Exame de sangue que detecta mais de 50 tipos de câncer chega ao Brasil

Detectar tumores em momentos mais precoces reduz diagnósticos avançados
Oncologista explica o potencial do Galleri em mudar o cenário de diagnósticos tardios de câncer no Brasil.
Mark

Como exatamente o Galleri consegue identificar 50 tipos diferentes de câncer em uma única amostra de sangue?

Mimi

Ele analisa fragmentos de DNA tumoral que circulam no sangue e padrões de metilação — marcadores químicos que variam conforme o tipo de câncer. Cada tumor deixa uma assinatura molecular distinta, então o teste consegue não só detectar a presença de câncer como também indicar de onde ele provavelmente vem.

Luke

Mas isso depende de haver DNA tumoral circulante suficiente para ser detectado, certo? Tumores muito pequenos ou em estágios muito iniciais podem não liberar DNA o bastante.

Mark

Se o teste der positivo, o que acontece depois?

Mimi

O paciente passa por investigação adicional direcionada ao órgão que o teste apontou como origem. Só depois disso é feito o diagnóstico definitivo com exames de imagem ou biópsia.

Luke

E se der negativo? Isso significa que a pessoa não tem câncer?

Mimi

Não. Um resultado negativo não exclui completamente a presença de câncer no momento atual nem sua ocorrência futura. Por isso o acompanhamento clínico contínuo é essencial.

Mark

Os estudos internacionais mostram que o teste aumenta em 6,5 vezes a detecção de cânceres. Isso é porque o teste é muito sensível ou porque as pessoas que fazem o teste têm mais câncer?

Luke

Ótima pergunta. Os estudos mostram que 71% dos cânceres detectados foram diagnosticados nos estágios iniciais I a III, o que sugere que o teste está encontrando cânceres que de outra forma só seriam descobertos mais tarde. Mas ainda não sabemos se encontrar esses cânceres mais cedo muda o resultado final para o paciente.

Mimi

Esse é o próximo passo da pesquisa — entender se diagnóstico mais precoce realmente melhora a sobrevida.

Mark

Por que o teste custa R$ 7 mil se é apenas uma coleta de sangue?

Mimi

O custo reflete a tecnologia sofisticada de análise genômica envolvida. Mas especialistas esperam que o preço caia nos próximos anos conforme a tecnologia se torna mais comum.

Luke

E enquanto isso, quem não tem R$ 7 mil fica de fora. O teste não está disponível na saúde pública nem nos planos de saúde suplementar.

  • O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, e a maioria ainda é diagnosticada em estágios avançados, quando o tratamento é mais limitado.
  • O Galleri detecta fragmentos de DNA tumoral circulante e padrões de metilação, identificando cânceres silenciosos em pessoas sem sintomas — incluindo tipos como pâncreas e ovário, que frequentemente só se revelam quando já são inoperáveis.
  • Estudos com dezenas de milhares de participantes mostram que o teste aumenta em 6,5 vezes a detecção de cânceres novos e que 71% dos casos identificados estavam nos estágios iniciais I a III.
  • Com custo de R$ 7 mil por exame, o Galleri está fora do alcance da saúde pública e dos planos de saúde, restringindo seu acesso a quem pode pagar do próprio bolso.
  • Especialistas esperam que o preço caia nos próximos anos conforme a tecnologia se populariza, mas o caminho até a democratização do acesso permanece incerto.

No limiar entre a bioquímica e o destino, um exame de sangue chamado Galleri chega ao Brasil com a promessa de revelar o que o corpo ainda não anuncia em sintomas: a presença silenciosa de mais de 50 tipos de câncer. Oferecido pelo Einstein em parceria com o Grupo Fleury, o teste lê assinaturas moleculares no DNA circulante para identificar tumores em estágios precoces — incluindo cânceres do pâncreas, fígado e ovário, para os quais a medicina ainda não dispõe de rastreamento formal. A tecnologia existe, a evidência científica a sustenta, mas o preço de R$ 7 mil ergue, por ora, uma fronteira invisível entre a inovação e a igualdade.

Um exame de sangue capaz de rastrear mais de 50 tipos de câncer ao mesmo tempo acaba de ser disponibilizado no Brasil. Chamado Galleri, o teste é oferecido pelo Hospital Israelita Einstein em parceria com o Grupo Fleury e custa cerca de R$ 7 mil. É indicado para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais como complemento — não substituto — aos exames de rastreamento convencionais.

Ao contrário dos testes genéticos hereditários, que avaliam predisposição futura, o Galleri busca alterações moleculares presentes no momento da coleta. Ele analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação, marcadores que indicam a presença e a provável origem de células cancerígenas. Cada tipo de câncer deixa uma assinatura molecular distinta no sangue, o que permite identificar tumores para os quais não existe rastreamento formal, como os de pâncreas, fígado e ovário. O oncologista Fernando Moura, do Einstein, ressalta que o teste deve funcionar em conjunto com os exames já estabelecidos para mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata.

