Grupo Mateus fecha 28 lojas e demite 6,6 mil em reestruturação apesar de lucro de R$ 2,3 bi

Aproximadamente 6,6 mil funcionários foram demitidos durante o processo de reestruturação entre 2025 e primeiro trimestre de 2026.
Lucro cresceu, mas rentabilidade desabou
O Grupo Mateus registrou aumento de receita, mas o lucro líquido caiu 39,3% em relação ao ano anterior.
Mark

Como uma empresa que registra lucro bruto de R$ 2,3 bilhões justifica demitir 6,6 mil pessoas?

Mimi

O lucro bruto é apenas o primeiro passo. O que importa para os acionistas é o lucro líquido, que caiu 39,3% em relação ao ano anterior. A receita cresceu, mas as despesas operacionais cresceram mais rápido, comprimindo as margens.

Mark

Então a empresa estava ganhando mais dinheiro, mas gastando mais ainda?

Mimi

Exatamente. Abrir lojas custa dinheiro. Manter lojas que não vendem bem custa dinheiro. Em algum ponto, você precisa parar e perguntar: qual é o retorno real disso tudo?

Mark

As vendas em lojas maduras caíram 8%. Isso significa que os clientes estavam comprando menos?

Mimi

Sim, e não apenas no Grupo Mateus. Todo o varejo alimentar regional estava sob pressão. Consumo fraco, custos logísticos em alta, juros elevados. As pessoas estavam gastando menos com alimentação.

Mark

Então fechar lojas era inevitável?

Mimi

Não era inevitável, mas era racional do ponto de vista financeiro. Se uma loja não gera retorno adequado, mantê-la aberta destrói valor. Melhor fechar e redirecionar recursos para unidades que funcionam.

Mark

E os 6,6 mil funcionários? Eles não tinham alternativa?

Mimi

Não. Foram demitidos. A maioria estava em estados como Maranhão, Pará e Piauí, onde as oportunidades de emprego no varejo não são abundantes. Essa é a parte que os números não capturam.

Mark

A empresa vai continuar expandindo?

Mimi

Sim, mas muito mais cautelosamente. Cada novo investimento agora passa por uma análise muito mais rigorosa. O tempo de expansão agressiva acabou.

  • O lucro líquido despencou 39,3% na comparação anual, revelando que o crescimento de receita escondia uma deterioração silenciosa nas entranhas do negócio.
  • As vendas em lojas já consolidadas recuaram 8% — uma inversão brusca que expôs a fragilidade do modelo de expansão acelerada diante de juros altos e consumo em queda.
  • A resposta foi cirúrgica e dolorosa: 28 unidades fechadas e 6,6 mil trabalhadores demitidos, concentrados nos estados do Norte e Nordeste onde a empresa tinha suas raízes mais profundas.
  • A empresa abandona a lógica de crescimento a qualquer custo e passa a submeter cada novo investimento a um escrutínio muito mais rigoroso antes de avançar.
  • O Grupo Mateus segue operando, mais enxuto e focado, mas com presença territorial reduzida — apostando que solidez é mais valiosa do que tamanho.

O Grupo Mateus, gigante varejista do Norte e Nordeste brasileiro, atravessa em 2026 uma encruzilhada que revela uma tensão antiga no capitalismo de escala: crescer em receita não é o mesmo que prosperar. Diante de margens comprimidas, consumo enfraquecido e juros elevados, a empresa escolheu a rentabilidade sobre a expansão — e esse ajuste custou 6,6 mil empregos e 28 lojas fechadas. É o momento em que uma corporação para, olha para dentro e decide o que realmente vale manter.

O Grupo Mateus apresentou, no segundo trimestre de 2026, um retrato cheio de contradições. A receita líquida chegou a R$ 9,85 bilhões, alta de 12,2% na comparação anual, e o lucro bruto atingiu R$ 2,31 bilhões. Mas por baixo desses números, a companhia enfrentava uma deterioração preocupante: o lucro líquido de R$ 237 milhões representava uma queda de 39,3% em relação ao mesmo período de 2025, e o EBITDA recuou 12,1%, com a margem encolhendo de 8,8% para 6,9%.

O sinal mais revelador veio das lojas já consolidadas, cujas vendas recuaram 8% no trimestre — uma inversão abrupta frente ao crescimento de 6,1% registrado um ano antes. Consumo pressionado, custos logísticos em alta e concorrência intensa no atacarejo compunham o cenário que a empresa precisava enfrentar.

