FDA aprova tratamento experimental com anticorpos contra Covid-19

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.255.803 mortos em mais de 50,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, com cerca de 1 em cada 5 mortes nos EUA.
O primeiro medicamento criado especificamente para o novo coronavírus
O bamlanivimab da Eli Lilly diferencia-se de outros tratamentos por ter sido desenvolvido do zero para a Covid-19.
Mark

Porque é que esta aprovação é diferente das outras autorizações de medicamentos contra a Covid-19?

Mimi

Porque o bamlanivimab foi criado especificamente para este vírus. O remdesivir e a dexametasona já existiam para outras doenças e depois descobriram-se úteis contra a Covid. Este é o primeiro feito do zero.

Luke

Mas os dados de eficácia eram limitados, certo? Como é que a FDA justificou isso?

Mimi

Considerou que o risco de efeitos secundários graves era baixo e que os benefícios potenciais superavam os riscos. Era uma autorização de emergência, temporária.

Mark

E quem podia receber este tratamento?

Mimi

Apenas pessoas com sintomas leves ou moderados, maiores de 12 anos, com peso mínimo de 40 quilogramas e risco elevado de evoluir para forma severa. Excluíram os já hospitalizados.

Luke

Isso é uma limitação importante. Nos ensaios clínicos, quantas pessoas participaram?

Mimi

465 adultos não hospitalizados. E o medicamento reduziu a necessidade de internamento nos 28 dias seguintes.

Mark

Uma injeção única?

Mimi

Sim, uma administração intravenosa. Funciona bloqueando os picos do vírus.

Luke

Mas só funciona no início da infecção, não é?

Mimi

Exatamente. Numa fase posterior, quando o sistema imunitário já está a atacar os próprios órgãos, o medicamento não ajuda.

Mark

Isto muda o jogo enquanto esperam pela vacina?

Mimi

É mais uma ferramenta. Mas os cientistas dizem que nenhuma vacina estará pronta antes do final do ano ou mesmo no próximo ano.

Luke

Portanto, este tratamento é um ganho real mas limitado — funciona cedo, em casos específicos, e ainda há muito caminho até à vacina.

Mimi

Isso resume bem. É um passo, não a solução.

  • Com mais de 50 milhões de infetados e uma em cada cinco mortes globais a ocorrer nos EUA, a pressão para encontrar tratamentos eficazes era imensa e crescente.
  • O bamlanivimab surge como o primeiro medicamento criado especificamente contra a Covid-19, quebrando o padrão de adaptações de fármacos existentes como o remdesivir e a dexametasona.
  • A FDA concedeu autorização de emergência com base num ensaio clínico de apenas 465 adultos, aceitando dados preliminares diante de um risco considerado justificável pela gravidade da crise.
  • O tratamento tem janela de eficácia estreita — funciona no início da infeção, em doentes com sintomas leves ou moderados e risco elevado de agravamento, excluindo internados e dependentes de oxigénio.
  • Enquanto o bamlanivimab abre uma frente terapêutica, a corrida pelas vacinas prosseguia com 259 projetos em desenvolvimento e os cientistas a alertar que nenhuma estaria pronta antes de 2021.

Em outubro de 2020, enquanto o mundo contabilizava mais de 1,25 milhões de mortes por Covid-19, a agência reguladora norte-americana autorizou em caráter de emergência o bamlanivimab — o primeiro medicamento concebido de raiz para combater o novo coronavírus. Fabricado pela Eli Lilly, o anticorpo sintético representa não uma adaptação de terapias existentes, mas uma resposta criada especificamente para esta doença, sinalizando uma nova fase na relação entre a ciência e a pandemia. A aprovação, assente em dados ainda limitados mas considerados suficientes diante da urgência, chega num momento em que a humanidade aguarda vacinas e procura, no intervalo, formas de proteger os mais vulneráveis.

Em outubro de 2020, a FDA autorizou em regime de emergência o bamlanivimab, fabricado pela Eli Lilly — o primeiro medicamento desenvolvido de raiz para combater o novo coronavírus. Ao contrário do remdesivir ou da dexametasona, adaptados de outras doenças, este era uma molécula inteiramente nova. A autorização chegou pouco mais de um mês após o pedido formal da empresa.

O tratamento destina-se a adultos e jovens acima dos 12 anos, com pelo menos 40 quilogramas, que apresentem sintomas leves ou moderados e risco elevado de agravamento. Pacientes já hospitalizados ou dependentes de oxigénio ficaram excluídos. A decisão baseou-se em ensaios com 465 adultos não hospitalizados, nos quais o medicamento reduziu significativamente as hospitalizações nos 28 dias seguintes à administração.

O bamlanivimab é um anticorpo sintético administrado numa única injeção intravenosa. Imita a resposta imunológica natural, bloqueando as estruturas de pico do vírus que lhe permitem penetrar nas células humanas. A sua eficácia é máxima no início da infeção; numa fase avançada, quando o perigo já é a reação excessiva do próprio sistema imunitário, o tratamento perde utilidade.

A diretora científica da FDA, Denise Hinton, justificou a aprovação acelerada considerando que os benefícios conhecidos e potenciais ultrapassavam os riscos, ainda que os dados científicos fossem limitados. O contexto incluía o tratamento recebido pelo Presidente Trump — um coquetel de anticorpos da Regeneron — e uma corrida global por vacinas com 259 projetos em desenvolvimento, 10 já em fase III, mas nenhum previsto para antes de 2021.

Naquele momento, a pandemia havia causado pelo menos 1,25 milhões de mortes em mais de 50 milhões de casos. Os EUA lideravam com cerca de 237 mil mortos — uma em cada cinco mortes globais. Portugal registava 2.959 óbitos e 183.420 infetados. O bamlanivimab representava um passo adicional no arsenal terapêutico disponível, enquanto a vacina permanecia o horizonte mais aguardado.

A Agência de Medicamentos dos Estados Unidos aprovou, em outubro de 2020, o primeiro tratamento farmacológico desenvolvido especificamente para combater o novo coronavírus. Diferentemente de outros medicamentos que haviam recebido autorização para uso contra a Covid-19 — como o remdesivir e a dexametasona — este era uma molécula inteiramente nova, criada do zero para esta doença. O medicamento, chamado bamlanivimab e fabricado pela Eli Lilly, recebeu uma autorização de emergência e caráter temporário, pouco mais de um mês após a empresa ter submetido o pedido à FDA.

A aprovação veio com restrições claras. O tratamento destina-se apenas a adultos e crianças maiores de 12 anos, com peso mínimo de 40 quilogramas, que apresentem sintomas leves ou moderados e corram risco elevado de evoluir para uma forma severa da doença ou necessidade de hospitalização. Pacientes já internados em unidades de cuidados intensivos ou dependentes de oxigénio ficaram excluídos do protocolo. A decisão baseou-se em ensaios clínicos realizados com 465 adultos não hospitalizados, nos quais o bamlanivimab demonstrou reduzir significativamente a necessidade de internamento ou recurso a urgências nos 28 dias seguintes à injeção.

O medicamento funciona através de uma única administração intravenosa. Trata-se de um anticorpo sintético — uma cópia fabricada em laboratório do tipo de defesa que o sistema imunitário humano produz naturalmente para combater infecções. Uma vez no corpo, estes anticorpos imitam a resposta imunológica, bloqueando as estruturas de pico do vírus que lhe permitem fixar-se e penetrar nas células humanas. A eficácia é máxima no início da infecção, quando o sistema imunitário ainda consegue controlar o invasor. Numa fase posterior da doença, quando o perigo já não é o vírus em si mas a reação excessiva do próprio sistema imunitário atacando os pulmões e outros órgãos, o tratamento perde utilidade.

A aprovação acelerada da FDA representou um desvio do procedimento habitual. Os dados científicos sobre a eficácia do bamlanivimab ainda eram limitados, mas a agência considerou que, naquele momento, o benefício justificava a dispensa temporária das provas científicas normalmente exigidas. O risco de efeitos secundários graves era considerado reduzido. Denise Hinton, diretora científica da FDA, escreveu na carta de autorização que era razoável considerar que os benefícios conhecidos e potenciais do medicamento ultrapassavam os riscos conhecidos e potenciais. A aprovação permitiria que hospitais e médicos norte-americanos utilizassem o tratamento fora do contexto dos ensaios clínicos, embora sempre sob vigilância controlada para detectar qualquer reação adversa grave.

O contexto da aprovação incluía o tratamento que o Presidente Donald Trump havia recebido em outubro — um coquetel de anticorpos desenvolvido pela Regeneron, que Trump elogiou publicamente após a sua recuperação. Enquanto isso, laboratórios em todo o mundo continuavam numa corrida acelerada para desenvolver vacinas. Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, havia 259 projetos de vacina em desenvolvimento, com 54 já em fase de ensaios clínicos e 10 na fase III — a etapa em que a vacina é inoculada em milhares de voluntários para determinar se previne efectivamente a infecção. Os projetos mais promissores incluíam a parceria entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca, bem como os desenvolvidos pela Pfizer com a BioNTech, pela Moderna, e vários projetos chineses. Os cientistas alertavam que nenhuma vacina estaria pronta antes do final daquele ano ou mesmo durante o ano seguinte.

A pandemia, naquele momento, havia causado pelo menos 1,25 milhões de mortes em mais de 50 milhões de casos de infecção em todo o mundo. Os Estados Unidos eram o país mais afetado, com cerca de 237 mil mortos e quase 10 milhões de casos — aproximadamente uma em cada cinco mortes globais ocorria no território americano. A Índia ocupava o terceiro lugar, com 126.611 óbitos. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde reportava 2.959 mortes e 183.420 infetados desde o início da pandemia, com 391 doentes em unidades de cuidados intensivos e 2.651 internados em enfermaria. A aprovação do bamlanivimab representava um passo adicional no arsenal terapêutico disponível, ainda que os investigadores continuassem focados no desenvolvimento de vacinas como solução de longo prazo.

É razoável considerar que os benefícios conhecidos e potenciais do bamlanivimab ultrapassam os riscos conhecidos e potenciais
— Denise Hinton, diretora científica da FDA
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