Os dados que sustentam o Galleri são sólidos. Um estudo publicado no The Lancet em 2023 avaliou mais de 6 mil adultos nos Estados Unidos e demonstrou a viabilidade prática do teste. Uma pesquisa ainda maior, com quase 36 mil participantes nos EUA e Canadá, mostrou que adicionar o Galleri aos exames convencionais aumentou em 6,5 vezes a detecção de cânceres novos — e 71% dos casos identificados estavam nos estágios iniciais I a III, quando as opções de tratamento são mais amplas.

O contexto brasileiro torna a chegada do teste especialmente relevante: o Inca projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, e muitos tumores crescem em silêncio até se tornarem inoperáveis. O câncer de pâncreas é o exemplo mais dramático — frequentemente só manifesta sintomas com icterícia, quando já está avançado demais.

O maior obstáculo, porém, é o preço. A R$ 7 mil por exame, o Galleri está fora do alcance da saúde pública e dos planos de saúde suplementar. Moura reconhece que toda inovação entra no mercado com custo elevado, mas acredita que, com o tempo e a popularização da tecnologia, o valor cairá — aproximando, quem sabe, a promessa da detecção precoce da realidade de mais brasileiros.

Um exame de sangue capaz de rastrear mais de 50 tipos de câncer simultaneamente acaba de chegar ao Brasil. Chamado Galleri, o teste é oferecido pelo Hospital Israelita Einstein em parceria com o Grupo Fleury através da Gênesis Genomics, uma joint venture entre as duas instituições. O procedimento custa aproximadamente R$ 7 mil e é indicado para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais como complemento aos exames de rastreamento convencionais — não como substituto deles.

O Galleri funciona de forma distinta dos testes genéticos hereditários. Enquanto estes avaliam predisposição genética ou risco futuro, o novo teste busca alterações moleculares presentes no corpo no momento exato da coleta. Ele analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação, marcadores químicos naturais que indicam a presença e a provável origem de células cancerígenas. Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, explica que cada tipo de câncer deixa uma assinatura molecular distinta no sangue. O DNA tumoral de um câncer de pâncreas, por exemplo, é diferente do DNA de um câncer de esôfago ou de um mieloma, uma doença hematológica. Essa capacidade de identificação permite que o teste detecte sinais de tumores para os quais atualmente não existem estratégias de rastreamento formal, como pâncreas, fígado e ovário.

O rastreamento de rotina hoje é recomendado apenas para cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. Moura ressalta que o Galleri não deve substituir esses exames estabelecidos, mas funcionar em conjunto com eles. A recomendação atual é que o teste seja realizado uma vez por ano. Se detectar um sinal positivo, o paciente passa por investigação adicional direcionada ao órgão apontado como origem do problema. Um resultado negativo, porém, não exclui completamente a presença de câncer no momento atual nem sua ocorrência futura, o que torna o acompanhamento clínico contínuo essencial.

Os dados internacionais que sustentam o uso do Galleri são robustos. Um estudo publicado na revista The Lancet em 2023 avaliou 6.662 adultos com 50 anos ou mais sem sintomas de câncer em ambiente ambulatorial nos Estados Unidos. Foi o primeiro a demonstrar a viabilidade prática do teste, incluindo sua capacidade de detectar cânceres para os quais não há recomendação de rastreamento de rotina. Um segundo estudo, maior ainda, acompanhou 35.878 participantes nos Estados Unidos e Canadá. Os resultados mostraram que adicionar o Galleri aos exames de rastreamento recomendados aumentou em 6,5 vezes o número de cânceres recém-detectados. Entre os cânceres identificados após um resultado positivo do Galleri, 71% foram diagnosticados nos estágios iniciais I a III, quando as opções de tratamento são mais amplas.

O timing da chegada do Galleri ao Brasil coincide com um crescimento preocupante nos casos de câncer no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 781 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028. Moura aponta que a maioria dos tumores é diagnosticada quando já está instalado e muitos crescem silenciosamente. O câncer de pâncreas, por exemplo, frequentemente só manifesta sintomas quando há icterícia — o amarelamento da pele — momento em que o tumor já está muito avançado e frequentemente inoperável. O benefício do Galleri seria reduzir o número de diagnósticos avançados ao detectar tumores em estágios mais precoces.

O principal obstáculo para a disseminação do teste é seu custo. A R$ 7 mil por exame, o Galleri ainda não está disponível na saúde pública nem nos planos de saúde suplementar, limitando o acesso a pacientes com recursos privados. Moura reconhece que toda tecnologia inovadora em saúde entra no mercado com preço elevado, mas espera que com o tempo isso mude. A expectativa é que nos próximos anos, conforme a tecnologia se torna mais comum, o custo caia significativamente, tornando o teste mais acessível à população em geral.

O Galleri não deve substituir os exames de rastreamento recomendados, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes
— Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein Hospital Israelita
Toda tecnologia que entra em mercado inovador em saúde vem com um preço elevado e com o tempo isso vai caindo
— Fernando Moura
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