No Brasil, a chegada de um concorrente nacional ao mercado das semaglutidas inaugura uma nova fase na disputa pelo acesso a tratamentos para diabetes e obesidade. A EMS, ao reduzir o preço do Ozivy em 23% menos de dois meses após seu lançamento, não apenas desafia o domínio do Ozempic, mas levanta uma questão mais profunda: em que ponto a competição comercial se converte, de fato, em democratização da saúde? A resposta, por ora, permanece suspensa entre o preço da caneta e o custo invisível de uma consulta médica.
EMS reduz preço do Ozivy para R$ 333 por caneta via programa de fidelização
O preço ainda é um dos principais limitadores para o tratamento
Por que a EMS decidiu reduzir o preço justamente agora, dois meses após o lançamento?
A inclusão na Lista de Medicamentos de Referência foi o sinal que precisavam. Isso abre a porta para genéricos e biossimilares, então a EMS está se posicionando antes que a concorrência chegue ainda mais forte.
Mas o Ozempic continua praticamente no mesmo preço. Como isso é competição?
É competição porque o Ozivy é novo, é nacional, e a EMS está tentando ganhar market share rápido. O Ozempic tem anos de mercado e fidelização. Além disso, esses programas de fidelização criam uma barreira: você só consegue o preço bom se se cadastrar, se tiver prescrição válida.
E quem não consegue prescrição médica?
Fica de fora. Michelly Marchiori foi clara sobre isso: nem todo mundo consegue consulta fácil. O preço da caneta é uma barreira, mas a prescrição é outra. São duas portas que precisam abrir.
O Ozivy é realmente diferente do Ozempic, ou é a mesma coisa com outro nome?
É a mesma substância ativa — semaglutida — mas produzida de forma diferente. O Ozivy usa síntese química com matéria-prima sintética, enquanto o Ozempic é biológico. Por isso a Anvisa o classificou como medicamento novo, não como genérico.
Isso muda algo para o paciente?
Na prática, o efeito é o mesmo. Ambos imitam o hormônio GLP-1, controlam o açúcar no sangue, estimulam insulina e reduzem apetite. A diferença está na fabricação e no preço — por enquanto.
Le Pouls
- A EMS cortou o preço do Ozivy para R$ 333 por caneta — uma queda de 23% — pressionando diretamente o Ozempic, que custa valores praticamente idênticos ao consumidor final.
- A inclusão do Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa acende um alerta competitivo: a porta para genéricos e biossimilares foi aberta, e o mercado pode se transformar nos próximos meses.
- Apesar da redução, especialistas alertam que o preço ainda funciona como barreira real — e que a necessidade de prescrição médica exclui silenciosamente uma parcela significativa da população.
- O medicamento já circula entre distribuidores, mas ainda não chegou a todas as farmácias, e a alta demanda contrasta com uma distribuição ainda limitada pelo próprio valor do produto.
No Brasil, a chegada de um concorrente nacional ao mercado das semaglutidas inaugura uma nova fase na disputa pelo acesso a tratamentos para diabetes e obesidade. A EMS, ao reduzir o preço do Ozivy em 23% menos de dois meses após seu lançamento, não apenas desafia o domínio do Ozempic, mas levanta uma questão mais profunda: em que ponto a competição comercial se converte, de fato, em democratização da saúde? A resposta, por ora, permanece suspensa entre o preço da caneta e o custo invisível de uma consulta médica.
A guerra de preços nas canetas injetáveis para diabetes e obesidade chegou ao Brasil com força. Menos de dois meses após o lançamento do Ozivy — a primeira semaglutida sintética produzida nacionalmente —, a EMS anunciou uma redução significativa: pacientes inscritos no Programa Vida + Leve podem adquirir três canetas de 1 mg por R$ 999, saindo a R$ 333 por unidade. Isso representa uma queda de cerca de 23% em relação à oferta anterior do mesmo programa, que disponibilizava duas canetas por R$ 863,22.
O momento do anúncio não é casual. Dias antes, a Anvisa incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência, publicada no Diário Oficial da União — decisão que abre caminho para o surgimento de genéricos e biossimilares. O medicamento havia recebido aprovação da agência em maio e começado a ser comercializado em junho, após a expiração da patente da semaglutida em março.
O concorrente, porém, é formidável. O Ozempic, da dinamarquesa Novo Nordisk, custa entre R$ 975 e R$ 999 dependendo da dosagem e do canal de acesso — valores praticamente empatados com os do Ozivy nos programas de fidelização. Iran Gonçalves Junior, diretor médico da EMS, afirma que a nova condição comercial faz parte de um plano maior de democratização do acesso ao tratamento.
