Hepatite A dispara 265% em Portugal com 1.164 casos em 2025

Surtos afetaram principalmente crianças do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, e homens jovens entre 18-44 anos nas regiões de Lisboa e Norte.
Dois surtos que começaram em 2024 explodiram em 2025
A hepatite A aumentou 265% em Portugal, impulsionada por transmissão sexual e falhas de salubridade.
Mark

Porque é que a hepatite A disparou assim em 2025? Parecia estar controlada.

Mimi

Não estava. Dois surtos que começaram em 2024 explodiram. Um era sobre salubridade — crianças em comunidades com más condições de higiene. O outro era transmissão sexual entre homens jovens. Ambos encontraram populações vulneráveis.

Mark

E as crianças no Algarve — como é que uma doença assim se propaga num país europeu moderno?

Mimi

Porque a hepatite A não precisa de muito. Água contaminada, falta de saneamento básico, aglomeração. Não é sobre falta de tecnologia. É sobre condições concretas no terreno.

Mark

A vacinação resolveu?

Mimi

Ajudou. Quando a DGS acelerou a vacinação em resposta aos surtos, os números começaram a estabilizar. Mas isso só funciona se as pessoas forem vacinadas. E se as condições de salubridade melhorarem.

Mark

Porque é que a hepatite B também subiu?

Mimi

Menos claro. Pode ser mais rastreio, mais consciência. Mas também há migrações — pessoas de regiões onde a hepatite B é mais comum. Portugal tem 98% de cobertura vacinal, o que é excelente, mas o vírus continua a entrar.

Mark

E a hepatite C?

Mimi

Essa é a história boa. Trinta e oito mil pessoas tratadas em dez anos. Cura de 97%. Menos cirrose, menos mortes. É o que funciona quando há acesso universal ao tratamento.

Mark

Então Portugal está a ganhar ou a perder?

Mimi

Ambas as coisas. Ganhou na hepatite C. Está a recuperar na hepatite A. Mas a hepatite B mostra que o trabalho nunca termina. A vigilância tem de ser constante.

  • Os casos de hepatite A em Portugal saltaram de 319 para 1.164 num único ano, um crescimento de 265% que apanhou o sistema de saúde em alerta máximo.
  • Dois focos alimentaram o surto: crianças no Algarve, Alentejo e Lisboa expostas a falhas de salubridade, e homens entre os 18 e os 44 anos em Lisboa e no Norte infetados por via sexual.
  • Portugal não estava isolado — o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças registava tendências semelhantes em vários países, mas isso não diminuía a urgência da resposta nacional.
  • A vacinação acelerou e as medidas de controlo parecem estar a surtir efeito, com a DGS a indicar que os surtos aparentam estar em resolução.
  • Em paralelo, a hepatite B subiu 31% pelo segundo ano consecutivo, enquanto a hepatite C acumulava uma década de tratamento universal com taxas de cura próximas dos 97% — um país a gerir crises e conquistas em simultâneo.

Em 2025, Portugal viu os casos de hepatite A triplicar num único ano, reflexo de uma tensão antiga entre condições sanitárias frágeis e comportamentos de risco que nenhuma sociedade moderna consegue ignorar por completo. Dois surtos distintos — um que percorreu comunidades infantis pelo Sul e Centro do país, outro que se propagou por contacto sexual entre homens jovens em Lisboa e no Norte — revelam como uma mesma doença pode seguir caminhos muito diferentes através do tecido social. A resposta do Estado, centrada na vacinação e na vigilância epidemiológica, parece estar a conter o avanço, mas o episódio serve de memória viva: a saúde pública é sempre uma obra inacabada.

Portugal atravessou 2025 com uma escalada inédita de hepatite A: 1.164 casos confirmados, contra os 319 do ano anterior, num crescimento de 265% que a Direção-Geral da Saúde documentou num relatório divulgado no Dia Mundial das Hepatites.

Dois surtos principais explicam os números. O primeiro, com raízes em 2024, propagou-se por contacto direto entre pessoas em contextos de salubridade deficiente, atingindo sobretudo crianças no Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo. O segundo seguiu a via sexual, concentrando-se em homens entre os 18 e os 44 anos nas regiões de Lisboa e Norte. A DGS identificou ainda outras 28 situações de surto, responsáveis por 150 casos adicionais.

