Oscilações de energia causaram morte de mil frangos em um aviário e perda de 900 mil quilos de tilápia avaliada em R$ 9 milhões em Tupãssi. Produtores precisam manter geradores como backup, com custos de até R$ 7,8 mil por dia em diesel, além de enfrentar demora no atendimento técnico da Copel.
Energia instável no Paraná causa prejuízos de milhares de reais diários a produtores rurais
Isso já não é um problema de meses, já são anos que está ruim.
Por que esse problema de energia afeta tanto os produtores rurais? Não é só um incômodo?
Porque a maioria das operações rurais depende de energia contínua para manter animais vivos. Um aviário sem exaustores em dia quente sufoca os frangos em horas. Um tanque de tilápia sem aeradores mata os peixes. Não é como uma casa que fica sem luz.
Mas precisamos separar duas coisas aqui: as quedas causadas pelos temporais de setembro, que a Copel está documentando com 638 postes quebrados, e as oscilações crônicas que os produtores dizem que vêm acontecendo há anos. São problemas diferentes?
Sim, são. Os temporais são eventos climáticos. Mas os produtores estão reclamando de um padrão de instabilidade que antecede as chuvas recentes. A Federação da Agricultura formalizou uma representação em julho, antes das chuvas de setembro.
E quanto aos custos? R$ 7,8 mil por dia em diesel parece extremo.
É o custo de manter dois geradores ligados 24 horas. Claus Lemmertz tem que fazer isso porque não pode arriscar perder seus peixes. Mas é um custo que ele não deveria ter se a rede funcionasse.
A questão é: quanto desse custo é causado por falhas da Copel e quanto é causado pelos temporais? O material que temos documenta bem os temporais, mas as oscilações crônicas são principalmente relatos de produtores. Não há dados técnicos da Copel confirmando a frequência dessas oscilações antes de setembro.
Verdade. Mas o fato de a Federação ter acionado o Ministério Público em julho sugere que havia um padrão documentado o suficiente para justificar uma representação formal.
E a demora no atendimento? Isso parece ser um problema separado.
Sim. Felipe Oliva esperou 48 horas e seu protocolo nem estava registrado no sistema. Claus Lemmertz diz que problemas de 15 minutos levam horas. Isso não é sobre a rede estar danificada; é sobre a resposta da empresa.
Mas novamente, precisamos contextualizar: a Copel estava lidando com 180 mil consumidores desligados simultaneamente. É possível que o atendimento tenha sido lento porque a empresa estava sobrecarregada, não necessariamente porque é incompetente.
Justo. Mas Lemmertz relata que até as equipes da Copel reclamam da demora. E ele diz que o problema é de anos, não de semanas.
Então qual é a próxima etapa? A Federação acionou o Ministério Público. O que acontece agora?
Não sabemos. O material não diz. A representação foi feita em julho, mas não há informação sobre o andamento da investigação ou se o Ministério Público respondeu.
The Pulse
- Mil frangos morreram em um aviário após queda de energia em 2026
- Produtor de Tupãssi perdeu 900 mil quilos de tilápia avaliados em R$ 9 milhões em fevereiro
- Custo diário de manter dois geradores ligados: até R$ 7,8 mil em diesel
- 180 mil consumidores ficaram sem energia entre 31 de agosto e 1º de setembro
- Federação da Agricultura acionou Ministério Público em julho de 2026
Oscilações de energia causaram morte de mil frangos em um aviário e perda de 900 mil quilos de tilápia avaliada em R$ 9 milhões em Tupãssi. Produtores precisam manter geradores como backup, com custos de até R$ 7,8 mil por dia em diesel, além de enfrentar demora no atendimento técnico da Copel.
Produtores rurais do Paraná enfrentam perdas diárias de milhares de reais devido a quedas e oscilações de energia elétrica, com morte de animais e equipamentos queimados. A Federação da Agricultura acionou o Ministério Público para investigar a qualidade do serviço da Copel.
Nos últimos meses, produtores rurais do Paraná têm enfrentado um problema que se repete com frequência crescente: quedas e oscilações na energia elétrica que destroem rebanhos, queimam equipamentos e forçam investimentos desesperados em geradores a diesel. Os prejuízos acumulam-se diariamente, chegando a milhares de reais por propriedade, e o padrão sugere um problema estrutural, não episódios isolados.
Em julho de 2026, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná formalizou uma representação junto ao Ministério Público do Paraná e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, pedindo investigação sobre a qualidade do serviço prestado pela Companhia Paranaense de Energia. Segundo os produtores, a situação persiste há anos. Os impactos recaem principalmente sobre a pecuária paranaense, que depende integralmente da energia para manter sistemas de produção funcionando. No primeiro semestre de 2026, uma queda de energia matou mil frangos prontos para o abate em um único dia nos aviários Riffel, que recebem cerca de 65 mil aves a cada dois meses. Quando os exaustores e comedouros param, o calor sufoca os animais em poucas horas. Em fevereiro, um produtor de Tupãssi, no Oeste do Paraná, perdeu 900 mil quilos de tilápia avaliados em R$ 9 milhões após oscilações queimarem os aeradores que oxigenam os tanques.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, resumiu a urgência do problema: em cadeias como piscicultura, avicultura, suinocultura e bovinocultura de leite, poucas horas sem energia provocam morte de animais, descarte da produção e gastos elevados com geradores. A solução imediata para muitos produtores é manter equipamentos de backup funcionando continuamente, um custo que se torna insustentável. Claus Lemmertz, piscicultor de Marechal Cândido Rondon, mantém dois geradores, cada um consumindo aproximadamente 25 litros de diesel por hora. Se precisar manter ambos ligados durante 24 horas, o gasto extra chega a R$ 7,8 mil por dia. Meses atrás, oscilações danificaram um de seus geradores, causando prejuízo de R$ 4 mil.
O problema agravou-se após as chuvas do início de setembro. Entre segunda-feira 31 de agosto e terça-feira 1º de setembro, 180 mil unidades consumidoras ficaram sem energia no Paraná. Até quinta-feira 3 de setembro, cerca de 2 mil unidades em áreas rurais ainda aguardavam restabelecimento, principalmente na região Centro-Sul. Lemmertz relata que durante esse período um cabo se rompeu, deixando sua propriedade sem luz e aumentando a pressão sobre os geradores. Mesmo após visitas das equipes da Copel, o problema não foi solucionado imediatamente. Segundo ele, a empresa demorou na manutenção e, quando a energia retornou, uma chave ficou aberta, deixando muitos produtores sem luz a noite inteira. Lemmertz afirma que o problema não é de meses, mas de anos, e que a situação piorou desde a privatização da Copel.
Outro aspecto crítico é a demora no atendimento técnico. Lemmertz relata que problemas que poderiam ser resolvidos em 15 minutos levam três ou quatro horas. Em Porto Amazonas, nos Campos Gerais, Felipe Oliva ficou sem luz durante o período de chuvas. A propriedade manteve energia em 220 volts, mas perdeu a fase necessária para equipamentos em 110 volts, causado por um parafuso solto na conexão do transformador. O reparo só ocorreu depois que Oliva encontrou, por acaso, uma equipe da Copel atendendo outra ocorrência nas proximidades. Após 48 horas sem atendimento, Oliva descobriu que seu protocolo sequer estava registrado no sistema da empresa. Produtor de gado e culturas de grãos, Oliva depende de energia para conservar medicamentos e sêmen para inseminação artificial. Durante a interrupção recente, conectou a geladeira ao carro para manter os itens refrigerados. Historicamente, já perdeu uma bomba d'água, uma câmera de segurança e um roteador Starlink por causa de oscilações na rede. Durante a pandemia, enfrentou uma interrupção de aproximadamente 36 horas em período de verão, comprometendo medicamentos e vacinas.
Em Patrimônio do Caratuva, entre Ibaiti e Arapoti, no Norte Pioneiro, moradores relatam estar sem energia desde 29 de agosto, após uma chuva leve. Paulo Barbosa perdeu diversos alimentos congelados e fez mais de dez ligações para a Copel, além de enviar e-mails, mas não obteve previsão de retorno do serviço. A localidade é predominantemente rural, onde famílias mantêm estoques em geladeiras e freezers porque a ida a supermercados não é frequente.
Em nota à imprensa, a Copel informou que realiza serviços de campo para restabelecimento da energia, com religamentos feitos de forma gradativa através de manobras técnicas, recomposição de cabos rompidos, substituição de postes e troca de equipamentos. A empresa atribui os danos aos temporais recentes, que causaram ventos fortes, chuvas, granizo e descargas elétricas, derrubando árvores sobre as linhas e ocasionando quebras de postes e equipamentos. Segundo a Copel, os temporais do início de setembro causaram danos severos em todas as regiões do Paraná, somando 638 postes quebrados, grande extensão de cabos rompidos e equipamentos destruídos. No momento mais intenso, na noite de segunda-feira 31 de agosto, cerca de 180 mil consumidores ficaram desligados. A empresa afirma que em alguns lugares há dificuldades de acesso.
Notable Quotes
Em cadeias como piscicultura, avicultura, suinocultura e bovinocultura de leite, poucas horas sem energia provocam mortalidade de animais, descarte da produção e gastos elevados com geradores.— Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP
Eu pago a conta da Copel em dia. Eu só queria que a energia viesse e, quando ela não venha por alguma razão, seja rápida a retomada do sistema.— Felipe Oliva, produtor de gado e grãos