Capitã Michele Leão Azevedo apresentava múltiplas lesões, traumatismo craniano e marcas compatíveis com chicotadas quando chegou ao hospital. Suspeito alega que casal consumiu drogas, manteve relações com práticas de dominação e que vítima caiu da escada, mas polícia encontra indícios de ocultação.
Ecstasy e cabo de madeira: evidências encontradas no caso de capitã morta em Belo Horizonte
Marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte profundo na cabeça
O que levou a polícia a suspeitar que não foi um acidente como ele descreveu?
Os ferimentos não fazem sentido com uma queda de escada. Traumatismo craniano, marcas de chicotadas, múltiplos hematomas — isso sugere agressão prolongada e deliberada. E depois há o comportamento dele: descartando drogas no hospital, roupas de cama limpas e molhadas, um cabo de madeira quebrado no lixo.
Ele alega que tudo foi consensual, que ela caiu. Por que isso não é crível?
Porque os ferimentos não correspondem a uma queda. E porque há um padrão. Ele tem histórico de violência contra outras mulheres — em 2016, uma ex-companheira o denunciou por tê-la puxado pelos cabelos, arrastado, agredido. Depois ele descumpriu a medida protetiva. Isso não é acaso.
O que significa que as roupas de cama estavam limpas e molhadas?
Sugere limpeza deliberada da cena. Se ela caiu da escada e foi ferida, por que lavar toda a roupa de cama? Por que colocá-la na máquina? Parece ocultação de evidência.
E o cabo de madeira?
Estava quebrado e foi encontrado no lixo externo. A polícia acredita que pode ter sido usado para agredi-la. É uma arma que desaparece — ou tenta desaparecer — no lixo.
Ele foi exonerado da PM antes. Como voltou?
Omitiu informações no formulário de ingresso — não revelou uma apreensão por porte ilegal de arma na adolescência. Foi exonerado, mas a Justiça o readmitiu em 2015. Então ele estava de volta à corporação quando isso aconteceu.
Qual é o próximo passo?
Os laudos periciais. Eles vão analisar os comprimidos, o cabo, talvez resíduos nas roupas. A autópsia também pode revelar mais sobre a sequência dos ferimentos. Mas o padrão já está claro para a polícia.
O Pulso
- Capitã Michele Leão Azevedo apresentava traumatismo craniano, múltiplos hematomas, marcas de chicotadas e corte profundo na cabeça
- Sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira preso após levar esposa morta ao Hospital Odilon Behrens em Belo Horizonte
- Polícia encontrou comprimidos de ecstasy descartados, cabo de madeira quebrado e roupas de cama limpas e molhadas
- Eduardo possui histórico de violência contra mulheres em 2014 e 2016, incluindo denúncia de ex-companheira em março de 2016
- Sargento foi exonerado da PM por omissão de apreensão por porte ilegal de arma na adolescência, mas readmitido em 2015
Capitã Michele Leão Azevedo apresentava múltiplas lesões, traumatismo craniano e marcas compatíveis com chicotadas quando chegou ao hospital. Suspeito alega que casal consumiu drogas, manteve relações com práticas de dominação e que vítima caiu da escada, mas polícia encontra indícios de ocultação.
Sargento da Polícia Militar é preso após levar esposa morta ao hospital. Polícia encontra ecstasy, cabo de madeira quebrado e roupas lavadas que indicam possível ocultação de crime.
Na noite de segunda-feira, 21 de julho, um sargento da Polícia Militar de Minas Gerais entrou no Hospital Odilon Behrens em Belo Horizonte carregando o corpo de sua esposa nos ombros. A capitã Michele Leão Azevedo, também policial militar, chegou ao hospital sem vida por volta das 21h35. Seu corpo apresentava um quadro de ferimentos extensos: traumatismo craniano, lesões nas pernas, hematomas generalizados, marcas lineares que sugeriam chicotadas e um corte profundo na região frontal da cabeça. Os médicos estimaram que ela havia morrido entre quatro e seis horas antes de chegar à unidade de saúde.
O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso ainda naquela noite. Enquanto aguardava no hospital, ele pediu para usar o banheiro e foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira. Dentro dela, a polícia encontrou comprimidos com características compatíveis com ecstasy. O material foi apreendido para perícia. Esse achado inicial abriria caminho para uma série de descobertas que a polícia interpretaria como sinais de ocultação de crime.
Quando os peritos chegaram ao apartamento do casal, encontraram roupas de cama retiradas do leito, limpas e molhadas dentro da máquina de lavar. Em um lixo externo próximo à saída de emergência do prédio, localizaram um cabo de madeira quebrado que poderia ter sido usado para agredir a vítima. O bastão foi apreendido como evidência. As imagens do circuito interno do edifício registraram o momento em que Eduardo carregava o corpo da esposa até a garagem e o colocava dentro do carro.
Em seu depoimento à polícia, Eduardo ofereceu uma versão dos acontecimentos que contrastava drasticamente com o quadro de ferimentos encontrado. Ele afirmou que na noite anterior o casal havia promovido uma confraternização em casa, consumindo bebidas alcoólicas e ecstasy. Segundo sua narrativa, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais que incluíram práticas de dominação e agressões físicas. Por volta do meio-dia, ele disse que Michele caiu da escada da residência, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos. Eduardo afirmou ter prestado os primeiros socorros, dado banho na esposa, estancado o sangramento e a colocado para descansar. Segundo ele, ela recusou atendimento médico por constrangimento relacionado ao consumo de drogas. Ambos dormiram à tarde, e ao acordar por volta das 21 horas, ele percebeu que Michele não respondia aos estímulos, levando-a então ao hospital.
A defesa de Eduardo divulgou uma nota informando que acompanha as investigações e afirmando ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento. Os advogados disseram confiar no devido processo legal e na imparcialidade das investigações, reservando-se o direito de se manifestar posteriormente e preservando o sigilo do procedimento.
O histórico de Eduardo, porém, adiciona peso às suspeitas da polícia. Ele possuía registros de violência contra mulheres em 2014 e 2016. Em março de 2016, uma ex-companheira o denunciou por tê-la puxado pelos cabelos, arrastado até a rua, jogado no chão e atingido com um soco no rosto. Meses depois, em setembro do mesmo ano, a mesma mulher procurou a polícia para denunciar que ele havia descumprido uma medida protetiva concedida pela Justiça.
Seu passado institucional também é marcado por problemas. Eduardo foi exonerado da Polícia Militar de Minas Gerais por ter omitido, ao preencher o formulário de ingresso, informações sobre uma apreensão na adolescência por porte ilegal de arma de fogo e processos por atos infracionais. Ele havia cumprido medida de prestação de serviço à comunidade por seis meses. Em 2015, porém, foi readmitido na corporação por decisão da Justiça, conforme acórdão da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
A investigação agora aguarda os laudos periciais que analisarão os comprimidos encontrados, o cabo de madeira e outras evidências coletadas. O caso permanece em aberto, com a polícia buscando esclarecer as circunstâncias exatas da morte de Michele Leão Azevedo.
Citações Notáveis
O casal promoveu uma confraternização em casa e consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy, mantendo relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas, após o que Michele teria caído da escada— Versão do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira em depoimento à polícia
A defesa afirma ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento e confia no devido processo legal e na imparcialidade das investigações— Nota da defesa de Eduardo Abner Pereira de Oliveira