No mesmo momento em que a Eli Lilly revelava números que confirmavam sua ascensão no mercado de medicamentos para diabetes e obesidade, a Novo Nordisk enfrentava a sombra de acordos de preços e concorrência crescente. O que se desenha não é apenas uma disputa entre duas farmacêuticas, mas um reflexo das tensões entre inovação, regulação e o custo humano do acesso à saúde. O futuro do setor será moldado tanto pelos laboratórios quanto pelas políticas que os cercam.
Eli Lilly surpreende com resultados; Novo Nordisk enfrenta desafios em 2026
Enquanto a Eli Lilly segue em frente, a Novo Nordisk enfrenta o ano com incerteza
Por que a Eli Lilly conseguiu surpreender tanto enquanto a Novo Nordisk tropeçou?
A Eli Lilly tem dois medicamentos — Mounjaro e Zepbound — que estão crescendo em volume e mantendo preço. A Novo Nordisk enfrenta pressão de preços do governo americano e concorrência mais forte. São dinâmicas diferentes.
Mas espera — a Novo Nordisk ainda vendeu mais Ozempic em valor absoluto do que a Eli Lilly vendeu Mounjaro. Como é que a Eli Lilly está ganhando?
A Eli Lilly está crescendo mais rápido. Mounjaro e Zepbound estão em expansão, enquanto Ozempic está praticamente estagnado — crescimento de apenas 1%.
E esse acordo de preços com o governo americano? Isso foi bom ou ruim para a Novo Nordisk?
Politicamente foi bom. Financeiramente, está custando. A empresa projetou queda de 5% a 13% nas vendas para 2026 por causa disso.
Mas a Novo Nordisk ainda superou as estimativas de receita no trimestre. Então por que o mercado deveria se preocupar?
Porque as projeções para frente são o que importa. O trimestre passado foi bom, mas 2026 vai ser mais difícil.
E a versão oral do Wegovy? Isso não muda o jogo?
Pode mudar. Mas a Novo Nordisk disse claramente que o impacto financeiro vai levar tempo. Não é uma solução imediata.
Então temos uma empresa em alta velocidade e outra navegando em águas turbulentas. Ambas estão no mesmo mercado de medicamentos para diabetes e obesidade?
Exatamente. E a Eli Lilly está ganhando essa batalha por enquanto.
O que muda isso?
Inovação, concorrência, regulação. E talvez a versão oral do Wegovy, se ela decolar rápido o suficiente.
Il Polso
- A Eli Lilly registrou crescimento anual de 43% na receita, com Mounjaro e Zepbound impulsionando resultados muito acima do esperado pelo mercado.
- A Novo Nordisk, apesar de superar estimativas de lucro por ação, viu sua receita recuar 7,6% e enfrenta projeção de queda de até 13% nas vendas para 2026.
- Um acordo com o governo americano para reduzir preços de medicamentos contra obesidade, antes celebrado como responsabilidade corporativa, agora pesa diretamente sobre os ganhos futuros da Novo Nordisk.
- A versão oral do Wegovy surge como aposta de renovação, mas a própria empresa admite que seus efeitos financeiros ainda levarão tempo para se consolidar.
- Enquanto a Lilly projeta receita entre US$ 80 e 83 bilhões para 2026 com confiança declarada, a Novo Nordisk navega um ano de incerteza regulatória e pressão competitiva.
No mesmo momento em que a Eli Lilly revelava números que confirmavam sua ascensão no mercado de medicamentos para diabetes e obesidade, a Novo Nordisk enfrentava a sombra de acordos de preços e concorrência crescente. O que se desenha não é apenas uma disputa entre duas farmacêuticas, mas um reflexo das tensões entre inovação, regulação e o custo humano do acesso à saúde. O futuro do setor será moldado tanto pelos laboratórios quanto pelas políticas que os cercam.
Quando a Eli Lilly abriu seus resultados do quarto trimestre, os números confirmavam uma posição de força. O lucro ajustado de US$ 7,54 por ação superou com folga os US$ 6,91 esperados pelo mercado, e a receita de US$ 19,3 bilhões ficou bem acima do consenso de US$ 17,9 bilhões — um crescimento anual de 43% sustentado pelo desempenho de Mounjaro, para diabetes tipo 2, e Zepbound, para controle crônico de peso. Para 2026, a companhia projetou receita entre US$ 80 bilhões e US$ 83 bilhões, sinalizando confiança em sua trajetória.
