Ibovespa sobe 0,76% acompanhando recordes de Wall Street

Recuperação do dólar impulsionou o mercado brasileiro
Analista explica por que commodities e ações de mineração lideraram os ganhos do dia.
Mark

Por que o Ibovespa subiu tão pouco — 0,76% — quando Wall Street estava em recordes?

Mimi

Porque o Brasil estava recuperando terreno perdido na semana anterior. Não era um movimento de força própria, mas de sincronização com Nova York. E o volume financeiro fraco — R$ 22,8 bilhões — sugere que nem todo mundo estava convencido.

Luke

Mas qual é o tamanho real dessa recuperação? O índice ainda está em queda de 0,63% no mês. Isso é recuperação ou apenas um alívio?

Mimi

É um alívio. A recuperação real depende de romper 126.500 pontos, segundo os analistas. Estamos em 126 mil, então ainda há trabalho a fazer.

Mark

O que mudou para o mercado ficar mais otimista?

Mimi

Três coisas: os protestos de caminhoneiros não viraram um evento; a agenda política esvaziou; e a China não gerou aversão ao risco global, apesar de seus problemas internos.

Luke

Mas isso é estabilidade, não crescimento. O que realmente vai mover o mercado para cima?

Mimi

A semana tem Fed na quarta e dados de emprego americano na sexta. Aqui, balanços de Vale, Usiminas e CSN. Se esses números forem bons, há muito fator para fazer preço.

Mark

Por que o setor de commodities foi tão forte?

Mimi

Porque o dólar se recuperou, e commodities são precificadas em dólar. Vale subiu 2,17%, Petrobras 2,73%. Isso puxa o Ibovespa para cima.

Luke

Mas Vale está perto de máxima histórica. Quanto espaço ainda há para subir?

Mimi

Depende dos balanços e da demanda global. O analista da Clear vê potencial até 128 mil pontos no Ibovespa, mas é um alvo intermediário, não final.

Mark

E o real? Por que importa para o Ibovespa?

Mimi

Porque o mercado já precifica 7 reais por dólar para o fim do ano. Se o real se fortalecer, as ações em reais ficam mais atrativas para investidores estrangeiros. IPOs como TradersClub e Raízen ajudam nessa recuperação.

Luke

Então o otimismo depende de coisas que ainda não aconteceram — Fed, balanços, IPOs. O que temos de concreto hoje?

Mimi

Hypera com receita 43,5% maior que ano passado. Mas a ação caiu 0,06%. Isso mostra que nem sempre bons resultados movem o preço.

  • O Ibovespa havia ficado para trás enquanto S&P 500, Nasdaq e Dow Jones renovavam máximas históricas — a recuperação desta segunda era, antes de tudo, um acerto de passo.
  • O volume financeiro permanecia anêmico em R$ 22,8 bilhões, marcando a quinta sessão consecutiva abaixo de R$ 30 bilhões, sinalizando cautela mesmo diante da alta.
  • A turbulência chinesa — com queda de índices após endurecimento regulatório contra empresas de educação e tecnologia — não contaminou Europa nem EUA, preservando o apetite por emergentes.
  • Usiminas (+3,56%), CSN (+3,54%) e Embraer (+3,51%) lideraram os ganhos, com Vale e Petrobras próximas de máximas históricas, puxadas pela força das commodities.
  • O próximo obstáculo técnico está em 126.500 pontos; rompê-lo abriria caminho para a faixa de 128 mil, mas a decisão do Federal Reserve na quarta e os balanços de Vale, Usiminas e CSN definirão o tom.

Em uma segunda-feira de recuperação, o Ibovespa reencontrou o ritmo de Wall Street e fechou em alta de 0,76%, alcançando 126.003,86 pontos — um reflexo de como os mercados emergentes orbitam, com fidelidade quase gravitacional, os movimentos das bolsas americanas. O silêncio da agenda política doméstica e a resiliência do apetite global por risco criaram espaço para que commodities e siderurgia liderassem os ganhos. A semana que se abre, porém, carrega o peso das decisões do Federal Reserve e dos balanços corporativos, lembrando que cada alta carrega em si a sombra da próxima prova.

O Ibovespa abriu a semana em sintonia com Wall Street, fechando com ganho de 0,76% a 126.003,86 pontos. Era um movimento de recuperação: na semana anterior, o índice brasileiro havia ficado para trás enquanto S&P 500, Nasdaq e Dow Jones renovavam máximas históricas — movimento que se repetiu também nesta segunda. O volume financeiro, porém, continuava fraco em R$ 22,8 bilhões, quinta sessão consecutiva abaixo de R$ 30 bilhões. No mês, o Ibovespa ainda acumulava queda de 0,63%, limitando os ganhos do ano a 5,87%.

O cenário doméstico colaborou: os protestos convocados por caminhoneiros não ganharam força e a agenda política permanecia vazia, permitindo que o mercado se reconectasse a Nova York sem distrações. Na China, a segunda-feira foi mais tensa, com saída de recursos após sinais de endurecimento regulatório contra empresas de educação e tecnologia — mas o movimento não gerou aversão ao risco nos mercados ocidentais. Analistas observavam que o real, pressionado desde a primeira onda de Covid, tendia a se fortalecer com IPOs em andamento como os de TradersClub e Raízen, o que beneficiaria o Ibovespa.

No topo dos ganhos, Usiminas disparou 3,56%, seguida por CSN com 3,54% e Embraer com 3,51%. Vale ON subiu 2,17% para R$ 116,60, próxima de sua máxima histórica de R$ 118,13, enquanto Petrobras PN avançou 2,73%, fechando a R$ 27,47. No lado oposto, Americanas ON caiu 5,18% e Eztec recuou 2,59%. A Hypera apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida 43,5% acima do mesmo período de 2020, levando o BTG Pactual a elevar o preço-alvo da ação de R$ 42 para R$ 45.

Para os analistas, o Ibovespa precisaria romper 126.500 pontos para ganhar força compradora no curtíssimo prazo, com alvo inicial na faixa de 128 mil. A perspectiva seguia positiva — sistema hospitalar descomprimido pelo avanço da vacinação e variante Delta ainda sem impacto consumado —, mas a semana prometia agitação, com a decisão do Federal Reserve na quarta-feira, dados de emprego nos EUA na sexta e balanços de Vale, Usiminas e CSN no Brasil.

O Ibovespa abriu segunda-feira em sintonia com Wall Street, fechando o dia com ganho de 0,76% e alcançando 126.003,86 pontos. Era um movimento de recuperação: na semana anterior, o índice brasileiro havia ficado para trás enquanto os três principais indicadores americanos — S&P 500, Nasdaq e Dow Jones — renovavam máximas históricas de fechamento, movimento que se estendeu também nesta segunda. O volume financeiro, porém, continuava fraco, em R$ 22,8 bilhões, marcando a quinta sessão consecutiva abaixo da marca de R$ 30 bilhões. No mês, o Ibovespa ainda acumulava queda de 0,63%, limitando os ganhos do ano a 5,87%.

O cenário doméstico ajudou. Os protestos convocados por caminhoneiros não ganharam força, e a agenda política permanecia relativamente vazia. Isso permitiu que o mercado se reconectasse aos movimentos de Nova York sem distrações locais. Na China, segunda-feira foi mais tensa: saída de recursos e queda nos índices após sinais de endurecimento governamental contra empresas de educação e tecnologia. Mas esse movimento não gerou aversão ao risco nem na Europa nem nos Estados Unidos, mantendo o apetite por ativos emergentes.

Os analistas viam razões para otimismo. O mercado já precificava uma taxa de câmbio de 7% reais por dólar para o fechamento de 2021, e operações de IPO em andamento — como as de TradersClub e Raízen — tendiam a fortalecer a moeda entre as emergentes mais castigadas desde a primeira onda de Covid. Viviane Vieira, equity sales trader da B.Side Investimentos, ligada ao BTG Pactual, observava que essa recuperação do real deveria beneficiar o Ibovespa. A semana à frente prometia movimento: o Federal Reserve decidiria sobre política monetária na quarta-feira, e os Estados Unidos divulgariam dados de emprego na sexta. No Brasil, Vale, Usiminas e CSN apresentariam balanços.

No topo dos ganhos do dia, Usiminas disparou 3,56%, seguida por CSN com 3,54%, Embraer com 3,51% e Bradespar também com 3,51%. O setor de commodities puxou o mercado: Vale ON subiu 2,17% para R$ 116,60, próxima de sua máxima histórica de R$ 118,13, enquanto Petrobras PN avançou 2,73%, fechando no topo do dia a R$ 27,47. Entre os grandes bancos, a Unit do Santander liderou com ganho de 2,25%. No lado oposto, Americanas ON caiu 5,18%, Eztec recuou 2,59% e Lojas Americanas cedeu 2,56%.

Hypera apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida 43,5% superior à do mesmo período de 2020. O BTG Pactual elevou o preço-alvo da ação de R$ 42 para R$ 45, reiterando recomendação de compra. Ainda assim, a ação ON fechou em leve queda de 0,06%, a R$ 36,25. TIM e EDP divulgariam balanços após o fechamento.

Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, apontava que o Ibovespa começou a semana em alta e se sustentou acima de 125 mil pontos, mas precisaria romper 126.500 pontos para ganhar força de compra no curtíssimo prazo, com alvo inicial na faixa de 128 mil pontos. A recuperação do dólar havia impulsionado especialmente o setor siderúrgico, com Usiminas em destaque e Vale próxima de seu recorde histórico. Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, resumia o cenário: a perspectiva ainda era positiva, com sistema hospitalar descomprimido refletindo o progresso da vacinação, e a ameaça da variante Delta ainda não se consumada. A semana promete ser agitada, com decisões do Federal Reserve e divulgação de resultados trimestrais tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

A perspectiva ainda é positiva, com sistema hospitalar descomprimido, refletindo o progresso da vacinação, sem que a ameaça de nova onda com variante Delta tenha se consumado até agora.
— Viviane Vieira, Equity Sales trader da B.Side Investimentos
Para ganhar força de compra no curtíssimo prazo será preciso romper 126.500 pontos, tendo como alvo inicial o topo intermediário na faixa de 128 mil pontos.
— Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora
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