Em meio ao horror de um conflito que ceifou centenas de vidas em Israel e Gaza, os mercados financeiros encontraram, paradoxalmente, um impulso na mesma tragédia: a alta do petróleo impulsionou a Petrobras e arrastou o Ibovespa para cima, encerrando a segunda-feira com ganho de 0,86% e acima dos 115 mil pontos. É um dos dilemas permanentes do capitalismo global — que a dor humana e o lucro financeiro possam, por vezes, mover-se na mesma direção.
Ibovespa fecha em alta com Petrobras disparando e apoio de Wall Street
A mesma crise que assustou os mercados também movimentou os preços do petróleo
Por que o Ibovespa subiu se o dia começou com uma crise no Oriente Médio?
Porque a mesma crise que assustou os mercados no início do pregão fez o petróleo disparar. E quando o petróleo sobe, as petrolíferas brasileiras ganham força. A Petrobras subiu mais de 4%.
Mas isso é uma dinâmica frágil, certo? Se a tensão no Oriente Médio diminuir, o petróleo cai e as petrolíferas caem com ele. O ganho de hoje depende de uma crise continuar.
Verdade. E também teve o apoio de Wall Street, que fechou em alta. Mas Luke tem razão — é um ganho que pode evaporar rápido.
E quanto aos bancos? Eles caíram.
Os bancos ajustaram posições após uma semana positiva. Nada de pânico, só realização de lucros. Mas as taxas de juros caíram, o que deveria ser bom para os bancos no longo prazo.
Exceto que ninguém sabe se as taxas vão continuar caindo. O Banco Central pode mudar de rumo.
E a Vale? Por que caiu?
Os futuros do minério de ferro na China recuaram 2,8%. A China estava fechada por feriado, então o mercado estava reprimido. Quando reabre, às vezes há ajustes.
Mas isso também é incerto. Não sabemos se a queda vai continuar ou se foi só um ajuste técnico.
Qual é o próximo passo para o Ibovespa?
Segundo o Itaú BBA, o índice precisa superar 115.400 pontos para manter a recuperação. Depois, o desafio é romper os 117 mil pontos.
E se não conseguir? Qual é o suporte?
111.600 pontos. Se cair para lá, a recuperação de hoje fica comprometida.
Le Pouls
- O ataque do Hamas a Israel no sábado, com centenas de mortos, lançou uma sombra de aversão ao risco sobre os mercados globais, derrubando o Ibovespa a 113.448 pontos no pior momento da sessão.
- O mesmo conflito que gerou pânico também fez o petróleo disparar 4,22%, transformando a crise geopolítica em combustível para as ações de petrolíferas brasileiras.
- Petrobras subiu 4,30%, Prio disparou 8,78% e Petroreconcavo saltou 8,70%, liderando a virada do índice e carregando o mercado para o campo positivo.
- Wall Street deu suporte adicional, com o S&P 500 em alta de 0,63% e o mercado de títulos fechado pelo feriado americano, reduzindo pressões sobre os juros.
- O Ibovespa encerrou em 115.156,07 pontos, mas analistas do Itaú BBA alertam que será preciso superar os 115.400 pontos — e depois os 117 mil — para confirmar a recuperação.
Em meio ao horror de um conflito que ceifou centenas de vidas em Israel e Gaza, os mercados financeiros encontraram, paradoxalmente, um impulso na mesma tragédia: a alta do petróleo impulsionou a Petrobras e arrastou o Ibovespa para cima, encerrando a segunda-feira com ganho de 0,86% e acima dos 115 mil pontos. É um dos dilemas permanentes do capitalismo global — que a dor humana e o lucro financeiro possam, por vezes, mover-se na mesma direção.
A bolsa brasileira fechou a segunda-feira em alta pelo segundo pregão consecutivo, com o Ibovespa avançando 0,86% para 115.156,07 pontos e volume financeiro de 19 bilhões de reais. A sessão, porém, não começou assim.
O pregão abriu sob o peso do conflito no Oriente Médio: homens armados do Hamas mataram centenas de pessoas em Israel no sábado, e o país retalhou com ataques a Gaza que se estenderam pela segunda-feira. O clima de aversão ao risco derrubou o índice a 113.448 pontos no pior momento do dia, refletindo o nervosismo inicial dos investidores.
Foi o próprio petróleo — encarecido 4,22% pelo temor de um conflito mais amplo na região — que virou o jogo. A Petrobras avançou 4,30%, enquanto Prio disparou 8,78% e Petroreconcavo saltou 8,70%. O CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, sinalizou que a empresa buscaria mitigar os efeitos da volatilidade nos preços de diesel e gasolina no Brasil.
