Entregadores filmam e acusam de roubo antes de linchamento fatal em Copacabana

Cláudio Rafael Landeiro, 37 anos, foi espancado até a morte por entregadores e seguranças em Copacabana após ser acusado injustamente de roubo de bicicleta.
Ladrão aí, ó. Nós vai matar, mano
Entregadores filmam e ameaçam Cláudio Rafael segundos antes de iniciar o espancamento que o mataria.
Mark

Como é que uma acusação de roubo de bicicleta termina em morte?

Mimi

Porque ninguém parou para verificar. Rafael entrou em uma loja, pediu um cigarro, saiu. A bicicleta era da irmã dele, presa com cadeado. Um segurança viu, perguntou de quem era, Rafael respondeu que não era dele. Mas em vez de aceitar a resposta, o segurança chamou outro segurança, e depois avisou entregadores que havia um ladrão na região.

Mark

Os entregadores sabiam que ele não havia roubado nada?

Mimi

Não sabiam nada. Só receberam um aviso de que havia um suposto ladrão. Quando encontraram Rafael, filmaram e o acusaram. O vídeo mostra eles ameaçando matá-lo antes de começarem a bater.

Mark

E ninguém tentou parar?

Mimi

As câmeras mostram que sim, outras pessoas estavam por perto durante os nove minutos de agressão. A polícia está tentando identificá-las agora. Elas podem responder por omissão de socorro.

Mark

Qual era a suspeita real contra Rafael?

Mimi

Nenhuma suspeita real. Ele estava sentado em uma escadaria. A bicicleta que o segurança achou suspeita era emprestada, estava presa com cadeado. Rafael respondeu honestamente quando perguntado. Mas a narrativa já tinha sido construída — havia um ladrão na região, e ele se encaixava.

Mark

Os agressores entenderam o que fizeram?

Mimi

Três confessaram. Um ficou em silêncio. Mas a confissão não traz Rafael de volta. Ele levou 63 pauladas em nove minutos e morreu no hospital.

  • Rafael saiu de casa para pedalar a bicicleta emprestada da irmã e nunca voltou — morreu após nove minutos de espancamento e 63 pauladas.
  • Um segurança confundiu a bicicleta com produto de roubo e, sem confirmar a versão de Rafael, mobilizou outros homens para persegui-lo pela vizinhança.
  • Entregadores filmaram Rafael ao vivo, anunciando publicamente que iriam 'dar uma coça' e 'matar' qualquer suspeito de roubo na Zona Sul — e cumpriram a ameaça segundos depois.
  • Rafael ficou agonizando no chão por cerca de trinta minutos antes de a ambulância chegar; quando chegou, ele ainda tentava se levantar, mas não resistiu aos ferimentos.
  • Três dos quatro presos confessaram o crime; a polícia agora rastreia câmeras e testemunhas que permaneceram inertes, podendo responder por omissão de socorro.

Na madrugada de 11 de agosto, em Copacabana, Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, foi morto a pauladas por entregadores e seguranças que o acusavam de roubar uma bicicleta — acusação que nasceu de um mal-entendido numa loja de conveniência. Sua morte, filmada pelos próprios agressores como troféu de vigilância, levanta questões antigas e urgentes sobre justiça popular, a fragilidade da presunção de inocência e o que acontece quando o medo coletivo substitui o direito. Quatro homens foram presos; muitos outros que assistiram em silêncio ainda podem responder perante a lei.

Na noite de 11 de agosto, Cláudio Rafael Landeiro saiu de Botafogo para um passeio de bicicleta — o veículo era emprestado, da sua irmã. Antes do amanhecer, estaria morto.

Tudo começou numa loja de conveniência em Copacabana, pouco antes das 23 horas. Rafael entrou pedindo um cigarro avulso, saiu quando soube que precisaria pagar e deixou a bicicleta trancada do lado de fora. Um segurança chamado Davi Santos Machado fotografou o veículo e perguntou a Rafael, por três vezes, de quem era. Rafael respondeu que não era dele. Davi chamou um colega, Jorge Luiz Ricardo Dias, que levou a bicicleta embora enquanto Rafael tentava impedir. Davi então apareceu com um porrete e o atacou. Rafael correu.

Perto da meia-noite, os seguranças avisaram entregadores que aguardavam pedidos numa esquina próxima: havia um suposto ladrão de bicicleta na área. Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva foram atrás de Rafael. Quando o encontraram sentado na escadaria de um prédio, sacaram os celulares e começaram a filmar. "Ladrão aí, ó. Tiver roubando aqui na Zona Sul, nós vai dar uma coça, nós vai matar, mano", disse um deles. Segundos depois, os golpes começaram.

O linchamento durou nove minutos. Rafael levou 63 pauladas, além de socos e chutes de vários agressores. Depois, ficou caído no chão por cerca de trinta minutos até a ambulância chegar. Ainda tentava se levantar quando os socorristas chegaram. Não resistiu.

Quatro pessoas foram presas — os dois seguranças e os dois entregadores. Três confessaram. Ailton permaneceu em silêncio. O delegado Ângelo Lages informou que as câmeras da região estão sendo analisadas para reconstituir cada etapa dos eventos. A polícia também investiga as testemunhas que assistiram às agressões sem intervir: a omissão de socorro é crime, e ninguém que estava ali naquela noite está fora do alcance da investigação.

Na noite de 11 de agosto, Cláudio Rafael Landeiro, um homem de 37 anos, saiu de Botafogo para pedalar a bicicleta de sua irmã. Antes do amanhecer, ele estaria morto — espancado durante nove minutos por um grupo de entregadores e seguranças que o acusavam de roubo. As imagens que documentaram seus últimos momentos vivos mostram o que aconteceu nos segundos antes das agressões começarem: dois homens com celulares em mãos, filmando, ameaçando.

Tudo começou em uma loja de conveniência em Copacabana. Rafael entrou pouco antes das 23 horas pedindo um cigarro avulso, mas saiu quando soube que teria de pagar. Deixou a bicicleta — que não era sua, era emprestada — presa com um cadeado junto a galões de água do lado de fora. Um segurança chamado Davi Santos Machado a viu, tirou fotos e depois perguntou a Rafael de quem era o veículo. Segundo um funcionário da loja, Davi fez a mesma pergunta três vezes. Rafael respondeu que não era dele. Davi então chamou outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, que levou a bicicleta embora enquanto Rafael tentava impedir. Davi apareceu em seguida com um porrete e atacou Rafael, que correu.

Perto da meia-noite, entregadores que aguardavam pedidos em uma esquina próxima foram avisados de que havia um suposto ladrão de bicicleta na região. A informação veio dos seguranças. Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva saíram em busca de Rafael. Quando o encontraram sentado na escadaria de um prédio, tiraram os celulares e começaram a filmar. "Ladrão aí, ó. Tiver roubando aqui na Zona Sul, nós vai dar uma coça, nós vai matar, mano", disse um deles no vídeo. Segundos depois, as agressões começaram. Um homem não identificado deu um chute em Rafael. Davi Santos Machado chegou ao local com um pedaço de pau e o golpeou repetidamente. Rafael foi atingido também por socos e chutes de vários agressores.

O linchamento durou cerca de nove minutos. Rafael levou 63 pauladas. Depois, permaneceu no chão por cerca de trinta minutos aguardando o socorro. Quando a ambulância chegou, ele estava agonizando, tentando se levantar. Foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Quatro pessoas foram presas: os dois seguranças, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, e os dois entregadores, Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Os seguranças e Felipe confessaram o crime. Ailton permaneceu em silêncio durante o depoimento à polícia. O delegado Ângelo Lages, responsável pela investigação, afirmou que as câmeras de segurança da região estão sendo usadas para esclarecer a dinâmica dos eventos. A polícia também busca identificar todas as pessoas que presenciaram as agressões, pois elas podem responder pelo crime de omissão de socorro — o dever legal de prestar ajuda a alguém em perigo.

Ele estava agonizando no chão, tentando levantar até que o corpo de bombeiro chegou. Ele foi socorrido, mas infelizmente ele veio a falecer
— Delegado Ângelo Lages, Polícia Civil
Conversa que a gente teve foi só essa pergunta, só perguntando se a bicicleta era dele ou não. A gente perguntou isso umas três vezes, ele respondeu que não era
— Funcionário da loja de conveniência
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