Dupla de cientistas lança IA focada em física, rejeitando oferta bilionária de Bezos

Colocar a física no centro é uma visão centrada na natureza
Anandkumar explica a diferença fundamental entre sua IA e sistemas baseados em linguagem como o ChatGPT.
Mark

Por que recusaram uma oferta de dois bilhões de dólares de Bezos?

Mimi

Porque acreditavam que sua visão era fundamentalmente diferente. Não queriam ser liderados por um investidor externo — queriam manter o controle científico da direção.

Mark

Qual é exatamente a diferença entre o que vocês fazem e o ChatGPT?

Mimi

O ChatGPT aprende padrões em texto. Nossa IA aprende as leis da física. Ela pode prever o que vai acontecer em um sistema físico real, não apenas adivinhar palavras.

Mark

E por que isso importa para chips e robótica?

Mimi

Porque você pode simular comportamentos físicos sem construir protótipos. Menos tentativa e erro em laboratório significa menos tempo e menos custo.

Mark

A Prometheus está fazendo algo parecido?

Mimi

Não exatamente. Eles querem automatizar a fabricação de sistemas complexos. É um objetivo diferente, mais focado em produção em escala.

Mark

Vocês estão em competição agora?

Mimi

Não é competição. São abordagens diferentes para problemas diferentes. Nós apostamos que compreender a física profundamente é o caminho. O tempo dirá quem estava certo.

  • Dois pesquisadores abriram mão de mais de dois bilhões de dólares em financiamento para preservar uma visão científica que consideram mais fundamental do que os grandes modelos de linguagem.
  • A IA que criaram abandona a arquitetura Transformer — base do ChatGPT — e opera com operadores neurais capazes de modelar fenômenos invisíveis ao olho humano, como fluxos de calor em chips ou padrões climáticos extremos.
  • A Accelerated Understanding enfrenta concorrentes poderosos: startups supervisionadas por nomes como Yann LeCun e Fei-Fei Li também disputam o espaço dos chamados 'modelos de mundo'.
  • A empresa aposta em clientes corporativos — de fabricantes de chips a empresas de energia — com a promessa de substituir dezenas de modelos matemáticos frágeis por uma única IA física universal.
  • Enquanto o Projeto Prometheus de Bezos levantou doze bilhões de dólares em junho de 2026, a Accelerated Understanding segue seu curso independente, com parcerias de hardware ainda não reveladas e o incentivo inicial de Jensen Huang, da Nvidia.

Em um momento em que a inteligência artificial avança sobretudo pela linguagem, dois pesquisadores escolheram um caminho diferente: colocar a física — e não as palavras — no centro da máquina. Anandkumar e Jenik recusaram uma proposta bilionária ligada a Jeff Bezos e fundaram a Accelerated Understanding, apresentando ao mundo um modelo de IA capaz de prever fenômenos físicos no espaço e no tempo. A escolha deles ecoa uma questão mais antiga: o que significa, de fato, compreender o mundo?

No final de 2024, durante um jantar em Los Angeles, Anandkumar e seu marido Jenik receberam uma proposta formal intitulada 'Projeto Prometheus'. O documento, ligado ao empresário Vik Bajaj e ao capital de Jeff Bezos, oferecia ao casal uma participação de 35% na nova empresa, salários milionários e acesso a mais de dois bilhões de dólares em financiamento comprometido. Eles recusaram.

A decisão revelou-se uma aposta filosófica tanto quanto estratégica. Anandkumar, professora no Caltech e ex-diretora da Nvidia, e Jenik, engenheiro de infraestrutura de IA, já haviam fundado a Accelerated Understanding com uma convicção clara: a inteligência artificial do futuro não deveria girar em torno da linguagem humana, mas da física do mundo natural. 'Colocar a física no centro é uma visão centrada na natureza', disse ela ao apresentar o modelo publicamente.

A tecnologia que desenvolveram dispensa a arquitetura Transformer — base de sistemas como o ChatGPT — e utiliza operadores neurais, uma abordagem que Anandkumar ajudou a conceber anos antes. Em vez de prever a próxima palavra em uma frase, o modelo prevê como fenômenos físicos evoluem no espaço e no tempo: o comportamento térmico de um chip, a trajetória de uma tempestade, a composição do subsolo em uma área de exploração energética.

A empresa mira o mercado corporativo com uma proposta ambiciosa: uma única IA capaz de responder a qualquer pergunta física, substituindo os modelos matemáticos customizados e frágeis que hoje dominam setores como robótica, climatologia e design de semicondutores. Enquanto isso, o Projeto Prometheus — que seguiu sem eles — captou doze bilhões de dólares em sua Série B em junho de 2026. A Accelerated Understanding avança em ritmo próprio, com parceiros de hardware ainda não nomeados e a memória de que foi Jensen Huang, da Nvidia, quem primeiro a encorajou a levar a ideia adiante.