O apoio veio também de Wall Street, onde o S&P 500 subiu 0,63% puxado pelo setor de energia. Com o mercado de títulos americano fechado pelo Dia de Colombo, a pressão sobre os juros arrefeceu, beneficiando setores sensíveis a taxas no Brasil. O setor imobiliário subiu 1,96%, com MRV&CO avançando 3,11% e Magazine Luiza ganhando 4,49%.
Nem todos saíram ganhando. Vale recuou 0,72% com a queda do minério de ferro na China, os grandes bancos ajustaram posições, e as aéreas sofreram com o encarecimento do combustível — Azul perdeu 2,97%. Fora do índice, a Mahle Metal Leve desabou 15,49% após anunciar uma potencial oferta de ações que surpreendeu o mercado, que esperava uma oferta de aquisição para deslistagem.
Para os próximos pregões, analistas do Itaú BBA indicam que o Ibovespa precisará superar os 115.400 pontos para sustentar a recuperação, com o desafio seguinte sendo romper os 117 mil pontos.
A bolsa brasileira fechou segunda-feira em terreno positivo, marcando o segundo pregão consecutivo de ganhos. O Ibovespa subiu 0,86%, encerrando em 115.156,07 pontos, com volume financeiro de 19 bilhões de reais. Em seu melhor momento, o índice tocou 115.218,65 pontos, refletindo uma recuperação que começou frágil mas ganhou força conforme o dia avançava.
O pregão abriu sob pressão. Homens armados do Hamas mataram centenas de pessoas em Israel no sábado. Israel retalhou com ataques ao enclave palestino de Gaza no domingo, que se estenderam pela segunda-feira. Essa escalada de tensão no Oriente Médio gerou aversão ao risco nos mercados globais. No pior momento da sessão, o Ibovespa caiu para 113.448,18 pontos, refletindo o pânico inicial dos investidores.
Mas a mesma crise que assustou os mercados também movimentou os preços do petróleo. O barril subiu 4,22%, fechando a 88,15 dólares, impulsionado pelas preocupações de um conflito mais amplo na região. Essa alta beneficiou diretamente as ações de petrolíferas brasileiras. A Petrobras avançou 4,30%, fechando a 34,95 reais. No setor, a Petroreconcavo saltou 8,70%, a 3R Petroleum valorizou-se 6,01%, e a Prio disparou 8,78%. O CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que a companhia buscaria mitigar eventuais impactos da volatilidade dos preços globais nos valores de diesel e gasolina no Brasil.
A virada do pregão também contou com apoio de Wall Street. O S&P 500 fechou em alta de 0,63%, também impulsionado por ações do setor de energia. O mercado de títulos norte-americano estava fechado pelo Dia de Colombo, o que removeu um referencial importante e permitiu que o mercado de ações ganhasse protagonismo.
No Brasil, as taxas dos contratos de DI caíram ao longo do dia, após alguma hesitação na abertura. Essa queda beneficiou papéis sensíveis a juros. O setor imobiliário, que vinha sofrendo, subiu 1,96%. A MRV&CO avançou 3,11%, buscando recuperação após acumular perda de 15,65% na semana anterior. A Magazine Luiza subiu 4,49%, também aproveitando o alívio nas taxas. A Casas Bahia, porém, recuou 4,92%, com preocupações persistindo sobre sua estrutura de capital.
Outros setores tiveram desempenho misto. A Vale caiu 0,72%, acompanhando a queda dos futuros do minério de ferro na China, que recuou 2,8% após vários dias de fechamento por feriado. Os bancos ajustaram posições após uma semana positiva: o Itaú Unibanco cedeu 0,86% e o Bradesco caiu 0,90%. As aéreas sofreram com a volatilidade do petróleo: a Azul perdeu 2,97%, enquanto a Gol fechou estável.
Fora do Ibovespa, a Mahle Metal Leve desabou 15,49%, após anunciar que contratou Citi e Itaú BBA para uma potencial oferta de ações primária que pode envolver também venda secundária. Segundo o Bradesco BBI, o anúncio surpreendeu o mercado, que esperava uma oferta de aquisição para deslistar a empresa, uma unidade da alemã Mahle.
Para a sequência, analistas do Itaú BBA apontam que o Ibovespa precisará superar os 115.400 pontos para manter o movimento de recuperação. O próximo desafio técnico será romper os 117 mil pontos. Do lado da baixa, o índice deixou o suporte em 111.600 pontos.
Citations marquantes
A Petrobras buscará mitigar os eventuais impactos de um esperado aumento da volatilidade dos preços globais do petróleo nos valores de diesel e gasolina no Brasil— Jean Paul Prates, CEO da Petrobras
O Ibovespa terá que superar os 115.400 pontos para continuar o movimento de recuperação. O próximo desafio será superar os 117 mil pontos— Análise técnica do Itaú BBA