No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a medicina neurológica lança um alerta que desafia a crença de que o AVC é destino apenas dos mais velhos: mulheres jovens que fumam e combinam esse hábito com anticoncepcionais ou hormônios enfrentam um risco até dez vezes maior de sofrer complicações cerebrovasculares graves. O neurocirurgião Feres Chaddad, da Unifesp, observa uma mudança silenciosa no perfil dos pacientes — e o silêncio, aqui, pode custar vidas. A proteção natural que o estrogênio oferece existe, mas se dissolve diante de escolhas que o corpo não consegue absorver sem consequências.
Neurocirurgião alerta: cigarro aumenta risco de AVC em mulheres jovens
A combinação de cigarro com anticoncepcional eleva dez vezes o risco
Por que o cigarro afeta tanto o sistema vascular cerebral especificamente?
O fumo enfraquece as paredes dos vasos sanguíneos e desestabiliza a pressão arterial. Quando você fuma regularmente, essa pressão aumentada constantemente pode romper estruturas frágeis no cérebro — aneurismas, malformações arteriovenosas — ou desencadear hemorragias.
E por que a combinação com anticoncepcionais é tão perigosa?
Os anticoncepcionais já aumentam ligeiramente o risco de coágulos. Quando você adiciona o cigarro, que danifica os vasos, o risco sobe dez vezes. É uma multiplicação, não uma soma.
Mulheres jovens realmente não percebem esse risco?
Não. A maioria pensa em AVC como algo que acontece com avós. Mas estamos vendo mulheres na casa dos 20 e 30 anos chegando com tromboses cerebrais. Muitas vezes é fatal.
O estrogênio oferece proteção real?
Oferece. Uma mulher saudável tem quatro vezes menos chances de problemas cerebrovasculares que um homem. Mas essa proteção desaparece se ela tiver diabetes, hipertensão ou colesterol alto.
E o uso de hormônios em academias? Isso é realmente um problema crescente?
Sim. Vemos uso indiscriminado de testosterona. Combinado com cigarro e anticoncepcionais, cria um cenário muito perigoso para trombose arterial cerebral.
Qual é a mensagem mais importante que você quer que as mulheres entendam?
Que essa combinação não é sem risco. Se você fuma e toma anticoncepcional, você está elevando dramaticamente suas chances de algo muito grave. Parar de fumar é a mudança mais importante que pode fazer.
El Pulso
- Mulheres jovens que fumam e usam anticoncepcionais têm risco até dez vezes maior de AVC — um número que deveria reconfigurar a percepção de quem se considera fora de perigo.
- O uso indiscriminado de testosterona e outros hormônios em academias está sendo associado a tromboses em artérias cerebrais com desfechos frequentemente fatais.
- O cigarro age silenciosamente: fragiliza vasos, eleva a pressão arterial e pode desencadear aneurismas ou hemorragias cerebrais antes que qualquer sintoma seja percebido.
- A proteção hormonal natural das mulheres em idade fértil desaparece completamente diante de comorbidades como diabetes e hipertensão — eliminando uma vantagem que muitas desconhecem ter.
- Neurocirurgiões alertam que o perfil do paciente com AVC está mudando, mas a percepção pública ainda associa a doença exclusivamente à velhice, criando um perigoso ponto cego.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a medicina neurológica lança um alerta que desafia a crença de que o AVC é destino apenas dos mais velhos: mulheres jovens que fumam e combinam esse hábito com anticoncepcionais ou hormônios enfrentam um risco até dez vezes maior de sofrer complicações cerebrovasculares graves. O neurocirurgião Feres Chaddad, da Unifesp, observa uma mudança silenciosa no perfil dos pacientes — e o silêncio, aqui, pode custar vidas. A proteção natural que o estrogênio oferece existe, mas se dissolve diante de escolhas que o corpo não consegue absorver sem consequências.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, um alerta vem ganhando força nos consultórios de neurologia brasileiros: mulheres jovens que fumam estão enfrentando riscos cerebrovasculares muito maiores do que imaginam. Feres Chaddad, chefe da Neurocirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, tem observado uma mudança preocupante no perfil dos pacientes com complicações graves — e o cigarro está no centro dessa transformação.
O tabagismo enfraquece as paredes dos vasos sanguíneos e interfere na pressão arterial, criando condições para o rompimento de malformações arteriovenosas, aneurismas e AVCs hemorrágicos. Mas o risco se multiplica quando o cigarro se combina com anticoncepcionais — a chance de complicações vasculares pode ser dez vezes maior. Pior ainda é a adição de hormônios usados sem orientação médica em academias, especialmente testosterona. Chaddad relata ter atendido muitos casos de tromboses em artérias cerebrais com desfechos fatais nesse grupo.
Há uma proteção natural: o estrogênio oferece às mulheres em idade fértil uma vantagem significativa sobre os homens na prevenção de doenças cerebrovasculares. Essa vantagem, porém, desaparece completamente diante de comorbidades como diabetes, hipertensão ou dislipidemia — e se dissolve ainda mais rápido quando somada ao tabagismo e ao uso de hormônios.
O que torna o cenário especialmente preocupante é a percepção equivocada de que AVC é doença de idosos. Mulheres jovens raramente se enxergam como população de risco. Chaddad é direto: combinar cigarro com anticoncepcionais ou hormônios não é uma escolha neutra. Para esse grupo, essa combinação pode representar a fronteira entre uma vida saudável e uma complicação neurológica irreversível.
Na sexta-feira que marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo, um alerta vem ganhando urgência nos consultórios de neurologia: mulheres jovens que fumam estão enfrentando um risco dramaticamente elevado de sofrer um acidente vascular cerebral. O aviso vem de Feres Chaddad, chefe da Neurocirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que tem observado uma mudança preocupante no perfil dos pacientes que chegam com complicações cerebrovasculares.
O cigarro danifica o corpo de formas que muitos fumantes não percebem. Ele enfraquece as paredes dos vasos sanguíneos e interfere diretamente na frequência cardíaca e na pressão arterial. Esse aumento constante da pressão pode desencadear o rompimento de malformações arteriovenosas cerebrais, provocar aneurismas ou levar a um acidente vascular cerebral hemorrágico — quando um vaso se rompe e causa uma hemorragia dentro do crânio. Existem dois tipos principais de AVC: o isquêmico, que representa cerca de 80% dos casos e ocorre quando um vaso sanguíneo fica entupido, provocando um infarto cerebral, e o hemorrágico, responsável pelos 20% restantes.
Mas o problema se intensifica quando o cigarro se combina com outros fatores. Mulheres jovens que fumam e usam anticoncepcionais enfrentam um risco dez vezes maior de desenvolver complicações vasculares. Chaddad observa que esse cenário se agrava ainda mais com o uso indiscriminado de hormônios em academias, particularmente testosterona. Ele relata ter visto muitos casos de tromboses em artérias cerebrais, frequentemente com desfechos fatais. A combinação desses elementos — tabagismo, anticoncepcionais e hormônios — cria uma tempestade perfeita para o sistema vascular.
Outros fatores também contribuem para o crescimento de AVCs em pessoas cada vez mais jovens. Malformações cardíacas, como a persistência do forame oval, aumentam a vulnerabilidade. O uso descontrolado de substâncias em academias amplifica ainda mais o risco. Chaddad enfatiza que o tabagismo sozinho reduz a expectativa de vida em média dez anos, uma perda significativa que se soma aos riscos imediatos de complicações neurológicas.
Há, porém, uma proteção natural que as mulheres possuem durante seus anos reprodutivos. O estrogênio oferece um efeito protetor que deixa uma mulher saudável, sem outras doenças, com quatro vezes menos chances de desenvolver problemas cerebrovasculares ou cardiovasculares em comparação com um homem da mesma idade. Essa vantagem se estende do período fértil até a menopausa. Mas essa proteção desaparece rapidamente na presença de comorbidades. Diabetes, hipertensão, dislipidemia ou triglicerídeos elevados eliminam completamente essa escudo natural e aumentam a vulnerabilidade a doenças cerebrovasculares.
O que torna esse alerta particularmente urgente é que muitas mulheres jovens não se veem como população de risco para AVC. A percepção comum é que acidentes vasculares cerebrais são problemas de pessoas idosas. Mas os consultórios de neurocirurgia estão vendo uma mudança real nesse padrão, especialmente entre aquelas que combinam múltiplos fatores de risco. A mensagem de Chaddad é clara: a combinação de cigarro com anticoncepcionais ou hormônios não é uma escolha sem consequências. Para mulheres jovens, essa combinação pode ser a diferença entre uma vida plena e uma complicação neurológica grave.
Citas Notables
A combinação desses fatores, principalmente em mulheres dessa faixa etária, eleva o risco de AVC. Temos visto muitos casos de tromboses em artérias, especialmente na circulação cerebral, muitas vezes com desfecho fatal.— Feres Chaddad, chefe da Neurocirurgia Vascular da EPM/UNIFESP