Mas especialistas ponderam que o preço da caneta é apenas uma parte do problema. Michelly Marchiori, porta-voz do sindicato farmacêutico do Espírito Santo, destaca que o valor ainda representa uma barreira real para muitos pacientes — e que a exigência de prescrição médica adiciona um obstáculo extra para quem já enfrenta dificuldades de acesso ao sistema de saúde. O Ozivy já está disponível em distribuidores, mas ainda não chegou a todas as farmácias, e a alta demanda contrasta com uma distribuição ainda restrita. A entrada futura de genéricos pode ser o passo que efetivamente amplie o alcance dessas canetas para um público muito mais vasto.
A guerra de preços nas canetas injetáveis para diabetes e obesidade chegou ao Brasil com força. Menos de dois meses após lançar o Ozivy — a primeira semaglutida sintética produzida nacionalmente — a farmacêutica EMS anunciou uma redução significativa no valor do medicamento, movimentando um mercado que até pouco tempo era dominado quase exclusivamente pelo Ozempic, da dinamarquesa Novo Nordisk.
A nova estratégia da EMS funciona assim: pacientes inscritos no Programa Vida + Leve podem agora adquirir três canetas de 1 mg por R$ 999, o que sai a R$ 333 por unidade. Essa modalidade representa uma queda de aproximadamente 23% em relação à oferta anterior do mesmo programa, que disponibilizava duas canetas de 1 mg por R$ 863,22 — ou R$ 431,61 cada. A opção anterior continua disponível para quem preferir, desde que o paciente se cadastre no programa e apresente uma prescrição médica válida.
O timing da redução não é coincidência. Poucos dias antes do anúncio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência, uma decisão publicada no Diário Oficial da União que abre caminho para o surgimento de genéricos e biossimilares. Essa inclusão sinaliza que o medicamento já conquistou seu espaço no mercado regulatório brasileiro. O Ozivy recebeu aprovação da Anvisa no final de maio e começou a ser comercializado em junho, após a patente da semaglutida expirar em março deste ano.
Iran Gonçalves Junior, diretor médico da EMS, explicou que a ampliação das condições comerciais faz parte de um plano maior da empresa para democratizar o acesso ao tratamento. Segundo ele, a farmacêutica manteve todos os benefícios já oferecidos e simplesmente adicionou uma nova opção com três canetas por R$ 999, tornando a medicação mais acessível para pacientes elegíveis.
Mas o Ozivy ainda enfrenta um concorrente formidável. O Ozempic custa entre R$ 975 — nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg pelo programa Preço NovoDia, que funciona como e-commerce — e R$ 999 na dosagem de 1 mg. Ou seja, os preços estão praticamente empatados, pelo menos na ponta do consumidor que consegue acessar esses programas de fidelização.
O problema, porém, vai além do preço da caneta. Michelly Marchiori, porta-voz do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Espírito Santo, aponta que mesmo sendo mais barato que o Ozempic, o valor ainda funciona como barreira significativa para muitos pacientes. Ela também destaca que o custo da medicação é apenas uma parte da equação: o paciente precisa passar por uma consulta médica para obter a prescrição, e nem sempre conseguir esse atendimento é fácil para uma parcela considerável da população.
O Ozivy já pode ser encontrado com relativa facilidade pelos distribuidores, embora ainda não esteja presente em todas as farmácias. A demanda é alta, e o valor elevado do produto continua sendo um fator limitante para a distribuição em massa. O medicamento é apresentado como uma solução injetável em caneta preenchida para administração semanal, utilizando tecnologia de síntese química com matéria-prima sintética. Por isso, a Anvisa o classificou como medicamento novo, não se enquadrando como genérico, similar ou biossimilar.
Para acessar as condições do Programa Vida + Leve, o paciente deve se cadastrar no portal vidamaisleve.emssaude.com.br ou diretamente no balcão das farmácias participantes, apresentando uma prescrição médica válida. A inclusão do Ozivy na lista de medicamentos de referência pode ser o primeiro passo para uma transformação maior no mercado: com a porta aberta para genéricos e biossimilares, os preços tendem a cair ainda mais nos próximos meses, potencialmente tornando essas canetas acessíveis para um público muito mais amplo.
Citations marquantes
Mantivemos todos os benefícios já oferecidos pelo programa e passamos a disponibilizar uma nova opção com três canetas de 1 mg por R$ 999, tornando o tratamento mais acessível para pacientes elegíveis— Iran Gonçalves Junior, diretor médico da EMS
Mesmo sendo mais barato que o Ozempic, o preço ainda é um dos principais limitadores para o tratamento. Além do valor da caneta, o paciente precisa passar por consulta médica para obter a receita, e nem sempre é fácil conseguir atendimento— Michelly Marchiori, porta-voz do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Espírito Santo