ESEP lidera projeto europeu sobre impacto das alterações climáticas na saúde mental

Como o calor extremo afeta o cérebro de quem já sofre de doença mental grave
O projeto STRIVE combina exposição ambiental com estudo de mecanismos fisiológicos para compreender vulnerabilidades específicas.
Mark

Porque é que as alterações climáticas e a saúde mental são estudadas juntas? Parecem questões separadas.

Mimi

Não são. O calor extremo causa stress fisiológico no corpo — a temperatura afeta como o cérebro funciona. Para pessoas que já têm doença mental grave, esse stress adicional pode ser devastador.

Luke

Mas o projeto ainda não tem resultados, certo? Estamos a falar de uma proposta aprovada, não de descobertas.

Mimi

Exatamente. Tem cinco anos de investigação pela frente. O que sabemos agora é que a União Europeia acreditou que esta questão é importante o suficiente para financiar com 8,9 milhões de euros.

Mark

E a ESEP — por que é que uma escola de enfermagem portuguesa está envolvida?

Mimi

Porque enfermeiros são profissionais de primeira linha na saúde mental. A instituição já tinha experiência nesta área através de uma rede europeia anterior sobre clima e saúde mental.

Luke

Quantas instituições estão envolvidas?

Mimi

Vinte e cinco, em catorze países. É um esforço verdadeiramente europeu, coordenado desde Amesterdão.

Mark

E o que esperam encontrar?

Mimi

Como o calor afeta especificamente pessoas com doença mental grave — os mecanismos biológicos por trás disso, e depois como protegê-las.

Luke

Isso significa que atualmente não sabemos muito sobre isto?

Mimi

Não com o detalhe que precisamos. Sabemos que o calor é stressante. Mas compreender os mecanismos neurobiológicos específicos, e como desenvolvemos adaptações que funcionem — isso é novo.

  • As ondas de calor tornam-se mais frequentes e intensas na Europa, mas os seus efeitos sobre a saúde mental — sobretudo em pessoas com doença mental grave — permanecem largamente desconhecidos e subestimados.
  • De 119 candidaturas submetidas ao Horizonte Europa, apenas três foram aprovadas para investigar alterações climáticas e saúde; o STRIVE obteve a pontuação máxima de 15 em 15, sinalizando a urgência e a qualidade da proposta.
  • O projeto não se limita a registar correlações: combina medição ambiental, análise de mecanismos fisiológicos e neurobiológicos, e estudo de dados de saúde em larga escala para revelar vulnerabilidades específicas.
  • Portugal entra nesta rede científica internacional através do docente Francisco Sampaio, da ESEP, cuja participação resulta de trabalho prévio na rede europeia COST sobre clima e saúde mental.
  • Ao longo de cinco anos, a equipa desenvolverá e testará intervenções concretas de adaptação ao calor, avaliadas pela eficácia, custo-efetividade e implicações éticas, com vista à sua tradução em políticas públicas europeias.

À medida que o planeta aquece, a ciência volta o olhar para uma dimensão menos visível da crise climática: o impacto do calor extremo sobre a mente humana. O projeto STRIVE, financiado pela União Europeia com 8,9 milhões de euros e reunindo 25 instituições de 14 países, propõe-se a compreender como as temperaturas crescentes afetam especialmente aqueles que já carregam o peso de uma doença mental grave. Portugal participa através da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, numa iniciativa que aspira a transformar conhecimento científico em políticas públicas capazes de proteger os mais vulneráveis.

A Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto passou a integrar uma das iniciativas científicas mais ambiciosas da Europa na área da saúde mental e clima. O projeto STRIVE, financiado pelo Horizonte Europa com 8,9 milhões de euros, foi selecionado entre apenas três propostas aprovadas de um universo de 119 candidaturas, tendo obtido a pontuação máxima possível. Liderado pelo Amsterdam University Medical Center, reúne 25 instituições de 14 países num esforço coordenado com duração de cinco anos.

O nome completo do projeto — "Stressors, Thermoregulation and Resilience: an Integrated approach to the Vulnerability and Epidemiology of mental illness amid rising global temperatures" — revela a sua ambição: compreender, de forma integrada, como o aumento das temperaturas afeta o cérebro e o comportamento, com especial atenção às pessoas com doença mental grave. Estas populações podem ser particularmente sensíveis ao calor extremo e ter menor capacidade de adaptação ou de procura de ajuda.

