetos e ácaros — malária, dengue, zika, chikungunya — em países onde estas enfermidades já circulam endemicamente. Enquanto o mundo se concentrava no combate ao coronavírus, a morbilidade e a mortalidade causadas por estes vetores continuaram a subir.

Fortes falava na inauguração da VIASEF, uma infraestrutura de segurança biológica localizada no IHMT em Lisboa. O instituto, especializado em malária e doenças tropicais, criou este espaço para responder a uma preocupação que vai além do presente imediato. As alterações climáticas e os fluxos migratórios globais, alertou, podem levar estas doenças a regiões onde atualmente não existem. É um cenário que justifica investimento em pesquisa e em capacidade de contenção.

A VIASEF oferece à comunidade científica e académica a possibilidade de trabalhar com artrópodes — tanto espécies autóctones como invasivas ou geneticamente modificadas — que transmitem agentes patogénicos. Mas a infraestrutura vai além: fornece condições laboratoriais seguras para estudar patógenos humanos de risco biológico nível 3, como o vírus chikungunya, o coronavírus e estirpes multirresistentes de tuberculose. Nas suas instalações existe um insetário com colónias vivas de vetores de zoonoses e outras doenças humanas.

Carla Sousa, coordenadora da VIASEF, revelou que o primeiro projeto começaria na semana seguinte à inauguração e envolveria o SARS-CoV-2 — o vírus da covid-19. A infraestrutura, portanto, não é apenas um espaço de investigação futura; é um laboratório operacional desde o seu primeiro dia.

A cerimónia, transmitida online, contou com a presença de Maria do Rosário Bragança, ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola. O país enfrenta condições climáticas particularmente propensas à proliferação de vetores, e Bragança sublinhou a importância da cooperação internacional nesta área. Angola registava quase 3,8 milhões de casos de malária, embora com menos mortes do que em períodos anteriores. A ministra expressou o desejo de que estudantes de doutoramento e investigadores angolanos pudessem treinar-se nas instalações do IHMT, aproveitando a cooperação já existente entre o instituto português e instituições de ensino superior e investigação científica em Angola.

O que emerge desta inauguração é uma dupla urgência: a necessidade imediata de compreender e conter doenças que já matam em larga escala, e a necessidade de se preparar para um futuro em que o mapa geográfico destas doenças pode mudar radicalmente. O IHMT, com esta infraestrutura, posiciona-se como um centro de resposta a ambas.

Apesar de estarmos a viver uma situação de pandemia pela covid-19, temos acompanhado a situação nos países endémicos de doenças transmitidas por vetores e temos estado a verificar um aumento da morbilidade e mortalidade, principalmente por malária, dengue, zika, chikungunya e outras doenças similares.
— Filomeno Fortes, diretor do IHMT
Para o futuro tememos que estas doenças se possam disseminar com as alterações climáticas e com o grande movimento migratório que se verifica a nível mundial.
— Filomeno Fortes
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