Exame de sangue que detecta 50 tipos de câncer chega ao Brasil por R$ 6.990

Um resultado positivo indica um sinal, mas não confirma câncer
O Galleri é um teste de rastreamento que requer investigação adicional para confirmar diagnóstico.
Mark

Como exatamente esse exame consegue detectar câncer apenas analisando sangue?

Mimi

O Galleri procura fragmentos de DNA que as células tumorais liberam naturalmente na circulação. Ele analisa padrões de metilação—alterações químicas que diferenciam o DNA de células cancerígenas do material liberado por células normais. Quando encontra um padrão suspeito, tenta indicar de qual órgão ele provavelmente se originou.

Luke

Mas a capacidade de detecção varia bastante, certo? O estudo mostrou 21% de sensibilidade em tumores estágio 1 e 63% em estágio 4.

Mark

Então um resultado positivo significa que a pessoa tem câncer?

Mimi

Não. É um teste de rastreamento, não diagnóstico. Um resultado positivo indica um sinal suspeito, mas o paciente precisa passar por outros exames para confirmar se existe um tumor.

Luke

E um resultado negativo? Descarta câncer?

Mimi

Também não. Nem todos os tumores liberam a mesma quantidade de DNA, e a capacidade de detecção varia conforme o estágio. Um resultado negativo não exclui completamente a existência de câncer.

Mark

Qual é o grande diferencial desse teste em relação aos exames que já existem?

Mimi

Ele pode rastrear mais de 50 tipos de câncer, incluindo aqueles que não têm exames de rastreamento de rotina, como pâncreas, fígado e ovário. Mas não substitui mamografia, colonoscopia ou papanicolau.

Luke

Os estudos internacionais mostram redução de mortalidade?

Mimi

Não. O NHS-Galleri, o maior estudo, não encontrou redução estatisticamente significativa de cânceres em estágios 3 e 4. Houve redução de 14% em estágio 4 e aumento de detecção em estágios 1 e 2, mas ainda não sabemos se isso melhora a sobrevida.

Mark

Por que o Einstein quer acompanhar os pacientes brasileiros?

Mimi

Porque os estudos foram feitos principalmente em outros países com populações diferentes. O hospital quer gerar evidências locais, já que a população brasileira é mais diversa e miscigenada.

Luke

Isso é importante porque os resultados podem variar conforme a genética da população?

Mimi

Exatamente. Não adianta importar resultados de outros países sem validar na população local.

  • Galleri custa R$ 6.990 e é indicado para maiores de 50 anos sem sintomas
  • Teste analisa fragmentos de DNA no sangue para identificar padrões moleculares de câncer
  • Especificidade de 99,6% em estudos internacionais, mas sensibilidade varia de 21,4% (estágio 1) a 63,2% (estágio 4)
  • Einstein monitorará pacientes brasileiros para gerar evidências locais

O Galleri é uma biópsia líquida que analisa fragmentos de DNA no sangue para identificar padrões moleculares associados ao câncer, podendo indicar o órgão de origem. Estudos internacionais mostram especificidade de 99,6% e capacidade de detecção variável conforme o estágio da doença, mas ainda não comprovam redução de mortalidade.

O Einstein Hospital Israelita começou a oferecer o Galleri, teste de sangue que detecta sinais de mais de 50 tipos de câncer. O exame custa R$ 6.990 e é indicado para maiores de 50 anos sem sintomas.

O Hospital Israelita Einstein começou a oferecer no Brasil o Galleri, um exame de sangue capaz de rastrear sinais moleculares associados a mais de 50 tipos de câncer. O teste, desenvolvido pela empresa norte-americana Grail, é comercializado aqui pela Genesis Genomics, uma joint venture entre o Einstein e o Grupo Fleury, e marca a primeira vez que essa tecnologia chega ao mercado brasileiro.

O custo do exame é de R$ 6.990 e requer solicitação médica, embora o hospital ofereça teleconsulta para interessados sem prescrição prévia. Os planos de saúde não cobrem o procedimento. A coleta acontece nas unidades do Einstein ou Fleury, mas a amostra segue para os Estados Unidos, onde o laboratório da Grail processa o material. O resultado leva aproximadamente um mês para ficar pronto.

O Galleri funciona como uma biópsia líquida. Em vez de extrair um fragmento do tumor, como em uma biópsia convencional, o teste busca no sangue sinais que possam indicar a presença de células cancerígenas. As células do corpo liberam naturalmente pequenos fragmentos de DNA na circulação, e as células tumorais fazem o mesmo. O exame analisa esses fragmentos de DNA livre circulante e procura padrões de metilação—alterações químicas que ajudam a diferenciar o DNA de células cancerígenas do material liberado por células normais. Quando identifica um sinal, o sistema tenta indicar de qual órgão ou tecido ele provavelmente se originou, permitindo direcionar os próximos exames. Porém, o desempenho não é igual para todos os tumores. Alguns tipos de câncer liberam mais DNA tumoral na circulação do que outros. O câncer de pâncreas, por exemplo, tende a liberar mais DNA no sangue do que o câncer de tireoide, conforme explica Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein.

O teste é indicado principalmente para adultos com 50 anos ou mais, sem sintomas sugestivos de câncer—a faixa etária em que a incidência da doença aumenta de forma mais acentuada. Pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco também podem ser consideradas. Gestantes e pacientes em tratamento ativo contra o câncer não devem fazer o exame. A proposta é que o Galleri seja um complemento às estratégias já existentes, especialmente para cânceres que não têm exames de rastreamento de rotina, como os de pâncreas, fígado e ovário. Ele não substitui os métodos já recomendados, como mamografia, colonoscopia e papanicolau.

É fundamental entender que o Galleri é um teste de rastreamento, não um exame diagnóstico. Um resultado positivo indica a presença de um sinal suspeito, mas não confirma que a pessoa tenha câncer. Quando o teste identifica um sinal, o paciente precisa passar por outros exames para verificar se existe um tumor e confirmar o diagnóstico. No caso de um sinal que aponte para o pâncreas, por exemplo, podem ser necessários exames de imagem, endoscopia, colangiorressonância e eventualmente uma biópsia. A lógica é semelhante à de outros exames de rastreamento: uma alteração na mamografia não significa automaticamente que a mulher tenha câncer de mama, mas desencadeia uma investigação. Um resultado negativo também não descarta câncer completamente, já que nem todos os tumores liberam a mesma quantidade de DNA na circulação e a capacidade de detecção varia conforme o estágio da doença. Como ressalta Moura, um resultado negativo "não significa dizer que o indivíduo não venha a ter câncer no futuro", razão pela qual todos os testes de rastreamento já recomendados não devem ser abandonados.

Os principais estudos sobre o Galleri vêm dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. O PATHFINDER avaliou 6.662 pessoas com 50 anos ou mais sem sintomas de câncer. Cerca de 1,4% receberam resultado positivo, e entre eles, 38% tiveram câncer posteriormente confirmado. O teste indicou corretamente a origem provável do tumor em 85% dos casos. O PATHFINDER 2 ampliou a avaliação para 35.878 pessoas nos Estados Unidos e Canadá, acompanhadas por 12 meses. O estudo encontrou especificidade de 99,6%—o teste apresentou resultado negativo para quase todas as pessoas que não tinham câncer. A capacidade de detectar a doença variou conforme o estágio: 21,4% nos tumores em estágio 1 e 63,2% nos em estágio 4. O teste indicou corretamente a provável origem do câncer em 91,3% dos casos. O NHS-Galleri, realizado no Reino Unido com 142.250 pessoas de 50 a 77 anos, buscou responder se adicionar o Galleri ao rastreamento convencional reduziria cânceres diagnosticados nos estágios 3 e 4. O resultado foi negativo—não houve redução estatisticamente significativa. Porém, houve redução de 14% da incidência de câncer em estágio 4 e aumento da detecção de tumores nos estágios 1 e 2.

Ainda não é possível saber se a capacidade do Galleri de identificar sinais de câncer em pessoas sem sintomas se traduz em redução da mortalidade ou aumento da sobrevida, já que esse tipo de benefício só pode ser avaliado depois de anos de acompanhamento. Paulo Campregher, CEO da Genesis, compara a situação com outros exames de rastreamento, como a mamografia: "A demonstração de redução de mortalidade e benefício clínico é coisa para mais de uma década depois que você começa o teste". O Einstein criou um protocolo para acompanhar os pacientes que fizerem o teste. Antes da coleta, eles recebem orientação sobre o significado dos possíveis resultados e assinam um termo de consentimento. Depois do exame, há previsão de retorno médico para discutir o resultado e definir os próximos passos. O hospital também pretende acompanhar esses pacientes e produzir dados sobre o desempenho do teste na população brasileira. Segundo Sidney Klajner, presidente do Einstein, a intenção é gerar evidências locais, já que os estudos atuais foram realizados principalmente em outros países. "Não adianta importarmos resultados que aparecem em outros países, porque nossa população é mais diversa, mais miscigenada. Temos que ter aqui a nossa própria evidência também", afirma Klajner.

Não adianta importarmos resultados que aparecem em outros países, porque nossa população é mais diversa, mais miscigenada. Temos que ter aqui a nossa própria evidência também
— Sidney Klajner, presidente do Einstein
A demonstração de redução de mortalidade e benefício clínico é coisa para mais de uma década depois que você começa o teste
— Paulo Campregher, CEO da Genesis Genomics
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