Flávio explora crise no STF e imagem de Moraes para desgastar Lula na reta final

A maioria do Supremo tem obrigação de autorizar investigação contra ele
Flávio Bolsonaro comentando o julgamento suspenso sobre Alexandre de Moraes, sinalizando que a crise institucional permanecerá como tema de campanha.
Mark

Por que Flávio está tão focado em Moraes agora, na reta final? Não seria mais direto atacar Lula nos temas que afetam o dia a dia das pessoas?

Mimi

Ele está fazendo os dois. Mas Moraes é especial porque permite conectar Lula a uma crise institucional que está afetando a confiança das pessoas no Supremo. É um ataque que funciona em dois níveis—institucional e emocional.

Luke

Mas espera. A pesquisa mostra que 30% dos eleitores de Lula também não confiam no STF. Isso significa que o ataque a Moraes não é exclusivamente prejudicial a Lula. Pode estar afetando a confiança nas instituições em geral, não apenas na campanha do presidente.

Mark

Então o risco é que Flávio desgaste o Supremo sem necessariamente ganhar votos?

Mimi

Sim, é um risco. Mas a campanha acredita que, ao associar Moraes especificamente a Lula, consegue converter desconfiança institucional em voto contra o presidente. E os números mostram que está funcionando—Flávio apareceu à frente de Lula pela primeira vez.

Luke

Primeira vez em uma simulação de segundo turno, em um empate técnico. A margem de erro é de dois pontos. Não sabemos se isso é movimento real ou flutuação normal. E não sabemos ainda como os eleitores vão reagir se o julgamento finalmente acontecer.

Mark

Qual é o melhor cenário para Flávio agora?

Mimi

Que o julgamento fique suspenso o máximo possível. Quanto mais tempo a crise ficar em evidência sem resolução, mais tempo ele tem para associar Moraes a Lula.

Luke

E o pior cenário?

Mimi

Que o Supremo vote rápido e absolva Moraes, ou que o julgamento desapareça das manchetes. Aí Flávio perde o tema.

Mark

A campanha dele está realmente confiante de que pode vencer no primeiro turno?

Mimi

Alguns aliados estão cogitando isso, segundo a reportagem. Mas a orientação oficial é manter o foco em temas econômicos também. Não é só Moraes.

Luke

Importante notar que a pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação. Não há conflito de interesse óbvio, mas é bom saber quem pagou pelo levantamento.

  • Julgamento sobre Moraes suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, com placar em 4 a 3
  • Pesquisa Quaest mostra Flávio com 42% contra 40% de Lula em simulação de segundo turno
  • Desconfiança no STF sobe para 56%, maior índice desde dezembro de 2022
  • Entre apoiadores de Flávio, desconfiança no Supremo atinge 69%

O julgamento sobre investigação contra Moraes foi suspenso, mas a crise mantém-se em evidência como tema estratégico para a campanha de Flávio. Pesquisa Quaest mostra Flávio numericamente à frente de Lula em simulação de segundo turno, com confiança no STF caindo para 56% de desconfiança.

Flávio Bolsonaro aproveita a crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no STF para criticar o presidente Lula na reta final do primeiro turno, associando a imagem do ministro ao governo petista.

O julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre Alexandre de Moraes terminou na terça-feira sem resolução, mas a suspensão deixou exatamente o que a campanha de Flávio Bolsonaro desejava: uma crise institucional em evidência, pronta para ser explorada nas semanas finais antes do primeiro turno. Quando Flávio Dino pediu vista dos autos, o placar estava em 4 a 3 sobre uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes, que havia proposto analisar os casos de Moraes e André Mendonça em conjunto. O pedido de vista pode durar até 90 dias. Nenhuma votação sobre o mérito de uma investigação contra o ministro ocorreu, mas dentro do PL, a avaliação é clara: a crise continua servindo aos propósitos eleitorais.

Na campanha de Flávio, o clima é de euforia. Grupos de WhatsApp entre aliados descrevem um ambiente de festa, com alguns chegando a cogitar vitória no primeiro turno. Assessores ouvidos pela reportagem explicam que o cenário ideal seria a abertura de uma investigação contra Moraes, o que prolongaria seu desgaste e sua associação política com Lula. Mesmo sem esse resultado, a avaliação interna é de que a imagem do ministro já sofreu dano suficiente para produzir efeitos na disputa. A estratégia agora é manter viva a ligação entre Moraes e o presidente nas próximas semanas. Ao comentar o julgamento, Flávio chamou a sessão de "uma das mais importantes dos últimos anos do Brasil" e declarou esperar que o Supremo autorizasse investigações contra o ministro, afirmando que "a maioria do Supremo do Plenário" tinha a obrigação de fazê-lo.

A campanha já começou a apresentar Moraes ao lado de Lula como símbolo de um governo que dividiu poder com parte da Corte. Em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido no horário eleitoral gratuito, Flávio acusou o governo de ter criado um desequilíbrio institucional ao "governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei". A mensagem é que uma reeleição de Lula significaria continuidade dessa configuração. Mas a orientação interna é não deixar que a crise no STF monopolize a comunicação. A equipe de Flávio pretende combinar o discurso institucional com temas econômicos, especialmente custo de vida, e ampliar conteúdos sobre mulheres e segurança pública. Rogério Marinho, coordenador da campanha, resumiu a estratégia: "Como é que você pode ter um Judiciário em que a população majoritariamente não confia no tribunal?".

O timing da crise coincidiu com uma pesquisa Quaest que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula em simulação de segundo turno pela primeira vez. O levantamento, divulgado na segunda-feira, apontou Flávio com 42% das intenções de voto contra 40% do presidente. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro de dois pontos percentuais—configurando empate técnico—marca um movimento. Na rodada anterior, ambos tinham 41%. A pesquisa também capturou uma mudança significativa na percepção do Supremo. Cinquenta e seis por cento dos entrevistados afirmam não confiar na Corte, um salto de dez pontos percentuais em relação a agosto, quando era 46%, e o maior índice desde dezembro de 2022. Outros 30% dizem confiar pouco, enquanto apenas 9% afirmam muita confiança.

A desconfiança varia conforme o eleitorado. Entre independentes, chega a 65%, contra 50% na pesquisa anterior. Entre apoiadores de Flávio, atinge 69%. Já entre eleitores que apoiam Lula, 30% dizem não confiar no Supremo. A pesquisa também perguntou sobre o caso do Banco Master. Para 46% dos entrevistados, o episódio afeta negativamente todos os Poderes. Dezessete por cento apontam o STF como o principal atingido—um salto dramático em relação a julho, quando apenas 5% atribuíam à Corte o maior impacto negativo. A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.

O que Flávio e sua campanha reconhecem é que a crise no Supremo criou um ambiente favorável. Não é apenas que Moraes tenha perdido confiança pública—é que essa perda está sendo ligada, na narrativa eleitoral, ao governo Lula. A suspensão do julgamento, longe de encerrar o assunto, o mantém vivo e disponível para exploração. Nos próximos meses, enquanto o STF não retoma a votação, Flávio seguirá associando a imagem do ministro ao presidente, oferecendo aos eleitores uma escolha entre continuidade dessa configuração institucional ou mudança. A estratégia combina crítica institucional com promessas sobre economia e segurança, mas o fio que une tudo é a ideia de que o Supremo, sob influência de Moraes, tornou-se um instrumento do poder executivo—e que apenas uma mudança de governo pode restaurar o equilíbrio.

O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei.
— Flávio Bolsonaro, em vídeo de campanha
Como é que você pode ter um Judiciário em que a população majoritariamente não confia no tribunal?
— Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio
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