No mercado brasileiro de delivery, onde a concentração de poder há muito levanta questões sobre equidade competitiva, o iFood recorreu ao Cade para denunciar a Keeta — braço da gigante chinesa Meituan — por supostamente operar com prejuízo deliberado, subsidiando cupons e descontos extremos para conquistar consumidores. A disputa, que vai além de duas empresas, toca num dilema clássico da economia global: quando o capital estrangeiro financia perdas para ganhar mercado, onde termina a competição legítima e começa a predação? O desfecho dependerá de como o regulador brasileiro interpreta a linh
iFood denuncia Keeta ao Cade por práticas predatórias e concorrência desleal
Uma guerra de subsídios que não se sustenta pelo mérito
Por que o iFood decidiu denunciar a Keeta agora, especificamente?
Porque a Keeta começou a operar no Brasil há menos de um ano com uma estratégia de subsídios muito agressiva — cupons de até R$ 250, descontos de 80%. O iFood vê isso como insustentável e prejudicial ao ecossistema.
Mas cupons e descontos são práticas normais no delivery. O iFood mesmo usa. Como o Cade vai diferenciar entre competição legítima e "práticas predatórias"?
A Keeta diz que o iFood tem medo da concorrência. Tem razão?
O iFood argumenta que não é medo, é preocupação com a estabilidade do setor. Quando os subsídios acabarem, restaurantes e entregadores sofrerão quedas abruptas de demanda.
Isso é uma previsão, não um fato observado. A Keeta ainda está em fase piloto em duas cidades. É cedo para saber se vai sustentar essa estratégia ou se vai mudar de modelo.
O que o iFood quer que o Cade faça?
Quer que o órgão interrompa a precificação abaixo do custo e exija que a Keeta abra seus dados de custos para monitoramento independente.
Mas como você prova que a Keeta está operando com prejuízo deliberado? A empresa pode argumentar que está investindo em crescimento, o que é legítimo. E exigir abertura de dados é uma medida muito invasiva.
A Keeta rebateu dizendo que o iFood é que deveria estar sob investigação.
Sim, a Keeta mencionou que o iFood assinou um acordo com o Cade sobre exclusividades. Ela está tentando virar o jogo.
E pode ter um ponto. Se o iFood realmente violou acordos anteriores sobre exclusividade, isso muda a dinâmica da conversa sobre quem está agindo de forma desleal.
The Pulse
- O iFood protocolou denúncia formal no Cade acusando a Keeta de usar cupons de até R$ 250 e descontos de 80% financiados pela matriz chinesa Meituan para dominar o mercado brasileiro operando no prejuízo.
- A plataforma brasileira alerta que, quando os subsídios cessarem, restaurantes e entregadores sofrerão queda brusca de pedidos, criando instabilidade estrutural no ecossistema de delivery do país.
- O iFood pede ao Cade medidas preventivas contra precificação abaixo do custo e acesso independente aos dados financeiros da Keeta para monitorar a real dimensão dos subsídios.
- A Keeta rebate chamando a ação de 'estratégia monopolista', lembrando que o próprio iFood já foi investigado pelo Cade por práticas de exclusividade e que cupons são ferramenta comum usada por todos no setor.
- Com menos de um ano de operação no Brasil e presença ainda restrita, a Keeta argumenta que é o iFood — dominante em milhares de cidades — quem deveria temer a concorrência livre, não o contrário.
No mercado brasileiro de delivery, onde a concentração de poder há muito levanta questões sobre equidade competitiva, o iFood recorreu ao Cade para denunciar a Keeta — braço da gigante chinesa Meituan — por supostamente operar com prejuízo deliberado, subsidiando cupons e descontos extremos para conquistar consumidores. A disputa, que vai além de duas empresas, toca num dilema clássico da economia global: quando o capital estrangeiro financia perdas para ganhar mercado, onde termina a competição legítima e começa a predação? O desfecho dependerá de como o regulador brasileiro interpreta a linha tênue entre inovação disruptiva e concorrência desleal.
O iFood formalizou uma representação contra a Keeta no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, acusando a plataforma controlada pela Meituan de operar deliberadamente no prejuízo para conquistar o mercado brasileiro de delivery. Segundo a empresa brasileira, cupons de até R$ 250 e descontos de 80% só são viáveis porque são financiados pela matriz chinesa — uma estratégia que, no longo prazo, prejudicaria restaurantes e entregadores ao criar dependência artificial seguida de queda abrupta de demanda quando os subsídios forem retirados.
O iFood pede ao Cade duas medidas concretas: ações preventivas para interromper a precificação abaixo do custo e a liberação dos dados financeiros da Keeta para monitoramento independente. O vice-presidente jurídico da empresa descreveu o cenário como uma 'guerra de subsídios' que desvia recursos que poderiam ser investidos em tecnologia e melhoria de serviços.
A Keeta respondeu com firmeza, classificando a denúncia como uma 'estratégia monopolista' do iFood para desviar atenções de investigações anteriores contra a própria plataforma brasileira. A empresa chinesa destacou que iniciou operações no Brasil apenas em outubro de 2025, com um piloto em Santos e São Vicente, enquanto o iFood já domina o mercado em milhares de cidades — e argumentou que cupons são prática corrente no setor, inclusive utilizados pelo próprio iFood através do Clube iFood.
Com mais de 15 anos de liderança no mercado chinês de delivery, a Keeta afirmou que sua proposta é conquistar consumidores pela qualidade e confiabilidade, garantindo aos restaurantes participação opcional em campanhas promocionais. A empresa disse não ter sido formalmente notificada sobre a ação e declarou estar disposta a colaborar com as autoridades antitruste, reafirmando seu compromisso com um mercado aberto e competitivo no Brasil.
O iFood entrou com uma representação formal contra a Keeta no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, acusando a plataforma chinesa de operar com prejuízo deliberado para conquistar fatia do mercado brasileiro de delivery. A denúncia, protocolada junto ao órgão regulador, pede a abertura de um processo administrativo contra a empresa controlada pela Meituan, gigante chinesa de tecnologia que domina o setor de entrega de comida na Ásia.
Segundo o iFood, a Keeta sustenta suas operações no Brasil oferecendo cupons de até R$ 250 e descontos que chegam a 80%, números que só são possíveis porque a empresa opera com resultado negativo financiado pela matriz chinesa. A estratégia, na visão da plataforma brasileira, prejudica não apenas os concorrentes, mas o próprio ecossistema do país — quando esses subsídios forem suspensos, argumenta o iFood, restaurantes e entregadores enfrentarão queda abrupta de pedidos e faturamento, criando instabilidade no setor.
O iFood solicita ao Cade duas medidas específicas: a adoção de ações preventivas que interrompam a precificação abaixo do custo e a liberação dos dados de custos e precificação da Keeta para monitoramento independente. Lucas Pittioni, vice-presidente jurídico do iFood, descreveu a situação como uma "guerra de subsídios que não se sustenta pelo mérito, pela melhor tecnologia, pelo melhor serviço ou pela melhor experiência", afirmando que a empresa precisou desviar recursos que poderiam impulsionar a evolução do setor para enfrentar essa concorrência.
A Keeta rebateu as acusações de forma contundente. Em nota enviada à reportagem, a empresa chinesa caracterizou a ação do iFood como uma "estratégia monopolista" destinada a desviar a atenção das autoridades de investigações anteriores contra o próprio iFood — em referência a um acordo que a plataforma brasileira assinou com o Cade sobre práticas de exclusividade. A Keeta argumentou que iniciou suas operações no Brasil há menos de um ano, em outubro de 2025, com um piloto em Santos e São Vicente, enquanto o iFood já domina milhares de cidades, o que sugeriria que é a empresa brasileira, não a chinesa, que deveria temer a concorrência livre.
A empresa chinesa defendeu o uso de cupons como prática comum e legítima no mercado de delivery, apontando que o próprio iFood os utiliza e os vende através do Clube iFood. Segundo a Keeta, os cupons servem para incentivar a experimentação inicial em um mercado marcado por cláusulas de exclusividade entre restaurantes e plataformas. A empresa afirmou que seu foco real é conquistar e reter consumidores pela qualidade, confiabilidade e experiência da plataforma, e que garante aos restaurantes participação opcional em campanhas, dando a cada um controle total sobre como e quando participar.
A Keeta ressaltou sua experiência acumulada ao longo de mais de 15 anos liderando o mercado de delivery na China, expertise que diz estar trazendo para beneficiar consumidores, restaurantes e entregadores parceiros no Brasil. A empresa concluiu sua resposta afirmando que ainda não foi notificada formalmente sobre a ação do iFood e que está disposta a fornecer todas as informações necessárias às autoridades antitruste, reiterando seu compromisso com a construção de um mercado aberto e justo no país.
Notable Quotes
É uma pena que tenhamos que desviar recursos que poderiam ser empregados para o setor evoluir, para fazer frente a uma guerra de subsídios que não se sustenta pelo mérito— Lucas Pittioni, vice-presidente jurídico do iFood
O iFood, que detém o monopólio do mercado, está presente em milhares de cidades, claramente parece com medo da livre concorrência— Keeta, em resposta