O julgamento sobre investigação contra Moraes foi suspenso, mas a crise mantém-se em evidência como tema estratégico para a campanha de Flávio. Pesquisa Quaest mostra Flávio numericamente à frente de Lula em simulação de segundo turno, com confiança no STF caindo para 56% de desconfiança.
Flávio explora crise no STF e imagem de Moraes para desgastar Lula na reta final
A maioria do Supremo tem obrigação de autorizar investigação contra ele
Por que Flávio está tão focado em Moraes agora, na reta final? Não seria mais direto atacar Lula nos temas que afetam o dia a dia das pessoas?
Ele está fazendo os dois. Mas Moraes é especial porque permite conectar Lula a uma crise institucional que está afetando a confiança das pessoas no Supremo. É um ataque que funciona em dois níveis—institucional e emocional.
Mas espera. A pesquisa mostra que 30% dos eleitores de Lula também não confiam no STF. Isso significa que o ataque a Moraes não é exclusivamente prejudicial a Lula. Pode estar afetando a confiança nas instituições em geral, não apenas na campanha do presidente.
Então o risco é que Flávio desgaste o Supremo sem necessariamente ganhar votos?
Sim, é um risco. Mas a campanha acredita que, ao associar Moraes especificamente a Lula, consegue converter desconfiança institucional em voto contra o presidente. E os números mostram que está funcionando—Flávio apareceu à frente de Lula pela primeira vez.
Primeira vez em uma simulação de segundo turno, em um empate técnico. A margem de erro é de dois pontos. Não sabemos se isso é movimento real ou flutuação normal. E não sabemos ainda como os eleitores vão reagir se o julgamento finalmente acontecer.
Qual é o melhor cenário para Flávio agora?
Que o julgamento fique suspenso o máximo possível. Quanto mais tempo a crise ficar em evidência sem resolução, mais tempo ele tem para associar Moraes a Lula.
E o pior cenário?
Que o Supremo vote rápido e absolva Moraes, ou que o julgamento desapareça das manchetes. Aí Flávio perde o tema.
A campanha dele está realmente confiante de que pode vencer no primeiro turno?
Alguns aliados estão cogitando isso, segundo a reportagem. Mas a orientação oficial é manter o foco em temas econômicos também. Não é só Moraes.
Importante notar que a pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação. Não há conflito de interesse óbvio, mas é bom saber quem pagou pelo levantamento.
Der Puls
- Julgamento sobre Moraes suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, com placar em 4 a 3
- Pesquisa Quaest mostra Flávio com 42% contra 40% de Lula em simulação de segundo turno
- Desconfiança no STF sobe para 56%, maior índice desde dezembro de 2022
- Entre apoiadores de Flávio, desconfiança no Supremo atinge 69%
O julgamento sobre investigação contra Moraes foi suspenso, mas a crise mantém-se em evidência como tema estratégico para a campanha de Flávio. Pesquisa Quaest mostra Flávio numericamente à frente de Lula em simulação de segundo turno, com confiança no STF caindo para 56% de desconfiança.
Flávio Bolsonaro aproveita a crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no STF para criticar o presidente Lula na reta final do primeiro turno, associando a imagem do ministro ao governo petista.
O julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre Alexandre de Moraes terminou na terça-feira sem resolução, mas a suspensão deixou exatamente o que a campanha de Flávio Bolsonaro desejava: uma crise institucional em evidência, pronta para ser explorada nas semanas finais antes do primeiro turno. Quando Flávio Dino pediu vista dos autos, o placar estava em 4 a 3 sobre uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes, que havia proposto analisar os casos de Moraes e André Mendonça em conjunto. O pedido de vista pode durar até 90 dias. Nenhuma votação sobre o mérito de uma investigação contra o ministro ocorreu, mas dentro do PL, a avaliação é clara: a crise continua servindo aos propósitos eleitorais.
Na campanha de Flávio, o clima é de euforia. Grupos de WhatsApp entre aliados descrevem um ambiente de festa, com alguns chegando a cogitar vitória no primeiro turno. Assessores ouvidos pela reportagem explicam que o cenário ideal seria a abertura de uma investigação contra Moraes, o que prolongaria seu desgaste e sua associação política com Lula. Mesmo sem esse resultado, a avaliação interna é de que a imagem do ministro já sofreu dano suficiente para produzir efeitos na disputa. A estratégia agora é manter viva a ligação entre Moraes e o presidente nas próximas semanas. Ao comentar o julgamento, Flávio chamou a sessão de "uma das mais importantes dos últimos anos do Brasil" e declarou esperar que o Supremo autorizasse investigações contra o ministro, afirmando que "a maioria do Supremo do Plenário" tinha a obrigação de fazê-lo.
A campanha já começou a apresentar Moraes ao lado de Lula como símbolo de um governo que dividiu poder com parte da Corte. Em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido no horário eleitoral gratuito, Flávio acusou o governo de ter criado um desequilíbrio institucional ao "governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei". A mensagem é que uma reeleição de Lula significaria continuidade dessa configuração. Mas a orientação interna é não deixar que a crise no STF monopolize a comunicação. A equipe de Flávio pretende combinar o discurso institucional com temas econômicos, especialmente custo de vida, e ampliar conteúdos sobre mulheres e segurança pública. Rogério Marinho, coordenador da campanha, resumiu a estratégia: "Como é que você pode ter um Judiciário em que a população majoritariamente não confia no tribunal?".
O timing da crise coincidiu com uma pesquisa Quaest que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula em simulação de segundo turno pela primeira vez. O levantamento, divulgado na segunda-feira, apontou Flávio com 42% das intenções de voto contra 40% do presidente. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro de dois pontos percentuais—configurando empate técnico—marca um movimento. Na rodada anterior, ambos tinham 41%. A pesquisa também capturou uma mudança significativa na percepção do Supremo. Cinquenta e seis por cento dos entrevistados afirmam não confiar na Corte, um salto de dez pontos percentuais em relação a agosto, quando era 46%, e o maior índice desde dezembro de 2022. Outros 30% dizem confiar pouco, enquanto apenas 9% afirmam muita confiança.
A desconfiança varia conforme o eleitorado. Entre independentes, chega a 65%, contra 50% na pesquisa anterior. Entre apoiadores de Flávio, atinge 69%. Já entre eleitores que apoiam Lula, 30% dizem não confiar no Supremo. A pesquisa também perguntou sobre o caso do Banco Master. Para 46% dos entrevistados, o episódio afeta negativamente todos os Poderes. Dezessete por cento apontam o STF como o principal atingido—um salto dramático em relação a julho, quando apenas 5% atribuíam à Corte o maior impacto negativo. A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.
O que Flávio e sua campanha reconhecem é que a crise no Supremo criou um ambiente favorável. Não é apenas que Moraes tenha perdido confiança pública—é que essa perda está sendo ligada, na narrativa eleitoral, ao governo Lula. A suspensão do julgamento, longe de encerrar o assunto, o mantém vivo e disponível para exploração. Nos próximos meses, enquanto o STF não retoma a votação, Flávio seguirá associando a imagem do ministro ao presidente, oferecendo aos eleitores uma escolha entre continuidade dessa configuração institucional ou mudança. A estratégia combina crítica institucional com promessas sobre economia e segurança, mas o fio que une tudo é a ideia de que o Supremo, sob influência de Moraes, tornou-se um instrumento do poder executivo—e que apenas uma mudança de governo pode restaurar o equilíbrio.
Bemerkenswerte Zitate
O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei.— Flávio Bolsonaro, em vídeo de campanha
Como é que você pode ter um Judiciário em que a população majoritariamente não confia no tribunal?— Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio