O que nasceu como resposta de emergência à pandemia consolida-se agora como norma permanente no sistema de avaliação português. O Ministério da Educação, seguindo orientações do ministro João Costa, formalizou a manutenção das perguntas opcionais nos exames nacionais e provas finais do 9.º ano — um mecanismo que, ao valorizar as melhores respostas dos alunos em vez de penalizar todas as lacunas, reconhece que a aprendizagem humana raramente é uniforme. A crise sanitária, ao forçar uma exceção, acabou por revelar uma possibilidade que o sistema não havia ainda explorado.
Exames nacionais mantêm perguntas opcionais e estrutura pós-pandemia
Valorizar os desempenhos revelados pelos alunos em situação de resposta a provas escritas
Porque é que o Ministério decidiu manter estas perguntas opcionais? Não era suposto ser uma medida temporária?
Era, mas funcionou. A ideia original era compensar os alunos pelos prejuízos do ensino à distância. Três anos depois, perceberam que isto permite valorizar melhor o que os alunos realmente sabem, em vez de os penalizar por não terem tido as mesmas oportunidades de aprendizagem.
Como é que isto muda a forma como um aluno é avaliado?
Muda bastante. Antes, todas as perguntas contavam. Agora, se há 20 perguntas, talvez 14 sejam obrigatórias e o aluno responde às outras seis, mas apenas as três melhores contam. Isto dá margem para tentar, para arriscar, sem medo de falhar tudo.
Isto não torna os exames mais fáceis?
Não é bem assim. As perguntas obrigatórias cobrem competências essenciais. O que muda é que há espaço para demonstrar conhecimento extra, e apenas o melhor conta. É mais justo do que um modelo onde um erro numa pergunta pode derrubar toda a nota.
E quanto à tecnologia? Ouço falar em desmaterialização.
Sim, as provas estão a passar para computador. Este ano começam as provas de aferição em suporte eletrónico em todas as escolas. Até 2024, toda a avaliação externa deve ser digital. É uma mudança grande, mas faz sentido.
Há alguma preocupação com isto? Nem todos os alunos têm a mesma familiaridade com computadores.
É uma questão válida, mas o Ministério está a fazer isto gradualmente, escola por escola. Há tempo para as escolas se prepararem e para os alunos se adaptarem. Não é uma mudança de um dia para o outro.
Le Pouls
- Uma medida pensada para durar meses tornou-se permanente: o modelo de perguntas opcionais, criado para compensar os estragos do ensino à distância, foi agora oficialmente integrado na estrutura dos exames nacionais.
- A tensão entre equidade e rigor está no centro da decisão — nem todos os alunos tiveram as mesmas oportunidades durante a pandemia, e o modelo tenta refletir isso sem abdicar da exigência avaliativa.
- O mecanismo é concreto: numa prova com 20 itens, 14 são obrigatórios e, dos seis restantes, apenas as três melhores respostas contam para a nota final, dando ao aluno margem para demonstrar o que realmente sabe.
- Em paralelo, o Ministério avança com a digitalização das provas, com o objetivo de tornar toda a avaliação externa eletrónica até 2023/2024, acelerando uma transformação que a pandemia já havia precipitado.
O que nasceu como resposta de emergência à pandemia consolida-se agora como norma permanente no sistema de avaliação português. O Ministério da Educação, seguindo orientações do ministro João Costa, formalizou a manutenção das perguntas opcionais nos exames nacionais e provas finais do 9.º ano — um mecanismo que, ao valorizar as melhores respostas dos alunos em vez de penalizar todas as lacunas, reconhece que a aprendizagem humana raramente é uniforme. A crise sanitária, ao forçar uma exceção, acabou por revelar uma possibilidade que o sistema não havia ainda explorado.
O Ministério da Educação decidiu transformar numa regra permanente o que começou como uma medida de exceção. As provas finais do 9.º ano e os exames nacionais continuarão a incluir perguntas opcionais — conjuntos de questões em que apenas as melhores respostas dos alunos entram no cálculo da classificação final. A decisão foi formalizada pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), seguindo orientações do ministro João Costa.
Este modelo surgiu no ano letivo 2019/2020, quando o ensino à distância imposto pela covid-19 criou lacunas profundas nas aprendizagens. A intenção era compensar os prejuízos causados por um contexto sem precedentes. Três anos depois, a tutela concluiu que o mecanismo funciona e merece sobreviver à crise que o originou.
O funcionamento é flexível: numa prova com 20 itens, 14 são obrigatoriamente contabilizados, e dos seis restantes apenas as três melhores respostas entram na nota. Segundo o IAVE, a estrutura permite acomodar diferentes ritmos e percursos de aprendizagem, sem que isso signifique abdicar de exigência. Os itens dividem-se entre obrigatórios — centrados em competências consolidadas ao longo do percurso escolar — e opcionais, onde o aluno pode tentar melhorar a classificação respondendo a mais questões do que o estritamente necessário.
O calendário de 2023 já está definido: os exames do 11.º e 12.º anos decorrem entre 19 de junho e 3 de julho, as provas finais do 9.º ano entre 16 e 23 de junho, e as provas de aferição do ensino básico entre 2 de maio e 20 de junho.
Em simultâneo, o Ministério avança com a desmaterialização da avaliação externa. As provas de aferição passam este ano a formato eletrónico em todas as escolas, e o objetivo é que até 2023/2024 toda a avaliação externa seja digital no ensino básico e em parte do secundário. A pandemia, ao forçar mudanças rápidas, acabou por abrir caminho a transformações que talvez demorassem muito mais tempo a chegar.
O Ministério da Educação decidiu manter uma estrutura de avaliação que nasceu como medida temporária durante a pandemia e agora se consolida como permanente. As provas finais do 9.º ano e os exames nacionais continuarão a incluir conjuntos de perguntas opcionais, onde apenas as melhores respostas dos alunos são contabilizadas para a classificação final. A decisão foi formalizada pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) na quarta-feira, seguindo orientações do ministro João Costa.
Esta abordagem foi introduzida pela primeira vez no ano letivo 2019/2020, quando o ensino à distância imposto pela covid-19 criou lacunas significativas nas aprendizagens dos estudantes. A intenção original era compensar, de alguma forma, os prejuízos causados pelo novo modelo de ensino. Três anos depois, a tutela decidiu que o modelo funciona e merecia ser mantido, transformando uma exceção temporária em regra permanente.
O funcionamento é simples mas flexível. Numa prova com 20 itens, por exemplo, 14 seriam obrigatoriamente contabilizados para a nota final. Os alunos responderiam aos seis itens restantes, mas apenas as três melhores respostas entrariam no cálculo final. Esta estrutura permite, segundo o IAVE, "acomodar diferentes opções de gestão curricular" e, fundamentalmente, valorizar os desempenhos reais que os alunos demonstram quando confrontados com uma prova escrita. Não se trata de facilitar a avaliação, mas de reconhecer que nem todos os alunos têm o mesmo ritmo ou as mesmas oportunidades de aprendizagem.
O documento oficial distingue dois grupos de perguntas. O primeiro é constituído por itens obrigatórios que incidem sobre "competências e conhecimentos desenvolvidos e consolidados ao longo do percurso escolar ou na informação facultada pelos suportes associados ao item". O segundo grupo é formado por "itens cuja contabilização para a classificação final depende da pontuação obtida", ou seja, perguntas onde a resposta não é mandatória, mas onde o aluno pode tentar melhorar a sua nota respondendo a mais questões do que o estritamente necessário.
O calendário para o próximo ano está definido. A primeira fase dos exames nacionais de 11.º e 12.º anos decorre entre 19 de junho e 3 de julho, enquanto as provas finais de 9.º ano acontecem entre 16 e 23 de junho. As provas de aferição do ensino básico, que avaliam alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos, realizam-se entre 2 de maio e 20 de junho.
Paralelamente a esta decisão sobre o conteúdo das provas, o Ministério está a avançar com a desmaterialização da avaliação externa. A partir deste ano, as provas de aferição do ensino básico serão realizadas em suporte eletrónico em todas as escolas, alinhando-se com o modelo já adotado nas provas do 9.º ano, embora estas últimas ainda se façam apenas em alguns estabelecimentos. O objetivo é que até 2023/2024 toda a avaliação externa seja digital em todas as escolas de ensino básico e em algumas do ensino secundário.
A trajetória destas mudanças revela como a pandemia acelerou transformações que talvez tivessem demorado mais tempo a chegar. Nos primeiros dois anos da crise sanitária, apenas os exames do ensino secundário foram realizados, servindo exclusivamente para acesso ao ensino superior. A partir de 2020/2021, as provas finais de ciclo foram retomadas, adotando a mesma estrutura de perguntas opcionais que já vigorava no secundário. Agora, com a pandemia controlada, a decisão é clara: estas mudanças não foram apenas um remendo de emergência, mas uma melhoria que vale a pena preservar.
Citations marquantes
Acomodar diferentes opções de gestão curricular e valorizar os desempenhos revelados pelos alunos em situação de resposta a provas escritas— Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), explicando o objetivo da estrutura