Em um gesto que atravessa a cartografia e alcança o campo da identidade, o IBGE lançou em abril de 2024 um mapa-múndi que posiciona o Brasil no centro do globo, integrando a 9ª edição do Atlas Geográfico Escolar. O ato, realizado no Rio de Janeiro durante a presidência brasileira do G20, desafia séculos de perspectiva eurocêntrica e propõe que a forma como um povo se vê no mapa pode transformar a forma como ele se vê no mundo. Mais do que uma escolha técnica, trata-se de uma declaração simbólica sobre pertencimento, soberania e o lugar que o Brasil deseja ocupar na imaginação coletiva global.
IBGE lança novo mapa-múndi com Brasil no centro do mundo
Ver o Brasil no centro muda comportamentos e percepção
Por que o IBGE decidiu fazer essa mudança agora? Há quanto tempo o Brasil não aparecia no centro de um mapa?
A decisão está ligada à presidência brasileira do G20 em 2024. É um momento em que o Brasil quer reafirmar sua identidade e importância global. Quanto ao histórico, a maioria dos mapas escolares brasileiros seguia a projeção de Mercator, que coloca a Europa no centro.
Mas isso é importante esclarecer: não é que o Brasil "não aparecia" — é que a projeção cartográfica escolhida historicamente priorizava outra região. Qualquer mapa é uma escolha de perspectiva, não uma verdade absoluta.
E qual é o impacto pedagógico real? Muda algo na forma como as crianças entendem geografia?
Segundo as autoridades que falam sobre isso, sim. A ideia é que ver o Brasil no centro cria uma percepção diferente de identidade e lugar no mundo. É simbólico, mas símbolos importam na educação.
Isso é uma hipótese interessante, mas o documento não apresenta dados sobre impacto pedagógico. É uma intenção, não um resultado comprovado ainda.
Lula recebeu o mapa primeiro. Isso foi coincidência ou estratégia?
Pochmann, presidente do IBGE, mencionou que Lula foi o primeiro a receber, em março. Depois veio o lançamento público em abril. Parece haver uma sequência intencional.
Verdade, mas o documento não explica por que Lula foi escolhido para receber primeiro. Pode ser protocolo, pode ser estratégia política. A fonte não deixa claro.
E os outros países? Como reagem a um mapa que coloca o Brasil no centro?
O documento não menciona reações internacionais. O foco é interno — na identidade brasileira e na agenda do G20.
Exatamente. Essa é uma lacuna importante. Sabemos o que as autoridades brasileiras pensam, mas não temos informação sobre como isso é recebido fora do Brasil.
O Pulso
- Pela primeira vez em uma publicação oficial de alcance escolar, o Brasil ocupa o centro do mapa-múndi, rompendo com a tradição cartográfica que sempre privilegiou a Europa como eixo do mundo.
- Autoridades interpretam o gesto como uma ruptura pedagógica profunda: quando um estudante brasileiro vir seu país no centro da sala de aula, sua autocompreensão e seu senso de pertencimento podem mudar.
- O presidente Lula foi o primeiro a receber o atlas, em março, e celebrou a novidade nas redes sociais com a frase 'A terra é redonda' — síntese irônica e política da virada simbólica.
- O lançamento coincide com a presidência brasileira do G20 em 2024 e com a publicação de indicadores dos países do grupo, ancorando o gesto cartográfico em uma agenda diplomática concreta.
- O IBGE reforça que mapas são símbolos nacionais — e que apresentar essa nova cartografia às autoridades é também moldar como o Brasil é percebido por si mesmo e pelo mundo.
Em um gesto que atravessa a cartografia e alcança o campo da identidade, o IBGE lançou em abril de 2024 um mapa-múndi que posiciona o Brasil no centro do globo, integrando a 9ª edição do Atlas Geográfico Escolar. O ato, realizado no Rio de Janeiro durante a presidência brasileira do G20, desafia séculos de perspectiva eurocêntrica e propõe que a forma como um povo se vê no mapa pode transformar a forma como ele se vê no mundo. Mais do que uma escolha técnica, trata-se de uma declaração simbólica sobre pertencimento, soberania e o lugar que o Brasil deseja ocupar na imaginação coletiva global.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apresentou, em 9 de abril de 2024, a nona edição do Atlas Geográfico Escolar com uma novidade de peso: um mapa-múndi que coloca o Brasil no centro do globo. A publicação, voltada ao público estudantil e dedicada a conteúdos de geografia, estatística e cartografia, também destaca os países do G20 e as nações com as quais o Brasil mantém relações diplomáticas.
O lançamento aconteceu na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, sede da Casa G20. Paulo Protasio, diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio de Janeiro, interpretou o reposicionamento como um gesto de ruptura com o eurocentrismo histórico. Para ele, quando um estudante brasileiro entrar em sala de aula e encontrar seu país no centro do planeta, essa imagem terá o poder de transformar comportamentos e a forma como o Brasil se compreende. 'O Brasil chegou ao centro do mundo', declarou.
Marcio Pochmann, presidente do IBGE, revelou que o presidente Lula foi o primeiro a receber o atlas atualizado, em 21 de março. Lula celebrou a novidade nas redes sociais com uma frase de aparente simplicidade e forte carga simbólica: 'A terra é redonda'. Pochmann reforçou que mapas funcionam como símbolos nacionais e que cabe ao instituto apresentar essa nova cartografia às autoridades, destacando seu papel na formação identitária do povo brasileiro e na projeção internacional do país.
No mesmo dia, o IBGE lançou também a publicação 'Criando Sinergias entre a Agenda 2030 e o G20', reunindo indicadores dos países do grupo. A iniciativa se encaixa na presidência brasileira do G20 em 2024, ano em que o Rio de Janeiro sediará a Cúpula do grupo. Centralizar o Brasil no mapa, portanto, é também um posicionamento político — um sinal de que o país busca ocupar, na cartografia e na diplomacia, um lugar à altura de seu próprio tamanho.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apresentou na quarta-feira 9 de abril um mapa-múndi que coloca o Brasil no centro do globo. O documento integra a nona edição do Atlas Geográfico Escolar, publicação do instituto destinada ao público estudantil com conteúdos de geografia, estatística e cartografia. A nova versão também marca os países integrantes do G20 e aqueles com os quais o Brasil mantém representação diplomática.
O lançamento ocorreu em evento na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, sede da Casa G20. Paulo Protasio, diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio de Janeiro, interpretou o reposicionamento do Brasil no mapa como um gesto simbólico de ruptura. Segundo ele, a sociedade brasileira cresceu acostumada a uma perspectiva eurocêntrica, e essa nova cartografia marca uma mudança de postura. Protasio argumentou que quando um estudante brasileiro entrar em uma sala de aula e vir seu país no centro do planeta, essa percepção alterará comportamentos e autocompreensão. "O Brasil chegou ao centro do mundo", afirmou.
Marcio Pochmann, presidente do IBGE, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro a receber a atualização do atlas, em 21 de março. Lula compartilhou a imagem do novo mapa nas redes sociais com uma observação breve: "A terra é redonda". Para Pochmann, mapas funcionam como símbolos nacionais e expressam a identidade de um país. Ele ressaltou que cabe ao instituto apresentar às autoridades brasileiras essa nova cartografia e destacar sua importância na formação do povo, bem como na forma como o Brasil é percebido internacionalmente.
No mesmo dia do lançamento do atlas, o IBGE divulgou também a publicação "Criando Sinergias entre a Agenda 2030 e o G20", que reúne indicadores selecionados para os países do grupo, incluindo o Brasil. A iniciativa se insere no contexto da presidência brasileira do G20 em 2024, ano em que o país sediará a décima nona reunião da Cúpula do grupo, no Rio de Janeiro. A escolha de centralizar o Brasil no mapa, portanto, não é apenas um exercício cartográfico, mas um posicionamento que acompanha o protagonismo do país na agenda internacional.
Citações Notáveis
Nós nos acostumamos a sermos eurocentristas e ser eurocentrista não é ser brasileiro. O Brasil chegou ao centro do mundo.— Paulo Protasio, diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio de Janeiro
Mapas são símbolos nacionais e representam a identidade de uma nação.— Marcio Pochmann, presidente do IBGE