O contexto europeu ajudava a situar o problema — vários países registavam tendências semelhantes —, mas Portugal mantinha-se tecnicamente um país de baixa endemicidade, com menos de um caso por 100.000 habitantes. A resposta passou por uma atualização da estratégia nacional de imunização e por um aumento significativo das vacinas administradas. Segundo o relatório, os surtos aparentam estar em resolução.

O quadro geral das hepatites era mais complexo. A hepatite B subiu 31%, pelo segundo ano consecutivo, levando a DGS a reforçar o apelo à vigilância — ainda que Portugal mantivesse coberturas vacinais superiores a 98%. Já a hepatite C contava uma história diferente: dez anos após o acesso universal ao tratamento, mais de 38 mil pessoas tinham sido curadas, com taxas de sucesso próximas dos 97% e reduções mensuráveis em internamentos, cirrose e mortalidade. Um país a gerir uma crise aguda enquanto consolida, noutras frentes, décadas de progresso.

Portugal enfrentou em 2025 uma escalada sem precedentes de hepatite A. O país registou 1.164 casos confirmados ao longo do ano — um salto de 265% face aos 319 casos de 2024. Foram 845 novas infeções num período de doze meses, um crescimento que a Direção-Geral da Saúde documentou num relatório divulgado no Dia Mundial das Hepatites.

O surto não apareceu do nada. Dois focos principais impulsionaram os números. O primeiro começou em 2024 e estava enraizado em condições de salubridade deficiente. Propagou-se de pessoa a pessoa, atingindo sobretudo crianças nas regiões do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo. O segundo surto seguiu um caminho diferente: transmitia-se por contacto sexual e afetava predominantemente homens entre os 18 e os 44 anos, concentrando-se em Lisboa e Vale do Tejo e na região Norte. Para além destes dois focos principais, a DGS identificou outras 28 situações de surto, que somaram 150 casos confirmados, a maioria também ligada a transmissão de pessoa a pessoa.

O contexto europeu oferecia alguma perspetiva. Portugal não estava sozinho nesta trajetória. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças registava aumentos semelhantes em vários países do continente. Ainda assim, a DGS sublinhou um ponto importante: Portugal mantinha-se um país de baixa endemicidade para a hepatite A. Os números anuais continuavam abaixo de um caso por 100.000 habitantes, uma métrica que situava o país numa posição relativamente controlada apesar do crescimento abrupto.

A resposta veio através da vacinação. Perante os surtos, o número de vacinas administradas aumentou significativamente. A DGS havia atualizado a sua estratégia nacional de imunização, e essa mudança mostrava resultados. A situação dos surtos, segundo o relatório, aparentava estar em resolução graças às medidas implementadas. O controlo da transmissão comunitária que havia marcado 2024 e 2025 estava a ser alcançado.

Mas a hepatite A não era a única preocupação. A hepatite B também registou um aumento, passando de 271 casos em 2024 para 354 em 2025 — um crescimento de 31%. Era o segundo ano consecutivo de subida nas notificações, o que levou a DGS a alertar para a necessidade de reforçar vigilância e prevenção. O aumento podia estar ligado a uma maior consciencialização sobre a importância do rastreio, mas também podia refletir movimentos migratórios de pessoas oriundas de regiões com maior endemicidade e menores taxas de vacinação. Apesar disso, Portugal mantinha coberturas vacinais superiores a 98% contra a hepatite B, incluindo vacinação universal ao nascimento — um desempenho que colocava o país entre os melhores do mundo.

Quanto à hepatite C, uma alteração metodológica introduzida em 2024 afetou a comparabilidade dos dados. Mas o relatório destacava uma história de sucesso: dez anos após o acesso universal ao tratamento, mais de 38 mil pessoas tinham sido tratadas, com taxas de cura próximas dos 97%. O impacto era mensurável — redução comprovada de internamentos, cirrose hepática, transplantes hepáticos e mortalidade associada.

As hepatites virais continuam a ser uma das principais causas de doença hepática crónica, cirrose e carcinoma hepatocelular. Os vírus B e C são responsáveis pela maioria das mortes relacionadas com doença hepática. O relatório de 2025 da DGS mostrava um país a lidar com uma crise aguda de hepatite A enquanto consolidava ganhos noutras frentes — uma situação complexa que exigia vigilância contínua e resposta adaptada.

Mantém-se o aumento significativo do número de casos confirmados de hepatite A
— Relatório de 2025 do Programa Nacional para as Hepatites Virais da DGS
A situação dos surtos aparenta estar em resolução decorrente de medidas implementadas
— Direção-Geral da Saúde
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