Dois dias após revelar publicamente uma infecção facial severa, a cantora americana Halsey subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio, no domingo 13 de setembro, e entregou uma performance de força incomum. Numa noite dominada por mulheres no line-up do festival, ela transformou a vulnerabilidade que sempre marcou sua trajetória pública — batalhas contra doenças, perdas e o próprio corpo — em combustível para um show agressivo e libertador. É o paradoxo que define sua arte: quanto mais frágil a pessoa, mais poderosa a artista.
Halsey supera infecção e faz show potente e roqueiro no Rock in Rio
Quando Ashley vira Halsey, ela supera qualquer adversidade
Como uma artista que havia revelado estar com uma infecção pesada consegue entregar um show tão energético dois dias depois?
Halsey tem uma história de separar sua vida pessoal de sua performance. Ela é aberta sobre seus problemas — endometriose, câncer no sangue, aborto no palco — mas quando sobe ao palco, parece que toda essa vulnerabilidade se transforma em energia bruta.
Mas precisamos ser claros: ela não estava internada. Ela disse que estava "se entupindo de remédio", mas não temos detalhes sobre a gravidade real ou se havia repouso médico recomendado. O fato de ela ter subido ao palco não necessariamente significa que estava completamente recuperada.
O setlist foi interessante — principalmente o álbum de 2021 em vez do mais recente. Por quê?
"If I Can't Have Love, I Want Power" é conceitualmente mais forte, mais punk-rock, mais agressivo. É um álbum sobre feminismo, patriarcado, misoginia. Fazia sentido para um domingo que foi dominado por mulheres no line-up do festival.
Embora seja verdade que o álbum de 2024 é "confessional e reflexivo", como descrito. Ela escolheu a versão mais roqueira dela, não a mais recente. Isso é uma escolha artística clara.
E quanto ao público? Como reagiram?
Muito bem. Ela pediu para formarem rodinhas punks, pediu para ligarem as luzes dos celulares em "Without Me", que ela compôs durante uma passagem anterior pelo Brasil. Havia uma conexão real.
Ela tem uma história com o Brasil — essa era sua quinta passagem pelo país. Isso cria uma intimidade que não temos em outros lugares.
O visual do vestido branco com bota sangrenta — era uma contradição proposital?
Completamente. O vestido sugeria fragilidade, delicadeza, mas tudo o que ela fez no palco foi o oposto — gritou, rolou pelos degraus, dominou o espaço. A bota sangrenta era o aviso de que algo mais roqueiro viria.
E no final, ela apareceu com o nariz sangrando. Mas a reportagem deixa claro que era encenação, parte da performance. Importante não confundir isso com a infecção real que ela tinha dias antes.
The Pulse
- A tensão era real: dois dias antes, Halsey havia alertado os fãs sobre uma infecção pesada no rosto, gerando dúvidas sobre se conseguiria se apresentar.
- No palco, o contraste foi imediato — um vestido branco delicado de um lado, gritos, fogo e rolamentos por escadas do outro, desfazendo qualquer expectativa de fragilidade.
- O setlist priorizou o álbum conceitual e punk-rock de 2021, afastando-se dos hits radiofônicos e exigindo do público uma entrega mais intensa, com rodinhas punks e saltos coletivos.
- Momentos de intimidade — as luzes dos celulares em 'Without Me' e declarações de amor ao Brasil — equilibraram a agressividade e aproximaram artista e plateia.
- O show encerrou com nariz sangrando em cena, tudo encenação calculada, consolidando a imagem de uma artista que transforma dor em espetáculo com plena consciência.
Dois dias após revelar publicamente uma infecção facial severa, a cantora americana Halsey subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio, no domingo 13 de setembro, e entregou uma performance de força incomum. Numa noite dominada por mulheres no line-up do festival, ela transformou a vulnerabilidade que sempre marcou sua trajetória pública — batalhas contra doenças, perdas e o próprio corpo — em combustível para um show agressivo e libertador. É o paradoxo que define sua arte: quanto mais frágil a pessoa, mais poderosa a artista.
Dois dias depois de contar aos seguidores que enfrentava uma infecção pesada no rosto e estava 'se entupindo de remédio', Halsey pisou no Palco Mundo do Rock in Rio no domingo 13 de setembro como se nada tivesse acontecido. A cantora americana, que ao longo dos anos compartilhou publicamente batalhas contra endometriose, câncer no sangue e outras provações, não deixou transparecer qualquer fragilidade. Naquela noite, Ashley Nicolette Frangipane se transformou em Halsey — e com essa transformação veio uma apresentação potente, agressiva e marcadamente roqueira.
O contraste foi imediato: ela usava um vestido branco de babados com corselet, silhueta delicada, mas assim que pisou no palco gritou, brincou com o fogo da cenografia, subiu e desceu escadas de um 'castelo virtual' e dominou cada centímetro do espaço. O show de uma hora foi construído principalmente sobre o álbum de 2021 'If I Can't Have Love, I Want Power', trabalho conceitual que explora gravidez e parto por uma lente feminista, com estética punk-rock distante de seus sucessos radiofônicos. Abriu com 'Nightmare', seguiu com 'I am not a Woman, I'm a god' e 'Dog Years' — nesta última, usou uma enorme coleira presa com corrente —, e estimulou a formação de rodinhas punks durante a faixa-título.
Houve também espaço para outros momentos: 'Castle' e 'Colors' de 2015, 'Closer' cantada em coro com o público, e 'Without Me', composta em uma passagem anterior pelo Brasil, que ganhou um instante intimista com as luzes dos celulares iluminando a arena. Entre uma música e outra, ela declarou amor ao Brasil e se surpreendeu com a tirolesa em funcionamento durante o show. O encerramento veio com 'Lonely is the Muse', do álbum confessional de 2024 'The Great Impersonator', com Halsey em cena de nariz sangrando — tudo encenação cuidadosamente construída. Nesta quinta passagem pelo Brasil, ela deixou claro que vulnerabilidade nas letras e nos relatos públicos não se traduz em fragilidade quando está em cena.
Dois dias depois de contar aos seus seguidores que enfrentava uma infecção pesada no rosto e estava "se entupindo de remédio", Halsey pisou no Palco Mundo do Rock in Rio no domingo, 13 de setembro, como se nada tivesse acontecido. A cantora americana não deixou transparecer qualquer sinal de que havia estado internada nos dias anteriores, nem demonstrou a fragilidade que marcou sua trajetória pública — ela já havia compartilhado com seus fãs batalhas contra endometriose, câncer no sangue e até um aborto ocorrido no palco. Nesta noite, porém, Ashley Nicolette Frangipane se transformou em Halsey, e com essa transformação veio uma apresentação potente e agressiva, marcada por sua versão mais roqueira.
O contraste entre o visual escolhido e a energia do show foi imediato. Halsey usava um vestido branco de babados com corselet — uma silhueta delicada que sugeria fragilidade — mas apenas sua bota "sangrenta" dava pistas do que viria a seguir. Uma vez no palco, ela gritou, brincou com o fogo da cenografia, subiu e desceu escadas que levavam a um "castelo virtual", rolou pelos degraus e dominou cada centímetro do espaço. Convocava o público para pular, para se mover, para estar presente. A apresentação durou uma hora e foi construída principalmente sobre seu álbum de 2021, "If I Can't Have Love, I Want Power" — um trabalho conceitual que explora os aspectos positivos e negativos da gravidez e do parto através de uma lente feminista, abordando patriarcado e misoginia com uma estética punk-rock bem distante de seus sucessos radiofônicos.
Halsey abriu com "Nightmare", uma faixa em que canta sobre ter acreditado em mentiras e confiado em homens. Seguiram-se "I am not a Woman, I'm a god", "Dog Years" — durante a qual ela usou uma enorme coleira presa com corrente — e "You asked for this". Essas músicas integram também um filme de cerca de uma hora de duração, "If I Can't Have Love, I Want Power", roteirizado pela própria artista como parte da divulgação do álbum. Ela fez também um passeio rápido por seus outros trabalhos, cantando "Castle" e "Colors" de 2015, e "Experiment on Me" de 2020. Na faixa que dá título ao álbum, estimulou a formação de rodinhas punks no meio do público, descrevendo essa experiência como algo que tem acompanhado ao redor do mundo.
Em um momento de pausa para conversar com o público, Halsey disse amar o Brasil e se assustou ao ver a tirolesa funcionando durante a apresentação — "Isso acontece o tempo todo?", perguntou. Antes de cantar "Honey", questionou: "Sabem uma coisa que eu amo ver ao redor do mundo? Mulheres. Eu amo mulheres. Mulheres sendo livres e sexies". "Closer", sua colaboração de 2016 com o duo eletrônico The Chainsmokers, também apareceu no setlist e foi cantada em coro. "Without Me", composta durante uma de suas passagens anteriores pelo Brasil e que integra o álbum "Manic" de 2020, trouxe um momento intimista quando ela pediu aos fãs que ligassem as luzes dos celulares — "Inacreditável", disse ao ver o resultado.
Halsey lançou seu primeiro trabalho de forma independente em 2014 e desde então se tornou um dos maiores nomes do pop alternativo, mesclando rock, R&B, trap e música eletrônica. Encerrou sua turnê "Back to Balands" em fevereiro e desde então tem feito apresentações em festivais pelo mundo com a turnê "The Girl in the Tower". Nesta quinta passagem pelo Brasil, fechou o show com "Lonely is the Muse", do seu álbum mais recente de 2024, o confessional e reflexivo "The Great Impersonator". Nesse momento final, Halsey apareceu com o nariz sangrando — mas tudo era parte da encenação cuidadosamente construída de sua apresentação. O domingo 13 de setembro foi um dia dominado por mulheres no line-up do festival, e Halsey foi a terceira grande estrela a subir ao Palco Mundo, deixando claro que sua vulnerabilidade confessional nas letras e relatos públicos não se traduz em fragilidade quando ela está em cena.
Notable Quotes
Isso acontece o tempo todo?— Halsey, ao ver a tirolesa funcionando durante a apresentação
Sabem uma coisa que eu amo ver ao redor do mundo? Mulheres. Eu amo mulheres. Mulheres sendo livres e sexies— Halsey, antes de cantar 'Honey'