A resposta foi uma reestruturação profunda, iniciada em 2025 e estendida até o primeiro trimestre de 2026. A companhia fechou 28 lojas e demitiu aproximadamente 6,6 mil funcionários, concentrando os cortes em seis estados do Norte e Nordeste — Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia — onde as unidades foram identificadas como pouco rentáveis.

Após anos de expansão territorial agressiva impulsionada pela abertura de capital na Bolsa, o Grupo Mateus mudou de prioridade: garantir rentabilidade e permitir a maturação das unidades existentes. Novos investimentos não foram descartados, mas passaram a exigir análise muito mais rigorosa. A empresa segue adiante — mais enxuta, mais focada, porém com uma presença menor no mapa e milhares de trabalhadores fora de seus quadros.

O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Brasil, apresentou um retrato contraditório de seus negócios no segundo trimestre de 2026. Os números de receita cresceram — o lucro bruto atingiu R$ 2,31 bilhões, uma alta de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida chegou a R$ 9,85 bilhões, avançando 12,2% na comparação anual. Mas por baixo dessa superfície de crescimento, a companhia enfrentava pressões que a obrigaram a tomar decisões drásticas sobre seu futuro.

Entre abril e junho de 2026, o lucro líquido da empresa foi de R$ 237 milhões. Esse número, embora representasse um avanço de 11,2% em relação ao trimestre anterior, escondia uma queda muito mais preocupante: uma retração de 39,3% comparada aos R$ 390,4 milhões obtidos no mesmo período de 2025. O EBITDA também refletia essa deterioração, caindo 12,1% na comparação anual, enquanto a margem EBITDA encolheu de 8,8% para 6,9% — uma perda de 1,9 ponto percentual que sinalizava compressão crescente nos resultados operacionais.

O problema estava onde menos se vê nos relatórios financeiros: nas lojas que já existiam. As vendas em lojas maduras — aquelas que já estavam consolidadas — recuaram 8% no trimestre. Era uma inversão abrupta em relação ao crescimento de 6,1% registrado no mesmo período do ano anterior. Esse recuo refletia a realidade do varejo alimentar regional: consumo pressionado, custos logísticos em alta, taxas de juros elevadas e concorrência feroz de outras gigantes do atacarejo.

Em resposta a essa dinâmica, o Grupo Mateus iniciou um amplo processo de reestruturação que se estendeu entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026. A companhia fechou 28 lojas e demitiu aproximadamente 6,6 mil funcionários. Os cortes foram concentrados em seis estados das regiões Norte e Nordeste — Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia — justamente onde a empresa tinha suas principais bases de operação. Essas unidades foram identificadas como pouco rentáveis, e sua manutenção comprometia as margens que a companhia precisava proteger.

A mudança de estratégia era clara. Após anos de expansão territorial agressiva, impulsionada especialmente depois da abertura de capital na Bolsa de Valores, o foco da empresa mudou de rumo. A prioridade agora era garantir a rentabilidade e permitir a maturação das unidades já em funcionamento. O cronograma de expansão não foi cancelado definitivamente, mas passou a estar sujeito a uma análise muito mais rigorosa antes de qualquer novo investimento.

Essa decisão refletia uma dinâmica típica do grande varejo de capital aberto: quando os números de rentabilidade começam a ceder, a resposta é enxugar operações e proteger margens. O Grupo Mateus continuava crescendo em receita bruta graças à abertura de novas unidades e à consolidação de sua escala regional, mas esse crescimento não se traduzia mais em lucro líquido robusto. A companhia havia chegado a um ponto em que precisava escolher entre continuar expandindo ou garantir que o que já possuía gerasse retorno adequado aos acionistas.

O cenário que o Grupo Mateus enfrentava era o mesmo que pressionava todo o segmento supermercadista brasileiro. Consumo fraco, custos altos, juros elevados. Mas enquanto outras empresas do setor buscavam diferentes caminhos, o Grupo Mateus optou por uma reestruturação profunda. Seis mil e seiscentas pessoas perderam seus empregos. Vinte e oito lojas fecharam as portas. E a empresa seguiu adiante, mais enxuta, mais focada, mas também mais reduzida em sua presença territorial.

A companhia mudou seu foco de expansão territorial agressiva para garantir a rentabilidade e maturação das unidades já em funcionamento
— Grupo Mateus
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