Dois pesquisadores recusaram uma oferta bilionária de Jeff Bezos no final de 2024 e continuaram desenvolvendo por conta própria uma inteligência artificial radicalmente diferente do ChatGPT. Na terça-feira, Anandkumar e Jenik revelaram o que criaram: um modelo capaz de aprender e prever fenômenos físicos no espaço e no tempo, em vez de simplesmente adivinhar a próxima palavra em uma frase.

Enquanto sistemas como o ChatGPT foram treinados com dados textuais do mundo inteiro, esta IA alternativa funciona de forma completamente distinta. Ela abandona a arquitetura Transformer — aquele "T" que dá nome ao ChatGPT e foi inventada pelo Google — e utiliza uma tecnologia chamada operadores neurais, que Anandkumar ajudou a desenvolver anos atrás. A diferença é fundamental: em vez de processar linguagem, ela processa física. "A visão da inteligência centrada na linguagem coloca os seres humanos no centro. Colocar a física no centro é uma visão centrada na natureza", explicou Anandkumar, professora de ciências da computação e matemática no Caltech.

A empresa que os dois fundaram, chamada Accelerated Understanding, aposta que essa abordagem é superior aos chamados "modelos de mundo" que outras startups — supervisionadas por líderes como Yann LeCun e Fei-Fei Li — estão desenvolvendo. A tese deles é que uma forma mais versátil de operador neural, capaz de prever até fenômenos invisíveis ao olho humano, é o melhor caminho para impulsionar negócios reais. Tomem o design de chips como exemplo: enquanto outras empresas usam IA treinada em texto para programar computadores e raciocinar sobre fabricação, a Accelerated Understanding acredita que uma compreensão profunda da física é essencial para otimizar materiais e temperaturas, reduzindo drasticamente a tentativa e erro em laboratório.

Os cofundadores veem aplicações muito mais amplas. A mesma IA poderia revolucionar robótica, prever condições climáticas extremas ou analisar dados geológicos para empresas de energia. Em vez de modelos matemáticos frágeis e customizados para cada problema, uma única IA poderia responder a qualquer pergunta física que o mundo corporativo fizesse. Por enquanto, a empresa está focada em clientes empresariais, não no consumidor.

Mas como chegaram a esse ponto? No final de 2024, durante um jantar em um restaurante sofisticado na região metropolitana de Los Angeles, um investidor e empresário de biotecnologia chamado Vik Bajaj — que viria a cofundar o Projeto Prometheus com Bezos — discutiu uma colaboração com o casal. Anandkumar já havia trabalhado como cientista na Amazon, onde participou de encontros restritos sobre IA organizados por Bezos, e foi diretora da Nvidia por cinco anos. Jenik, seu marido, é engenheiro de infraestrutura de IA. Os dois já haviam fundado sua empresa.

Bajaj apresentou uma carta de oferta intitulada "Projeto Prometheus". Segundo documentos acessados pela Reuters, a proposta indicava que Anandkumar seria a representante pública da empresa, membro do conselho e responsável por sua visão científica. Ela e Jenik — que seria observador no conselho — receberiam uma participação de 35% na empresa, além de um salário anual combinado de um milhão de dólares, que dobraria para dois milhões após três meses de trabalho. A carta de oferta previa mais de dois bilhões de dólares em capital para o que chamava de "rodadas comprometidas" de financiamento até a Série B, com investidores incluindo Bezos.

Anandkumar e Jenik recusaram. Continuaram desenvolvendo seu projeto por conta própria enquanto Bezos e Bajaj conseguiram levantar uma Série B de doze bilhões de dólares para a Prometheus em junho de 2026. A Prometheus tem como objetivo desenvolver uma IA capaz de automatizar a fabricação de sistemas físicos complexos. Quanto à Accelerated Understanding, Anandkumar possui parcerias com provedores de computação que forneceram clusters de hardware para desenvolver e executar sua IA, embora se recuse a revelar os nomes dos parceiros. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, foi quem a incentivou a levar a ideia adiante desde o início, segundo ela. Anandkumar foi contratada pela fabricante de chips em 2018, liderando uma equipe que explorou como as GPUs da Nvidia poderiam ser utilizadas para aplicações de ponta em IA.

A visão da inteligência centrada na linguagem coloca os seres humanos no centro. Colocar a física no centro é uma visão centrada na natureza
— Anandkumar, professora do Caltech
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