Diretor do IHMT alerta para disseminação de malária e dengue com mudanças climáticas

Aumento de morbilidade e mortalidade por malária, dengue, zika e chikungunya registado em países endémicos.
As alterações climáticas podem levar estas doenças para onde nunca foram problema
Filomeno Fortes, diretor do IHMT, alertou para a disseminação futura de malária, dengue e outras doenças transmitidas por vetores.
Mark

Porque é que um laboratório em Lisboa é importante para doenças que matam principalmente em África?

Mimi

Porque a investigação sobre como estes insetos transmitem doenças precisa de ser feita em condições de segurança rigorosa. Portugal tem a expertise, tem o IHMT com décadas de trabalho em doenças tropicais. Agora tem também a infraestrutura.

Luke

Mas a questão é: quantos investigadores africanos vão realmente conseguir vir usar isto? A ministra angolana pediu acesso, mas isso é um convite ou um compromisso?

Mark

O diretor do IHMT fala em disseminação futura destas doenças. Isso é especulação ou há evidência científica?

Mimi

Não é especulação. As alterações climáticas estão a expandir as zonas onde os mosquitos podem sobreviver. Já se vê isso a acontecer. E as migrações significam que pessoas infetadas viajam para novos lugares.

Luke

Verdade, mas é importante notar que ele fala em "tememos que" — é uma projeção baseada em modelos, não algo que já está confirmado. E a fonte não diz quantas pessoas estão atualmente infetadas ou morrendo.

Mark

Qual é o primeiro projeto que vai começar?

Mimi

Estudar o SARS-CoV-2, o vírus da covid-19. Parece que querem compreender como poderia potencialmente ser transmitido por insetos, ou simplesmente estudá-lo em condições seguras.

Luke

A fonte não especifica exatamente o que o projeto fará. Diz apenas que "envolverá" o vírus. Isso é vago.

Mark

Porque é que isto importa agora, durante uma pandemia?

Mimi

Porque não podemos esquecer que outras doenças continuam a matar enquanto estamos focados na covid. E porque a preparação para a próxima crise começa enquanto ainda estamos na atual.

Luke

Justo. Mas também é verdade que a malária e a dengue não desapareceram — estão apenas fora das manchetes. Este laboratório é um reconhecimento de que essas doenças continuam a ser prioridade.

  • Malária, dengue, zika e chikungunya estão a registar aumentos de casos e mortes nos países endémicos, mesmo enquanto o mundo foca a atenção na covid-19.
  • Alterações climáticas e migrações em massa criam condições para que estas doenças tropicais se instalem em regiões onde nunca foram problema — um risco que especialistas consideram crescente e urgente.
  • Lisboa inaugurou a VIASEF, laboratório de biossegurança nível 3 capaz de estudar mosquitos, carraças e patógenos como coronavírus e tuberculose multirresistente em condições de contenção rigorosa.
  • O primeiro projeto da VIASEF arranca imediatamente com investigação sobre o SARS-CoV-2, provando que a infraestrutura é operacional agora, não apenas uma promessa para o futuro.
  • Países africanos como Angola expressaram interesse em usar as instalações para formar investigadores, reconhecendo que os países mais afetados são frequentemente os que menos recursos têm para estudar estas doenças.

Enquanto o mundo permanece absorto na pandemia de covid-19, outras doenças transmitidas por vetores — malária, dengue, zika, chikungunya — continuam a ceifar vidas nos países endémicos, com o risco de se espalharem para novas regiões impulsionadas pelas alterações climáticas e pelas migrações globais. Em Lisboa, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical inaugurou a VIASEF, uma infraestrutura de segurança concebida para estudar os insetos e patógenos que estão na origem destas ameaças. É um gesto de antecipação: a ciência a preparar-se para crises que ainda não chegaram, mas que os especialistas consideram inevitáveis.

Lisboa recebeu esta semana a VIASEF — In Vivo Arthropod Security Facility —, um laboratório inaugurado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical para estudar os insetos que transmitem doenças como malária, dengue, zika e chikungunya. A cerimónia, transmitida online, reuniu investigadores, autoridades de saúde e ministros africanos, todos cientes de que o trabalho ali iniciado pode moldar a resposta global aos próximos surtos tropicais.

Filomeno Fortes, diretor do IHMT, aproveitou a ocasião para alertar que, enquanto o mundo se concentra no coronavírus, os países endémicos registam aumentos preocupantes de casos e mortes por doenças transmitidas por vetores. O que mais o inquieta, porém, é o horizonte: as alterações climáticas e as migrações em massa criam condições para que estas doenças abandonem os seus territórios tradicionais e se instalem em regiões onde nunca foram problema.

A VIASEF colmata uma lacuna importante na ciência portuguesa. Permite trabalhar com segurança com mosquitos, carraças e outras espécies — incluindo invasivas e geneticamente modificadas — e possui laboratórios certificados para patógenos de risco biológico nível 3, como o chikungunya, coronavírus e estirpes de tuberculose multirresistentes. Carla Sousa, coordenadora da infraestrutura, revelou que o primeiro projeto — focado no SARS-CoV-2 — arranca na semana seguinte à inauguração, sinalizando que a VIASEF é um instrumento imediatamente operacional.

A presença da ministra angolana Maria do Rosário Bragança sublinhou a dimensão regional do desafio. Angola e outros países africanos, com climas propícios à proliferação de vetores, têm poucos recursos para investigar adequadamente estas doenças. Bragança manifestou o desejo de que investigadores angolanos possam usar as instalações da VIASEF, numa colaboração que reconhece uma desigualdade estrutural: os mais afetados são frequentemente os menos equipados para responder.

O momento é significativo pelo seu timing. A malária mata cerca de 400 mil pessoas por ano, sobretudo crianças em África; a dengue infeta dezenas de milhões anualmente. A pandemia de covid-19 desviou recursos e atenção destas crises paralelas. A VIASEF representa a convicção de que a preparação científica não pode aguardar que uma ameaça se torne incontrolável — tem de começar agora, com infraestrutura, conhecimento e investigadores treinados.

Lisboa recebeu esta semana uma nova infraestrutura de pesquisa que marca um ponto de viragem na forma como a ciência portuguesa se prepara para uma ameaça que cresce silenciosamente nos trópicos. O Instituto de Higiene e Medicina Tropical inaugurou a VIASEF — In Vivo Arthropod Security Facility —, um laboratório de segurança construído especificamente para estudar os insetos que transmitem doenças como malária, dengue, zika e chikungunya. A cerimónia, transmitida online, reuniu investigadores, autoridades de saúde e ministros de países africanos, todos conscientes de que o trabalho que ali começará pode determinar como o mundo responde aos próximos surtos de doenças tropicais.

Filomeno Fortes, diretor do IHMT, usou a ocasião para soar um alarme que vai além da pandemia de covid-19 que domina os noticiários. Enquanto o mundo concentra atenção no coronavírus, os países onde a malária e a dengue são endémicas estão a registar aumentos preocupantes em casos e mortes. Fortes, especialista em malária e doenças tropicais, deixou claro que a situação é monitorizada constantemente, mas o que o preocupa verdadeiramente é o que virá. As alterações climáticas e as migrações em massa à escala global, disse, criam as condições perfeitas para que estas doenças saiam dos seus territórios tradicionais e se instalem em regiões onde nunca foram problema.

A VIASEF oferece à comunidade científica portuguesa e internacional algo que faltava: um espaço onde é possível trabalhar com segurança com os próprios insetos vetores — mosquitos, carraças e outros artrópodes — tanto os que ocorrem naturalmente em Portugal como espécies invasivas ou geneticamente modificadas. Mas a infraestrutura vai mais longe. Possui também laboratórios certificados para trabalhar com patógenos classificados como risco biológico de nível 3, o que significa que pode acolher pesquisa com vírus como o chikungunya, coronavírus e estirpes de tuberculose multirresistentes. Trata-se de um espaço onde a investigação pode acontecer sob condições de contenção rigorosa, protegendo simultaneamente os investigadores e o público.

Carla Sousa, coordenadora da VIASEF, revelou que o primeiro projeto já arranca na semana seguinte à inauguração, focando-se no SARS-CoV-2. É um sinal de que a infraestrutura não é apenas uma resposta teórica a ameaças futuras, mas um instrumento imediatamente operacional para compreender os vírus que já estão a circular. O insetário da VIASEF mantém colónias vivas de vetores de agentes infecciosos, criando um banco de recursos biológicos que investigadores podem usar para estudar como as doenças se transmitem e como podem ser controladas.

A presença de Maria do Rosário Bragança, ministra angolana do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, sublinhou a dimensão regional do problema. Angola, como muitos países africanos, possui condições climáticas que favorecem naturalmente a proliferação de vetores de doenças. Bragança expressou o desejo de que estudantes de doutoramento e investigadores angolanos pudessem usar as instalações da VIASEF para ganhar experiência prática num ambiente de segurança e qualidade científica que não existe nos seus países de origem. É uma colaboração que reconhece uma realidade: os países mais afetados por estas doenças têm frequentemente menos recursos para investigá-las adequadamente.

O que torna este momento significativo é o timing. A pandemia de covid-19 desviou recursos e atenção de outras ameaças sanitárias que continuam a matar. A malária mata aproximadamente 400 mil pessoas por ano, principalmente crianças em África. A dengue infeta dezenas de milhões anualmente. Estas não são doenças do passado ou do futuro distante — são crises sanitárias do presente que se espera que piorem. A VIASEF representa um reconhecimento de que a preparação científica não pode esperar até que uma crise se torne incontrolável. Tem de começar agora, com infraestrutura, com investigadores treinados, com conhecimento acumulado sobre como estes insetos e vírus funcionam.

Temos acompanhado o aumento da morbilidade e mortalidade por malária, dengue, zika e chikungunya nos países endémicos
— Filomeno Fortes, diretor do IHMT
Para o futuro tememos que estas doenças se possam disseminar com as alterações climáticas e com o grande movimento migratório
— Filomeno Fortes
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