O que distingue o STRIVE é a sua abordagem multidimensional. Em vez de se limitar a observar correlações, a investigação combina a medição da exposição ambiental com o estudo dos mecanismos fisiológicos e neurobiológicos subjacentes, cruzando esses dados com análises de saúde em larga escala. Os avaliadores destacaram a clareza dos objetivos, a solidez metodológica e a qualidade do consórcio como fatores decisivos na aprovação.

A participação portuguesa é assegurada pelo docente Francisco Sampaio, cuja ligação ao projeto decorre do trabalho anterior da ESEP na rede europeia COST dedicada aos impactos climáticos na saúde mental. Os resultados da investigação não ficarão confinados à academia: a equipa prevê desenvolver medidas concretas de adaptação ao calor, testá-las quanto à eficácia e custo-efetividade, e traduzi-las em políticas públicas aplicáveis em toda a Europa.

A Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto conquistou um lugar numa das iniciativas científicas mais ambiciosas da Europa para estudar como o calor extremo afeta a saúde mental. O projeto STRIVE, financiado pelo programa Horizonte Europa da União Europeia, recebeu a pontuação máxima possível — 15 em 15 — e foi uma das apenas três propostas aprovadas entre 119 candidaturas submetidas para investigar o impacto das alterações climáticas na saúde.

O projeto, cujo nome completo é "Stressors, Thermoregulation and Resilience: an Integrated approach to the Vulnerability and Epidemiology of mental illness amid rising global temperatures", representa um esforço coordenado de 25 instituições espalhadas por 14 países. O Amsterdam University Medical Center, nos Países Baixos, lidera a iniciativa, que conta com um orçamento global de 8,9 milhões de euros e uma duração prevista de cinco anos. A ESEP participa através do docente Francisco Sampaio, cuja presença no projeto resulta do trabalho anterior da instituição na rede europeia COST dedicada aos impactos das alterações climáticas na saúde mental.

O que distingue o STRIVE é a sua abordagem integrada. A investigação não se limita a observar correlações entre temperatura e saúde mental. Em vez disso, combina a medição da exposição ambiental com o estudo dos mecanismos fisiológicos e neurobiológicos que explicam como o calor afeta o cérebro e o comportamento. Os investigadores analisarão também dados de saúde em larga escala, procurando padrões que revelem vulnerabilidades específicas.

O foco particular do projeto incide sobre pessoas com doença mental grave — aquelas que já enfrentam desafios significativos na sua saúde psicológica e que podem ser especialmente sensíveis aos efeitos adversos do calor extremo. Compreender esta relação é crucial, porque as ondas de calor estão a tornar-se mais frequentes e intensas em toda a Europa, e as pessoas com condições mentais pré-existentes podem ter menos capacidade de se adaptarem ou de procurarem ajuda.

Os peritos que avaliaram a proposta destacaram três aspetos que a tornaram particularmente convincente: a clareza e pertinência dos objetivos científicos, a solidez da metodologia proposta, e a qualidade do consórcio internacional reunido. Estes critérios rigorosos explicam por que razão apenas três projetos foram selecionados de um conjunto tão competitivo.

O trabalho que se aproxima não é apenas teórico. Com base nos resultados da investigação, a equipa prevê desenvolver e testar medidas concretas de adaptação ao calor — intervenções que possam proteger pessoas com doença mental grave durante períodos de temperaturas elevadas. Estas medidas serão avaliadas não apenas pela sua eficácia, mas também pela sua relação custo-efetividade e pelas suas implicações éticas. O objetivo final é traduzir o conhecimento científico em políticas públicas de saúde que possam ser implementadas em toda a Europa.

O projeto insere-se num tópico mais amplo do Horizonte Europa dedicado a reforçar o conhecimento europeu sobre os impactos das alterações climáticas na saúde. À medida que as temperaturas globais continuam a subir, compreender como estas mudanças afetam a saúde mental — e particularmente as populações mais vulneráveis — tornou-se uma prioridade científica e política. O STRIVE representa um passo significativo nessa direção.

Os peritos destacaram a clareza e pertinência dos objetivos, a solidez da metodologia e a qualidade do consórcio internacional
— Avaliadores do Horizonte Europa
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