Há uma verdade silenciosa na medicina que este treinamento ilumina: o corpo humano é um sistema único, e a saúde de uma parte depende da saúde do todo. Em Aparecida de Goiânia, 61 dentistas da rede pública foram capacitados pelo Hospital Municipal HMAP para compreender como a boca de um paciente pode determinar o destino de uma cirurgia cardíaca — e como um foco infeccioso ignorado pode transformar uma esperança de cura em risco de morte. A iniciativa revela que o cuidado verdadeiramente integrado não começa na sala de cirurgia, mas muito antes, nas unidades básicas de saúde onde a confiança e
HMAP capacita cirurgiões-dentistas para atendimento seguro de pacientes cardiopatas
Uma infecção na boca pode virar um problema grave na sala de cirurgia
Por que um dentista precisa saber tanto sobre cirurgia cardíaca? Não são áreas completamente diferentes?
Não são. Uma infecção na boca pode entrar na corrente sanguínea e atacar o coração durante ou depois de uma cirurgia cardíaca. É por isso que preparar a boca antes é tão importante quanto preparar o coração.
E quantos pacientes chegam ao hospital com problemas dentários que ninguém tinha tratado?
Não sabemos o número exato, mas é comum o suficiente para que o hospital tenha criado esse treinamento. Muitos pacientes com doenças crônicas não têm acesso regular a cuidados odontológicos na rede pública.
Então esse treinamento muda o que acontece na prática?
Muda. Agora os dentistas da rede municipal sabem identificar focos infecciosos antes da cirurgia e tratá-los. Isso significa que menos cirurgias são adiadas por complicações odontológicas, e menos pacientes desenvolvem infecções graves depois.
Quem se beneficia mais: o hospital, os dentistas ou os pacientes?
Os três se beneficiam, mas de formas diferentes. O hospital reduz complicações e adiamentos. Os dentistas ganham conhecimento e segurança técnica. Os pacientes ganham um cuidado mais coordenado e contínuo.
Isso é algo novo ou o hospital está apenas formalizando algo que já acontecia?
É uma formalização e um fortalecimento. O cuidado odontológico antes de cirurgias cardíacas já era necessário, mas agora há um protocolo claro e 61 profissionais treinados para executá-lo de forma consistente.
Der Puls
- Infecções bucais não tratadas podem desencadear endocardite infecciosa em pacientes cardiopatas, tornando a avaliação odontológica pré-operatória uma questão de vida ou morte.
- Pacientes com doenças crônicas como cardiopatias, diabetes e hipertensão chegam cada vez mais às unidades básicas, exigindo dos dentistas um preparo que vai além da odontologia convencional.
- O HMAP reuniu 61 cirurgiões-dentistas municipais para preencher essa lacuna de conhecimento, conectando a atenção primária à assistência hospitalar especializada.
- Com pacientes chegando ao hospital com a saúde bucal já avaliada e tratada, reduzem-se riscos cirúrgicos, evitam-se adiamentos e aumenta-se a segurança de todo o processo.
- A capacitação sinaliza um modelo de SUS mais coordenado, em que o cuidado ao paciente cardiopata começa na UBS e se estende até o acompanhamento pós-cirúrgico.
Há uma verdade silenciosa na medicina que este treinamento ilumina: o corpo humano é um sistema único, e a saúde de uma parte depende da saúde do todo. Em Aparecida de Goiânia, 61 dentistas da rede pública foram capacitados pelo Hospital Municipal HMAP para compreender como a boca de um paciente pode determinar o destino de uma cirurgia cardíaca — e como um foco infeccioso ignorado pode transformar uma esperança de cura em risco de morte. A iniciativa revela que o cuidado verdadeiramente integrado não começa na sala de cirurgia, mas muito antes, nas unidades básicas de saúde onde a confiança entre paciente e profissional já existe.
Na semana passada, 61 cirurgiões-dentistas da rede municipal de Aparecida de Goiânia participaram de uma capacitação organizada pelo Hospital Municipal HMAP — administrado pelo Einstein e mantido pela prefeitura — para aprender a preparar pacientes cardiopatas antes de cirurgias do coração. O treinamento, realizado na unidade de Ensino do Einstein em Goiânia, abordou desde a avaliação pré-operatória até os cuidados necessários após o procedimento cardíaco.
A lógica por trás da iniciativa é direta: uma infecção bucal pode se tornar uma complicação grave dentro da sala de cirurgia. Camila de Freitas, referência técnica em odontologia do HMAP, explicou que focos infecciosos precisam ser identificados e tratados antes de cirurgias cardíacas para evitar a endocardite infecciosa, inflamação potencialmente fatal do coração. Em cirurgias eletivas, esse cuidado acontece na rede municipal antes da internação; em urgências, dentro do próprio hospital.
O secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, situou a capacitação dentro de uma estratégia maior de atualização técnica das equipes, reforçando a integração entre os níveis de atenção à saúde. Silvio Neto, gerente médico do HMAP, destacou que pacientes que chegam com a saúde bucal adequadamente tratada reduzem riscos, evitam adiamentos e tornam o cuidado mais eficiente — mas o maior beneficiado, sublinhou, é o próprio paciente, que passa a contar com um acompanhamento mais contínuo pelo SUS.
Candice Maria de Oliveira, dentista de uma unidade básica do município, reconheceu a relevância prática do treinamento: cada vez mais pacientes chegam aos consultórios com doenças crônicas, e uma formação como essa permite um atendimento mais consciente e especializado. A iniciativa reforça o papel da atuação multiprofissional e da integração entre os diferentes níveis de assistência que o sistema público de saúde oferece.
Na terça-feira passada, 61 cirurgiões-dentistas da rede municipal de Aparecida de Goiânia passaram por um treinamento que pode parecer especializado demais para quem não trabalha na área, mas que toca em algo fundamental: como preparar a boca de um paciente antes de uma cirurgia do coração. O Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Iris Rezende Machado (HMAP), administrado pelo Einstein e mantido pela prefeitura, organizou a capacitação na unidade de Ensino do Einstein em Goiânia, reunindo profissionais da rede municipal para discutir desde a avaliação pré-operatória até os cuidados necessários após o procedimento cardíaco.
A razão por trás dessa iniciativa é simples, mas importante: uma infecção na boca pode virar um problema grave quando o paciente entra na sala de cirurgia. Camila de Freitas, referência técnica em odontologia do HMAP, explicou que focos infecciosos identificados antes da cirurgia cardíaca precisam ser tratados para evitar complicações como a endocardite infecciosa, uma inflamação do coração que pode ser fatal. Quando se trata de cirurgias eletivas, esse cuidado odontológico acontece na rede municipal antes da internação. Em situações de urgência, o atendimento ocorre já dentro do hospital.
O secretário municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, Alessandro Magalhães, enquadrou a capacitação dentro de uma estratégia maior: investir na atualização técnica das equipes significa oferecer um atendimento mais seguro e baseado nas melhores evidências científicas. Para ele, iniciativas como essa fortalecem a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde e refletem diretamente na qualidade do cuidado oferecido aos pacientes.
Silvio Neto, gerente médico do HMAP, viu na capacitação um avanço tanto para a unidade quanto para toda a rede de atenção à saúde do município. Segundo ele, quando os pacientes com indicação de cirurgia cardíaca chegam ao hospital com a saúde bucal adequadamente avaliada e tratada, reduzem-se riscos, evitam-se possíveis adiamentos e favorece-se a segurança e eficiência do cuidado. Mas o maior beneficiado, ressaltou, é o próprio paciente, que passa a contar com um cuidado mais coordenado e contínuo pelo SUS, desde a preparação para a cirurgia até o acompanhamento posterior.
Candice Maria de Oliveira, cirurgiã-dentista da Unidade Básica de Saúde Bairro Cardoso, participou do treinamento e reconheceu sua relevância para a prática diária na rede pública. Ela observou que cada vez mais pacientes chegam aos consultórios com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e cardiopatias, e um curso como esse capacita o profissional para um atendimento mais consciente, produtivo e especializado. A iniciativa, proposta pelo HMAP e conduzida pela referência da unidade em odontologia, reforça a importância da atuação multiprofissional e da integração entre os diferentes níveis de assistência que o SUS oferece.
Bemerkenswerte Zitate
A avaliação odontológica antes da cirurgia cardíaca é fundamental para identificar e tratar focos infecciosos que possam comprometer o procedimento— Camila de Freitas, referência técnica em odontologia do HMAP
Esse curso é extremamente importante para os profissionais da odontologia do município. Hoje temos cada vez mais pacientes com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e cardiopatias— Candice Maria de Oliveira, cirurgiã-dentista da UBS Bairro Cardoso