A Novo Nordisk apresentou um quadro bem mais ambíguo. O lucro por ação superou as projeções, mas o lucro líquido caiu 4,7% e a receita recuou 7,6%, chegando a 79,14 bilhões de coroas dinamarquesas. Wegovy cresceu 17% na comparação anual, enquanto Ozempic avançou apenas 1% — um sinal de pressão sobre seu principal produto para diabetes.
O momento mais revelador veio com as projeções para 2026: a empresa antecipa queda de 5% a 13% nas vendas e no lucro operacional. Três fatores explicam o cenário — pressão de preços decorrente de um acordo com o governo americano para reduzir valores de medicamentos contra obesidade, aumento da concorrência e desafios regulatórios. O que havia parecido uma vitória de responsabilidade corporativa revelou-se um freio nos ganhos futuros.
A esperança da Novo Nordisk repousa na versão oral do Wegovy, cuja recepção inicial nos EUA foi positiva. Mas a própria empresa reconhece que o impacto financeiro dessa inovação ainda levará tempo. Enquanto isso, a Eli Lilly segue avançando, e a Novo Nordisk entra em 2026 carregando incertezas que o mercado ainda está aprendendo a dimensionar.
Quando a Eli Lilly abriu seus livros para o quarto trimestre, os números contavam uma história de domínio. O lucro ajustado chegou a US$ 7,54 por ação — bem acima dos US$ 6,91 que o mercado esperava. A receita total de US$ 19,3 bilhões superou o consenso de US$ 17,9 bilhões, um crescimento anual de 43% que refletia a força contínua de dois medicamentos: Mounjaro, para diabetes tipo 2, e Zepbound, para controle crônico de peso. Mesmo com a concorrência se intensificando e novas formas de administração sendo desenvolvidas, a companhia manteve seu ritmo.
O desempenho foi impulsionado pelo crescimento dos volumes de seus medicamentos de maior sucesso. Para 2026, a Lilly projetou receita entre US$ 80 bilhões e US$ 83 bilhões — acima das expectativas do mercado — e lucro ajustado entre US$ 33,50 e US$ 35 por ação, igualmente superior ao consenso. A empresa sinalizava confiança em sua posição.
A Novo Nordisk, por sua vez, apresentou um quadro bem mais complexo. No quarto trimestre, o lucro por ação foi de 6,04 coroas dinamarquesas (US$ 0,96), acima dos 5,85 coroas (US$ 0,93) que a FactSet havia projetado. Mas por baixo dessa métrica favorável havia sinais de enfraquecimento. O lucro líquido caiu 4,7%, para 26,89 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 4,25 bilhões). A receita recuou 7,6%, para 79,14 bilhões de coroas (US$ 12,52 bilhões), embora ainda superasse a projeção de 76,91 bilhões de coroas (US$ 12,17 bilhões).
Dentro desses números gerais, havia movimento em direções opostas. Wegovy, o medicamento para controle de peso, cresceu 17% na comparação anual, atingindo 21,86 bilhões de coroas (US$ 3,45 bilhões) e superando as estimativas. Ozempic, para diabetes, avançou apenas 1%, para 31,83 bilhões de coroas (US$ 5,03 bilhões), ainda assim acima do esperado. Mas o crescimento modesto de Ozempic sinalizava pressão.
O verdadeiro peso caiu quando a Novo Nordisk projetou 2026. A companhia esperava queda de 5% a 13% nas vendas e no lucro operacional ajustado a taxas constantes — bem abaixo do que os investidores antecipavam. A empresa apontou três razões: pressão de preços após acordo com o governo dos EUA para reduzir valores de medicamentos contra obesidade, aumento da concorrência e desafios regulatórios. O acordo que havia parecido uma vitória de responsabilidade corporativa agora aparecia como um freio nos ganhos futuros.
Houve um ponto de esperança. A Novo Nordisk destacou a boa recepção inicial da versão oral do Wegovy nos EUA. Mas a companhia foi honesta: o impacto financeiro dessa inovação ainda levaria tempo para se consolidar. Enquanto isso, a Eli Lilly seguia em frente, e a Novo Nordisk enfrentava o ano que se aproximava com incerteza.
Citazioni salienti
A Novo Nordisk citou pressão de preços após acordo com o governo dos EUA para reduzir valores de medicamentos contra obesidade, além do aumento da concorrência e de desafios regulatórios— Novo Nordisk, em comunicado de resultados
A Novo Nordisk apontou a boa recepção inicial da versão oral do Wegovy nos EUA, embora reconheça que o impacto financeiro ainda levará tempo para se consolidar— Novo Nordisk, em comunicado de resultados