Em uma segunda-feira de recuperação, o Ibovespa reencontrou o ritmo de Wall Street e fechou em alta de 0,76%, alcançando 126.003,86 pontos — um reflexo de como os mercados emergentes orbitam, com fidelidade quase gravitacional, os movimentos das bolsas americanas. O silêncio da agenda política doméstica e a resiliência do apetite global por risco criaram espaço para que commodities e siderurgia liderassem os ganhos. A semana que se abre, porém, carrega o peso das decisões do Federal Reserve e dos balanços corporativos, lembrando que cada alta carrega em si a sombra da próxima prova.
Ibovespa sobe 0,76% acompanhando recordes de Wall Street
Recuperação do dólar impulsionou o mercado brasileiro
Por que o Ibovespa subiu tão pouco — 0,76% — quando Wall Street estava em recordes?
Porque o Brasil estava recuperando terreno perdido na semana anterior. Não era um movimento de força própria, mas de sincronização com Nova York. E o volume financeiro fraco — R$ 22,8 bilhões — sugere que nem todo mundo estava convencido.
Mas qual é o tamanho real dessa recuperação? O índice ainda está em queda de 0,63% no mês. Isso é recuperação ou apenas um alívio?
É um alívio. A recuperação real depende de romper 126.500 pontos, segundo os analistas. Estamos em 126 mil, então ainda há trabalho a fazer.
O que mudou para o mercado ficar mais otimista?
Três coisas: os protestos de caminhoneiros não viraram um evento; a agenda política esvaziou; e a China não gerou aversão ao risco global, apesar de seus problemas internos.
Mas isso é estabilidade, não crescimento. O que realmente vai mover o mercado para cima?
A semana tem Fed na quarta e dados de emprego americano na sexta. Aqui, balanços de Vale, Usiminas e CSN. Se esses números forem bons, há muito fator para fazer preço.
Por que o setor de commodities foi tão forte?
Porque o dólar se recuperou, e commodities são precificadas em dólar. Vale subiu 2,17%, Petrobras 2,73%. Isso puxa o Ibovespa para cima.
Mas Vale está perto de máxima histórica. Quanto espaço ainda há para subir?
Depende dos balanços e da demanda global. O analista da Clear vê potencial até 128 mil pontos no Ibovespa, mas é um alvo intermediário, não final.
E o real? Por que importa para o Ibovespa?
Porque o mercado já precifica 7 reais por dólar para o fim do ano. Se o real se fortalecer, as ações em reais ficam mais atrativas para investidores estrangeiros. IPOs como TradersClub e Raízen ajudam nessa recuperação.
Então o otimismo depende de coisas que ainda não aconteceram — Fed, balanços, IPOs. O que temos de concreto hoje?
Hypera com receita 43,5% maior que ano passado. Mas a ação caiu 0,06%. Isso mostra que nem sempre bons resultados movem o preço.
Der Puls
- O Ibovespa havia ficado para trás enquanto S&P 500, Nasdaq e Dow Jones renovavam máximas históricas — a recuperação desta segunda era, antes de tudo, um acerto de passo.
- O volume financeiro permanecia anêmico em R$ 22,8 bilhões, marcando a quinta sessão consecutiva abaixo de R$ 30 bilhões, sinalizando cautela mesmo diante da alta.
- A turbulência chinesa — com queda de índices após endurecimento regulatório contra empresas de educação e tecnologia — não contaminou Europa nem EUA, preservando o apetite por emergentes.
- Usiminas (+3,56%), CSN (+3,54%) e Embraer (+3,51%) lideraram os ganhos, com Vale e Petrobras próximas de máximas históricas, puxadas pela força das commodities.
- O próximo obstáculo técnico está em 126.500 pontos; rompê-lo abriria caminho para a faixa de 128 mil, mas a decisão do Federal Reserve na quarta e os balanços de Vale, Usiminas e CSN definirão o tom.
Em uma segunda-feira de recuperação, o Ibovespa reencontrou o ritmo de Wall Street e fechou em alta de 0,76%, alcançando 126.003,86 pontos — um reflexo de como os mercados emergentes orbitam, com fidelidade quase gravitacional, os movimentos das bolsas americanas. O silêncio da agenda política doméstica e a resiliência do apetite global por risco criaram espaço para que commodities e siderurgia liderassem os ganhos. A semana que se abre, porém, carrega o peso das decisões do Federal Reserve e dos balanços corporativos, lembrando que cada alta carrega em si a sombra da próxima prova.
O Ibovespa abriu a semana em sintonia com Wall Street, fechando com ganho de 0,76% a 126.003,86 pontos. Era um movimento de recuperação: na semana anterior, o índice brasileiro havia ficado para trás enquanto S&P 500, Nasdaq e Dow Jones renovavam máximas históricas — movimento que se repetiu também nesta segunda. O volume financeiro, porém, continuava fraco em R$ 22,8 bilhões, quinta sessão consecutiva abaixo de R$ 30 bilhões. No mês, o Ibovespa ainda acumulava queda de 0,63%, limitando os ganhos do ano a 5,87%.
O cenário doméstico colaborou: os protestos convocados por caminhoneiros não ganharam força e a agenda política permanecia vazia, permitindo que o mercado se reconectasse a Nova York sem distrações. Na China, a segunda-feira foi mais tensa, com saída de recursos após sinais de endurecimento regulatório contra empresas de educação e tecnologia — mas o movimento não gerou aversão ao risco nos mercados ocidentais. Analistas observavam que o real, pressionado desde a primeira onda de Covid, tendia a se fortalecer com IPOs em andamento como os de TradersClub e Raízen, o que beneficiaria o Ibovespa.
No topo dos ganhos, Usiminas disparou 3,56%, seguida por CSN com 3,54% e Embraer com 3,51%. Vale ON subiu 2,17% para R$ 116,60, próxima de sua máxima histórica de R$ 118,13, enquanto Petrobras PN avançou 2,73%, fechando a R$ 27,47. No lado oposto, Americanas ON caiu 5,18% e Eztec recuou 2,59%. A Hypera apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida 43,5% acima do mesmo período de 2020, levando o BTG Pactual a elevar o preço-alvo da ação de R$ 42 para R$ 45.
Para os analistas, o Ibovespa precisaria romper 126.500 pontos para ganhar força compradora no curtíssimo prazo, com alvo inicial na faixa de 128 mil. A perspectiva seguia positiva — sistema hospitalar descomprimido pelo avanço da vacinação e variante Delta ainda sem impacto consumado —, mas a semana prometia agitação, com a decisão do Federal Reserve na quarta-feira, dados de emprego nos EUA na sexta e balanços de Vale, Usiminas e CSN no Brasil.
O Ibovespa abriu segunda-feira em sintonia com Wall Street, fechando o dia com ganho de 0,76% e alcançando 126.003,86 pontos. Era um movimento de recuperação: na semana anterior, o índice brasileiro havia ficado para trás enquanto os três principais indicadores americanos — S&P 500, Nasdaq e Dow Jones — renovavam máximas históricas de fechamento, movimento que se estendeu também nesta segunda. O volume financeiro, porém, continuava fraco, em R$ 22,8 bilhões, marcando a quinta sessão consecutiva abaixo da marca de R$ 30 bilhões. No mês, o Ibovespa ainda acumulava queda de 0,63%, limitando os ganhos do ano a 5,87%.
O cenário doméstico ajudou. Os protestos convocados por caminhoneiros não ganharam força, e a agenda política permanecia relativamente vazia. Isso permitiu que o mercado se reconectasse aos movimentos de Nova York sem distrações locais. Na China, segunda-feira foi mais tensa: saída de recursos e queda nos índices após sinais de endurecimento governamental contra empresas de educação e tecnologia. Mas esse movimento não gerou aversão ao risco nem na Europa nem nos Estados Unidos, mantendo o apetite por ativos emergentes.
Os analistas viam razões para otimismo. O mercado já precificava uma taxa de câmbio de 7% reais por dólar para o fechamento de 2021, e operações de IPO em andamento — como as de TradersClub e Raízen — tendiam a fortalecer a moeda entre as emergentes mais castigadas desde a primeira onda de Covid. Viviane Vieira, equity sales trader da B.Side Investimentos, ligada ao BTG Pactual, observava que essa recuperação do real deveria beneficiar o Ibovespa. A semana à frente prometia movimento: o Federal Reserve decidiria sobre política monetária na quarta-feira, e os Estados Unidos divulgariam dados de emprego na sexta. No Brasil, Vale, Usiminas e CSN apresentariam balanços.
No topo dos ganhos do dia, Usiminas disparou 3,56%, seguida por CSN com 3,54%, Embraer com 3,51% e Bradespar também com 3,51%. O setor de commodities puxou o mercado: Vale ON subiu 2,17% para R$ 116,60, próxima de sua máxima histórica de R$ 118,13, enquanto Petrobras PN avançou 2,73%, fechando no topo do dia a R$ 27,47. Entre os grandes bancos, a Unit do Santander liderou com ganho de 2,25%. No lado oposto, Americanas ON caiu 5,18%, Eztec recuou 2,59% e Lojas Americanas cedeu 2,56%.
Hypera apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, com receita líquida 43,5% superior à do mesmo período de 2020. O BTG Pactual elevou o preço-alvo da ação de R$ 42 para R$ 45, reiterando recomendação de compra. Ainda assim, a ação ON fechou em leve queda de 0,06%, a R$ 36,25. TIM e EDP divulgariam balanços após o fechamento.
Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, apontava que o Ibovespa começou a semana em alta e se sustentou acima de 125 mil pontos, mas precisaria romper 126.500 pontos para ganhar força de compra no curtíssimo prazo, com alvo inicial na faixa de 128 mil pontos. A recuperação do dólar havia impulsionado especialmente o setor siderúrgico, com Usiminas em destaque e Vale próxima de seu recorde histórico. Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, resumia o cenário: a perspectiva ainda era positiva, com sistema hospitalar descomprimido refletindo o progresso da vacinação, e a ameaça da variante Delta ainda não se consumada. A semana promete ser agitada, com decisões do Federal Reserve e divulgação de resultados trimestrais tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Bemerkenswerte Zitate
A perspectiva ainda é positiva, com sistema hospitalar descomprimido, refletindo o progresso da vacinação, sem que a ameaça de nova onda com variante Delta tenha se consumado até agora.— Viviane Vieira, Equity Sales trader da B.Side Investimentos
Para ganhar força de compra no curtíssimo prazo será preciso romper 126.500 pontos, tendo como alvo inicial o topo intermediário na faixa de 128 mil pontos.— Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora